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junho 17, 2005
Inferno
Imagine um país com quase 400 mil km2 (cinco vezes mais que Portugal continental). Os recursos naturais não são de somenos: carvão, crómio, ouro, níquel, cobre, lítio, platina... A agricultura desenvolveu-se notavelmente, tendo condições para prover às necessidades da população.
Agora imagine que nesse país a penúria é de regra. Quase 80% da população activa está desempregada. Um sector dessa população, responsável pelo notável desenvolvimento da agricultura, foi de tal forma hostilizado que abandonou o país. Desde então que as colheitas ou se perdem ou rendem muito pouco, forçando o país a importar bens que outrora produzia em abundância.
Aliás os ecossistemas estão em crise: desflorestação massiva, degradação da qualidade dos terrenos; poluição do ar e da água. Até uma espécie animal que tinha neste território a maior concentração do mundo – o rinoceronte negro – está reduzida drasticamente; a exploração mineira, levada a cabo incorrectamente, provoca poluição por metais pesados.
E a espécie humana? Também não se porta nada bem: praticamente um quarto da população adulta está infectada pelo HIV, morrendo cerca de 170.000 pessoas por ano de sida.
O regime político está nas mãos de um indivíduo que mexe os cordelinhos do poder desde 1980. Para além de expulsar a minoria acima referida, persegue impiedosamente tudo o que se assemelhe, de perto ou de longe, a oposição, sucedendo-se as prisões arbitrárias, os assassinatos, o silenciamento da imprensa independente.
A sua última façanha foi proceder à destruição em massa de casas tidas como insalubres, tendo sido já desalojadas 200 mil pessoas, quando se está a entrar no Inverno. Não ficarão surpreendidos os meus leitores ao saberem que a povoação onde foi levada a cabo esta destruição em massa é um bastião da oposição. O alojamento alternativo que o governo prometera aos afectados pela medida nunca foi disponibilizado. Nem uma mesquita situada na referida povoação escapou, tendo os próprios muçulmanos sido obrigados a demoli-la.
Nenhum dos meus leitores ignora de que país estou a falar: o Zimbabwe de Robert Mugabe. Um canalha da pior espécie, alvo da indulgência de quase todos os países do mundo.
Publicado por FG Santos às junho 17, 2005 11:37 PM
Comentários
Concordo totalmente.
Um NOJO!
O FG Santos não viu o sr.Falcão por aí??
;)
A propósito:
"THE United States signalled a hardening of its stance on President Robert Mugabe's regime on Tuesday when Secretary of State-designate Condoleezza Rice named Zimbabwe in a list of six countries the US considers as outlaw States.
In an echo of President George W Bush's "axis of evil," Condoleezza Rice named Cuba, Burma, Belarus and Zimbabwe as "outposts of tyranny" requiring close US attention"
Pois é. Já fazem parte do Eixo do Mal.
Qualquer dia....
Publicado por: Nelson Buiça em junho 18, 2005 02:33 AM
Qualquer dia?... O que é que há no Zimbabwe que tenha interesse para os EUA?
Já alguém ouviu a Amnistia Internacional ou os Médicos Sem Fronteiras, ou qualquer outra dessas mui caritativas organizações referir-se ao que se passa no Zimbabwe e na Africa do Sul, chamando os bois pelos nomes: genocídio branco?
Publicado por: NC em junho 18, 2005 10:36 AM
"O que é que há no Zimbabwe que tenha interesse para os EUA?"
Em que planeta é que o NC vive?!
Isto já ultrapassou largamente a velha questão dos 'interesses'.
Malhar e/ou bombardear e/ou obliterar estes países já não se encara como questão de interesses pelos EUA.
É pura demracação de terrítório.
Os leões demarcam o território e assinalam o seu domínio mijando.
Os EUA através da 'mijadela' dos B-52.
nota: também não havia 'interesses' na Argentina, em Granada e no Chile, e etc......e olhe o que aconteceu.
Compreende?!
:)
Publicado por: Nelson Buiça em junho 19, 2005 04:54 PM