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setembro 18, 2005
A manifestação
A manifestação que ontem decorreu em Lisboa, visando contestar a influência crescente do lobby gay na sociedade e na política, bem como condenar a pedofilia, gerou várias perplexidades.
Antes de mais, pode-se falar em sucesso da iniciativa? Por um lado, sim: teve algum destaque noticioso e deu a conhecer mais uma vez a acção do PNR; mas se pensarmos no número de participantes, que não terá excedido os 200, a coisa foi um relativo fracasso, pois estivemos na presença de três vezes menos pessoas que há três meses no Rossio.
Tal como alertámos na altura, a euforia não é boa conselheira: tende a toldar o discernimento, leva a crer em ondas imparáveis. A manifestação de ontem representou o regresso à realidade: o meio nacionalista, se crescer, fá-lo-á muito lentamente.
Também causa perplexidade a orientação política do PNR: a tentativa de abarcar todas as tendências nacionais num só movimento está a ser, quanto a mim, contraproducente: tenta-se juntar pessoas que passam a vida a insultar-se na internet, por motivos ideológicos ou mesmo pessoais, numa luta fratricida que fará sorrir os que são hostis a qualquer ideologia nacionalista. A aceitação tácita do apoio da Frente Nacional está a afugentar muito boa gente que não se quer misturar com “extremistas” e skinheads, seja o que for que esta imagem tem de verdadeiro.
A imagem, na SIC, de um manifestante com uma cruz suástica ao peito e um emblema do PNR na lapela, deve ter levado à loucura a esquerda, mostrando a amálgama que ela bem gosta de fazer.
Se o PNR quer o apoio de franjas da sociedade como as citadas, deve ao menos doutriná-las, dar-lhes um enquadramento teórico do nacionalismo, deve organizar workshops de ideologia, acção política, história de Portugal, filosofia política – hipóteses não faltam. Assentar a estratégia no “barulho” das manifestações, nas frases feitas, nos slogans mais ou menos ocos é ganhar algum tempo de antena no presente mas desperdiçar uma conjuntura que, em teoria, poderia ser favorável ao crescimento do nacionalismo em Portugal.
Publicado por FG Santos às setembro 18, 2005 08:00 PM
Comentários
Bem analisado.
Receio, porém, que a direcção do PNR não alcance e não compreenda os tempos nem o que tem de fazer.
S.
Publicado por: sacrus em setembro 18, 2005 11:06 PM
Claro podemos sempre cruzar os braços, esperar que o "nirvana" ideológico invada a "direita" e deixar Portugal afundar-se mais...
Só com todos os nacionalistas poderemos erguer o movimento nacionalista ou então permanecermos nos grupelhos de vão de escada que praticam autofagia para gáudio da esquerda.
Mas seguramente que sacrus nos terá muito para ensinar...
Publicado por: Humberto Nuno de Oliveira em setembro 19, 2005 03:39 PM
O comentário do FG Santos divide-se em dois:
- o sucesso (ou insucesso da iniciativa);
- "orientação política do PNR".
Quanto à primeira questão, o FG Santos fala em 200 manifestantes número veiculado pela imprensa, embora eu, que estive presente, pense que o dobro desse valor seja muito mais próximo da realidade. De qualquer maneira, e ao contrário do que FG Santos faz crer, ninguém estava à espera de "ondas imparáveis". Sabe, ao contrário do que você possa pensar, nós não somos uns tarados megalómanos, temos os pés assentes no chão. Nunca se poderia comparar esta manif. com a anterior, que para além do timing teve uma repercussão mediática muito maior (além de que era uma resposta a um acontecimento extremamente actual). O termo de comparação teria sempre de ser a manif. contra entrada da Turquia na UE, e essa foi largamente superada.
Quanto à segunda questão, só lhe tenho a dizer o seguinte: levante o cú do sofá e mexa-se. Não gosta de skins? Não gosta de “extremistas”? Então interrogue-se porque é que eles são tão visíveis. Vai chegar à conclusão que é por falta de comparência dos “moderados”.
Publicado por: NC em setembro 19, 2005 08:26 PM
O problema que vejo é que é impossível colaborar com os skins. Ouvi dois ou três falar e parece-me que nao querem nada. Acusam os mais velhos de intelectuais e só querem exibições de força que não são nem força nem exibição. Aquilo foi um espectáculo de isolamento e fraqueza. Meia dúzia de rapazolas mascarados de preto para dar força aos fantasmas do BE. O maior desastre de rua que já vi desde 1980. Estão fora da sociedade e declaram guerra a tudo e todos. O presidente do PNR foi um desastre de comunicação. Não sabe dizer duas com tino. Querem fazer política com essa gente? Acho que vão por mau caminho.
Publicado por: Paulo Alcobia em setembro 19, 2005 10:01 PM
Paulo Alcobia... será vosseleência quem eu estou a pensar? Em sendo verdade, um abraço, pá! E beijinhos para a família.
Publicado por: pedro guedes em setembro 19, 2005 11:46 PM
Resposta aos vários pontos abordados por NC:
- todos sabemos que em questão de manifestações os números são sempre divergentes. O primeiro que vi foi de 100, num blogue que você lê assiduamente;
- sobre euforias: não duvido que o NC tenha os pés assentes no chão; o que é incompreensível é que os mesmos blogues que deram um destaque impressionante (e compreensível) à manifestação de Junho tenham mencionado pela rama a de sábado passado - e alguns nem sequer nela falaram, apesar de a terem divulgado. Esse silêncio diz muito e sinceramente não percebo porquê a omissão; houve certamente qualquer coisa que não correu de acordo com o previsto - gostava de saber o quê;
- quanto à visibilidade e à falta de comparência: ninguém é obrigado a juntar-se com pessoas que nada lhe dizem só porque, ocasionalmente, poderão defender pontos de vista semelhantes. Pense no percurso da FN, pense nos 7 anos abaixo de 1% dos votos, pense no que sucedeu quando os "extremistas" foram afastados do movimento (voltando aos grupúsculos confidenciais). Não estou a advogar a expulsão de quem quer que seja, se leu o meu texto percebeu isso; mas está na altura de haver uma reflexão sobre o contributo que cada um pode dar ao movimento nacional - e como o deve fazer sem o prejudicar.
Alguém escreveu em comentário no "Nova Frente" que a autorização destas manifestações não é inocente. Pense nisso.
Publicado por: FGSantos em setembro 20, 2005 09:59 AM
É óbvio q o PNR mata-se ao deixar juntar e veicular sua imagem ao extremismo pan-germânico dos skins, quando o nacionalismo e a história portuguesa se manifestam de outra maneira, sabe-se bem q a maioria das pessoas ,estando elas manipuladas pelo estado de sítio ideolóigico á esquerda vigente ou não jamais votariam em gente q prega a aniquilção total daqueles q não são ou não pensam iguais a si, vejam o comentário anterior do rapaz do CN e a sua revolta pq o FG discorda do seu ponto de vista, assim nõ se vai pra frente, é preciso mais compreensão entre si se se quiser q o PNR ande, senão os moderados e salazaristas devem se desquitar e evitar o limbo eterno.
Publicado por: A.C.J.A. em setembro 20, 2005 11:34 AM
A questão resume-se a isto: os "moderados" existem? Então que se mexam! (caso contrário o movimento estará na mão daqueles que o fazem, não vos parece óbvio?)
Publicado por: NC em setembro 20, 2005 11:50 AM
NC, parece-me que toda ou quase toda a direcção do PNR pode ser apodada de moderada. Portanto...
Publicado por: FG Santos em setembro 20, 2005 12:14 PM
Só se você reduz a "moderação" a uma questão estética... Mas nesse caso eu também sou moderado, o Caturo (do Gladio) também é moderado, o Rebatet (do Batalha Final) também é moderado, o Branquinho (do Pena e Espada) também é moderado, o Filipe (da JN) também é moderado, vários moderadores do Forum Nacional também são moderados (e a lista podia continuar)...
Publicado por: NC em setembro 20, 2005 04:31 PM
(...) Só com todos os nacionalistas poderemos erguer o movimento nacionalista ou então permanecermos nos grupelhos de vão de escada que praticam autofagia para gáudio da esquerda. (...)
Por acaso já pensei assim, até ser inexplicavamente banido e ofendido por aqueles que julgava camaradas. Agora, sinceramente, já não sei o que pensar...
Publicado por: Viriato em setembro 20, 2005 05:10 PM
Excelente análise, como é timbre da casa, com o a qual concordo inteiramente.
Publicado por: JLL em setembro 20, 2005 05:30 PM
Aqui, a questao fundamental nao e saber quem e "moderado" ou "extremista", categorias intrepretativas, no minimo, polemicas e contestaveis.
O que importa saber e quem, inequivocamente, esta contra e opoe-se a autentica destruicao de Portugal por via de uma colonizacao afro-asiatica.
O que hoje se passa na regiao de Lisboa e arredores
revela um cenario de catastrofe, com consequencias irremediaveis para o futuro do Povo Portugues.
Pior cego e aquele que nao quer ver!
A paisagem antropologica da praca do Rossio e um exemplo da OCUPACAO do espaco publico e nobre de uma cidade que se pretende Europeia e civilizada.
Quem claudica perante esta realidade nao tem consciencia do drama presente que vive Portugal.E nao visiona o que vira no futuro.Este sera bem NEGRO!
A estrategia actual impoe a unidade de TODOS que amam Portugal na sua Identidade primordial.Da minha parte recuso um"pretogal", imagem sinistra de um pais que ja nao sera nosso.
Nao sou NS,nem nunca o fui (recuso o pan-germanismo, gerador de conflitos entre Europeus, invasao da Polonia, Russia, etc), mas estou disposto a colaborar com quem coloque a defesa de um Portugal Europeu na cultura e na etnia acima de todas as questiunculas e divergencias. E isto o que me interessa no momento historico.
Se esta postura se identifica com o "extremismo"...Entao serei "extremista"!!
Publicado por: Miguel Angelo Jardim em setembro 22, 2005 05:39 PM