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maio 27, 2005
Céline sempre presente
Louis-Ferdinand Destouches, o Céline das letras, nasceu há precisamente 111 anos. A revista Xis, suplemento de sábado do “Público”, dedicou ao grande aventureiro da língua três páginas da sua edição de 21 de Maio (uma delas uma fotografia tirada no “retiro” de Meudon, com os seus cães).
Para além do destaque pouco habitual para um escritor maldito, o texto é bastante neutro, centrando-se mais nos factos e menos na polémica – o que é ainda mais raro.
Lá se escreve que «a escrita de Céline introduziu na literatura francesa do século XX uma sintaxe solta como a da língua falada, assinalando detalhes prosódicos em reticências e pontos de exclamação, usando cortes nas frases e o encaixe de outras em lugares pouco convencionais». Como o próprio dizia: «J’écris comme je parle».
Quando viu a primeira revisão da “Voyage” Céline ficou horrorizado com as “correcções” ao seu texto: «Querem pôr-me a escrever como François Mauriac!».
Voltando ao artigo da Xis, conclui-o assim Fernanda Pratas: «Céline morre a 1 de Julho de 1961, da ruptura de um aneurisma, sem ver a “Viagem ao Fim da Noite” passado a filme, como estava planeado. Mas chega a dar por finda a segunda versão de “Rigodon”. A imprensa só falará da morte três dias mais tarde, depois do funeral. André Gide diz da sua escrita: “Não é a realidade que Céline pinta, mas sim as alucinações que a realidade provoca.”»
Publicado por FG Santos às maio 27, 2005 03:04 PM