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junho 30, 2005

A lírica de Garrett

O estimado Paulo Cunha Porto, autor de um dos meus blogues preferidos, “O Misantropo Enjaulado”, fez um postal sobre Garrett, manifestando que pouco aprecia a obra daquele que é para mim um dos grandes vultos das letras de Portugal de todos os tempos. Ao Paulo dedico o texto abaixo, que descreve o famoso episódio em que Herculano pôs pela primeira vez a vista em cima de “As Folhas Caidas”.

«Esta obra [“As Folhas Caídas”] escreveu-a Garrett já no declinar da vida. Esteve-lhe na origem a paixão louca do poeta, já então com 54 anos, por Rosa Montufar Infante. Lisboa inteira conhecia e comentava aqueles amores. E quando Garrett deu à estampa os versos da sua paixão, fez aquilo a que poderíamos chamar um strip-tease sentimental.
Mas os versos eram sublimes, e Gomes de Amorim conta-nos a reacção de Herculano quando viu, sobre o balcão da Livraria Bertrand, as provas do livro:
«- Ainda há quem faça disto em Portugal?» - perguntou desdenhoso.
Mas começou a ler. E não parou mais.
«- De quem diabo é isto? Não há senão um homem em Portugal capaz de fazer tais versos. São do Garrett?»
Claro que eram do Garrett. Mas o editor quis saber a opinião do oráculo e arriscou a pergunta: «Que lhe parece?» E o historiador, peremptório, respondeu:
«- Penso que, se Camões fizesse versos de amor na idade em que está Garrett, não era capaz de o igualar. São belíssimos! Aquele diabo não pode com o talento que Deus lhe deu.»

J. Tomaz Ferreira, prefácio de “Viagens na Minha Terra”, Europa-América, 5.ª edição

Publicado por FG Santos às 10:05 PM

Mais uma homenagem fúnebre

As palavras de circunstância, aqui recolhidas, relativas ao passamento de Emídio Guerreiro, parecemos tê-las ouvido há pouco a propósito de outros "vultos" desaparecidos:
- «cidadão militante, resistente à ditadura»;
- «personalidade ilustre que marcou a vida política portuguesa do século XX»;
- «desaparecimento de um grande democrata, um grande combatente pela liberdade»;
- «um homem que teve uma vida longa e plena e partiu com os seus deveres cívicos cumpridos»;
- «percurso de verdadeira luta pela liberdade».
É "chapa 3" e está homenageado mais um valoroso anti-fascista. O corpo de Guerreiro está em câmara ardente no Palácio Maçónico, em Lisboa. Assim seja.

Publicado por FG Santos às 05:20 PM | Comentários (10)

De três para quatro

Ao Canadá segue-se a Espanha: o Congresso aprovou hoje a lei que regulamenta o "casamento" entre pessoas do mesmo sexo.
Podem chorar de emoção: o PM ZP afirmou que foi dado "mais um passo no caminho da liberdade e tolerância, (...) tornando a Espanha num país mais decente [textual!], porque uma sociedade decente [e insiste!] é aquela que não humilha os seus membros".
Passo seguinte: dado que não é decente humilhar pedófilos, assassinos, terroristas e afins, toca a descriminalizar os seus actos, pobrezitos que vivem no opróbrio permanente da humilhação!

Publicado por FG Santos às 04:36 PM | Comentários (6)

Dois anos de "Causa Liberal"

O excelente blogue "Causa Liberal" cumpriu ontem dois anos de existência.
Dedicado a "contribuir para o estudo, debate e divulgação do Liberalismo Clássico", o blogue tornou-se um espaço de reflexão bastante alargado, tentando em particular desmontar muitos mitos e falácias, sejam eles de origem económica sejam mesmo relativos à história oficial. Quanto mais não seja por este último aspecto, mereceria uma audiência mais alargada, mesmo de quem não se interesse tanto por questões económicas.
A título de exemplo, aqui ficam dois links recomendados pela CL:
- entrevista com Vaclav Klaus sobre a Europa;
- Pio XII e os judeus.

Publicado por FG Santos às 10:40 AM

junho 29, 2005

E vão três

O Canadá tornou-se, após Holanda e Bélgica, no terceiro país a autorizar o "casamento" entre indivíduos do mesmo sexo. Numa votação cerrada, os liberais conseguiram valer-se dos votos do secessionista Bloc Québecois para levar a sua avante (ou "a deles atrás").
A medida tem mais apoio entre os jovens citadinos e maior oposição da população mais idosa e rural.
Entretanto, em face de próximas eleições, os Conservadores tentam começar a angariar votos dos imigrantes, em especial muçulmanos, que costumam dar o seu apoio aos Liberais mas também são mais tradicionalistas em questões de sociedade e costumes. Alá proteja o Canadá tradicional?!?

Publicado por FG Santos às 05:16 PM | Comentários (3)

junho 28, 2005

Postal buícico

Se não fizermos nada será este o nosso futuro:

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Publicado por FG Santos às 05:48 PM | Comentários (1)

Casamentos mistos em alta nos EUA

Os casamentos mistos nos EUA, que representavam 1,3% do total em 1980, constituem actualmente 2,9% do total. A predominância é obviamente maior nos centros urbanos, com Los Angeles à cabeça. Nesses centros cruzam-se diariamente largas dezenas de etnias, sendo que as gerações mais recentes têm menos complexos em partilhar a sua vida com uma pessoa de outra raça.
Assim, assistimos a casamentos entre judeus e árabes, hindus e muçulmanos, irlandeses e chineses, japoneses e negros, num melting pot incrível. A coisa tem tal dimensão que organizar copos de água para casais mistos se tornou um nicho de mercado apetecível. Nas palavras de uma editora, "um casamento é a combinação de duas famílias, devendo mostrar respeito por elas e honrar a tradição de cada uma".
Mas se a tendência se mantiver ou (o mais provável) se alargar, já não haverá tradições a honrar, pois todos serão mestiços e as culturas terão ficado para trás, em benefício de uma sociedade de consumo desmemoriada e sem qualquer identificação senão com o imediato e o passageiro.

Publicado por FG Santos às 04:01 PM | Comentários (23)

Vitória de Ahmadinejad nas presidenciais iranianas

A vitória de Mahmoud Ahmadinejad nas presidenciais iranianas semeou a consternação nas chancelarias ocidentais, muito em particular nos EUA. O presidente da câmara de Teerão arrecadou 62% dos votos na segunda volta que disputou com o moderado (e ex-presidente entre 1989 e 1997) Hashemi Rafsanjani, que corporizava a esperança ocidental numa abertura da República islâmica a um maior diálogo, nomedamente no que à questão nuclear diz respeito.
As acusações de fraude, tanto por parte do candidato vencido como por parte dos EUA e da Grã-Bretanha, não se fizeram esperar. Só em Teerão houve 300 queixas denunciando irregularidades. Mas a dimensão da vitória permite questionar se as eventuais fraudes foram decisivas para o resultado final. A abstenção foi de 40% contra 37% na primeira volta.
Longe vão os tempos em que o agora ex-presidente Khatami protagonizou a esperança da juventude (e não só) iraniana numa mudança política efectiva, com maior abertura ao exterior e menos peso dos clérigos na condução da política e no funcionamento do aparelho judicial. O efectivo controlo que os “Guardiães da Revolução” detêm no país na prática limitou grandemente a capacidade de manobra de Khatami, que ainda por cima se demonstrou demasiado complacente e conciliador.
Ahmadinejad, enquanto presidente da câmara de Teerão, tornou-se notado por, entre outras coisas, ter mandado fechar “fast foods” e obrigado os funcionários a usar a barba grande e mangas compridas. E foi ele que proibiu a famosa campanha publicitária protagonizada por David Beckam.
Não é de esperar, assim, que o Irão abandone o seu programa nuclear (oficialmente para fins civis), ou que deixe de ter um papel tão interventivo (quanto o faz discretamente) nos desenvolvimentos políticos do vizinho Iraque.
Em última análise, e ao contrário da Síria que condescende amiúde com as pressões externas, a República Islâmica tem uma agenda política própria, orgulhando-se de enfrentar os EUA sem receios. Veremos se estes últimos, e os seus aliados israelitas, vão ficar quietos ou se vão pressionar o Irão, mesmo que para isso recorram à força.

Publicado por FG Santos às 02:44 PM | Comentários (16)

junho 27, 2005

Mas o sol não brilhará para todos nós

Peixeirada da grande no barnabeico blogue do (mitológico) milhão de visitas: um dos seus fundadores, o inenarrável Daniel Oliveira, bateu com a porta. O motivo parece ter sido uma crítica de um dos colaboradores à greve dos professores.
Mas o senhor D.O. sossega-nos: «não sou leninista, não sou comunista, nem sou sequer marxista». Já o sabíamos, é só pós-moderno. Como dizia José Manuel Fernandes, num dos seus raros momentos de inspiração, «a "nova" esquerda é em muitos aspectos do mais velho que há».
Com o tempo livre que agora vai ter, o sr. D.O. pode dedicar-se a estudar mais aprofundadamente as técnicas de desobediência civil que os seus jovens admiradores estão a aprender.

Publicado por FG Santos às 05:07 PM | Comentários (1)

Melancolia de Pai

Ao ler este postal do BOS, lembrei-me de imediato da melancólica canção de Charles Aznavour intitulada "À ma fille", cuja letra abaixo reproduzo.

À MA FILLE

Je sais qu'un jour viendra car la vie le commande
Ce jour que j'appréhende où tu nous quitteras
Je sais qu'un jour viendra où triste et solitaire
En soutenant ta mère et en traînant mes pas
Je rentrerai chez nous dans un "chez nous" désert
Je rentrerai chez nous où tu ne seras pas.

Toi tu ne verras rien des choses de mon cœur
Tes yeux seront crevés de joie et de bonheur
Et j'aurai un rictus que tu ne connais pas
Qui semble être un sourire ému mais ne l'est pas
En taisant ma douleur à ton bras fièrement
Je guiderai tes pas quoique j'en pense ou dise
Dans le recueillement d'une paisible église
Pour aller te donner à l'homme de ton choix
Qui te dévêtira du nom qui est le nôtre
Pour t'en donner un autre que je ne connais pas.

Je sais qu'un jour viendra tu atteindras cet âge
Où l'on force les cages ayant trouvé sa voie
Je sais qu'un jour viendra, l'âge t'aura fleurie
Et l'aube de ta vie ailleurs se lèvera
Et seul avec ta mère le jour comme la nuit
L'été comme l'hiver nous aurons un peu froid.

Et lui qui ne sait rien du mal qu'on s'est donné
Lui qui n'aura rien fait pour mûrir tes années
Lui qui viendra voler ce dont j'ai le plus peur
Notre part de passé, notre part de bonheur
Cet étranger sans nom, sans visage
Oh! combien je le hais
Et pourtant s'il doit te rendre heureuse
Je n'aurai envers lui nulle pensée haineuse
Mais je lui offrirai mon cœur avec ta main
Je ferai tout cela en sachant que tu l'aimes
Simplement car JE T'AIME
Le jour, où il viendra.

Publicado por FG Santos às 04:47 PM | Comentários (3)

A lei judaica é racista?

Essa é a questão em análise por parte do Ministério Público da Federação Russa, ao requerer um estudo do conteúdo do Shulhan Arukh, um conjunto de leis judaicas compiladas no século XVI. O objectivo é avaliar se tal código constitui um apelo racista e em particular anti-russo.
Num cenário actual que muitos descrevem como de anti-semitismo crescente na Rússia, este é mais um episódio que vem inquietar a comunidade judaica.
O anti-semitismo na Rússia é uma constante que o comunismo não só não erradicou como inclusive incentivou na população, nomeadamente Estaline e Kroutchev. Putin, político hábil, não abdicou desta arma de popularidade, de que o caso Khodorkovski é apenas um exemplo.

Publicado por FG Santos às 02:53 PM | Comentários (2)

Acredite se ler no "Expresso"...

arrastão.JPG

Publicado por FG Santos às 09:39 AM | Comentários (1)

junho 25, 2005

Homenagem ao "Porta Bandeira"

O caro Viriato publica hoje o texto que, a seu pedido, lhe enviei para comemorar o primeiro aniversário do seu excelente blogue.
Uma homenagem mais que justa a este jovem nacionalista, notório por querer estabelecer pontes em vez de tentar implodir as que (ainda) existem.

Publicado por FG Santos às 11:14 PM | Comentários (3)

junho 24, 2005

Alterações ao código da nacionalidade

O Governo da República Portuguesa, ouvidos os partidos com assento parlamentar, o Conselho de Estado, o SOS Racismo, o ACIME, o Exmo. Embaixador de Cabo Verde, a Associação para a Auto-Determinação dos bantustões da Cova da Moura, Bairro das Marianas, entre outros, a Associação Cultural "Tá-se bem", o Grande Oriente Lusitano, o ILGA, o Grupo de Reflexão Homosexual do PSR, as Associações pró-aborto, o Alto Comissário da ONU para os Refugiados, a Associação Rom dos Tocadores de Rabeca junto a Semáforos, propõe as seguintes aletrações ao código da nacionalidade:
1) Todos os indivíduos que sejam filhos de imigrantes e que nasçam em território nacional são declarados cidadãos portugueses, independentemente do tempo de permanência e da legalidade ou não da presença dos pais em território nacional.
2) A mesma regra se aplica aos filhos de não imigrantes, salvo as seguintes excepções:
2.a) Os pais sejam conhecidos (mesmo sem terem sido condenados) por práticas ou pensamentos racistas, nacionalistas, homofóbicos, antidemocráticos (de direita);
2.b) Os pais se tenham pronunciado em referendo ou abaixo assinado contra o articulado do presente projecto-lei.
3. Nos casos descritos no ponto anterior, são os filhos desses cidadãos candidatos à atribuição da nacionalidade portuguesa se:
3.a) Os pais se retractarem publicamente, com anúncio publicado em dois jornais de circulação nacional, assumindo a sua crença em que esta lei de nacionalidade é a que melhor respeita os princípios de internacionalidade e universalidade tradicionalmente portugueses;
3.b) Os pais respondam a inquérito definido em conjunto pelas entidades supra mencionadas, no sentido de aferir da sua adesão aos princípios propugnados e defendidos no presentre projecto-lei.
4. As duas situações descritas em 3. têm que ser observadas simultaneamente, sem o qual os filhos dos interessados se manterão apátridas e como tal inelegíveis a quaisquer benefícios de saúde, escolares, etc.
Por resultar do largo consenso descrito no preâmbulo, se manda a votação o presente projecto.

Publicado por FG Santos às 05:29 PM | Comentários (2)

Guantanamo e Cheney

Há uns dias atrás Dick Cheney pronunciou-se a favor da manutenção do campo de detenção de Guantanamo, onde os prisioneiros, alegadamente terroristas, são tratados abaixo de cão, contribuindo para que os EUA sejam cada vez mais detestados no mundo islâmico.
Já depois de ler esta notícia, soube que foi adjudicada à Halliburton (empresa de que Cheney foi administrador durante vários anos) a construção de uma nova prisão no mesmo local. Infelizmente não consegui localizar esta notícia na net. Seria falso alarme ou foi abafada?
Já esta semana soube-se que o governo britânico concedeu facilidades de crédito a uma filial daquela empresa, a Kellogg, Brown & Root (KBR), apesar de esta estar a ser investigada num caso de corrupção.
Blair, Cheney - tudo bons rapazes.

Publicado por FG Santos às 05:10 PM | Comentários (3)

junho 23, 2005

O ensino do Português

A leitura do excelente texto do BOS "O Ensino do Português" fez-me recordar os tempos em que estudei a nossa bela língua no liceu.
Se, de facto, o ensino de sujeito-predicado-complemento directo (parece que este hoje se chama "grupo móvel"!?) rigidifica um pouco a construção das frases, por outro ajuda o jovem aluno a estruturar as mesmas, tendo um inegável valor pedagógico. Depois, se ele tiver propensão e interesse para as línguas, tratará de alargar os seus horizontes e não se limitar ao "certinho".
No meu tempo (fiz o 9.º ano em 1984), era obrigatório ler "Os Lusíadas", "Os Maias", as "Viagens na minha Terra". Lembro-me que para a "gajada" eram todos uma seca, como diria o Jacinto da "Cidade e as Serras"... Eram uma obrigação quase tão penosa como perceber a fórmula resolvente ou a lei do anulamento do produto!
Mas aqui entra outro factor, que estudos sucessivos confirmam como fundamental para o sucesso escolar e que na verdade é puro senso comum: o background familiar é muito importante não só para o dito sucesso como para o interesse intelectual, a curiosidade, a pesquisa dos jovens. Ter bons livros em casa, ser estimulado a ler, a interessar-se, é melhor, convenhamos, que não ter à volta mais que o "24 horas" (antigamente dir-se-ia o "Reader's Digest" - até a este nível regredimos!) ou os programas rascas da TVI...
No meu caso particular, nunca precisei de uma professora de português decente (embora ajudasse!) para me interessar pela literatura, de tal forma que os livros que eram apenas recomendados e que portanto não eram alvo de avaliação - comprava-os e lia-os todos. Foi assim que conheci Branquinho da Fonseca, por exemplo (com a sua "Bandeira Negra"), ou Júlio Dinis (com a "Morgadinha").
Quanto ao pobre Luís Vaz, não deixa de ser fundamental compreender a estrutura dos cantos (que certo ex-PM da afeição do Buíça não sabia quantos eram), as partes em que se compõe a obra (Invocação, Dedicatória, etc.) e o número de sílabas por verso, cuja regularidade matemática impressionava deveras a rapaziada.
Não conheço o nível actual dos "setôres" de Português mas uma coisa é certa: a qualidade da língua falada e escrita nos media, pelos próprios políticos, é assustadora. Certas palavras que sempre soube como se escrevem agora suscitam-me dúvidas... E qual de vós não se exaspera quando fala com alguém que não faz uma frase sem um "pronto" ou um execrável "é assim"?
Também aqui, no ensino e no trato do Português, se assassina uma identidade.

Publicado por FG Santos às 05:48 PM | Comentários (1)

Facções nacionalistas

Na manifestação do passado sábado dia 18 estiveram representadas, como é sabido, diversas sensibilidades do nacionalismo português. Procuramos em seguida fazer uma caracterização não exaustiva das mesmas, salientando que o leitor benevolente deve encarar este exercício como um mero divertimento, não se pretendendo atingir quem quer que seja.
Dito isto, quais os grupos que estiveram presentes?
MNC (Murro Nos Cornos) – és preto, judeu, bloquista ou panasca? Põe-te a andar ou levas um murro nos cornos.
NPD (clone do NPD alemão? Não: Nacionalista Puro e Duro) – Angola já não é nossa, hélàs (com ênfase no “làs”), por isso não tem sentido Portugal estar cheio de negros. Adoramos Salazar se a à sua doutrina se retirar o multiracialismo, o catolicismo, o corporativismo, o condicionamento industrial, o reaccionarismo – bem, se calhar não gostamos assim tanto do Professor.
VD (Verdadeiro Nacionalismo) – o espírito, a Ideia, são tudo. Quem abrace esta concepção deve ter lugar no Portugal do futuro. Detestam “rectangularistas”, chamando-lhes nacionalistas pró-PREC.
NEP (Nacionalismo Europeu Patriota) – és branco pelo menos a 80%? Gostas de música celta? Para ti a sardinha e a couve de Bruxelas têm o mesmo valor identificativo para um português conscientemente europeu? Tens fé no Faye? Marimbas-te para o facto de Portugal ter uma enorme costa a ocidente? O Kamchatka diz-te mais que as Selvagens? Então o teu lugar é entre nós!
MIAU (Movimento Identitário Autêntico e Uno) – igual ao anterior mas com a fasquia a 90%.
NM (Nacionalistas Monárquicos) – a decadência nacional remonta a 1910; VNM (Verdadeiros Nacionalistas Monárquicos) - a decadência nacional remonta a 1820. Estes dois grupos são depreciativamente classificados pelos anteriores como nacionalistas de sofá e salão.

Publicado por FG Santos às 03:16 PM | Comentários (9)

Um assassino em liberdade

O ex-membro do grupúsculo italiano Lotta Continua, Adriano Sofri, após cumprir um terço da pena a que foi condenado pela morte, em 1972, do responsável milanês da investigação de crimes políticos, pode agora trabalhar pacatamente na biblioteca da universidade onde foi estudante, regressando à prisão todas as noites.
Entre os que propuseram esta medida de clemência está o Presidente do Conselho Silvio Berlusconi. Mas o seu Ministro da Justiça, da Lega Nord, não foi manso e declarou que gostaria de deitar fora as chaves da cela de Sofri... Que continua a reclamar-se inocente.
Ler a história no "Independent".

Publicado por FG Santos às 02:22 PM

junho 22, 2005

Criminalidade em alta

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(Desenho de Konk.)

Publicado por FG Santos às 02:25 PM | Comentários (2)

Blogues em "O Diabo"

alguns confrades realçaram o destaque que a edição de ontem de "O Diabo" dá a alguns blogues, que incluiu a transcrição (não autorizada!) de um texto do nosso amigo Corcunda.
Mas também há uma referência interessante numa caixa da página 9, com chamada para um apelo de Rebatet na "Batalha Final", bem como citações de um blogue de orgulhosos invertidos e outro de uma tal Irmandade Negra. O texto conclui: «Os contra-comentários superam em muitos casos as centenas e os insultos não faltam. O DIABO sabe que as autoridades policiais têm estado a monitorizar de forma permanente estes blogs de forma a procurar pistas para as suas investigações».
Entretanto, não consta que as enormidades aqui denunciadas incomodem os poderes estabelecidos.

Publicado por FG Santos às 02:04 PM | Comentários (2)

junho 21, 2005

O labroste

Ontem lá estava ele, o ex-komissar Vitorinovitch, na RTP1, a declarar que «não podemos ceder à tentação da xenofobia». Naquela "arte" de confundir tudo quando toca a falar de imigração, tenta-se passar a mensagem de que quem contesta a imigração ilegal é xenófobo e racista.
Esse mesmo senhor vi-o eu em tempos em entrevista na TV5, quando ainda exercia funções no politburo de Bruxelas. Falava-se de imigração a propósito de uma sondagem feita a nível europeu sobre a atitude das populações face àquela; os portugueses seriam dos mais desconfiados, quiçá hostis, ao fenómeno. Logo o entrevistador pressionou AV a pronunciar-se; este, com os olhos chispantes de ódio, com a cartilha politicamente correcta a agitar-lhe o cérebro, respondeu que «não é verdade que Portugal não necessite de mais imigrantes, pelo contrário».
Como todas as criaturas que têm destaque na UE, o fulano sabe-a toda, reagindo pavlovianamente quando questionado sobre questões mais espinhosas. Esta classe de políticos sem classe que nos governa, à boa maneira esquerdista, não encara os problemas de frente, preferindo aplicar os "princípios" que lhes inculcaram nos corredores do poder, nas lojas, etc., fazendo a fuga para a frente que não é mais que a queda para o abismo em que estão determinados a fazer mergulhar o mundo ocidental.

Publicado por FG Santos às 06:19 PM | Comentários (6)

Rádios clássicas

Para quem tem a possibilidade, nomedamente no emprego, de ouvir música via internet, sugiro uma série de rádios clássicas online, sendo que a minha preferida é a King FM, de Seattle (!), com programação muito variada e com óptimo som.
- King FM (Seattle);
- Bayern 4 Klassik;
- Rádio Clásica (RNE);
- France Musiques; esta, à semelhança da nossa Antena 2, tem demasiado paleio para o meu gosto...
E não se sintam culpados por ouvir música no emprego: investigações científicas têm mostrado que ouvir música adequada enquanto se trabalha aumenta a produtividade.

Publicado por FG Santos às 10:26 AM | Comentários (3)

Uma evocação fascista

Muito interessante o postal d'"O Jansenista" com o título acima, bem como a polémica que suscitou. Dêem também a vossa opinião, não esquecendo que, como escreveu Céline, "l´histoire ne repasse pas les plats".

Publicado por FG Santos às 10:22 AM

junho 20, 2005

O arrastão, na voz dos "jovens" que o testemunharam

A ler, aqui. Reportagem que "A Capital" nunca fará.

Publicado por FG Santos às 06:11 PM

Democratizar o Koweit?

Lembram-se os meus caros leitores que George Bush (pai) prometera que a libertação do Koweit traria a democratização do país?
Após a expulsão das tropas de Saddam em menos de três meses, o sr. Bush nunca mais pareceu pensar no assunto, redireccionando as antenas para a Somália, possivelmente para também a democratizar?! Bill Clinton é que ficou com a batata quente (a invasão ocorreu em Janeiro de 1993, já Clinton estava eleito mas ainda não "in office") e saíu de lá logo que pôde, após a triste exibição de um cadáver de um soldado americano por massas histéricas e delirantes.
Voltando ao Koweit, então não é que catorze anos após a promessa de democratização, o emirado já conta com uma ministra? Que discursou no parlamento perante os protestos de quem se opôs à alteração legislativa que propiciou semelhante revolução. Não se augura vida fácil para a senhora Al-Mubarak.

Publicado por FG Santos às 04:59 PM

junho 19, 2005

A manifestação

O que cinco idas a eleições por parte do PNR não possibilitaram, consegui-o a manifestação de ontem em Lisboa: dar verdadeira visibilidade ao movimento nacionalista português, ou pelo menos a uma das suas sensibilidades e, há que convir, à mais aguerrida.
Não vou especular aqui sobre o eventual racismo primário de alguma das entidades organizadoras, para isso as televisões já deram o devido destaque, em forma de verdade absoluta (embora ver o sr. Mário Machado a falar depreciativamente dos “pretos e marroquinos que vendem BIs” não tenha ajudado a tirar essa impressão). O que parece evidente é que mais de 500 pessoas (se calhar daqui a uns dias “A Capital” vai dizer que não eram mais de 50...) quiseram manifestar o seu desagrado pela imigração massiva e ilegal e pelos criminosos que actuam mais ou menos impunes.
Os organizadores não devem esquecer o impacto desta manifestação e deveriam talvez começar a pensar em outros temas que bem merecem protesto: a perda de soberania nacional, a corrupção generalizada que grassa em Portugal (por muito menos corrupção se deu o 6 de Fevereiro de 1934, em França) e muitos outros capazes de gerar mobilização em largos espectros da sociedade protuguesa.
Tal como em relação ao civismo da grande maioria dos manifestantes, também a mensagem deve passar sem dar azo a que se pegue em alguns dos termos ou ideias para descredibilizar todo o protesto.
E já que os organizadores mostraram o seu agrado pela adesão à manifestação por parte de pessoas de vários quadrantes ideológicos, para quê continuar a preconizar o “apartheid” entre nacionalistas: de um lado os “verdadeiros”, do outro “os minho-timorenses”. Esta distinção é tão grosseira como ver os repórteres da SIC e TVI a falar de racistas descarados em desfile. Não desejo uma união de ferro entre pessoas que em muitos aspectos diferem substancialmente de perspectiva – mas é um facto que há um “common ground” entre todos e, quanto mais não seja por pragmatismo, há áreas em que pode haver colaboração e trabalho conjunto.

Publicado por FG Santos às 01:00 PM | Comentários (7)

junho 17, 2005

Inferno

Imagine um país com quase 400 mil km2 (cinco vezes mais que Portugal continental). Os recursos naturais não são de somenos: carvão, crómio, ouro, níquel, cobre, lítio, platina... A agricultura desenvolveu-se notavelmente, tendo condições para prover às necessidades da população.
Agora imagine que nesse país a penúria é de regra. Quase 80% da população activa está desempregada. Um sector dessa população, responsável pelo notável desenvolvimento da agricultura, foi de tal forma hostilizado que abandonou o país. Desde então que as colheitas ou se perdem ou rendem muito pouco, forçando o país a importar bens que outrora produzia em abundância.
Aliás os ecossistemas estão em crise: desflorestação massiva, degradação da qualidade dos terrenos; poluição do ar e da água. Até uma espécie animal que tinha neste território a maior concentração do mundo – o rinoceronte negro – está reduzida drasticamente; a exploração mineira, levada a cabo incorrectamente, provoca poluição por metais pesados.
E a espécie humana? Também não se porta nada bem: praticamente um quarto da população adulta está infectada pelo HIV, morrendo cerca de 170.000 pessoas por ano de sida.
O regime político está nas mãos de um indivíduo que mexe os cordelinhos do poder desde 1980. Para além de expulsar a minoria acima referida, persegue impiedosamente tudo o que se assemelhe, de perto ou de longe, a oposição, sucedendo-se as prisões arbitrárias, os assassinatos, o silenciamento da imprensa independente.
A sua última façanha foi proceder à destruição em massa de casas tidas como insalubres, tendo sido já desalojadas 200 mil pessoas, quando se está a entrar no Inverno. Não ficarão surpreendidos os meus leitores ao saberem que a povoação onde foi levada a cabo esta destruição em massa é um bastião da oposição. O alojamento alternativo que o governo prometera aos afectados pela medida nunca foi disponibilizado. Nem uma mesquita situada na referida povoação escapou, tendo os próprios muçulmanos sido obrigados a demoli-la.
Nenhum dos meus leitores ignora de que país estou a falar: o Zimbabwe de Robert Mugabe. Um canalha da pior espécie, alvo da indulgência de quase todos os países do mundo.

Publicado por FG Santos às 11:37 PM | Comentários (3)

Irregularidades nas contas dos partidos

Sem surpresa, o Tribunal Constitucional encontrou diversas irregularidades nas contas dos partidos portugueses. O ano em análise foi o de 2002(!), tendo em consequência das referidas irregularidades sido aplicadas multas aos prevaricadores. O PS foi o mais "premiado", seguindo-se o PP. O mui moralista BE vem em 4.º, à frente do PCP...
Também sem surpresa, o artigo do DN fala apenas dos partidos com assento parlamentar.

Publicado por FG Santos às 10:32 PM | Comentários (1)

junho 16, 2005

Anti-semitismo em crescendo em Inglaterra

117 casos de vandalismo em cemitérios judaicos nos últimos 15 anos em Inglaterra são a face mais visível do anti-semitismo que grassa por terras de Sua Majestade.
Os últimos tempos têm sido férteis em casos em que os protagonistas são islamistas radicais, enquanto que os "tradicionais" neo-nazis perdem peso relativo. O facto de os vândalos deixaram desenhadas suásticas ao contrário mostra igualmente que em muitos casos são miúdos que querem provocar os judeus.
Já me interroguei muitas vezes se a hostilidade aos judeus por parte de adolescentes não terá em parte como causa a omnipresente memória do Holocausto com que são martelados na escola, televisão, jornais, etc. Como alguma da rapaziada tem tendência para reagir contra tudo o que é oficial, contra a moral que lhe querem impor, pode reagir com hostilidade à comunidade judaica.
Ao mesmo tempo, não só em Inglaterra como por exemplo em França, a eclosão da segunda Intifada em Agosto de 2000 levou a um extremar de posições da numerosa comunidade muçulmana nesses países, tendo estes últimos, tão acolhedores que se manifestam, que suportar uma guerra civil larvar entre imigrantes e judeus no seu próprio território.

Publicado por FG Santos às 05:38 PM | Comentários (4)

Discriminação anti-árabe na Galileia

O insuspeito "Haaretz" relata-nos como é que as 29 aldeias comunitárias na Galileia conseguem que não more lá um único árabe. Sendo as casas nesses povoados subsidiadas, a consequência para os jovens árabes é ficar mais anos em casa dos pais, ou comprar casa noutra região. É um apartheid subtil - mas eficaz.

Publicado por FG Santos às 05:29 PM

Cagaço

Post delicioso no "Berra-Boi".

Publicado por FG Santos às 10:51 AM | Comentários (2)

junho 15, 2005

Revisionismo do arrastão

Afinal o arrastão teve uma dimensão pequena. Quem é o garante é a PSP, que refere que não houve nenhum grupo organizado para o efeito - na verdade as 500 pessoas (já não se fala em "jovens") reuniram-se «para protegerem um grupo de apenas dezenas de indivíduos responsáveis pelos primeiros distúrbios e assaltos na praia. Quem esteve no local confirma.»Podemos dormir (e ir à praia) descansados!
Alguém duvida de que a PSP recebeu instruções de cima para emitir este comunicado? No sábado o Dr. Bensaúde vai à Cova da Moura falar certamente de "exclusão", confraternizar com os habitantes, quiçá comer uma sandocha no "Estrela de África" e tudo fica em bem.

Publicado por FG Santos às 04:42 PM | Comentários (9)

Pressa toponímica

Numa manifestação de ardorosa nostalgia pelo PREC e de um mui português consenso post mortem, a Câmara Municipal do Porto aprovou uma proposta no sentido de atribuir a Álvaro Cunhal e Vasco Gonçalves nomes de ruas na Invicta.
As dúvidas manifestadas por PSD e CDS prenderam-se, não com o percurso político dos homenageáveis, mas sim com a tradição de atribuir nomes de ruas a pessoas com um "vínculo forte" à cidade!

Via "O Insurgente".

Publicado por FG Santos às 04:31 PM | Comentários (7)

junho 14, 2005

Actriz porno em jantar com Bush!

A actriz porno Mary Carey e o seu agente vão estar presentes em um jantar de recolha de fundos em que George W. Bush será o convidado de honra.
Carey foi candidata a governadora da Califórnia contra Arnold Scharzenegger, com um programa pouco ortodoxo, afirmando que será uma honra conhecer pessoalmente o presidente... Já o seu agente quer aproveitar a oportunidade para expandir o seu negócio.
Carl Forti, responsável de comunicação do GOP, foi claro: "Eles pagaram; independentemente daquilo que fazem o dinheiro contribuirá para a eleição de mais republicanos para a Câmara dos Representantes".
Para um partido que fala em padrões morais não está nada mal.

Publicado por FG Santos às 03:46 PM | Comentários (8)

1000 comentários

Ontem, este blogue recebeu o seu comentário n.º 1000, da autoria de F. Limpo.
Tal como fizera para o comentário n.º 500, obra de Nelson Buíça, também F. Limpo terá direito a um prémio, constituído pelas seguintes obras:
- «O Estado Corporativo», de Benito Mussolini;
- «Minhas Memórias de Salazar», de Marcelo Caetano;
- «O Comunismo que eu vivi», de Cândida Ventura;
- «Animal Farm», de George Orwell.

Publicado por FG Santos às 10:12 AM

junho 13, 2005

Na morte de Álvaro Cunhal

A morte de Álvaro Cunhal, poucos dias depois da de Vasco Gonçalves, teve logo o condão de pôr muito boa gente a falar do fim de uma era. Nada mais erróneo, como vamos ver.
Cunhal dirigiu o PCP na clandestinidade e, depois do 25 de Abril, na legalidade (muito por obra de Melo Antunes), nunca renegando as suas convicções marxistas-leninistas. Nunca o vimos criticar as purgas leninistas e estalinistas, o gulag, a colectivização genocidária na Ucrânia, a ocupação militar da Europa de Leste, o ambiente soturno e concentracionário em que se desenrolava o quotidiano de milhões de pessoas que viviam em repúblicas “populares”.
Ajudou a minar as Forças Armada Portuguesas de elementos comunistas e pró-movimentos de libertação, contribuindo fortemente para o vergonhoso abandono do Ultramar, com a bênção dos drs. Soares, Almeida Santos e consortes.
Convencido, após o 25 de Abril, que a hora do socialismo em Portugal houvera chegado, aposta na conquista do poder à margem de eleições, procurando adiar estas o mais possível. Após o golpe falhado de 11 de Março, o seu homem de mão no governo, o “companheiro Vasco” (conhecido nos meios anti-comunistas por “Vasco maluco”) leva a cabo a trágica nacionalização de vastos sectores produtivos, da banca aos cimentos. As campanhas demagógicas no sentido de coarctar ao máximo a iniciativa privada tiveram um efeito desastroso na mentalidade portuguesa, imputando ao Estado o dever de prover às necessidades da população.
A sua “denúncia”, como gostam de dizer os jornais, do aborto clandestino, que remonta à sua tese de licenciatura, ajudou a criar uma base crítica apreciável de apoio à liberalização do aborto.
Só estes exemplos já nos ajudam a compreender como é que não morreu nenhuma era, como é que decisões políticas e a agitação ideológica podem afectar a vida das nações mesmo quando alguns dos seus objectivos não são atingidos.
E nunca foram totalmente esclarecidas as relações de Cunhal com a URSS, que incluíram o envio de documentação confidencial portuguesa para aquele país, o que configura uma situação óbvia de traição à Pátria (conceito cada vez mais em desuso num regime e num país em que Mário Soares é tido como uma grande figura), ou o financiamento do PCP por dinheiro estrangeiro, o financiamento de câmaras municipais afectas ao PCP que, numa tentativa de agit-prop de desarmamento americano na Europa, se auto-proclamavam ZLAN (zona livre de armas nucleares).
Hoje é moda falar na “coerência” da “mula russa”, quando nos anos 80 todos à direita do PCP desdenhosamente falavam na “cassete” cunhalista, sempre com o mesmo discurso. Nestes tempos em que reina o politicamente correcto, a “cassete” já é outra, mas a sua inspiração, os seus métodos e pressão mediática não desagradariam ao Dr. Cunhal.

Publicado por FG Santos às 01:54 PM | Comentários (7)

De volta

Após uma retemperadora semana de férias em família, aqui estou de volta ao vosso convívio.
Embora tendo chegado ontem já tarde de uma maçadora viagem, não resisti a fazer uma incursão blogosférica antes de me deitar. Vícios - e amizades!
Assim, tive a estupefacção de constatar que o amigo Pedro suspendeu sine die os comentários no seu blogue. Para além do que isso representa de bom para quem andava a poluir as caixas de comentários, é o "Último Reduto" que fica mais pobre, pois um blogue vive muito dos comentários que suscita, enriquecendo-se também por essa via.
Pelo mesmo motivo, lamento o que sucedeu com o "Nova Frente" e com "O Sexo dos Anjos", que ao alterarem o sistema de comentários apagaram um pouco da sua história. Tantos e tão bons "apports" de leitores desapareceram de uma penada! Uma vez por outra me diverti a ler comentários antigos de que já me não lembrava e que agora ficam desfeitos na poeira virtual.
Posto isto, que o Pedro reconsidere, mais a mais porque há uma função nos blogues que é o "ban IP".
Também pude constatar a boa forma de outros blogues amigos, como "A Casa de Sarto", o "Fascismo em Rede", "O Pasquim da Reacção" e o "Porta Bandeira". A sua leitura é sempre enriquecedora.
Resta-me agora retomar o caminho que tenho percorrido com muita ajuda dos aqui citados e de alguns outros e agradecer aos cerca de 25 que continuaram a visitar esta "Casa" na semana passada, sabendo que não haveria actualizações antes do dia 13. Vício - e amizade!?

Publicado por FG Santos às 11:21 AM | Comentários (1)

junho 04, 2005

Mini Férias

Caros leitores,
Este vosso servidor informa que vai a banhos para o Algarve durante uma semana, regressando ao vosso convívio no próximo dia 13 de Junho.
Passem bem.

Publicado por FG Santos às 10:58 AM | Comentários (9)

junho 03, 2005

10 de Junho musical

A Antena 2 preparou para o próximo 10 de Junho uma programação totalmente composta por música portuguesa. É uma iniciativa fortemente louvável, de que destaco desde já:
- a Sinfonia "À Pátria", de José Vianna da Mota (um monumento sinfónico com influências que vão de Liszt ao folclore português), às 12.00 (programa "Música Sinfónica");
- a ópera "Serrana", de Alfredo Keil (autor da música do hino nacional), na versão cantada em português, numa gravação de uma das récitas dadas em S. Carlos em Outubro de 2002.
A não perder.

Publicado por FG Santos às 05:22 PM | Comentários (1)

José António

A morte de José António aos 47 anos deixou consternados todos os belenenses, que admiravam o grande jogador, grande capitão e desportista exemplar que era.
Para sempre fica na memória a Taça de Portugal que ergueu em 1989 após épico confronto com o Benfica (2-1).
Estreou-se no Restelo em 1981, vindo do Estoril-Praia e logo teve que sofrer a primeira descida de divisão da história do CFB, que ainda por cima só regressou após duas épocas no escalão inferior. Daí até às grandes temporadas da segunda metade dos anos 80: um 3º lugar (1987-88), uma Taça, como vimos, a eliminação do Bayer Leverkusen da Taça Uefa (e na altura detentor do troféu), uma eliminatória ingloriamente perdida com o FC Barcelona (0-2 na cidade condal com 0-0 a 5 minutos do fim, vitória por 1-0 no Restelo com um jogador espanhol a levar dois amarelos e a não ser expulso!).
Abandonou como jogador em 1991, em ano de nova descida de divisão do clube, ao qual continuou sempre ligado até à véspera do seu falecimento (fora dispensado do cargo de secretário técnico), incluindo alguns jogos como técnico principal (em 1993/94), sem sucesso (sempre me entristeceu a memória de um jogo em Setúbal em que o endiabrado Yekini nos "ajudou" a afundar, com 3-0 ao intervalo e José António fortemente apupado por muitos dos adeptos azuis que enchiam o topo norte do Bonfim).
Que descanse em paz quem vive nas nossas memórias de uma forma tão gratificante.

Publicado por FG Santos às 12:05 PM | Comentários (3)

junho 02, 2005

Lello & Irmão

Uma das minhas editoras de referência na Feira do Livro de Lisboa é a Aillaud & Lellos, que representa a Lello & Irmão (este ano pavilhões 8 e 9). A Biblioteca Iniciação Literária é uma mina de autores portugueses do século XIX, uns mais conhecidos, outros menos. Entre os primeiros poderia mencionar Camilo, Eça, Pinheiro Chagas, Oliveira Martins... De entre os últimos Sampaio Bruno, Gervásio Lobato, Luís de Araújo, Arnaldo Gama...
Todos os anos compro alguns volumes da Lello. Este ano não foi excepção e decidi adquirir livros de autores muito pouco conhecidos e, no meu caso, de quem nada li até à data, a saber:
- de Pedro Ivo, «Contos» e «O Selo da Roda»;
- de A. Silva Gaio, «Mário»;
- de Luís de Magalhães, «O Brasileiro Soares».
Bendita editora e bendita colecção que nos traz autores que escreveram páginas magníficas na nossa bela língua.

Publicado por FG Santos às 11:24 PM

As criancinhas e o 25 de Abril

Como vou inscrever o meu filho mais velho na primária, tenho andado a visitar escolas, públicas e privadas, para melhor tomar uma decisão.
Numa delas, pública, estavam afixadas num placard algumas redacções da pequenada alusivas ao 25 de Abril. O que é que se podia ler? Por exemplo: «Salazar era muito mau, as pessoas não tinham comida. (...) Depois do 25 de Abril todos ficaram felizes.» Ou «antes do 25 de Abril, as pessoas não podiam ter opinião»(!).
Todos sabemos que em tenra idade a miudagem apreende mais facilmente um mundo de bons e maus. E também sabemos que é mais crédula, logo, manipulável. Mas como só antes do 25 de Abril é que não se podia ter opinião podemos estar descansados...

Publicado por FG Santos às 02:54 PM | Comentários (3)

Holandeses dizem não à Constituição Europeia

Confirmando as sondagens, os holandeses rejeitaram de uma forma ainda mais enfática que os franceses a ratificação da Constituição Europeia, com 62% de "nee" ao cozinhado giscardiano.
Tal como em França, a rejeição foi da extrema-esquerda à extrema-direita, com motivos que poderão residir na insatisfação face ao poder de Bruxelas, na deterioração do clima económico e social (7% de desemprego), na recusa da adesão da Turquia à UE, até mesmo na aversão ao multiculturalismo que se quer impor aos povos europeus.
Quando finalmente chamada a pronunciar-se sobre a UE, a população de dois dos seus membros fundadores foi categórica.
Neste momento o Reino Unido encara já a possibilidade de cancelar o referendo. Durão Barroso já apelou a que nenhum estado-membro se precipite e tome medidas unilaterais.
Ainda ontem a Letónia aprovou o "monstro". No parlamento.

Publicado por FG Santos às 02:42 PM | Comentários (1)

junho 01, 2005

Dominique de Villepin

A demissão do primeiro minstro francês Jean-Pierre Raffarin, um homem de low profile, na verdade "a voz do dono" (Chirac), após a vitória do "não" no referendo sobre a Constituição Europeia, permite a Dominique de Villepin, anteriormente Ministro dos Estrangeiros e ultimamente do Interior, chegar ao palácio de Matignon.
Villepin é um homem da inteira confiança de Chirac e que se tornou mais conhecido fora de França por ter dado voz à oposição tenaz daquele país à invasão do Iraque, personificando aos olhos dos americanos o "francês odioso". Foi em plena(!) crise iraquiana que publicou um ensaio, "Eloge des Voleurs de Feu", onde assume uma postura intelectual claramente de esquerda, qual émulo de Camus e do "Homem Revoltado".
O "Guardian" publica entretanto um excerto do seu anterior livro "Le Cri de la Gargouille", onde se pode ter uma ideia do pensamento deste chefe de um Governo de "direita"... Um naco para apreciação: «So, after more than two centuries, the large ditch created by the revolution has almost entirely been filled in. It is a whole ancien regime of privileges, of favours, of statutes and particularities that has grown up at the heart of the revolution. Many new bastilles have now to be retaken, are asking to be razed to the ground. Will we be able to resist the temptation to sweep everything away?»

Publicado por FG Santos às 04:55 PM | Comentários (1)

Resultados do referendo em França

Enquanto se aguarda pelo "nee" holandês ao referendo à Constituição Europeia, oportunidade para olhar novamente para os resultados em França, por departamento, com gradação de cores conforme a intensidade do "sim" e do "não": no "Le Monde".

Publicado por FG Santos às 04:42 PM

O pior possível?

O BOS afirma que «dos homens, só há uma coisa a esperar: o pior possível», mas infelizmente «a besta foi sempre tratada com dignidade e respeito» [nos sistemas democráticos, entende-se].
Se entendida como "boutade" não serei eu a objectar à asserção. Mas a ser levada mais ou menos à letra denota um certo despeito (senão desprezo) pelo ser humano.
Os actuais regimes ditos democráticos, filhos quase todos de 1789, tendem não direi a endeusar o Homem mas a fazer dele o centro das sociedades, um valor absoluto a ser respeitado. Sendo "um bom selvagem" que foi tresmalhado pela sociedade, por usos e costumes, por preconceitos enraízados, cometeu atrocidades e desviou-se do Ideal de paz. Sendo assim, tratando-o como merece, satisfazendo os seus caprichos, limitando a repressão, abrindo o leque do que é permitido, conseguir-se-á a prazo alcançar a paz e harmonia universais.
Esta a visão bacoca do Homem bom.
Mas alguns regimes que menorizam o Homem face a uma ideia (de nação, de comunidade, de regime) podem conduzir a atrocidades sem fim dado que o Homem é um meio para se alcançar um fim.
Não há uma relação de causa-efeito entre regime e forma como se trata o Homem. Regimes democráticos podem promover guerras atrozes ou perseguições políticas mostrando o maior desprezo pelo ser humano, ao passo que regimes ditatoriais, mesmo que não tratando o Homem nas palminhas, podem ser mais ou menos benignos na sua relação com os súbditos.
Mas uma atitude prévia de que só há esperar o pior possível dos homens dá (que me desculpe o BOS) uma certa caução para situações menos nobres na relação poder-população. Malaparte dizia que tinha pelo Homem um misto de desprezo e piedade, o que no fundo é uma maneira de admitir que no ser humano há coisas boas e más.
Podemos ter um Pol Pot, um Estaline, um Hitler que encaram as pessoas (ou grupos delas, o que em termos filosóficos vai dar ao mesmo) com a maior frieza e desumanidade; outros como Kissinger que, sob o estatuto de democrata, são capazes de afirmar que "esta guerra é excelente" (e ainda receber o Nobel da Paz!).
Também temos Madres Teresas de Calcutá que dedicam a vida a ajudar quem mais precisa. Ou Médicos sem Fronteiras. Ou cidadãos anónimos que praticam o bem desinteressadamente.
Ou a maioria, que não sai da rotina, pouco dada a gestos beneméritos, embora muitos sejam heróis no seu pequeno mundo, educando crianças, dando apoio a velhos.
O que BOS afirma não me agrada especialmente, podemos passar do extremo dos sacrossantos Direitos do Homem ao sacrossanto direito de esfolar homens, embora possamos, como vimos, ter situações contraditórias entre regimes que proclamam princípios divergentes na abordagem que fazem à sociedade.
Léon Degrelle lamentava-se que as sociedades actuais vivessem comodamente "dans le lait et dans le beurre". Mas daí a encarar como normal (quiçá desejável) fazer guerras para impor um regime tido como desejável ou derrubar um regime tido como abominável vai só um passo.
Rivarol dizia que "as sociedades mais evoluídas estão tão perto da barbárie como o metal mais finamente polido o está da ferrugem".
A atitude de quem dirige e governa os homens determinará o rumo que a sociedade tomará.

Publicado por FG Santos às 03:16 PM | Comentários (1)