« O dólar e o Irão | Entrada | Mourir pour des Idées »

setembro 26, 2005

Memórias de um ex-Waffen SS francês

Christian de la Mazière foi voluntário da Divisão Charlemagne das Waffen SS com vinte e três anos, numa altura em que a guerra estava totalmente perdida para o Eixo. Insensatez de adolescente? Ou seguiu de la Mazière a máxima de José Antonio Primo de Rivera segundo o qual a vida só tinha sentido se dedicada de corpo e alma a uma grande causa?
O que é certo é que esta decisão quase lhe custou a vida, primeiro na frente leste depois num tribunal francês. Agraciado e libertado no início dos anos 50, uma nova vida se abria perante o antigo jornalista do período da Ocupação.
É esta nova vida que de la Mazière descreve em um livro saído há dois anos e que se lê de um trago: “Le Rêveur Blessé” (Editions de Fallois). A epopeia na Charlemagne fora alvo de um livro-escândalo no início dos anos 70: “Le Rêveur Casqué”, que por sua vez sucedia ao escândalo que foi o depoimento prestado a Marcel Ophüls e que faz parte do filme deste “Le Chagrin et la Pitié”.
Embora já tenha lido “Le Rêveur Blessé” logo depois de ter saído, a obra ficou-me na memória. O autor conta o seu extraordinário percurso após a saída da prisão de Clairvaux: como retomou a actividade jornalística, como integrou uma produtora de filmes, como se tornou amigo de grandes nomes do cinema francês, como o grande Jean Gabin. Ou de como se tornou “attaché de presse” (e algo mais...) da cantora Juliette Gréco. Também compartilhou por uns tempos a vida de outra cantora de sucesso: Dalida, de quem foi amigo até à morte desta, por suicídio.
Seu amigo íntimo foi também o actor Robert Le Vigan, grande amigo de Céline e que de la Mazière ajudou a exilar em Espanha.
Conta também o seu amor platónico por uma jovem judia, ou a confissão sobre o seu passado que fez ao futuro rabino de França. Fá-lo com sinceridade, com a tristeza de quem lamenta a divisão da França em dois campos opostos, inconciliáveis.
Na narrativa revivemos o ambiente efusivo da França dos “trinta gloriosos” anos do pós-guerra, com as marcantes etapas da guerra (e abandono) da Argélia e do Maio de 68. A sua relação com os pais também é abordada longamente.
Após os escândalos referidos acabou-se a vida ligada ao cinema: o autor era vítima do sistema, impossível manter relações profissionais com tal personagem. Lentamente recompõe a sua vida, trabalhando para uma agência espanhola (Beta Press) dedicada a combater o marxismo na América Latina – oportunidade para conhecer a região. Vem ainda a ser o conselheiro do presidente Eyadéma, do Togo...
No último capítulo, ao melhor estilo de quem “não se esquece nem se arrepende”, presta homenagem aos seus mestres: Lucien Rebatet, antes de mais: «superbe écrivain, auteur de ce grand Livre “Les Deux Étendards” que je n’ai cessé de relire, Rebatet, le surdoué, imbattable musicologue, et qui se promenait comme chez lui dans la poésie et la philosophie». Outros gigantes para o nosso autor: Arletty, a grande actriz (amiga de Céline – como este, natural de Courbevoie), o já citado Le Vigan, Roger Nimier, Jacques Chardonne, Paul Morand, Léautaud, Anouilh, Marcel Aymé («le taciturne dont l’ouevre entière est un enchantement, le père du “Confort Intellectuel”, inégalable pamphlet, et l’auteur d’”Uranus”, livre qui a tout dit sur la Libération»). Também Brasillach, «si doué, si charmeur et gentil qu’on ne pouvait qu’aimer, dont la prose est légère et poétique, immolé à la haine imbécile», Jean Cau, Henri Coston e muitos outros. Sem esquecer Georges Brassens, autor da música “Mourir pour des Idées”, inspirada na leitura de “Le Rêveur Casqué”.
Se ainda não conhecem este relato sincero e despreconceituoso, que nos transporta para uma época já tão distante com tanta vivacidade, que não pretende desculpabilizações nem tenta impor uma visão distorcida das coisas, então não percam a oportunidade de o lerem.

Publicado por FG Santos às setembro 26, 2005 11:33 PM

Comentários

À Divisão SS Charlemagne e a todos outros Voluntários que lutaram pelas suas ideias contra o bolchevismo e o capitalismo. Enfim... perderam...mas não a Honra. Porque a fidelidade é mais forte que o fogo.

A Todos
PRRSENTE!

Publicado por: Legionário em setembro 27, 2005 09:20 AM

Belíssimo texto.Hoje mesmo encomendarei o livro.

Publicado por: Rebatet em setembro 27, 2005 01:40 PM

Caso não conheça, sugiro ao Rebatet que dê uma espreitadela a este site de venda online:
http://www.chapitre.com/

Publicado por: FG Santos em setembro 27, 2005 02:26 PM

Uma sugestão de leitura de fazer ficar com água na boca...

Publicado por: Mendo Ramires em setembro 27, 2005 02:51 PM

Aproveitando a magnífica lembrança e/ou sugestão do Santos da Casa, aqui vai uma referência para a trilogia de Carlos Caballero sobre os Voluntários SS franceses «Hitler o Napoleon?», «CarloMagno» e «Contra Stalin y De Gaulle», editados por Garcia Hispan (www.arrakis.es/-hispan); Gilbert Gilles «Un ancien Waffen SS Français raconte... (1989); Saint-Loup e a trilogia: «Les Volontaires», «Les Héretiques», «Les Nostalgiques»; Jean Mabire: «Brigade Frankreich», «Charlemagne», «Mourir a Berlin», «Mourir pour Dantzig».
E fico-me, só e apenas por aqui... Há mais e muito mais!

Publicado por: Nonas em setembro 27, 2005 04:48 PM

Seria imperdoável não citar a obra de Saint-Paulien «Les Lions Morts - Bataille de Berlin», editado pela Plon

Publicado por: Nonas em setembro 27, 2005 05:00 PM

As SS são benemérita instituição, fundada pelo ínclito Emil Maurice.


Quem é que lutou contra o capitalismo?!?!?!?!?

O NS?!
Esse sistema abundantemente financiado pelos maiores capitalistas e magnatas alemães que, aliás, sempre lhe serviram de 'oráculo'

Linda luta anti-capitalista?!
Sim senhor!

Oh sim!

Vocês são mais românticos que o Tony de Matos.

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 27, 2005 07:08 PM

Don Nelson, no confunda las Waffen-SS con las SS. Las primeras son posiblemente el mejor cuerpo de ejercito del siglo XX. De las SS (las de Himmler, vaya) ... mejor ni hablar.

Publicado por: Rafael Castela Santos em setembro 27, 2005 07:12 PM

Caro Senhor Rafael Castela:
Aconselho-lhe a leitura da obra de Edwige Thibaud «L`Ordre SS», prefaciada por Léon Degrelle (chefe rexista belga e general SS da Divisão Wallonie) editada pelas Éditons Avalon, 1991. Existe uma tradução castelhana, editada por Ediciones Hispanoamericanas, de Buenos Aires, Argentina, 2001. É uma boa altura para se curar desses preconceitos anti-nazis e ler textos sobre a mais variada temática, como a religiosa, que julgo ser a que mais o preocupa.
Relativamente, às Waffen SS foram, sem favor, o melhor exército do mundo!

Publicado por: Nonas em setembro 27, 2005 07:48 PM

Melhor exército do mundo?!
Isto é o que se chama um raciocínio hiperbólico.
Ou um 'whishfull thinking'!

Eram tão bons que perderam...
Vitórias morais, só se for.
E, de vitórias morais, estão as histórias dos derrotados cheias.

Os melhores exércitos são (e sempre foram) os que VENCEM inapelávelmente o inimigo levando-o a uma completa total DERROTA e à rendição (ou á obliteração quase absoluta, como em Cartago), de preferência incondicional.
Isso sim, são bons exércitos, pois A VITÓRIA militar é o objectivo de qualquer exército em qualquer guerra, da mesma forma que marcar mais golos é o objectivo de um jogo de futebol.

O resto é conversa.

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 27, 2005 09:01 PM

"Os melhores exércitos são (e sempre foram) os que VENCEM inapelávelmente o inimigo levando-o..."

Por isso é que os amaricados americanos estão a levar nos cornos no Iraque.

São muito bons a combater à distância. De preferência do AR.

Que saudades de Saigão...

:)

Publicado por: Å em setembro 28, 2005 02:37 AM

Só nós dois é que sabemos
o quanto nos queremos bem
só nos dois é que sabemos
só nos dois e mais ninguem

Publicado por: Legionário em setembro 28, 2005 01:30 PM

Good morning Vietnam!

Publicado por: Legionário em setembro 28, 2005 01:33 PM

Que saudades é de Iwo Jima....ou de El-Alamein!

:)

OS americanos combatem bem em guerras convencionais....quando lhes pespegam com algo 'diferente' pelas trombas....ficam à rasca.
Mas o mal não é só deles.

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 28, 2005 02:32 PM

Quem é que está a levar nos cornos?!?!

Ó homem...

1 - O Pentágono, antes da guerra, encomendou 15 mil caixões e ainda não chegou a gastar 2000

2 - O Iraque como potência regional foi completa e irremediavelmente destruído, o seu exército, destruido,desmobilizado, desmantelado e aniquilado

3 - O poder político iraquiano foi mergulhado no caos para propiciar o desmembramento (guerra civil?!) ou a federalização do país.

4 - Daqui a nada não há um cidade que esteja em pé.
Tudo escaqueirado.

Quem é que está a levar nos cornos?!

Publicado por: Nelson Buiça em setembro 28, 2005 03:46 PM

hello! http://www.areaseo.com/contacts/ google pr. SE marketing, High Rankings, SEO consultant. From google pr .

Publicado por: google pr main em abril 27, 2006 01:52 PM

Comente




Recordar-me?