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setembro 05, 2005

O Regresso dos Mortos-Vivos

Não sou apreciador de filmes de terror mas aproveito o cenário de terror em que se tornou a política portuguesa para me apropriar do título de uma dessas películas.
E quem são esses regressados do túmulo? Josef Stalin, personificado pela n-ésima versão da cassete: o inefável Jerónimo; Léon Trostski, grande amante das liberdades, comandante do Exército Vermelho, carrasco de Kronstadt e aquele que se vangloriava de "ter acabado (sic) com os anarquistas": na pele do seu admirador luso Anacleto; e Soares, as himself: oportunista, despido de princípios e pruridos; amante do poder e das benesses associadas; arauto da descolonização vergonhosa; péssimo primeiro-ministro; presidente-bis conciliador com o cavaquismo inicialmente, demolidor no segundo mandato, exercendo uma forma muito peculiar de magistério para todos os portugueses, oferecendo ao país dois governos do inenarrável Guterres.
E Cavaco? O homem que entregou de bandeja o que ainda se podia defender de soberania nacional; que destruiu as pescas e a agricultura; que concedeu escandalosos aumentos e prebendas aos funcionários públicos com o único fito de assegurar as suas reeleições; que chegou ao cúmulo de acertar a hora portuguesa pela da Europa Central (mais exactamente pela hora de Bruxelas e das principais bolsas europeias), produzindo o fantástico efeito de ser dia depois das 22 horas ou de amanhecer pelas 9; que teve a oportunidade única e irrepetível de, dado o afluxo de dinheiro europeu, promover as mudanças estruturais de que a economia e o Estado ainda hoje continuam fortemente necessitados; que foi conivente, quanto mais não seja por inércia, com a construção de uma monstruosa máquina de corrupção, envolvendo Administração Central, autarcas, construtores civis, advogados, empresários (nacionais e estrangeiros), "estimulados" pela liberalidade na aplicação dos fundos estruturais; promotor de imigração desregrada, abusando do dumping social inerente para embaratecer as obras públicas (que mesmo assim acusavam sempre desvios escandalosos).
Podia estar aqui a listar outros feitos deste quilate obra dos candidatos à Presidência com hipóteses de vitória. Mas o meu desprezo não me permite continuar.

Publicado por FG Santos às setembro 5, 2005 06:30 PM

Comentários

Bom, aproveito este artigo em que ataca os meus camaradas, Cavaco incluído (para o nosso caro Nelson Buiça ficar satisfeito), para lhe agradecer o site dos pink floyd. Já o conhecia. De qualquer forma, obrigado pelo linque. :)

Mas acho as comparações injustas, Jerónimo tem pouco de Stalin, acho melhor a comparação com o Kruschev. O Jerónimo trouxe uma sensação de proximidade às bases do Partido, que sinceramente acho que fazia falta a muito daquelas pessoas, depois da desilusão soviética e da ideia de que o PCP era só mais um partido do sistema. O Louçã também me parece pouco Trotski, demasiado intelectual para isso (sem demérito para as capacidades intelectuais do Trotski). E o Louçã é trotskista? Bom, o trotskismo acaba por ser muitas coisas que às vezes me parece que vão desde a social-democracia até ao anarquismo, suponho que eu também caibo lá dentro. E o FG Santos não tenha cuidado e ainda acabamos camaradas... :) Quanto ao nosso amigo Nelson, esse é óbvio que é um perfeito trotskista, pois que melhor exemplo de uma revolução permanente do que a febre neo-liberal que por aí convulsiona o mundo (se é que ela não começa já a ser substituída por uma nova vaga neo-neo-conservadora). E já que falei do Nelson, vamos então ao Cavaco, esse saudoso estadista que apesar de defender o estado-mínimo ou coisa parecida (acho que ele chegou a dizer que era keynesiano, mas isto já se sabe, o Keynes hoje é um bocado como o Trotski dá para muita coisa), nunca deixou de perceber que a autoridade do Estado numa sociedade democrática é um valor (pronto, eu concedo, de direita) extremamente importante e garante mesmo da democrácia e da liberdade. Hoje, como disse e bem, o Manuel Alegre, vivemos num país sem autoridade de Estado e (des)governado por pequenos tiranetes. Como imagino que diria o Nelson, e reconheça-se que com razão, com o cavaco eles piavam mais fino. :)

E finalmente o Super-Mário. Esse grande super-herói deste pequeno país. Armado como vários e extraordinários poderes o Super-Mário dá o problema das eleições presidenciais por resolvido. Lá teremos que o gramar mais uns aninhos. Claro que havia sempre a hipótese Freitas do Amaral, que aliás talvez tivesse o meu voto, mas a direita não está para aí virada, e, pelos vistos, a esquerda também não.

Abraço aos meus dois caros amigos. E prometo voltar mais vezes que tenho andado meio afastado da discussão política. :)

Publicado por: jctp em setembro 5, 2005 09:52 PM

NOTA PRÉVIA:
" Lá teremos que o gramar mais uns aninhos."

Se o JCTP está à espera de uma vitória de Soares....é melhor esperar sentado. :)

Quanto ao resto pá, é claro JCTP pá, que isto pá, é mesmo Trotsky por todos os lados pá, que era um camarada que até dizia umas coisas porreiras pá,até aqueke labrego da Geórgia lhe dar com um picador de gelo pá...mas isso agora não interessa camarada JCTP pá, porque você tem razão pá, isto é mesmo revolução Neo-Liberal Permanente e Universal pá, pois de contrário pá, isto não faria sentido (ou bem que o mundo é todo uma empresa pá, ou não vale a pena pá), pois temos que combater as forças reaccionárias pá,a começar pelos estalinistas do CDS e do PSD pá, que são uns revisionistas pá, uns socila-fascistas para-marxistóides pá.

Viva el Comandante Che-Ney
Has ta Halliburt....perdón, pá.
Hasta la victória siempre!


PS (uns fascistas, pá) - O Cavaco, camarada pá JCTP, é um revisionista comunista pá, pois defende a existência de Estado pá, o que para nós, pá, é um atentado gravíssimo á Nova Ordem revolucionária pá.

Campo Pequeno com eles!!

:)

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 5, 2005 11:27 PM

Um retrato absolutamente demolidor, mas justíssimo, de Cavaco Silva, que por estes dias supõe-se uma espécie semi-deus.
Ora, como bem recorda o meu amigo, a verdade é que boa parte dos males actuais de Portugal, provocados pela ditadura do extremo-centro, começaram ou agravaram-se intensamente aquando dos consulados governativos daquele.

Publicado por: JSarto em setembro 6, 2005 12:05 AM

Nelson, eu já estou sentado. :)

Então o Nelson acha que vai ganhar o Cavaco?

O que é bom nas democracias liberais é que se sabe à partida quem pode e não pode ganhar. E quase nunca precisamos de ter dúvidas, e raramente nos enganamos. :) Ou é um ou é outro, que os trotskistas e os estalinistas não têm a mínima hipótese. É só para enfeitar. Algo me diz que o Super-Mário vai mesmo ganhar. Os portugueses podem gostar de um tecnocrata em Primeiro-Ministro, mas preferem um Super-Herói como Presidente da República.

Claro que se a direita avançar com o Super-Marcelo, a coisa pode mudar de figura. :)

Publicado por: jctp em setembro 6, 2005 12:15 AM

O Super Marcelo pá, era óptimo camarada JCTP pá, pois é um grande camarada pá, que sabe Hayek e Friedman de cor e salteado pá.

:)

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 6, 2005 12:21 AM

Ainda eu acabo a votar no Super-Marcelo. É que não me apetece mesmo nada ir votar no Super-Mário. E o Marcelo, ao menos aparentemente, é inofensivo e diverte a malta. Que mais queremos nós!

:)

Publicado por: jctp em setembro 6, 2005 12:31 AM

E o que faz falta é animar a malta!
:

nota: é de louvar a clarividência do JCTP, que é dos poucos que reconhece que vivemos na antecâmara de uma Nova Era....you know what i mean
:)

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 6, 2005 01:43 AM

A despropósito: nunca percebi (muito sinceramente) a acrimónia do FG Santos para com a Administração Bush.

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 6, 2005 01:47 AM

Brilhantíssimo texto! As verdades deste artigo arrasam com as habituais banalidades dos 'amnésicos' "politicamente correctos". Uma rentrée em grande do FG Santos.

Publicado por: Mendo Ramires em setembro 6, 2005 02:55 PM

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