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setembro 12, 2005

Sobre a educação sexual

Em postal de hoje, o blogue “Combustões” dá-nos a sua perspectiva do papel que a educação sexual pode e deve ter na formação das pessoas e na sua responsabilização na assunção de uma sexualidade consciente.
O autor proclama que ao Estado compete promover (fala-se mesmo em “inculcar”!) a educação sexual, libertando-se os jovens das limitações à sua felicidade que o puritanismo terá instituído.
Esta argumentação parece-me ser algo ingénua, que me desculpe o Miguel. À boa maneira republicana, assume-se que a educação forma os homens de amanhã, que os liberta das grilhetas do passado, que permite a todos uma formação integral como pessoa. É crer demasiado no homem enquanto ser racional e "educável". Esquece que a educação começa em casa, que a família é a base da formação do indivíduo e, em última análise, o último reduto de liberdade do homem face a um mundo potencialmente totalitário e nivelador - das consciências e dos comportamentos.
A educação que o Miguel crê libertar o homem é hoje em dia, como o era nos regimes comunistas, uma forma não de formar os homens mas de os formatar: o pensamento único está a ser instituído, reage-se pavlovianamente aos estímulos da propaganda (como nos “cinco minutos de ódio” orwellianos), fala-se em paixão pela educação quando o objectivo de quem o faz é aprisionar o ser humano numa redoma de ideias aceitáveis e incapacitá-lo a ir contra a corrente.
O que a educação sexual faz regra geral é levar aos jovens informação que eles, enquanto seres em crescimento, ainda não estão preparados para compreender na sua integralidade, provocando regra geral comportamentos e pulsões descontrolados, criando a confusão no seu espírito quanto a afectos e ao acto sexual, tornando-os escravos da pornografia e criando conflitos com a/o parceiro.
Um jovem que não sofra estímulos prematuros, seja da educação seja dos meios de comunicação, filmes, etc., estará apto a viver a sua vida sexual a seu tempo, quando as circunstâncias da vida o proporcionarem, quase sem que ele se aperceba. É essa liberdade que ele merece.

Publicado por FG Santos às setembro 12, 2005 06:57 PM

Comentários

Estou totalmente de acordo, conquanto a família ideal exista enquanto agente co-educador e socializador. Não me refiro, certamente, às famílias com as valências a que se refere. Falo, em concreto, da família sub-urbana típica portuguesa, ávida consumidora da "Bola", dos Hermans e das telenovelas. Essa, sim, cria cidadãos broncos e semi-analfabetos com os quais lidamos no dia-a-dia.

Publicado por: Miguel Castelo-Branco em setembro 12, 2005 11:37 PM

Comprrendo as 'inquietações' do FG Santos....mas o Miguem castelo-Branco está cobertinho de razão no post que fez.
Razão essa ainda reforçada por este comentário que o Miguel fez aqui.

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 12, 2005 11:48 PM

Quando é que a esquerda deixa de pensar tanto no dinherio e a direita deixa de se obcecar com o sexo? Duas caras da mesma moeda: preconceito e falso moralismo de dois extremos que negam dois valores essenciais da condição humana.

Publicado por: Ricardo em setembro 13, 2005 12:18 AM

Nem sei como é que a raça branca conseguiu sobreviver até hoje sem a "educação sexual"... (como será que os nossos paizinhos se desenrascaram?... coitados, deve ter sido um problema dos diabos).

Publicado por: NC em setembro 13, 2005 02:24 AM

Bom texto FG Santos.

Quem pela primeira vez levou o filho à escola (e hoje em dia logo a partir dos 4 meses) e naquele choro* se apercebeu de uma acusação clara de traição, interroga-se sobre o que é o ensino obrigatório. Quem nesta civilização caísse vindo de uma sociedade normal (de acordo com a natureza do homem) olharia as nossas escolas como prisões de crianças e choraria com elas. E os próprios pais, sugestionados e tendo que viver com essa culpa de renúncia e entrega dos filhos à sociedade, constroem justificações mentais para poder viver em paz consigo mesmos. "É para o seu bem" dizem-se, pagando ainda para melhor se convencerem... E como não ver nessa primeira traição uma perda de legitimidade perante os filhos que por toda a vida lhes será atirado à cara?

A educação sexual, como o aborto, é mais uma boa intenção da nossa sociedade. Um princípio errado que se quer com bons fins. Pobre homem que anda como a sociedade o quer e não como Deus manda.

* é que não é uma birra, é um desespero, é uma morte.

Publicado por: FCS em setembro 13, 2005 12:11 PM

O programa de Educação Sexual proposto há meses paarece-me patético. E por conta dele escrevi dois ou três postais de escárnio e mal-dizer. Mas não tenho grandes dúvidas de que, mais tarde ou mais cedo, a disciplina de Educação Sexual integrará os currículos escolares. Porém, continuo na minha: o que os jovenzinhos precisam de saber sobre o assunto são duas ou três coisas basilares que podiam perfeitamente ser leccionadas na cadeira de Biologia. Aí sim, podia estender-se o programa à área da reprodução humana e até às chamadas doenças sexualmente transmissíveis. Mas já não me parece ser da competência do Estado instruir os petizes sobre técnicas masturbatórias ou "sexualidades alternativas". (E tudo isto, ainda assim, seria desejável apenas no quadro de um sistema educativo de rigor e competência, porque o actual não serve para ensinar nada: nem Educação Sexual, nem Português, nem Matemática, nem História.)


As razões que o NC expõe no comentário anterior são compreensíveis, mas não colhem. Por identidade de razão, tais argumentos «anti» são válidos para os automóveis, os electrodomésticos, a electricidade, a água canalizada, a internet — a nossa "raça" (e até as outras) reproduziu-se e perpetuou-se sem essas "modernices".

Olhando retrospectivanmente para a minha adolescência, eu preferiria ser dispensado dessa treta da Educação Sexual — mais uma cadeira para fazer, mais um professor chato para aturar, mais um programa para empinar, mais um livro para ler, mais uma "avaliação contínua". E digo isto porque nesta matéria — para além dos dois ou três aspectos basilares que referi acima — acho bem melhor a aventura da descoberta, da intimidade, sem ter a sensação de estar a praticar uma matéria escolar — e com o Estado a espreitar pelo buraco da fechadura.

Entrar na aventura da intimidade com páginas decoradas e exame feito, reduzindo a sexualidade a uma «mecânica» de ensino escolar, é como assistir a um filme de que já conhecemos o final, ou a um daqueles jogos de futebol em diferido de que nos anunciam abruptamente o resultado. Digo isto sem quaisquer pruridos puritanos ou falsos valores morais, que geralmente olho de soslaio. Entendo, por isso, que o Miguel Castelo-Branco, na análise do tema, haja falado em «públicas virtudes, vícios privados" para acoimar a hipocrisia de uns quantos neste capítulo. Entendo-o, mas não concordo. Eu, por exemplo, preconizo o contrário: «vícios públicos», sim, expostos aqui no blogue diante de todos, e «virtudes (estas sim) privadas», para maior gozo pessoal e satisfação da parceira.

Encurtando razões. Iniciar a vida sexual depois de 3 exames de Educação Sexual no liceu é quase um paradoxo. Há, tem que haver, um aspecto de descoberta e de mistério. Digo mais: numa idade em que o risco e a aventura terão forçosamente que fazer parte do dia-a-dia, numa fase da vida em que cumprimos 'a aventura de ser jovem', prefiro correr certos riscos na actividade sexual do que em cima de uma mota ou ao volante de um automóvel. Ou será que estes camelos que nos governam querem anestesiar a juventude, furtando-a a todos os 'perigos', privando-a de todas as descobertas, isentando-a de todos os riscos? Há alturas na vida em que vale a pena «viver perigosamente». Acho que o Homem Cristo Filho estaria de acordo comigo.

Publicado por: BOS em setembro 13, 2005 12:14 PM

A “Educação Sexual” não é mais do que a “aprovação (consagração) oficial” da decadência, promiscuidade e libertinagem reinantes. Como para mim o importante é combater a “decadência, promiscuidade e libertinagem reinantes” e não as suas consequências (atacar as causas, não as consequências) só posso ser contra a “Educação Sexual”, que no fundo não é mais do que legitimar uma situação errada e tentar limitar os seus estragos.

ps: agora podem-me chamar "falso moralista", "puritano", "retrogrado", "fundamentalista católico" etc., à vontade, mas aviso já que nem sequer sou cristão :P

Publicado por: NC em setembro 13, 2005 07:28 PM

Ok!

O NC é falso moralista, um puritano, um retrógrado, um fundamentalista católico e um etc.

:))

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 15, 2005 04:15 AM

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