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agosto 18, 2005

Sobre Rudolf Hess

Ontem cumpriram-se 18 anos sobre a morte de Rudolf Hess. Morte ou assassinato? Suspeita-se em certos círculos que foram os serviços secretos britânicos que teriam levado a cabo essa sinistra tarefa, quando havia suspeitas de que os soviéticos estariam dispostos, em plena perestroika, a dar o seu aval à libertação do mais velho prisioneiro do Mundo.
Toda a história da missão de Hess levanta questões. Teria sido iniciativa própria, à revelia de Hitler, ou pelo contrário uma manobra deste último? E afinal que tinha Hess a propor ao Duque de Hamilton? A paz com o Reino Unido, com a contrapartida de este se manter neutral em caso de conflito entre a Alemanha e a União Soviética. E aqui é que, quanto a mim, está o busílis da questão: se Churchill poderá não se ter oposto à proposta, já Roosevelt, que sempre mostrou ser escandalosamente favorável à URSS, terá recusado terminantemente tal “heresia”.
E, convenhamos, percebe-se o seu ponto de vista: estaria Hitler antes de mais interessado numa paz com as potências ocidentais ou, após o fracasso da batalha de Inglaterra, convinha-lhe assegurar que teria as mãos livres para invadir a URSS (o que sucedeu pouco mais de um mês depois do vôo de Hess)? Roosevelt terá certamente percebido esta intenção por parte do Führer e convenceu os britânicos a prender Hess.
Em face disto, parece-me descabido falar de Hess (e de Hitler) como arautos da paz entre as potências ocidentais. O que a Alemanha nazi pretendia era invadir a URSS, assegurando a não intervenção do Reino Unido. Nada mais.
Os EUA de Roosevelt, ferozmente anti-nazis e mal dissimuladamente favoráveis a Estaline, deram, ainda mesmo antes de entrarem oficialmente em guerra, mais um passo na guerra total que “alguns” haviam declarado ao nazismo.

Publicado por FG Santos às agosto 18, 2005 11:46 PM

Comentários

Finalmente o FG Santos a por os pontos nos ii.
Quem sabe, sabe.

ps. não se consegue perceber esta mania de Hitler em invadir a URSS. Depois de dividirem a Polónia, note-se....
Estava-se mesmo a ver (basta olhar para um mapa) que a empresa era completamente impraticável e que ninguem conseguiu derrotar os russos em casa.
A pesada derrota de Napoleão (que conseguiu chegar a Moscovo) deveria ter servido de exemplo.
Se Hitler não se tivesse virado para a URSS teria conseguido outro tipo de desfecho.
Assim, lixou-se.
Substimou completamente o governo comunista de Stalin: erro crasso.

"... parece-me descabido falar de Hess (e de Hitler) como arautos da paz entre as potências ocidentais..."

Nenhum dos beligerantes era 'arauto da paz'.
Essas tretas românticas, entre Estados, não existem.
Todos eles eram arautos sim, mas dos seus interesses.

Publicado por: Nelson Buiça em agosto 19, 2005 01:40 AM

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