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setembro 29, 2005

Entrevista de Christian de la Mazière

Estive a rever a entrevista que é feita a Christian de la Mazière no filme em duas partes “Le Chagrin et la Pitié”, da autoria de Marcel Ophüls (filho do famoso realizador Max Ophüls).
Durante uma quinzena de minutos o ex-voluntário (aos 23 e não aos 17 anos como escrevera inicialmente neste postal) da Divisão Charlemagne das Waffen SS explica a sua evolução política e o seu comportamento durante a Ocupação. A entrevista decorre no castelo de Sigmaringen, local onde ficou instalado todo o governo de Vichy nos últimos meses da guerra (o dono recebeu ordens de Hitler para abandonar o castelo em 24 horas). O local, que este vosso servidor teve oportunidade de visitar há já quinze anos, em romagem de forte pendor (e fervor) céliniano, está recheado de história, inclusive portuguesa: a nossa Raínha D. Estefânia, esposa de D. Pedro V, chamava-se Stephanie Hohenzollern-Sigmaringen, havendo em sua homenagem uma sala no castelo denominada “Sala Portuguesa”.)
Crescendo num ambiente ferozmente anti-comunista, lendo os horrores da guerra civil espanhola nas páginas de “Gringoire” e de “L’Action Française”, de la Mazière foi incorporando na sua mente toda uma mentalidade marcadamente de direita e anti-semita (algo que era comum na França dos anos 30). O ambiente nos liceus era de grande agitação política e os confrontos entre comunistas e fascistas frequentes e violentos. Escolhendo este campo com naturalidade (“havia para nós duas ideologias que podiam mudar o mundo e o comunismo estva automaticamente fora de questão”), mais por rebelião contra o próprio conservadorismo familiar que por reflexão doutrinária, de la Mazière vem a ficar fascinado pelos cerimoniais nazis, pelas “missas” (como lhe chama) de Nuremberga.
A conclusão deste “engagement”, conclusão última e grave, foi envergar o uniforme alemão. Já em Sigmaringen, pedindo para serem recebidos pelo Marechal Pétain, ele e os seus camaradas que se preparavam para partir para a Frente Leste viram esse desejo recusado, um perfeito “désaveu” por parte do velho soldado e herói de Verdun. O que lhes deu vontade de partir o mais rapidamente possível.
Interrogado sobre o que é que sabia do tratamento que era reservado aos judeus pelos nazis, de la Mazière afirma que sabia que havia deportações e campos de concentração. Nunca imaginou o que lá se passaria nem que havia extermínio (palavras textuais); tal como havia cerca de dois milhões de prisioneiros franceses na Alemanha, também haveria prisioneiros judeus. Não suspeitava de mais nada. Quem leu o livro aqui citado ou viu “Le Chagrin et la Pitié” não pode duvidar da sinceridade de de la Mazière, que nunca tenta desculpar-se do que quer que seja e algumas afirmações que podem aligeirar o seu caso à face da cartilha politicamente correcta resultam de perguntas muito directas e não de longas tentativas de auto-justificação.
No final é-lhe perguntado se mudou, se as suas ideia políticas mudaram. Que sim, que só os imbecis é que se atêm rigidamente às mesma ideias. «Hoje tem medo das ideologias?» «(Pausa) Sim. (Nova pausa) Mesmo muito.»

Publicado por FG Santos às setembro 29, 2005 12:15 AM

Comentários

Caro FG Santos, o filme é de Marcel Ophuls (filho do conhecido cineasta Max Ophuls). Assim é que é, pode crer.
Um abraço.

Publicado por: Mendo Ramires em setembro 29, 2005 02:48 AM

Tens razão, é o que dá escrever à meia-noite (eu sou mais matinal que noctívago)!
Um abraço.

Publicado por: FGSantos em setembro 29, 2005 09:50 AM

http://pt.novopress.info/

Publicado por: Novopress em setembro 29, 2005 12:12 PM

A Novopress é leitura diária, obrigatória, para mim. Lá, as notícias e as ideias - sem o filtro da ditadura do pensamento único - lêem-se com gosto.
Desculpa o àparte, FG Santos, mas, como apanhei aqui este reclame, não pude deixar de louvar o que é bom e se recomenda.
Saudações Nacionais a todos.

Publicado por: Mendo Ramires em setembro 29, 2005 12:42 PM

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