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novembro 06, 2005
Sobre os "jovens"
«O mundo é tanto nosso como vosso mas, no fundo, pertence-vos. Vocês, os jovens, são dinâmicos, estão em pleno desabrochar, como o sol da manhã. É em vós que reside a esperança.»
Por estas palavras de Mao Tsé-Tung começava um folheto que os estudantes pró-chineses distribuíram abundantemente em Paris durante o Maio de 68. E esta mentalidade que grosseiramente poderíamos caracterizar por “juventudismo” impregnou as “consciências” desde então.
Nos jovens reside, diz-se, a irreverência, a generosidade, o desinteresse. (Ver a este propósito a visão desassombrada de Curzio Malaparte, que em tempos evocámos.) E todos os quadrantes políticos se apoderaram do “juventudismo”; e o capitalismo não ficou para trás: os jovens passaram a constituir um segmento de mercado bem definido e desde a moda para jovens à indústria musical toda uma máquina se pôs em marcha para satisfazer os apetites consumistas da rapaziada.
Alguém que esta casa não tem em especial estima, o realizador suíço Jean-Luc Godard (outro maoísta), caracterizou bem a fusão do “idealismo” e do consumismo da juventude coeva, na fórmula “os filhos de Marx e da Coca-Cola” que aparece no filme “Masculin-Féminin”. De resto, quem é que hoje não deixa de ver jovens com t-shirts do sanguinário Guevara a emborcar Coca-Cola e “minhocas no pão” made in McDonald’s?
Outro efeito perverso do Maio gaulês foi a diluição da autoridade, a assunção do princípio de que aos jovens tudo é permitido, desde insultar os professores a pintar paredes - hoje em dia os “grafittis” são tidos como uma forma de “arte” (!?!). Uma ex-secretária de Estado socialista, Ana Benavente, dizia que era normal (sic) e descupável (re-sic) um aluno insultar um professor, pois ele está na idade da irreverência!
Esta introdução vem, claro está, a propósito dos acontecimentos de Paris, em que centenas de “jovens” se dedicaram aos maiores desacatos urbanos para vingar (sic) a morte de dois dos seus. Mas em vez de aburguesados filhos do papá gauleses de gema, temos jovens magrebinos desenraízados, divididos entre a tradição paterna e o mundo em que vivem, duas realidades que dificilmente casam, tanto em termos de mentalidade como de inserção na vida diária.
Já aqui falámos dos efeitos de décadas de laxismo da política de imigração gaulesa (para não mencionar outros países), conduzida aparentemente com dois objectivos principais: assegurar mão de obra barata aos grande empresários (e ao próprio Estado no que toca às grandes obras públicas) e promover um multiculturalismo insensato e suicida para o Ocidente.
O povo diz que «quem semeia ventos, colhe tempestades» mas neste caso quem sofre com a tormenta são os pacatos cidadãos europeus, que já mal podem sair à rua sem receio de serem agredidos, roubados, violados, insultados, ao passo que os “iluminados” que conduziram a esta situação se encontram bem protegidos nos seus condomínios fechados, no seu mundo à parte. Lá fora ficam as vítimas das experimentações sociais.
Publicado por FG Santos às novembro 6, 2005 08:01 PM
Comentários
"...“minhocas no pão”..."
Estou admirado por vê-lo ventilar um mito urbano.
É um mito sim senhor, as vacas americanas, argentinas e espanholas que o digam, coitadas, dizimadas às centenas de milhares, feitas crescer num ápice....
"... décadas de laxismo da política de imigração gaulesa (para não mencionar outros países)..."
Está a falar contra compatriotas seus.
Não esquecer (pois a memória tende a ser curta,sobretudo desde que se compram batedeiras a crédito) que foram precisamente os portugueses os primeiros 'beneficiários' dessas 'políticas' e, ainda hoje, as remessas são um fluxo importante de dinheiro a entrar no nosso país.
Convem recordar que perto de 1 MILHÃO de portugueses emigraram para França e quase 400000 cruzaram as fronteiras da então RFA, isto para não falar dos milhares na Suiça e na comunidade portuguesa do Luxemburgo, onde representam, sózinhos, mais de 12% da população.
Convem não ter memória curta...
Conheço bem alguns algumas cidades francesas e sei muito bem onde estão a eclodir os problemas, pois as cidades francesas (especialmente nos arredores) estão construidas em função das comunidades emigrantes e não deixa de ser interessantíssimo verificar que o padrão de ordenamento é quase sempre o mesmo: as 'cités', rodeadas de diversos 'círculos concêntricos'. Á medida que certa comunidade enriquece, vai-se afastando das cités.
Qualquer português também lhe poderá confirmar sem problemas que os a esmagadora maiorias daqueles 'caixotes' (onde por estes momentos anda tudo pelos ares) de volumetria descomunal e de características horrendas, foram construídos entre 1964 e 1976 para albergar...a comunidade portuguesa.
Portugueses que, nesses anos, chegavam a cruzar as fronteiras de França à razão de vários milhares por dia, nas condições muitas vezes infra-humanas de que deve ter conhecimento.Houve alturas (nas fronteiras Pirinéus a memória ainda se conserva) em que era pior que em Melilla e Ceuta.
É claro que, para os menininhos de Lisboa da época, muitas das realidades do país REAL...
A minha família não se pode queixar, de modo algum...mas só anda com os olhos tapados quem quer.
O FG Santos consegue imaginar chegar a casa e não ter que dar de comer aos seua filhos?!?!
Ponderava 'cavar' daqui p'ra fora ou não?!, se soubesse que numa França, nuns EUA ou numa Alemanha se abriam oportunidades?!?!
Pois é....é tudo muito bonito....mas quando é com os outros.
NO presente momento, Portugal está a a travessar um mometo interessante.
Depois do 'pseudo-boom', em que fomos procurados por muitos emigrantes, estes começam já a diminuir.
Existem os africanos das ex-colónias, que já cá estão há 30 anos (estamos com problemas essêncialmente com a 2ª geração desses) na sequ~encia do desastre de 74/75.
Depois, no 'pseudo-boom', vierma uns milhares dels...mas começa-se já a a notar um refluxo, sobretudo no que diz respeito a novas entradas de africanos e, sobretudo, de gente do Leste que, com a queda vertiginosa da nossa economia, muitos já sumiram.
As notícias nos meios da emigração espalham-se rápido. Portugal, em estagnação prolongada and going down, com desemprego a aumentar, virtualmente sem benefícios sociais (qd comparado com congéneres da UE) e com salários dos mais baixos do Ocidente está a deixar, cada vez mais, de ser atractivo.
Mas a grande novidade é que, passada a euforia, os portugueses estão a voltar a emigrar.
Desde finais de 2002 que o número de pessoas que Portugal 'exporta' não cessa de aumentar.
Segundo o que li há poucos meses, estima-se que, a este ritmo, entre 2006 e 2007 se atinjam novamente valores da ordem dos de.....1979/1980 e, para cúmulo, desta vez não são só os não qualificados que saem, os qualificados estão a ir embora a um ritmo impressionante e a acelerar.
Ou seja, estamos a um passo de voltar á 'santa' normalidade: sermos um país de 'exportação' de mão-de-obra e não um país receptor.
Lindo, não é?!
Que tal FG Santos!
ps: aos 'mecs' muçulmanos que a esta hora andam a por a França em polvorosa, incendiando inúmeras 'bagnoles' conheci-lhes bem o comprtamento lá em França, nas quatro vezes que visitei aquele país.
São, na generalidade, insusceptíveis de ser integrados....porque são ELES MESMOS que não querem ser integrados e são de uma arrogãncia intolerável.
(admiro a paciência dos franceses)
Os portugueses já viveram em condições bem piores do que as que eles têm e nunca se constou que viessem para a rua virar tudo do avesso.
O problema é, sem dúvida, de códigos civilizacionais.
Quando estes códigos, mais do que diferentes, são antagónicos...não há política de integração que nos valha.
É a vida.
Publicado por: Nelson Buiça em novembro 7, 2005 12:02 AM
Caríssimo, vês como eras uma aposta segura? Magnífica exploração das causas e diferenças dos comportamentos contestatários da juventude, escalpelizando as atitudes dos adultos.
Só um acrescento: O Mao era totalitariamente coerente: importava para o seu harém privativo miúdas de 16 anos de idade máxima e camponesas, porque dizia que as mais velhas, ou as citadinas, eram demasiado sabidas e... irreverentes!
Vamos oferecer um "poster" do Grande Timoneiro à Dr.ª Benavente?
Publicado por: Paulo Cunha Porto em novembro 7, 2005 07:36 AM
O Nelson, como habitualmente, mistura tudo: emigração europeia e extra-europeia não são a mesma coisa, o laxismo começa aqui; fala com alguma arrogância sem saber se na minha família houve ou não emigrantes (houve - e para França); fala dos meninos de Lisboa como se por aqui se vivesse à grande (não vou dar pormenores da minha família mas deixo-o a pensar no assunto); em resumo: parece ter muitas certezas - mas se calhar engana-se com mais frequência que o "outro".
Publicado por: FG Santos em novembro 7, 2005 09:50 AM
Ao Paulo: não achas que ela já tem o poster, a par das "obras completas"?...
Publicado por: FG Santos em novembro 7, 2005 09:52 AM
O Buiça perdeu mais uma boa oportunidade para ficar calado, afinal de contas toda a sua verborreia só serviu para confirmar aquilo que dizemos. Os imigrantes não são todos iguais, e a causa destes problemas não é a "exclusão" ou a "pobreza" (posto que portugueses, espanhóis ou jugoslavos passaram por dificuldades muitissimo maiores em França e nem por isso se "revoltaram contra a sociedade"). Repatriação é a única solução.
Publicado por: NC em novembro 7, 2005 06:00 PM
Às 'alfinetadas', nem lhe respondo.
"Repatriação é a única solução."
Pois talvez seja.
No caso dos mafométicos, parece-me mesmo que pode não haver outra solução.
O NC pode dizer tudo, e ninguem lhe chama nomes....mas, se for eu a escrever o mesmo, sou logo chamado de 'radical', de 'buSShista e SSharonista', de 'desumano', de 'arabofobia', de 'RACISTA primário e sectário', de 'sionista' e blá, blá, blá...
Publicado por: Nelson Buiça em novembro 7, 2005 11:31 PM
Entrando numa explicação metafísica e «absurda» da revolta em França: em 28 de Outubro, as relíquias de Santa Teresa de Lisieu chegam de França a Portugal; horas, depois, a morte de 2 jovens em Clichy-sous-Bois e o início da revolta juvenil em França. Provavelmente esta insurreição acabará em 16 de Dezembro quando as relíquias da Santa forem devolvidas a França...
Publicado por: f.limpo.queiroz em novembro 8, 2005 11:38 AM
mandem isto para o meu email,por favor,blza.
Publicado por: fabiano em novembro 19, 2005 11:52 AM