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maio 17, 2005
Cesarismo e Monarquia
Os excertos que se seguem estavam prometidos há tempos ao amigo Rafael, sendo também dedicados com estima ao Corcunda. O autor é Luís de Almeida Braga, um dos membros fundadores do Integralismo Lusitano nos idos de 1914 e logo participante do primeiro número de “A Nação Portuguesa”.
A obra em questão é “Posição de António Sardinha”, editada pelas Edições Gama em 1943. A grafia foi por mim actualizada.
«Consentir que a administração geral do Estado estanque os particularismos locais, é aceitar as cadeias do Absolutismo. Nada mais contrário à formação e ao desenvolvimento histórico de Portugal.
«Cesarismo é a negação da Monarquia. Pela sua íntima colaboração com as forças morais, económicas e territoriais – os lares, as oficinas e os municípios – a Monarquia repele tudo quanto seja abuso de centralização administrativa, bem sabendo que esse é o trilho por onde se chega ao enfraquecimento da vontade política.
«O Estado apodera-se dos corações e das almas. Tudo quer absorver o Estado. Levando a toda a parte a vigilância e a influência, em todos os sentidos desenvolve a sua autoridade e constrói abrigos para a sua administração. A vida perde a graça que a animava na variedade do seu conjunto e não há estímulo que lhe afervore o amor. Com precisão mecânica, a vida é apenas fria regra administrativa. E a Nação surge transformada em vasta caserna, onde as mais insignificantes acções são dirigidas de longe e do alto. Ditadura de César ou ditadura do Proletariado são afinal as duas faces, bem pouco diferentes, do mesmo estadismo tirânico e desumano. (...)
«Por muito forte que seja a vontade de um homem, ou de uma geração, sossobra sempre na obra de criar instituições políticas duradoiras. Só perdura o que o tempo não alcança.
«António Sardinha (...) acrescentava imediatamente: «Só um poder, cujo título não repouse no sufrágio nem nas aclamações da multidão, é que pode governar com todos, sem governar contra nenhum.»
«É o merecimento das instituições que dá azo a utilmente frutificarem as virtudes e o valor do homem.»
Publicado por FG Santos às maio 17, 2005 11:14 PM
Comentários
Esta defensa de las libertades y prerrogativas municipales por parte del integralismo me parece un formidable antidoto contra cualquier tipo de poder omnimodo. Hoy estamos viendo lo contrario: un centralismo cada vez mas en lo alto que quiere regular hasta los detalles mas pequenos de nuestras vidas.
Muchas gracias por el texto, FG Santos.
Publicado por: Rafael Castela Santos em maio 18, 2005 01:33 PM
Muito obrigado! Estou a escrever um post sobre este assunto, que espero saia em breve!
Para esclarecer o Buiça, que acha que a democracia moderna é descentralizadora...
Grande Abraço
Publicado por: O Corcunda em maio 18, 2005 04:53 PM
"...que acha que a democracia moderna é descentralizadora..."
Eu não disse que acho.
Disse que DEVERIA SER.
Mais: tem a OBRIGAÇÃO DE SER, pois de contrário entra em suprema contradição com os seus próprios fundamentos.
Publicado por: Nelson Buiça em maio 18, 2005 07:34 PM