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setembro 10, 2005
Notas de uma viagem a Berlim (I)
Para uma viagem de trabalho que, entre o momento em que descolei de Lisboa e o momento em que aterrei novamente na nossa capital, medearam 32 horas, não se pode esperar que possa ter visto muito de Berlim e que traga muito para contar. Ainda assim, deixo-vos aqui umas impressões de viagem.
Lufthansa: a companhia aérea alemã mostra competência e organização. As aeromoças são educadas e prestáveis; já a simpatia oscila entre um sorriso amável e umas “trombas” de todo o tamanho. Os pilotos, nas aterragens, comportam-se como cowboys num rodeo: em vez de aproveitarem a pista toda para aterrar com suavidade, travam logo à bruta e assim que podem viram logo em direcção ao local de paragem. Inaudito.
Em Berlim estava um calor monstro: máxima de 32 graus. Até deu para jantar ao ar livre até à meia-noite e meia (hora local) – num óptimo restaurante turco (as empregadas de mesa eram alemãs).
Taxistas turcos também não faltam, mais a música da sua terra natal. Um deles passava por um condutor português, enfim sem desprimor para nós – era mais tipo italiano!
Com as legislativas agendadas para dia 18, os cartazes com propaganda eleitoral enxameiam a cidade: Schröder, com ar de poucos amigos, fala em coragem e atitude; Merkel, num novo começo; o FDP promete baixar os impostos, ao passo que o sinistro PDS (herdeiro do SED) assume-se como “a esquerda”. Já o NPD reclama “Arbeit für die Deutsche”, o que dispensa tradução, tendo também cartazes com Erich Hoenecker a saudar a multidão e com a legenda “Alles vergessen?” (“Já se esqueceram?”). Diga-se que só vi cartazes deste partido em ruas secundárias. Os Verdes não investiram muito nos “outdoors”, limitando-se a pespegar com a “fronha” do sr. Fischer.
Putin esteve por lá no dia 8, tendo-se anunciado a construção de um gasoduto da Sibéria até à Alemanha, via Báltico. A viagem estava agendada para Outubro; interrogado sobre se, com esta antecipação, tinha vindo dar um impulso à campanha do seu “camarada” Gerhard, Putin disse que não – um esclarecimento que me deixou mais sossegado.
Berlim impressiona pelo tráfego relativamente fraco, tendo em conta a dimensão e a importância da cidade: a excelente rede de transportes (nunca esperei mais de um minuto tanto no U como no S Bahn) deve ser a grande responsável. Plana, a cidade também convida ao uso da bicicleta.
Berlim é sem dúvida umas das capitais europeias com menor número de negros; vêem-se efectivamente muito poucos, topando-se mais frequentemente com turcos. Ainda apanhei com uma manifestação (termo descabido, pois não vi mais de dez pessoas!) contra a expulsão de imigrantes ilegais camaroneses.
As mulheres berlinenses são amiúde vistosas; com mais uns dias em Berlim ainda me arriscava a um torcicolo!
Publicado por FG Santos às setembro 10, 2005 11:12 PM