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novembro 08, 2005

Gone West!

Caríssimos leitores,
Decidi mudar de plataforma blogueira. De hoje em diante, encontrar-me-ão alojado no Blogger, mais concretamente aqui.
Aparentemente a Weblog não apaga os blogues que deixam de ter actualização, mas pelo sim pelo não guardei no meu disco o arquivo completo do neste momento já velho "Santos da Casa".
Agradece-se aos leitores que têm blogue que actualizem o link.

Publicado por FG Santos às 02:34 PM | Comentários (1)

Já CHEga!

Para acabar de uma vez por todas com o mito do revolucionário "puro", ler este sumário das façanhas daquele que polui visualmente as nossas cidades, ao peito de adolescentes ignorantes. (Via "O Jansenista".)

Publicado por FG Santos às 10:40 AM | Comentários (0)

novembro 07, 2005

Mensagem de paz

Os pais de um jovem palestino de 12 anos, morto no sábado passado por soldados israelitas, doaram órgãos do filho a três crianças israelitas.
O infeliz garoto brincava com uma espingarda de brinquedo, quando soldados israelitas o alvejaram, julgando (?) que era um militante armado.
É crónica a falta de órgãos para transplante nos hospitais israelitas, atribuída a tabús religiosos.

Publicado por FG Santos às 06:30 PM | Comentários (2)

novembro 06, 2005

Sobre os "jovens"

«O mundo é tanto nosso como vosso mas, no fundo, pertence-vos. Vocês, os jovens, são dinâmicos, estão em pleno desabrochar, como o sol da manhã. É em vós que reside a esperança.»
Por estas palavras de Mao Tsé-Tung começava um folheto que os estudantes pró-chineses distribuíram abundantemente em Paris durante o Maio de 68. E esta mentalidade que grosseiramente poderíamos caracterizar por “juventudismo” impregnou as “consciências” desde então.
Nos jovens reside, diz-se, a irreverência, a generosidade, o desinteresse. (Ver a este propósito a visão desassombrada de Curzio Malaparte, que em tempos evocámos.) E todos os quadrantes políticos se apoderaram do “juventudismo”; e o capitalismo não ficou para trás: os jovens passaram a constituir um segmento de mercado bem definido e desde a moda para jovens à indústria musical toda uma máquina se pôs em marcha para satisfazer os apetites consumistas da rapaziada.
Alguém que esta casa não tem em especial estima, o realizador suíço Jean-Luc Godard (outro maoísta), caracterizou bem a fusão do “idealismo” e do consumismo da juventude coeva, na fórmula “os filhos de Marx e da Coca-Cola” que aparece no filme “Masculin-Féminin”. De resto, quem é que hoje não deixa de ver jovens com t-shirts do sanguinário Guevara a emborcar Coca-Cola e “minhocas no pão” made in McDonald’s?
Outro efeito perverso do Maio gaulês foi a diluição da autoridade, a assunção do princípio de que aos jovens tudo é permitido, desde insultar os professores a pintar paredes - hoje em dia os “grafittis” são tidos como uma forma de “arte” (!?!). Uma ex-secretária de Estado socialista, Ana Benavente, dizia que era normal (sic) e descupável (re-sic) um aluno insultar um professor, pois ele está na idade da irreverência!
Esta introdução vem, claro está, a propósito dos acontecimentos de Paris, em que centenas de “jovens” se dedicaram aos maiores desacatos urbanos para vingar (sic) a morte de dois dos seus. Mas em vez de aburguesados filhos do papá gauleses de gema, temos jovens magrebinos desenraízados, divididos entre a tradição paterna e o mundo em que vivem, duas realidades que dificilmente casam, tanto em termos de mentalidade como de inserção na vida diária.
aqui falámos dos efeitos de décadas de laxismo da política de imigração gaulesa (para não mencionar outros países), conduzida aparentemente com dois objectivos principais: assegurar mão de obra barata aos grande empresários (e ao próprio Estado no que toca às grandes obras públicas) e promover um multiculturalismo insensato e suicida para o Ocidente.
O povo diz que «quem semeia ventos, colhe tempestades» mas neste caso quem sofre com a tormenta são os pacatos cidadãos europeus, que já mal podem sair à rua sem receio de serem agredidos, roubados, violados, insultados, ao passo que os “iluminados” que conduziram a esta situação se encontram bem protegidos nos seus condomínios fechados, no seu mundo à parte. Lá fora ficam as vítimas das experimentações sociais.

Publicado por FG Santos às 08:01 PM | Comentários (8)

novembro 05, 2005

Mea culpa

Caros leitores, não vos venho falar do livro que Céline escreveu após a sua estadia na URSS, em 1936. Venho apenas explicar o motivo por estar a publicar tão pouco. Um acréscimo importante de trabalho (e a próxima semana não será melhor neste aspecto), obrigações familiares (dois filhos ocupam muito tempo - e ainda bem) - e o cansaço que tudo isto provoca.
Tenho já na cabeça um postal sobre os "jovens" que estão a pôr alguns subúrbios "franceses" a ferro e fogo. Não o deixo já aqui porque ainda quero fazer umas pesquisas sobre o funesto Maio de 68, para enquadrar o problema. E como daqui a pouco vou dar o meu apoio para acabar com a malapata belenense de dez anos sem ganhar ao Boavista no Restelo...
Os meus leitores mereciam mais, mas como dizia o triste governante: «é a vida»...

Publicado por FG Santos às 07:30 PM | Comentários (1)

novembro 04, 2005

D. Pedro V

D. Pedro V.jpg

O "Nova Frente" lembrou ontem os 150 anos da aclamação como Rei de D. Pedro V. Julgo que nunca é de mais recordar o seu pensamento, do qual extraímos em tempos alguns exemplos para proveito dos leitores.

Publicado por FG Santos às 02:22 PM | Comentários (2)

Polícia racista?

A propósito da violência nas ruas de Paris pela sétima noite consecutiva:

social_citoyen.jpg
(Desenho de Konk.)

Publicado por FG Santos às 02:03 PM | Comentários (1)

novembro 02, 2005

O Pombal da Rotunda

O nosso amigo Paulo Porto escreveu um estupendo postal sobre o Marquês da nossa desgraça, evocando um texto de Sardinha sobre a estátua que encima a lisboeta Avenida da Liberdade.
Também outro ilustre integralista se insurgiu contra o triste monumento, Hipólito Raposo. Ocasião, então, para lembrar a sua demolidora diatribe contra o mamarracho:

«O Pombal da Rotunda por Hipólito Raposo (Carta ao Director do «Fradique»)

Meu prezado camarada: Determina-me a mandar ao Fradique estas linhas um dever comigo mesmo contraído, desde que há vinte anos, com outros rapazes, artistas, poetas e escritores de todas as tendências, me associei ao protesto público que se seguiu à decisão do júri do concurso para o monumento do Marquês de Pombal, nessas semanas febris em que se alevantaram acima de todas, as vozes de António Arroio, Guerra Junqueiro e outros ilustres portugueses.Mais tarde, quando da adjudicação definitiva, ao fim de complicados incidentes burocráticos, novamente declarei num jornal que à minha geração pertencia o encargo de evitar que esse projecto fosse erguido, ou o dever de o demolir, se algum dia chegasse a termo de realização. Por isso, não venho de súbito atirar pedras ao monumento: em nome da coerência, compete-me advogar, embora sozinho, o dever de lhe tirar as pedras, uma a uma, até à base, para libertar o bronze das formas inglórias a que ali o sujeitaram.Na hora em que um novo infortúnio vai cair sobre esta cidade, escrevo-lhe dolorosamente constrangido, não para apresentar uma dissertação, mas para formular alguns reparos com que posso, mas não desejo, agravar o amor-próprio dos autores e colaboradores do monumento. Os que conheço, quero, neste caso, considerá-los como inexistentes, certo como estou de que, se esta fosse a sua glória ou mérito mais assinalado, eles teriam iludido o destino que os fez artistas.Os seus trabalhos foram pagos com o dinheiro da Nação; deve-Ihes agora o público o sereno juízo do seu labor, por certo honrado, mas evidentemente errado e infeliz.É possível que o Marquês mereça aquele monumento e que ele seja, como por aí corre de boca em boca, a justa vingança dos jesuítas; mas a cidade de Lisboa não merece seguramente semelhante desdouro plástico que já está na Rotunda a toldar o sol e a estorvar o trânsito.Na segunda praça da cidade, o maior dos seus monumentos ficará sendo uma combinação de insignes fealdades, o testemunho permanente de mal inspirada concepção, quase de infantil capricho.

«Neste caso triste, hoje como em 1914, não discuto a iniquidade da consagração, em tais termos, de uma figura que geralmente se considera uma expressão divisora do pensamento histórico e do sentimento público em Portugal. Não são os artistas os culpados da preferência que foi dada ao Marquês entre tantos vultos de incontestada significação nacional, como o infante D. Henrique, Vasco da Gama, João Pinto Ribeiro, Gualdim Pais, Nun' Alvares ou Mousinho de Albuquerque.Essa preterição apenas prova que a estátua traz origem mais profunda e tenebrosa do que a de uns caboucos que tivessem quarenta metros de profundidade... Neste momento é oportuno avaliar e julgar apenas a versão plástica da glória cívica, oficialmente atribuída ao ministro de D. José. E ao primeiro relance de olhos, depara-se-nos um conjunto sem proporção, a que falta homogeneidade nos componentes e no estilo, uma redundância sem valor sintético que elevá-lo pudesse à categoria de símbolo glorificador; e vamos vendo depois sucessivas aposições de fragmentos, como se de várias proveniências se acumulassem figuras e grupos, conseguindo-se apenas um aglomerado, pela incapacidade de compor e formar um organismo, com a necessária unidade. Pretendeu-se fazer ali, na verdade, a narrativa plastificada e escrita dos factos mais notáveis do reinado do Marquês, desde o terramoto de 1755 até ao esforço do operário a soprar numa bexiga que não temos esperança de vir a ser garrafa na Marinha Grande.Arbitrária e enigmática, a associação de um leão deformado por elefantíase, com uma figura humana mal plantada, sem respeito de proporções nem de anatomia, peso compacto que esmaga toda a massa da construção, grupo desditoso que, para se consolar, meditará na secreta aspiração de vir um dia a fundir-se em centauro, para justo castigo de quem ousou concebê-lo... Preferível seria que o Marquês, novo Hércules de casaca e cabeleira, ali se representasse a matar intrepidamente, às bastonadas, a hidra venenosa da reacção. Não furtando os olhos a uma junta de bois hidrópicos e à mulher extática que pela soga os devia guiar, t e m o s de considerar com pasmo, o navio de comércio a emergir por metade das entranhas do monumento, já com a República no arejo da vante, e destinado a singrar no céu ou na terra, por não caber no recipiente de água doce que lhe destinaram e onde tomam escasso banho de tub os cavalos e toda a comparsaria mitológica que entrou no drama do terramoto. Depois, a figura alegórica de Lisboa ergue a camisa com decisão, como frineia, desesperada de não poder lavá-la na mesma água e batê-la merecidamente no próprio escudo que tem aos pés. Na parte posterior, senta-se de costas para um templo grego, uma figuração alcunhada de Minerva, não grega, nem helénica, mas com ascendência egípcio-assíria, que empunha uma lança e ainda virá a sustentar uma vitória. Assim se traduzem plasticamente, neste ano da Graça, os Estatutos que o Marquês levou à Universidade de Coimbra. Na cornija uma legenda latina elucida o investigador, mas, a-pesar-disso, nós, os que por lá andámos, recusamo-nos a crer na transcendência do símbolo. E porque o meu intento não é analisar os pormenores, medalhões, legendas, trofeus e a restante zoologia de mamíferos e aves que lá se podem ver, resta-me lastimar de novo a preocupação de expor em vez de exprimir, de narrar em lugar de simbolizar com alegorias concordantes e tão próprias do estilo e da feição mental da época. Na história descritiva do Marquês, temos então de notar a ausência do suplício de João Baptista Pele, com os membros decepados, amarrado a dois cavalos que o dilaceraram, a correr pelo areal da Junqueira; faltam a execução dos Távoras e o incêndio da Trafaria, não esquecendo o martírio do padre Malagrida, crueldades de magnitude neroniana, capazes de inflamar a inspiração de um artista de génio. Ao ver aquele dispêndio inútil de esforços e de dinheiro, manda a justiça reconhecer que em tal praça, com massas arquitectónicas que vão de grades de jardinetos em praia barata, até prédios de rendimento com cinco andares, de cocheiras e mirantículos de folha de ferro, atirando para moiriscos, até um fundo de terras que oscila entre lago e bosque - nenhum outro projecto lograria vingar majestosamente, porque a vulgaridade, o desconcerto e a penúria circundantes malograriam toda a realização, por muito bela que fosse. Mas o que está, não devia ali permanecer, se existisse Poder Público atento às exigências de um ressurgimento no aspecto educativo, se uma Câmara pudesse ter a liberdade e o desassombro de não aceitar, em nome da cidade de L i s b o a, uma dádiva que a empobrece e a deslustra. Por mim que nada posso, limito-me a renovar o protesto da minha mocidade, sentindo vivamente que, pela satisfação própria de ver confirmado um juízo distante, tenha de considerar o monumento ainda mais horrendo e condenável do que se me representou no projecto da maqueta do concurso. Ao fazer estas ligeiras reflexões, em que não posso louvar o trabalho alheio, tenho pena dos artistas como homens, e sinto tristeza pela cidade de Lisboa, ao receber um monumento que só poderá ser admirado pela gente ignara, sem que de tantos e tão longos esforços resulte para as gerações de hoje e do futuro, uma expressão de grandeza e de beleza urbana, em que possam recrear-se os olhos, contentar-se o gosto e elevar-se o espírito. Com os meus agradecimentos, creia-me com velha estima, Seu camarada e amigo,Hipólito Raposo.Lisboa, 1 de Março de 1934.»

Publicado por FG Santos às 10:09 AM | Comentários (4)

novembro 01, 2005

O Duce, meu Pai

Romano Mussolini.jpg

Tive hoje o prazer de ver à venda (e de comprar) a edição portuguesa de "Il Duce, mio Padre" de Romano Mussolini (ed. Ulisseia).
O nosso amigo Pedro, de passagem pela Bella Italia, trouxera-nos já as suas impressões sobre a obra, onde o filho ainda vivo de Benito Mussolini evoca os últimos anos de vida deste.
Eis a apresentação que faz a Ulisseia: «Romano, o único filho de Mussolini ainda sobrevivente, dá-nos neste livro um testemunho «interno» da história do duce e do fascismo. Trata-se de um documento a todos os títulos excepcional, sendo aliás significativo que só agora, ao fim de tantos anos, tenha decidido passar a escrito os apontamentos, as memórias directas e as confidências do pai.Este livro é decisivo para a compreensão de alguns momentos cruciais: o golpe de Estado de 25 de Julho de 1943, no qual Mussolini foi deposto por iniciativa conjunta do Rei de Itália e do Grande Conselho Fascista; a sua posterior libertação pelo comando Skorzeny; os seus últimos dias de vida e os planos que, muitas vezes sem seu conhecimento, se forjaram para o salvar. A ligação que manteve com Claretta Petacci, e os problemas que isso suscitou junto da família, são também abordados de forma surpreendente. Esta obra retrata uma imagem de Mussolini durante os últimos anos de vida: um homem só, pessimista, indefeso perante as intrigas e os volte-faces da história, presa de inesperados acessos de melancolia, apaixonado por Claretta mas indissoluvelmente ligado a Rachele Mussolini, sua mulher.»
A não perder, naturalmente.

Publicado por FG Santos às 06:30 PM | Comentários (4)