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agosto 22, 2005
Sua Excelência
O estimado Paulo Porto, num arremedo muito saudável de anti-igualitarismo, zurze na mania niveladora vigente nas sociedades anglo-saxónicas que ganharam a independência da elitista Grã-Bretanha.
Curiosamente, nas sociedades de cunho mediterrânico como a nossa, existe a mania oposta, que é de salientar o estatuto de quem governa, presume-se que com a intenção de manter uma diferença de tratamento entre governantes e governados.
No nosso país os políticos tratam-se por sr. Dr. Isto, sr. Eng. Aquilo, sr. Presidente da República, etc. Adoram fazer inaugurações nem que seja de viadutos, centros comerciais, centros de dia, em que podem contemplar uma placa em que para a posteridade (para eles, para a eternidade) ficará o nome do sr. Ministro, do sr. Secretário de Estado, do sr. Presidente da Câmara. A situação é tanto mais anedótica quanto os mesmos ilustres representantes da Nação passsam a vida a falar em igualdade, em exclusão, em integração e outros termos que expressam a sua permanente preocupação com quem supostamente é vítima de... desigualdade.
Nas empresas também é habitual o tratamento reverencial para com o sr. Dr. ou o sr. Eng. Na nossa ex-colónia brasileira brinca-se dizendo que, por lá, para se ser tratado por Dr. basta vestir fato e gravata.
Voltando ao início, isto é, aos anglo-saxões, de referir que na elitista Grã-Bretanha é normal, pelo menos a nível empresarial, o tratamento pelo nome próprio, mesmo para com as chefias. A hierarquia está definida, o respeito impera, portanto a diferença pressente-se mas não se agita como uma bandeira.
Publicado por FG Santos às agosto 22, 2005 10:13 AM
Comentários
E tão bonito é o respeito que não se ganha com uma gravata ou um canudo...
Publicado por: AA em agosto 22, 2005 10:33 AM
É ridícula esta mani do 'Sôtor' e 'Sôtora'.
Mesmo típico de países atrasados.
Somos gozados lá fora por causa da mania do 'Doutor'.
Os americanos fazem um pagode com a mania do 'Doctor' :)
A mim parece-me é que terá sido exactamente por esse tipo de mentalidade que, a certo ponto, o Grande Norte se superiorizou ao Sul.
Quando escreveram 'we believe that all men are created equal' estavam a dar um grande passo no progresso deles e a lançar a fúria e o desespero ressabiado na velha Europa que, entretanto, a norte do paralelo 50 já se libertou das manias feudais do Sul.
Publicado por: Nelson Buiça em agosto 22, 2005 02:39 PM