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setembro 13, 2005

De tanto bater o meu coração parou

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É o título do filme que vi no passado fim de semana, obra de Jacques Audiard.
Devo dizer que o cinema francês, desde que se libertou da "Nouvelle Vague" (que de "nouvelle" já há muito que só tinha o nome), só tem ganho em interesse e qualidade. A nova geração de cineastas conta histórias e conta-as bem, sem intelectualices bacocas mas também, regra geral, sem concessões à vulgaridade.
"De tanto bater o meu coração parou" é um desses filmes. Seguimos o jovem Tom (magnífico Romain Duris - já o víramos no divertido "O Albergue Espanhol") nas suas actividades imobiliárias (seguindo as pisadas do pai) mais ou menos ilícitas (espalhar ratos em prédios para os desvalorizar e poder comprar mais barato) ou simplesmente cruas (expulsar imigrantes ilegais que se instalam em casa alheia). A realização é nervosa, com movimentos bruscos, acompanhando a actividade febril do jovem. (Felizmente) não há lições de moral sobre os pobrezinhos dos ilegais que não têm onde estanciar para a noite - mostra-se simplesmente a crueza do dia a dia.
Um dia o nosso herói redescobre a música que tinha abandonado anos antes: a magia do piano, uma tocata de Bach, uma peça de Debussy... Um ex-agente da mãe (que fora pianista) incentiva-o a retomar o estudo do instrumento, para o qual parecia particularmente dotado.
Entramos então numa espiral de acontecimentos frenéticos ligados à sua actividade imobiliária, que vai desprezando cada vez mais em prol do piano.
Especulação, ameaças, violência, mafia russa, comunicação pela música (a professora de piano é chinesa e mal arranha o Francês), enamoramento, sexo - e música, muita música, numa pesquisa de um sentido mais harmonioso e enriquecedor para a vida. Numa Paris nocturna, crua, o oposto da cidade das luzes.
A não perder.
(Em exibição em Lisboa e Porto.)

Publicado por FG Santos às setembro 13, 2005 05:16 PM

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