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outubro 20, 2005

"L'Avenir de l'Intelligence"

Leio e releio sempre com imenso prazer "L'Avenir de l'Intelligence" de Charles Maurras, obra publicada há precisamente 100 anos.
O Mestre de Martigues expunha magistralmente a influência que já no seu tempo tinha o Dinheiro na condução da política e na manipulação informativa das massas. Mostrava que poucos seriam os homens de letras verdadeiramente livres, pelos constrangimentos à livre publicação de ideias que a influência citada exercia sobre o mundo da edição, fosse de livros ou jornais. Também o crescente peso do Estado e o seu controlo sobre as universidades limitava fortemente a liberdade de investigação e difusão de ideias e princípios que não fossem os dominantes, aquilo a que hoje se chama o "politicamente correcto".
Hoje, efectivamente, o que mudou? Constatamos que o diagnóstico de Maurras é mais actual do que nunca. A partir do momento em que a política é dominada pelo poder do Dinheiro (consequência inevitável da democracia), ela perde qualquer capacidade de autonomia de decisão. O Dinheiro estende os seus tentáculos a todas as actividades económicas, em particular ao mundo da comunicação, impondo umas ideias, denegrindo outras, pondo seriamente em causa a liberdade de expressão. Só com instituições que não estejam na dependência do seu poder avassalador é que se pode assegurar a independência nacional - na política e no livre pensamento (*). Daí o primado que Maurras atribui à política e à forma monárquica, única capaz de corporizar a necessária resistência ao Dinheiro apátrida e dominador. A famosa frase «em política o desepero é um disparate completo» está no prefácio desta obra magistral, de uma clarividência e, infelizmente, actualidade impressionantes.
"L'Avenir de l'Intelligence" teve uma reedição recente (2002) na editora "L'Age d'Homme".

(*) Ideia que constituirá uma dos princípios-base do Integralismo Lusitano. Tal como Maurras, os integralistas admitiam que episodicamente podem surgir homens que implementem políticas sadias de restauração nacional mas só a existência de instituições permanentes que corporizem esses princípios poderá assegurar a sua perenidade.

Publicado por FG Santos às outubro 20, 2005 10:37 AM

Comentários

Un libro muy interesante a este respecto es el de Wilson, R. Mc. Nair "La monarquía contra la fuerza del dinero" traducido al espanol por Doncel en 1976.
Inencontrable, salvo en alfarrabistas, bien merece ser leido.

Publicado por: Rafael Castela Santos em outubro 20, 2005 12:30 PM

" A partir do momento em que a política é dominada pelo poder do Dinheiro (consequência inevitável da democracia)..."

Ahahaha
Essa é boa!
Como se antes da tal de Democracia o dinheiro não tivesse influencia no poder.
Coitadinhos...antes da tal de Democracia eram todos uns pobrezinhos. Uns franciscanos, coitadinhos.
Durante séculos, os nosso dirigentes eram tããããão desinteressados.....nem houve rapinas nem guerra nem nada.
Um paraíso!

"Só com instituições que não estejam na dependência do seu poder avassalador..."

Isso e uma impossibilidade e nada tem a ver com a tal de Democracia.
Estou a ver que, se amanhã chover, a culpa é da tal de Democracia.

Neste aspecto, o seu optimismo antropológico chega a ser comovente, como se o Homem fosse capaz de se desenbaraçar de uma das suas características NATURAIS:, o interesse, o self-interest.

"Daí o primado que Maurras atribui à política e à forma monárquica..."

Como se a monarquia, por natureza, fosse menos 'interesseira'.
Ora essa.
Logo os reis, coitadinhos, todos tão pobrezinhos....
É claro que, nesses tempos, a dinheirama era só para eles encherem o bandulho.
Quando chegou a Burguesia e a Revolução Industrial (a verdadeira Revolução que mudou o mundo e não a Francesa) é que foram elas.
:)


NOTA: manifesto a minha total perplexidade com o facto de este blog ser mantido por um economista.
O FG Santos, economicamente, o que é que defende?

Publicado por: Nelson Buiça em outubro 20, 2005 02:29 PM

Já lhe fiz a distinção entre o poder ter também poder económico e o poder SER dominado pelo poder económico, mas você não fez caso nem curou de tentar perceber a diferença, que é tudo menos subtil.
Sou licenciado em Economia há treze anos mas nunca exerci. Como dizia um professor meu, a maior parte dos economistas acaba a trabalhar na área da gestão de empresas.
Não tenho tempo para estar a detalhar as minhas ideias económicas mas em linhas gerais simpatizaria com uma economia sem grandes entraves estatais mas com algum proteccionismo, nomeadamente em sectores estratégicos como defesa, agricultura, pescas, alguma indústria. A concentração de empresas seria alvo de fiscalização por órgãos independentes do poder económico.

Publicado por: FG Santos em outubro 20, 2005 04:58 PM

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