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outubro 10, 2005

Rescaldo eleitoral

Primeira constatação: o Bloco Central está vivo e de boa saúde. A bem dizer, se há quem nunca sofra verdadeiramente derrotas nas eleições que se vão efectuando neste país é ele mesmo: hoje o PS baixa a sua votação e o PSD sobe, amanhã dá-se o inverso - mas a soma dos dois irmãos quase gémeos não sofre verdadeira erosão. Nisto, o voto dos portugueses é francamente previsível; apetece dizer que, com a excepção dos surpreendentes 18% obtidos pelo PRD em 1985 (quando Cavaco, o tal que "não tinha biografia" [Soares dixit], conquistou a primeira vitória em legislativas, com 30%) e da primeira maioria absoluta do natural de ex-Poço de Boliqueime (entretanto rebaptizado Fonte de Boliqueime - que um PM não nasce num "poço", pode é para lá conduzir o país), os resultados eleitorais em Portugal são razoavelmente previsíveis.
Assumindo que o CDS-PP valerá cerca de 7-8% dos votos, podemos retirar às diversas coligações que fez com o PSD e o PPM a sua parte e extrapolar o total do PSD "não coligado", chegando a uns 35%, sensivelmente o mesmo que o PS. Ora 70% dos votos atribuídos a apenas duas forças políticas configura claramente um cenário de bipolarização.
Os "amigos de Cuba e da luta dos povos" lá vão resistindo e, como habitualmente, conseguem bons resultados nas autárquicas, mercê do voto alentejano e de alguns subúrbios lisboetas de forte tradição operária; o mito da boa gestão comunista - que não passava disso mesmo: de um mito - não tem apelo na juventude, tendo ao longo dos anos bastiões vermelhos como Amadora ou Loures mudado de mãos.
O BE, sempre na vanguarda de tudo o que é anti-nacional, armando-se em donzela virgem de pecados, lá conseguiu a recondução da autarca ex-CDU de Salvaterra de Magos. Com 3% do total de votos, tendo concorrido em pouco mais de um terço das câmaras, o balanço não é especialmente famoso.
A análise para os outros partidos é difícil de fazer porque concorreram a muito poucas câmaras. O PCTP/MRPP mantém bons resultados em alguns locais, como na freguesia de Marvila, em Lisboa (2,7%) ou no concelho de Serpa (com quase 6%!).
O PNR concorreu a apenas 5 câmaras, tendo obtido 0,28% no concelho de Lisboa (um modesto crescimento de 0,07%), 0,39% em Loures e 0,56% em Cascais. Já a votação no concelho do Porto (0,09% correspondentes a uns irrisórios 121 votos) é de estranhar, por tão baixa.
Conferir todos os resultados no site oficial do Ministério da Justiça.

Publicado por FG Santos às outubro 10, 2005 02:40 PM

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