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setembro 21, 2005
A grande vaga homossexual
«Depois de qualquer guerra, depois de qualquer revolução, tal como depois de uma fome ou de uma epidemia, sabe-se que os costumes decaem. Nos jovens, a corrupção dos costumes é tanto um facto moral quanto fisiológico e confina facilmente com a anormalidade. O seu aspecto mais frequente é a homossexualidade (...)
Desta vez, contudo, a corrupção dos costumes na juventude europeia tinha precedido e não seguido a guerra, fora um anúncio, uma premissa da guerra, quase uma preparação para a tragédia da Europa, não uma consequência desta. Já muito antes dos dolorosos acontecimentos de 1939, parecera que a juventude europeia obedecia a uma palavra de ordem, era vítima de um plano, de um programa há muito preparado e dirigido com frio cálculo por um espírito cínico. Poder-se-ia dizer que existia um Plano Quinquenal da homossexualidade para corrupção da juventude europeia. Certo ar equívoco nos modos, nas atitudes, nos ditos, no tom das amizades, na promiscuidade social entre jovens burgueses e jovens operários, certo conluio entre a corrupção burguesa e a corrupção proletária, eram fenómenos já dolorosamente notados muito antes da guerra, especialmente na Itália – onde em certos círculos de jovens intelectuais e artistas, principalmente pintores e poetas, se fazia pederastia e se supunha estar a fazer comunismo – e já denunciados à opinião pública por observadores, por estudiosos, e até por políticos geralmente desatentos aos factos alheios à vida política.
O que acima de tudo me surpreendia era o facto de tal corrupção dos costumes juvenis, tanto na classe burguesa, como na classe proletária (...) se verificar com o pretexto do comunismo, como se a inversão sexual, mesmo não consumada, mas só mimada, representada, fosse uma iniciativa indispensável às ideias comunistas. E já várias vezes perguntara a mim mesmo – pois a questão parecia-me de fundamental importância – se isso sucedia espontaneamente, por íntima corrupção moral e fisiológica, como reacção aos costumes, aos modos, aos preconceitos, aos moribundos ideais burgueses, ou se em consequência de uma subtil, cínica e perversa propaganda comandada de longe e apostada em dissolver o tecido social europeu, na previsão do que os espíritos fracos do nosso tempo saúdam como a grande revolução da idade moderna. (...)
Os invertidos disseminados pela Europa inteira, e naturalmente também na Alemanha e na URSS, haviam demonstrado ser elementos preciosíssimos para os serviços de informação ingleses e americanos, tendo realizado, desde o início da guerra, um trabalho político e militar especialmente delicado e perigoso. Os invertidos, como se sabe, constituem uma espécie de confraria internacional, uma sociedade secreta governada pelas leis de uma amizade terna e profunda, que não está à mercê das fraquezas e da proverbial inconstância do sexo. (...)»
Curzio Malaparte, "A Pele" (cap. V), Edição Livros do Brasil, Lisboa (tradução de Alexandre O'Neill).
Publicado por FG Santos às setembro 21, 2005 08:59 AM
Comentários
Goste-se ou não deles, os invertidos têm direito a existir e a manifestar-se dentro da legalidade. Isso é, aliás, uma permissa de toda a sociedade democrática. É obvio que a homossexualidade generalizada mina os ideais e o poder das direitas nazi-fascista e estalinista, correntes totalitárias que ocultam o seu homossexualismo latente (veja-se o caso de Hitler) sob a forma de proclamações antihomossexualidade...Em cada antigay virulento há um gay oculto. A expansão gay parará no ponto em que lhe cabe parar. Porque a heterossexualidade será sempre a corrente dominante, graças a Deus.
Publicado por: f. limpo em setembro 21, 2005 09:59 AM
"Em cada antigay virulento há um gay oculto". Uma frase feita, "bonita", mas sem qualquer conteúdo, daquelas que se usam à falta de argumentos para tentar silenciar os opositores da homossexualidade. Por essa lógica, depreendo que em cada antifascista virulento há um fascista oculto, em cada anti-racista virulento há um racista oculto, em cada anticlerical virulento há um clerical oculto e por aí a fora...
Ora, é evidente que ninguém pode impedir os homossexuais de se dedicarem à pratica de actos homossexuais, desde que todos os que neles se envolvam o façam com total e pleno consentimento; porém, não pode o Estado sancionar e sufragar no seu ordenamento jurídico positivo um comportamento que é perverso, aberrante, causador de graves e profundos transtornos físicos e até da morte, pois de outra forma estará a apoiar explicitamente tal situação.
Publicado por: JSarto em setembro 21, 2005 10:22 AM
Bom texto só que o roto do combustoes agora já nao gosta de ti.
Publicado por: lillyrose em setembro 21, 2005 11:38 AM
É bem verdade: "there is nothing new under the sky".
Publicado por: NC em setembro 21, 2005 12:46 PM
O JSarto disse aquilo que me deu vontade imediata de escrever mas não estava com tempo na altura para fazer comentários.
Esse limpo é capaz de não ser má pessoa mas está cheio de pré-conceitos politicamente correctos, e depois, tá claro, só lê as coisas com um olho (não me refiro ao olho do cú, bem entendido).
P.S. - Caro FG Santos tem recebido os meus mail e msg, sobre o "negócio"!!??
Hoje são 21/09 - dia de equinócio.
Publicado por: Legionário em setembro 21, 2005 01:34 PM
O JSarto disse, sem tirar nem pôr, o que se deve dizer do "argumento" da hossexualidade escondida. E também subscrevo o resto.
Porque não é referido, gostava de aludir brevemente ao que se passou em Inglaterra, no mesmo período e com cruzamentos sociais, usando o mesmo pretexto comunizante, mas hélas, também o do catolicismo romano! Foi sempre coisa que me fez espécie e que E. Waugh pinta admiravelmente.
Publicado por: Paulo Cunha Porto em setembro 21, 2005 06:20 PM