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maio 31, 2005
Ataque ao World Trade Center concebido em 1976?
Segundo um funcionário do Ministério da Defesa dos EUA ("Defense Department"), foi criado em 1976 um grupo de trabalho com o objectivo de conceber um ataque terrorista às torres do World Trade Center, em Nova Iorque. O objectivo oficial seria identificar falhas a nível de segurança e propor acções correctivas para as minimizar.
Mas, segundo Timothy McNiven, que ainda é funcionário do Ministério, a finalidade do plano era mesmo conceber o "plano perfeito" para atingir as torres com aviões civis.
McNiven já passou pelo detector de mentiras de forma a calar os críticos.
Toda a história pode ser lida aqui.
Publicado por FG Santos às 03:58 PM | Comentários (12)
maio 30, 2005
Giscard, Constituição Europeia e Bilderberg
Em 2003, numa altura em que o projecto de Constituição Europeia começava a tomar forma, o seu mentor Valéry Giscard d'Estaing marcava presença na convenção anual do Bilderberg Group, em Versalhes, conforme se pode verificar na lista de participantes.
Coincidência, certamente.
Publicado por FG Santos às 05:16 PM | Comentários (3)
Escrever Português
Antigamente muita gente acabava a quarta classe sabendo falar e escrever Português muito razoavelmente. Hoje muitos licenciados desconhecem elementares regras de gramática.
O pior é que nos meio de comunicação social se fala e escreve cada vez pior, conseguindo-se confundir quem domina bem a língua, criando-se a dado passo dúvidas que não se tinha.
Para ajudar a bem escrever Português surge um blogue, "Explicações de Português", que se deseja tenha longa vida e ânimo para manter bem viva a chama da nossa bela língua.
Publicado por FG Santos às 01:55 PM
Um "quase precedente"
Em 1992 os franceses foram chamados a pronunciar-se sobre o Tratado de Maastricht. Nessa altura o "sim" ganhou à justa, após uma campanha vibrante dos dois campos, culminando num debate televisivo entre François Mitterrand e Charles Pasqua. Poucos dias antes deste debate havia sido divulgado que o então presidente sofria de cancro... A notícia comoveu muitos franceses, que acabaram por seguir a indicação de voto do socialista.
Publicado por FG Santos às 12:09 PM
C'est Non!
Os eleitores franceses rejeitaram ontem massivamente (55 contra 45%) o projecto de Constituição Europeia. À excepção da maior parte dos departamentos bretões e de poucos mais (como Paris, com 66% de "sim", e do Rhône - onde fica a cidade de Lyon-, com 54% favoráveis ao projecto), é todo um mapa de "non" que resulta da histórica jornada de ontem:

(Mapa: "Le Monde".)
Pelos motivos mais diversos, agrupando as tendências políticas mais variadas, os franceses manifestaram-se contra o federalismo, a diluição das soberanias, o burocratismo, a mundialização... Os "federastas", habituados à fuga para a frente, vão ter que arrepiar caminho e pensar numa forma alternativa de impor o seu nefasto projecto.
No próximo dia 1 serão os holandeses - também eles membros fundadores da CEE - a muito provavelmente dizerem também "não". Depois, ingleses e dinamarqueses pronunciar-se-ão no mesmo sentido.
Perdedores são em geral todos os eurocratas e eurófilos que querem desagregar as nações e pôr todo o poder nas mãos de indivíduos que ninguém conhece nem elege, por sua vez obedientes executores de ditames emanados de secretas instâncias. E em particular Jacques Chirac, que quis o referendo; Giscard d'Estaing, que dirigiu a elaboração durante dois anos do sinistro documento; Durão Barroso, que, além de "líder máximo" da UE, teve o descuido de avançar com a directiva Bokelstein de liberalização (selvagem) das relações laborais (estipula, por exemplo, que um cidadão de um país da UE pode exercer a sua profissão noutro país do mesmo espaço com as condições legais e laborais vigentes no país de origem!), que enfureceu parte da esquerda e toda a extrema esquerda francesas e as levou a votar decididamente "non".
Uma última palavra para os partidos portugueses: neste cantinho da Europa a disciplina partidária é regra: não há facções, não há tendências, a não ser personalizadas; em questões de liberdade de voto é o zero absoluto. Em França temos dentro dos grandes partidos alas soberanistas, alas anti e pró Constituição; em Inglaterra é possível ver o Labour dividido quase a meio em votações chave (como a decisão de invadir o Iraque). Por cá, é o que vemos: a carneirada, que o poleiro é mais bem saboroso que a obediência à consciência e aos valores.
Publicado por FG Santos às 11:42 AM | Comentários (1)
maio 29, 2005
A vitória dos pequenos grandes clubes

Muita satisfação me deu a conquista da Taça de Portugal pelo Vitória Futebol Clube. Para além do mérito que é todo da dedicação extrema que os seus jogadores demonstraram ao longo da prova (recordem-se as notáveis exibições frente a Sp. Braga e Boavista) são todos os n-4 clubes de Portugal que estão fora do sistema que têm motivos para regozijo.
As provas futebolísticas em Portugal estão viciadas à partida em benefício de 4 clubes que, alternando na polémica, são aqueles que NUNCA têm um saldo negativo de pontos por via das arbitragens. Os outros têm que remar contra tudo e contra todos num esforço titânico. Que aqueles nacionalistas ou monárquicos que são adeptos de clubes grandes e se lamentam do ostracismo a que as suas ideias são votadas na praça pública se lembrem disto.
Após as injustas derrotas recentes na final de Leixões contra Sporting e de União de Leiria contra Porto finalmente um clube não "grande" pode novamente levantar a Taça!
Viva o Vitória!
Publicado por FG Santos às 08:13 PM
maio 28, 2005
O 28 de Maio, 79 anos depois (III)
A I República, em particular os seus defensores mais radicais, agrupados em torno de Afonso Costa, não desdenhou a violência como forma de impor os sues pontos de vista, de coagir as oposições, mesmo de efectuar golpes de Estado.
A sinistra “Formiga Branca” era uma milícia formada sobretudo por carbonários. Esteve sempre pronta para o trabalho sujo que permitisse um reforço das posições de Afonso Costa. Teve um papel fundamental no derrube da ditadura de Pimenta de Castro (1915), que constituíra um momento de alguma esperança para os que sofriam com a decadência progressiva da Nação.
Afonso Costa, com o descaramento que lhe era habitual, disse da “Formiga Branca”: «A chamada Formiga Branca é apenas o povo que ama a República (...) e que, por muito a amar, zelosamente a vigia e defende».
A face mais exposta da violência e arbitrariedade republicanas era a GNR, que vem a ter um papel activo na Noite Sangrenta de 19 de Outubro de 1921. Um excelente (e arrepiante) retrato dessa jornada de matança e sangue foi publicado no “Semiramis” e recomenda-se fortemente a sua leitura. Muitos dos que falam do salazarismo e proclamam que «não se deve esquecer o que foi a ditadura» ocultam zelosamente os mais sinistros (mas não menos característicos) episódios dos pavorosos 16 longos anos que durou a I República.
Publicado por FG Santos às 08:28 PM
Suzanne Bardèche (1910-2005)
Faleceu no passado dia 24 Suzanne Bardèche, irmã de Robert Brasillach e mulher de Maurice Bardèche.
O seu irmão fala da juventude de ambos em "Notre Avant Guerre", enquanto que os difíceis anos do pós-guerra estão caracterizados por Bardèche em "Suzanne et le Taudis".
Aqui se presta modesta homenagem àquela que sobreviveu 60 anos à lamentável morte do irmão.
O enterro deve estar a decorrer no momento em que escrevo estas linhas. Suzanne repousará junto a Maurice e perto do túmulo de Robert.
Publicado por FG Santos às 10:58 AM | Comentários (2)
maio 27, 2005
O 28 de Maio, 79 anos depois (II)
Uma das características mais notórias da I República foi o seu anticlericalismo.
«Afonso Costa começou a campanha [em 1911] com uma série de declarações destinadas a chocar a consciência católica. Chamou ao Papa «coveiro da religião»; esclareceu que a religião não resistiria ao assalto da «verdade científica» e que fora usada para «sustentar as mais flagrantes desigualdades sociais»: e parece que até prometeu livrar o país dessa peste medieval «em duas gerações». Depois das ameaças vieram os actos. Em Outubro desenterrou a velha legislação anticlerical do Marquês e do «Mata-Frades» (Joaquim António de Aguiar) e serviu-se dela para expulsar as ordens religiosas e confiscar os respectivos bens. Em Novembro legalizou o divórcio em termos de grande liberalidade (...). De Outubro a Dezembro aboliu também os feriados religiosos (excepto o Natal, que passou a chamar-se, mais laica e republicanamente, «Dia da Família»), os juramentos religiosos nos tribunais e outras fórmulas legalmente consagradas em que se mencionava por tradição, tirania ou descuido o abominável nome de Deus. (...)
O terror principiou no fim de Dezembro de 1910 e cresceu em intensidade até Janeiro de 1913. Depois da revolução, os militantes [do PRP] haviam passado dois meses de inquieta ociosidade, entregues a purificar a sociedade portuguesa dos seus ornamentos monárquicos e religiosos. Calorosamente aplaudidos pelo [jornal] “Mundo” e amargamente criticados pela imprensa moderada, tinham destruído ou retirado brasões, coroas, cruzes, Cristos e santos (com ou sem valor artístico) de edifícios públicos, ruas, praças, parques, igrejas e cemitérios. Também as palavras tinham constituído uma preocupação. (...) Um padre do Porto, por exemplo, meteu-se num enorme sarilho por se ter referido num sermão ao «rei dos animais», expressão que, evidentemente, implicava que as bestas rejeitavam o sistema republicano de governo.»
Vasco Pulido Valente, “O Poder e o Povo” (capítulo 5), Gradiva, 1999.
Publicado por FG Santos às 11:53 PM
O 28 de Maio visto por Manuel Maria Múrias
O 28 DE MAIO
Passam na próxima segunda-feira cinquenta e três anos sobre o Movimento Militar do 28 de Maio. À voz de Gomes da Costa, herói de África, o Exército levantou-se em Braga, avançou sobre Lisboa — e suspendeu o regime da democracia partidocrática que, ao longo de um século, conduzira Portugal à última das misérias. Quarenta e oito anos depois, uns centos de capitães, tomaram conta das emissoras de rádio e televisão lisboetas, disseram por elas que tinha sido restaurada aquela mesma democracia partidocrática — e, em pouco menos dum lustro, fizeram-nos regressar ao ponto zero de 1926, à miséria, à corrupção, à desordem institucional que nos envergonhara durante cem anos.
Durante os seus dois primeiros anos de vigência, governando em ditadura, os revoltosos do 28 de Maio, sem atentarem contra o que de estrutural fundamentava o velho Estado democrático, limitaram-se a manter a ordem nas ruas e a pregar um ou outro prego. Chegando Salazar ao Ministério das Finanças em 1928, logo nesse ano se equilibrou a Conta Geral do Estado e se iniciou um processo de recuperação económica e financeira do país que bem sustentado politicamente redundou em 1933 numa Constituição que, pretendendo ser corporativa, manteve intocáveis a maioria dos defeitos estruturais da constitucionalidade anterior: o Estado Novo viveu, a partir daí, do génio pessoal de Salazar, pouca gente duvidava que, morrendo Salazar, o regime se afundaria no caos, afundando Portugal com ele.
Temos já perspectiva histórica para bem podermos avaliar o que foram estes nossos últimos cento e cinquenta anos de vida nacional com tantas constituições, tantos regimes, tantas personalidades e tantos erros. Como se andássemos pendurados nos alcatruzes duma nora, temos tido sempre sempre a tendência de regressarmos ao ponto zero, repetindo sistematicamente os erros do passado e recomeçando tudo de novo. O que é fundamental e essencial na organização política do poder tem-se mantido inalterável durante este século e meio. O Estado todo poderoso continua inamovível e inalterável; todos os seus malefícios centralizador, concentracionários e burocráticos têm sido multiplicados de tal jeito que, lentamente, afogaram quase todas as forças vivas da Nação.
O que definiu o Estado Novo foi o génio de Salazar. Para além dele, a tendência estatizante que vinha a impor-se desde a Revolução de Setembro, foi dominando tudo, estrafegando irremissivelmente a criatividade natural dos povos, a sua independência autêntica e — até! — o seu patriotismo.
Como se fora um lema a frase — Portugal é Lisboa, o resto é paisagem — foi aplicada ferozmente pelos burocratas do Terreiro do Paço e de S. Bento: é em Lisboa que se decide todo o importante para a vida da província; como se fora um monstro teratológico a bela cidade de mármore e de granito, cabeça dum império, sorveu durante séculos o melhor dos recursos morais e materiais da Nação.
Sobre este aspecto o Estado Novo limitou a acentuar desmedidamente os erros do passado. O primeiro governo de Salazar não chegava a ter dez membros; o último ultrapassava largamente os vinte. Chegámos ao 25 de Abril com um ministério constituído por mais de trinta pessoas. Vivemos hoje miseravelmente com mais de cinquenta ministros, secretários e subsecretários de Estado, directores-gerais às grosas e muitos milhares de funcionários públicos. O Estado é aquele monstro que profetizava Hobbes continuando como continuamos a agigantar o seu aparelho corremos dentro de muito poucos anos o risco iminente de virmos a muito poucos anos o risco iminente de virmos a ser, todos, seus empregados. Dum momento para o outro, empurrando-se outra vez a porta aberta do Quartel do Carmo, tomando conta das emissoras e calando o governo, podemos estar diante duns novos senhores que, substituindo estes, continuem a obra de agigantamento do poder, transformando Portugal inteiro numa imensa repartição pública.
Salazar foi um estadista de génio. Era um homem de bem. O seu Estado foi eficaz e foi — como ele dizia — uma pessoa de bem porque Salazar foi eficaz e honrado. E o seu Estado desmesuradamente alargado o que subsiste da imensa obra. Todavia, destruído, desordenado e corrupto, atacado de elefantíase, sem ele, só serve para nos atravancar a vida e imobilizar a Nação.
Fundamentalmente a República de 1910 limitou-se a empolar os defeitos da Monarquia de 1820. Depois, o 28 de Maio continuou na mesma senda, até ao 25 de Abril onde os defeitos dos homens se enxertaram nos defeitos do sistema para nos conduzirem à mais extrema decadência, praticamente retornados à configuração geopolítica gerada no Séc. XIII pelo Tratado de Zamora.
Comemorar o 28 de Maio é, por isso mesmo (para além das legítimas implicações contestatárias que o caso tem) comemorar o cume do poder do Estado português, e relembrar revoltadamente a personalidade política de Oliveira Salazar. Mas não pode ser mais nada. Não pode ser, principalmente, uma manifestação de saudade e de retorno às instituições ultrapassadas que o vintismo, o jacobinismo republicano, o corporativismo de 26 e o socialismo de 76 nos impuseram manu militari.
Mas tem que ser o princípio duma revolução estrutural que, contra Lisboa, levanta toda a província a proclamar a independência viva — para que, como em 1910 e como em 1974, não mais seja possível alguém apossar-se da Nação pelo telefone.
O mesmo Exército que nos impôs a democracia partidocrática no século passado, impôs-nos a República em 1910, doou-nos o Sidónio em 1917, obrigou-nos ao corporativismo em 1926, e forçou-nos ao socialismo em 1974. Devendo depender do consenso, depende o Estado português ainda hoje da força das armas; é ilegítimo por isso mesmo; contra o facto nos devemos legitimamente revoltar todos, procurando impor pela pura acção política a verdadeira independência nacional.
In A Rua, n.º 157, pág. 24, 14.06.1979.
Publicado por FG Santos às 11:29 PM | Comentários (1)
O 28 de Maio, 79 anos depois (I)
Uma das características dos críticos do regime que se edificou após a Revolução de 28 de Maio de 1926 é o silêncio sobre os anos que o antecederam, como se se tivessem passado na maior tranquilidade democrática, no normal funcionamento das instituições e no meio do desenvolvimento económico e social. Neste aniversário dos 79 anos do 28 de Maio vai este blogue publicar alguns postais que mostram o caos económico, social, administrativo, ético que representaram os 16 anos de República “Democrática”.
Começamos por um episódio elucidativo daquilo a que na altura ainda se não chamava a “cunha”.
«Que se pensou em fazer quando se viu a República estabilizada? Uma administração nova e uma reconstrução do petrechal de trabalho do País? Uma voz o gritou no novo parlamento, com impudor:
Nós também queremos comer!
E comeram em lauta boda! Prova que não deverá ser esquecida, é que
num só número do Diário do Governo se nomearam 17.000 funcionários públicos.
Esse Diário do Governo é um exemplo do critério que presidia à vida pública do poder (...).
Entre esses trinta suplementos [do Diário do Governo de 10 de Maio de 1919], um merece referência especial: o n.º18. Principia ele com a página 1346. E depois?
Depois segue-se a página 1346-A, 1346-B, 1346-C e assim por diante até ao fim do alfabeto.
Acabaram-se as letras do alfabeto. Acabou o suplemento n.º18? Não, senhores. Continua:
1346-AA, 1346-BB, 1346-CC e assim por diante até ao fim do alfabeto geminado.
E findou aqui o suplemento? Continuou:
1346-AAA, 1346-BBB, 1346-CCC. Depois 1346-AAAA, 1346-AAAAA e assim sucessivamente.
Mas já não havia lugar para todas as letras apostas aos algarismos. Não cabiam no alto da página. E adoptou-se sistema especial, afim de poder continuar a paginação. Em vez de 1346-AAAAAA, escreveu-se 1346-6A.
E depois 1346-7A. E depois 1346-8A, 1346-9A até esgotar o alfabeto. E por fim veio 1346-10A. Por fim 1346-10C.
Com isto findou a fadigosa jornada desta paginação extraordinária. Aquele 1346-10C correspondia a este número:
1346-CCCCCCCCCC!
Aquela voz que regougara no parlamento: - «Nós também queremos comer!» fora obedecida.
Assim se nomearam cerca de 17.000 funcionários públicos novos, sem se curar das suas aptidões, nem da possibilidade de os instalar em qualquer serviço do Estado. Urgia arranjar onde os meter. Como? Despedindo velhos e novos que por qualquer forma pudessem ser apontados como pouco fervorosos na lealdade ao regime. Para isso se ordenou uma devassa colossal. Por esse motivo muitos servidores do Estado perderam o pão. Não se acusavam nem se julgavam. Eram demitidos, poque assim o exigia a necessidade de colocar todos os novos funcionários. Mesmo assim não foi possível arranjar lugar para todos. E durante largo tempo foi assunto de comentários não só a incompetência de numerosos funcionários, a quem só se exigira o atestado de “bom republicano”, mas a falta de carteira e até de repartição onde trabalhassem.»
“O que eles fizeram... O que nós fizemos...”, Cadernos da Revolução Nacional, Edições SNI, Novembro de 1945, pp. 9-11.
Publicado por FG Santos às 04:20 PM | Comentários (1)
Céline sempre presente
Louis-Ferdinand Destouches, o Céline das letras, nasceu há precisamente 111 anos. A revista Xis, suplemento de sábado do “Público”, dedicou ao grande aventureiro da língua três páginas da sua edição de 21 de Maio (uma delas uma fotografia tirada no “retiro” de Meudon, com os seus cães).
Para além do destaque pouco habitual para um escritor maldito, o texto é bastante neutro, centrando-se mais nos factos e menos na polémica – o que é ainda mais raro.
Lá se escreve que «a escrita de Céline introduziu na literatura francesa do século XX uma sintaxe solta como a da língua falada, assinalando detalhes prosódicos em reticências e pontos de exclamação, usando cortes nas frases e o encaixe de outras em lugares pouco convencionais». Como o próprio dizia: «J’écris comme je parle».
Quando viu a primeira revisão da “Voyage” Céline ficou horrorizado com as “correcções” ao seu texto: «Querem pôr-me a escrever como François Mauriac!».
Voltando ao artigo da Xis, conclui-o assim Fernanda Pratas: «Céline morre a 1 de Julho de 1961, da ruptura de um aneurisma, sem ver a “Viagem ao Fim da Noite” passado a filme, como estava planeado. Mas chega a dar por finda a segunda versão de “Rigodon”. A imprensa só falará da morte três dias mais tarde, depois do funeral. André Gide diz da sua escrita: “Não é a realidade que Céline pinta, mas sim as alucinações que a realidade provoca.”»
Publicado por FG Santos às 03:04 PM
maio 25, 2005
As histórias mal contadas do 11 de Setembro
127 perguntas que põem em causa toda a verdade oficial sobre os atentados de 11 de Setembro de 2001.
Publicado por FG Santos às 05:41 PM | Comentários (1)
Muitas centenas de francos...
... foi o que em breve comecei a gastar para adquirir na língua de Molière o resto da obra céliniana, de "Guignol's Band" a "Rigodon", sem esquecer os três panfletos (que me "levaram" no total 1700 francos) e os Cahiers Céline. Como lamentei não me ter sobrado dinheiro numa das idas a Paris para comprar uma já na altura rara edição da Plêiade repleta de fotografias que um bouquiniste me quis vender.
Sem querer estar aqui a dissecar todos as obras, digo-vos apenas que dedico uma ternura especial a "D'un Château l'Autre", um regresso fantástico à ficção após tantas atribulações, da viagem pela Alemanha em ruínas até à prisão na Dinamarca. Sempre o regresso às origens, simbolizado pelo episódio da cadela que o escritor trouxe da Dinamarca e que, ao sentir-se morrer, escolheu o recanto mais frio da casa, para se sentir mais próxima do frio do Báltico em que nasceu.
Também existem episódios cómicos, desde a marcha de Pétain em Sigmaringen à viagem à Alemanha e o episódio divertidíssimo passado no combóio.
Este livro teve entretanto tradução portuguesa (cuja qualidade desconheço) na D. Quixote.
Publicado por FG Santos às 03:40 PM
Le "Voyage" ensuite
Após a "Morte a Crédito" andei à procura de tudo o que houvesse em português de Céline. Na livraria Lácio, ao Campo Grande, em Lisboa, encontrei uma tradução algo antiga (de Aníbal Fernandes) da "Voyage au bout de la Nuit" (edição Ulisseia).
Depois desta leitura já li duas vezes em francês esta primeira obra do médico de Courbevoie. Não é preciso mais para mostrar a minha admiração por mais esta obra prima. O périplo de Bardamu pelo mundo e o regresso a França e a si próprio (de quem não consegue fugir), o desespero e impotência do ser humano perante tanta vileza que o rodeia, a beleza que nos escapa confrontam-nos com a nossa própria forma de encarar o mundo.
Como Céline nunca foi dado a excessos de realismo, não desdenhando pôr no texto os seus delírios, também este livro não deixou de enganar alguns desatentos, que nele viram simplesmente uma narração de esquerda do mundo capitalista. Escapou-lhes o sentido universal da estupefacção do homem de boa vontade perante o mundo em que tem que viver.
Publicado por FG Santos às 03:31 PM | Comentários (2)
Como "conheci" Céline
Farão no próximo dia 27 111 anos que nasceu Céline, um dos maiores escritores do séc. XX. A sua obra é, apesar do opróbrio a que a quiseram votar, bastante lida (à excepção dos panfletos, que não foram reeditados depois de 1943) e estudada.
Ao contrário da maior parte dos seus leitores, não comecei a ler Céline com a "Voyage" mas sim com a "Mort à Crédit", na edição da Assírio e Alvim, com excelente tradução de Luísa Neto Jorge (já falecida). Na altura o meu francês ainda não era o melhor e esta edição trouxe-me ao conhecimento este magnífico escritor. As primeiras linhas (reproduzidas aqui) agarraram-me logo ao grosso volume. A prosa, escorreita e ríspida, surpreendeu: o autor descrevia sem complacências o ambiente em que nasceu, a família, os vizinhos. Para um leitor desatento parecia um relato sem pingo de humanismo, com um grande desprezo pelas pessoas em geral.
A segunda parte do livro, com um relato maravilhoso, divertido e trágico, da vivência com o inventor genial e incompreendido (outro Semmelweis) Courtial des Péreires mostra a outra faceta de Céline: uma grande ternura por seres a quem a vida não correu de feição, algo mascarada pela ironia delirante da narração.
Obra prima parece pouco para caracterizar este livro soberbo, que não mais deixa o imaginário de quem o leu.
Publicado por FG Santos às 03:17 PM
Belém
No passado domingo disputou-se o encontro Belenenses - Vitória FC no magnífico palco do Estádio do Restelo.
O jogo foi de sentido único, com o Belenenses a falhar muitas ocasiões (aos 11 minutos já Lourenço atirara duas bolas ao poste).
O grande Tuck, em fim de carreira, foi homenageado pela sua extraordinária dedicação e profissionalismo. Carlos Carvalhal, apesar de a equipa necessitar de mais poder ofensivo, fê-lo entrar perto do fim do jogo. Mesmo assim, o grande jogador quase marcava golo de livre directo.
Aqui ficam algumas fotos que tirei.
(Tuck homenageado ao intervalo.)
(Tuck quase marca de livre directo. Vê-se a bola se se fixar o placard publicitário amarelo.)
("Coisas" que só se vê no Estádio do Restelo.)
Publicado por FG Santos às 02:55 PM | Comentários (2)
maio 24, 2005
Matanças na África do Sul
A África do Sul é, de entre os que não estão em guerra, sem dúvida o país mais violento do mundo.
Os nossos compatriotas que lá vivem bem o sabem: já foram assassinados 355 desde 1990.
Outra "façanha" daquele país vem agora a público: em cada seis horas é assassinada uma mulher sul africana pelo seu parceiro. As mestiças são as maiores vítimas (em percentagem do total respectivo), ao passo que as brancas são as menos vitimadas.
A investigação foi levada a cabo em conjunto pelo Medical Research Council, pela University of Cape Town e pelo Centre for the Study of Violence and Reconciliation. A conclusão destes senhores é (sentem-se bem) que «os números mostram o impacto do apartheid, um regime que provocou um enorme aumento da violência e do alcoolismo, estigmatizando o homem negro»!
Toda a gente sabe que o aumento de violência é subsequente ao fim do apartheid (regime que não se está aqui a defender) mas como todo o mal que sofre o negro é culpa do branco... E depois dizem que os negros é que são estigmatizados!
Publicado por FG Santos às 05:51 PM | Comentários (1)
Desolação
"Nous voici encore seuls. Tout cela est si lent, si lourd, si triste... Bientôt je serai vieux. Et ce sera enfin fini. Il est venu tant de monde dans ma chambre. Ils ont dit des choses. Ils ne m'ont pas dit grand-chose. Ils sont partis. Ils sont devenus vieux, misérables et lents chacun dans un coin du monde."

Publicado por FG Santos às 05:07 PM | Comentários (1)
Farto de vermelhos
Não tencionava escrevinhar o que quer que fosse sobre o título conquistado pelo calabótico emblema da 2ª Circular. Aqui pouco se fala de futebol, que é assunto onde raramente as pessoas são razoáveis.
Mas enjoado (para não usar o particípio passado de outro verbo) de tanta comemoração bacoca, de tanto provincianismo, de tanta gesticulação obscena, de tanto pavoneamento com os supostos milhões de adeptos (milhões em dívida têm eles), não resisti a deixar aqui uns versos de bem fraca inspiração mas forte irritação.
É puro catenaccio
Sou eu que digo, sou eu que acho
Futebol nem vê-lo
Encoberto num novelo
Que o Calabote já se finou
Mas a sua alma ficou
E com muita Cunha a bem ou a mal
O nosso emblema sabe ser Leal
Que bem fica mal
Estes pontapés sem sal
Campeão desta maneira
Tapando o sol com uma peneira
Peneiras têm eles
Ofuscados pela taça
Se também a do Jamor levassem
Ó, que seria uma desgraça!
Mas Deus nem sempre dorme
E desta vez providenciará
Que levem nas pinhas
Com muitos golos dos Sardinhas!
Publicado por FG Santos às 03:43 PM | Comentários (4)
maio 23, 2005
"Big Brother is watching you"
Uma empresa japonesa desenvolveu um sistema, destinado às empresas, que localiza em cada momento onde se encontram os funcionários e que permite até saber que gavetas se abrem e em que papéis se mexe.
O objectivo será evitar fugas de informação "sensível", fazendo sentir a todos os funcionários que tudo o que fazem durante o dia de trabalho é vigiado.
A pretexto de evitar fugas danosas para as empresas é mais um passo para o controlo obsessivo das pessoas nesta sociedade totalitária.
Publicado por FG Santos às 04:59 PM | Comentários (4)
Manifestantes judeus e palestinos em sintonia...
... contra Laura Bush!
Leia aqui porquê.
Publicado por FG Santos às 04:54 PM
maio 22, 2005
Os Mil Olhos do Dr. Mabuse
Vi ontem para aí pela quinta vez “Die Tausende Auge des Dr. Mabuse” (“Os Mil Olhos do Dr. Mabuse”) que, como era triste prática em Portugal, recebeu o título que os sempre imaginativos franceses deram à fita: “O Diabólico Dr. Mabuse”. Datado de 1960, é o último filme realizado por um dos maiores nomes da história do cinema: Fritz Lang (1890-1976).
Anteriormente, Lang rodara já “O Testamento do Dr. Mabuse” (1933) e o menos conhecido mas não menos interessante “Dr. Mabuse, o Jogador” (1922).
O tema é de certa forma comum aos três filmes: um espírito diabólico, um verdadeiro génio do crime, tenta espalhar o caos na sociedade, de modo a dele emergir como o único e invencível poder. O filme de 1933 foi entendido como uma alegoria ao nazismo, o que certamente não estaria fora dos planos de Lang. (Casado com Thea von Harbou, a sua excelente argumentista e futura cineasta do regime nazi, Lang, meio judeu, não aceitará o convite que Goebbels, feroz cinéfilo, lhe fará para dirigir a indústria cinematográfica alemã.) A obra de 1960 retoma a ameaça, numa Alemanha renascida das cinzas. Qualquer pessoa com alguma visão da realidade pode entender a ameaça que o filme mostra como tendo muitos “candidatos” a assumi-la: desde as diversas sociedades secretas que na sombra vão orientando o mundo para os seus desígnios obscuros até à Internacional Islâmica. Seja como for, o que Lang sem dúvida quis mostrar no seu último filme foi simplesmente que a ameaça mantem-se. A nós cabe manter os olhos abertos para descobrir os “mil” olhos do inimigo.
Publicado por FG Santos às 09:42 AM
Um ano sem pavor
O nosso amigo "Geraldo sem Pavor" cumpriu ontem um ano de vida.
Blogue bem ancorado na realidade local, traz-nos uma visão "às direitas" da actualidade. Sem pavor pelo desagrado que possa causar aos "instalados", o Geraldo defende os seus (nossos) princípios com galhardia e determinação. Rodeado de bons e atentos amigos não será de estranhar que daqui a um ano o estejamos a felicitar por novo aniversário. Sempre sem pavor.
Publicado por FG Santos às 09:22 AM | Comentários (1)
maio 20, 2005
Fim de tarde
Estava um dia deslumbrante, um sol explêndido, uma luz como só nos países mediterrânicos. Parou o carro junto ao rio. Do parque contíguo chegava o eco dos gritos das crianças, brincando animadamente. A passarada chilreava incessantemente. A natureza explodia de vida.
A mulher fartara-se. Anos e anos a chegar tarde, sábados e às vezes domingos no escritório, pouca ou nenhuma vida de casal – deixara-o. Não tinha filhos. Na verdade casara com a empresa – nela passava mais de 10 horas por dia, nela investia o melhor das suas forças e energia. Ganhava bem.
Estava só.
Há uns tempos que se falava em reestruturações, deslocalizações, downsizing, redimensionamento. Frequentavam-se cursos de formação sobre o tema.
Um dia chamaram-no. Dificuldades, excesso de pessoal, cash flow negativo…
Aos seus ouvidos continuavam a chegar os ecos do parque. Como deveria ser bom ter filhos. Ou mesmo sobrinhos. A sua infância estava longe. Os amigos – espalhados pelo país, cada um com a sua vida, os seus problemas.
Continuou a beber. Não gostava muito de álcool mas queria ficar entorpecido. Certamente custaria menos. Suava abundantemente, menos pelo calor que pela tensão da situação.
Um dia os pais compraram-lhe um combóio eléctrico. Um sonho. Ainda ouvia o ruído do brinquedo, trinta e cinco anos depois.
Que saudades da A. Fora dela que verdadeiramente gostara. Noites em claro a pensar naqueles olhos calmos e meigos. Nunca conseguiu demonstrar o que sentia por ela. Foi sempre uma relação contemplativa, amistosa mas algo distante.
Como lhe custara fazer o curso. Com boas notas mas desgastado física e psicologicamente. O emprego surgiria poucos meses depois. O emprego de uma vida: cansativo e exigente mas enriquecedor.
Agora tinha tempo. Muito tempo. Cada vez menos tempo. Mais um pouco de álcool. Quase adormecia. Fechou os olhos e teve finalmente coragem.
O ruído ecoou por todo o lado. Os pássaros deixaram de cantar. O mundo parecia ter ficado suspenso, parado.
O sol poente, lá longe, verteu uma lágrima.
Publicado por FG Santos às 03:40 PM | Comentários (4)
Muçulmanos divididos
Qual será o sentido de voto da comunidade muçulmana de França no referendo à Constituição Europeia?
Ler aqui.
Publicado por FG Santos às 11:44 AM
maio 19, 2005
A influência de Bilderberg nas questões mundiais
Sabiam que George W. Bush, ao contrário dos seus antecessores desde Gerald Ford, não participou até agora em nenhuma reunião do secretíssimo grupo de Bilderberg?
Confirmem aqui.
Publicado por FG Santos às 05:44 PM | Comentários (2)
Teste político
Já fizeram o teste político francês? Os resultados são melhor percebidos para quem conhece razoavelmente os partidos lá do hexágono.
O meu resultado foi o seguinte:
«Vous vous situez à droite.
Les partis dont vous êtes le plus proche (dans l'ordre) :
1. le Mouvement pour la France (MPF) de Philippe de Villiers
Le MPF est CONTRE toute constitution européenne.
2. le RPF (Rassemblement pour la France et l'indépendance de l'Europe) de Charles Pasqua
Le RPF est CONTRE toute constitution européenne.
3. l'UMP (tendance souverainiste)
Cette tendance de l'UMP est CONTRE la Constitution européenne.
Le(s) parti(s) qui vien(nen)t ensuite :
4. le Front National
mais vous ne partagez pas la même opinion sur l'importance de la responsabilité personnelle des gens.
Le Front National est CONTRE toute constitution européenne.
5. le Mouvement National Républicain (MNR) de Bruno Mégret
mais, en règle générale, vous accordez plus d'importance au contexte dans lequel les gens évoluent (ou moins d'importance à leur responsabilité personnelle).
Le MNR est CONTRE toute constitution européenne.»
Publicado por FG Santos às 02:41 PM | Comentários (3)
maio 18, 2005
Morte e presença de Luís de Almeida Braga
Sentida homenagem de Amândio César ao mestre integralista, aqui homenageado:
MORTE E PRESENÇA DE LUÍS DE ALMEIDA BRAGA
Estamos todos demasiado perto da morte de Luís de Almeida Braga para que tenhamos a noção exacta da sua presença, numa obra de doutrinação política que, a poucos dias do seu passamento, ainda se apresenta activa no volume Espada ao Sol. Por isso mesmo não façamos juízos de valor definitivos, nem julguemos o Homem por aquele conjunto de atitudes que não passaram de circunstanciais, trocando se pelo que, de seu ideário, afunda nas raízes de um pensamento, político tradicionalista de que foi revigorante trabalhador e brilhante divulgador, num mestrado de inteligência de que nunca abdicou. Por mim farei o possível por não me afastar desta linha de conduta, mormente tendo em conta que devo à memória de Luís de Almeida Braga este respeito. Pois até aos seus derradeiros dias de cidadão bracarense ele me deu a honra de frequentar o seu escritório e a sua livraria, num momento em que — desviado dos utentes e manuseadores do poder — todos se afastavam do escritório do Campo da Vinha... não fosse essa visita comprometê los! Não fiz parte dessa turma de eunucos e por isso convivi com sua alta inteligência e cultura bem como à sua amizade e espírito de compreensão devo a leitura de volumes que Luís de Almeida Braga me facilitou, na impossibilidade de eu próprio os obter no mercado. E o mestre integralista sabia que eu era monárquico, tradicionalista e católico mas não integralista; sabia que eu não sacrificava ao poder reinante no burgo arquiepiscopal, reflexo de poderes mais altos e de protecções bem conhecidas, embora tivesse, como tenho, uma profunda admiração pela criadora inteligência política do Professor Doutor António de Oliveira Salazar. E ele sabia o. Como sabia da minha profunda admiração — discípulo, que não me canso de o ser e de afirmar que continuo sendo, — de Alfredo Pimenta, meu único mestre de pensamento e de comportamento político. Todas estas circunstâncias não impediam ou obscureciam uma amizade. Porque Luís de Almeida Braga sabia, também, quanto eu o estimava, quanto eu o admirava e quanto eu o acompanhava na maioria das suas posições políticas e intelectuais.
O seu passamento não significou para mim a sua morte. Antes vem reavivar uma presença intelectual e moral que os anos irão engrandecendo e glorificando. A sua terra e as gerações mais jovens são lhe devedoras, ambas, de uma consagração de desagravo por todas as omissões propositadas, por todas as sistemáticas ignorâncias de seu nome e de sua obra e pelo colaboracionismo descarado a uma política de ominoso e repetido ostracismo. E essa consagração e esse desagravo são urgentes que se façam, até para que os mais jovens não suponham que os seus mestres foram avestruzes intelectuais que na hora do perigo meteram e afundaram as suas cabeças nas areias escaldantes do deserto! É urgente — repito. Pois que Luís de Almeida Braga não foi apenas uma espada ao Sol durante os anos agitados da primeira república. Foi sempre uma inteligência ao sol, em todas as repúblicas que se sucederam neste pais. E inteligência ao sol sem tibiezas, sem hesitações, sem reticências e sem atitudes dúbias. Recordo — a exemplo — a sua intervenção em prol da lavoura minhota. Em sessão pública ele defendeu a liberdade dos lavradores em problema que, no momento, era candente para o futuro da lavoura local. Um dos energúmenos que estava presente ao debate e à exposição do autor de Paixão e Graça da Terra não percebeu que as liberdades dos concelhos eram um dos pilares da Monarquia tradicional portuguesa. E com toda a sua esbordante ignorância, adicionada à sua incomensurável falta de escrúpulos, gritou com toda a impetuosidade do seu bojo de avantesma um viva «ao grande democrata Luís de Almeida Braga»!!! O mestre de O Culto da Tradição suspendeu por momentos a leitura da sua lição de portuguesismo, não suspeitando que, tempos depois, essa mesma espectacular ignorância havia de dirigir intelectualmente a máquina política regional!
É evidente que este e outros factos, esta e outras inversões de valores o conduziriam a uma posição de endurecimento, na ortodoxia do pensamento integralista. E que de uma colaboração generosa e gratuita aos primeiros passos da revolução nacional, o recrutamento de personalidades pelo menor valor moral e intelectual o tivesse levado para uma oposição sem reservas e sem medos nas atitudes públicas que então passou a revelar. Foi então que muitos dos que se diziam monárquicos se afastaram dele, temendo que qualquer aproximação pudesse ser considerada como hostilização ao regime... Do afastamento e a título justificativo adiantavam que o Dr. Luís de Almeida Braga era... oposionista. Termo vago em que se enquadrava tudo o que não se sujeitasse aos ditames do então viçoso partido único. Esquecendo se que Luís de Almeida Braga, como monárquico que era, nunca poderia ser aderente de um partido estruturalmente republicano, embora nas suas fileiras militassem alguns monárquicos ingénuos ou então alguns monárquicos que achavam estarem, assim, melhor defendidos os seus interesses e os seus negócios, em vez de viverem a incomodidade da coerência. Essa incomodidade viveu a o autor de Pão Alheio que, na sua terra de nascimento, foi tão exilado como nos tempos em que viveu ausente do solo pátrio, por militantismo nas hostes de Paiva Couceiro. Sim: foi um exilado a cujo convívio só iam aqueles que necessitavam dos seus pareceres jurídicos ou os raros que não tinham receio das possíveis represálias pelo culto da sua amizade. E, aos poucos, o círculo da intencional indiferença ia se fechando em torno dele e da sua acção monárquica, paradoxalmente cada vez mais militante e mais viva! Estranha contradição na vida pública de um dos mais ousados mestres de pensamento nacionalista!
Os seus belos discursos políticos tinham ou passaram apenas a ter oportunidade na barra dos tribunais. Ouvi-lhe alguns e de dois me recordarei para todo o sempre: um, no plenário do Porto e outro no tribunal de Moncorvo. Ainda e sempre o escritor e o jurista fazendo doutrinação, sempre que a propósito e sempre que possível. Que as belas conferências de outros tempos... para essas já não havia sala, ainda que existisse auditório. Nem tudo, era covardia; nem tudo cedeu a pressões e a conluios. Recordo, porém, a sua última presença pública em Braga, numa sessão sobre a Imaculada Conceição. Dois oradores se destacaram: um, Alberto Pinheiro Torres, já no descer da encosta da vida e no termo de uma existência de lutador; o outro, Luís de Almeida Braga, na pujança maior do seu verbo de pensador e de estilista. Eram duas personalidades próximas e afastadas, por constituírem duas representações de gerações diferentes. Mas ambos grandes e numa das derradeiras sessões públicas da inteligência bracarense. O vulto emotivo de Pinheiro Torres crescia à medida que a sua oração se prolongava e foram de delírio as palavras finais da oração à Virgem Imaculada; daí recolheu a palavra Luís de Almeida Braga e foi a apoteose numa tarde inesquecível, em que os valores do espírito pairaram acima da mediocridade habitual das exéquias oratórias do burgo bracarense...
Nunca mais se repetiu este milagre da inteligência. A oratória e a doutrinação dos mestres deixou raros e escassos discípulos. A inteligência pura deu lugar à memória arregimentada; a claridade da expressão passou a ser baça como as madrugadas enevoadas do Inverno. Isso mesmo: a inteligência hibernou ou retirou se. Os raros lampejos — que os houve — nada mais foram do que a confirmação da verdade apontada. E até esses tiveram de ceder lugar à mediocridade do quotidiano.
Foi assim que, aos poucos, Luís de Almeida, Braga passou a ser esquecido na terra a que tanto quis e cujos interesses materiais e espirituais sempre encontraram nele o paladino desassombrado que vinha à liça com a valentia e a verticalidade que pusera nas hostes de Couceiro. E, à sua morte, não houve mesmo o artigo laudatório da Imprensa local que o recordasse, nesse exacto momento em que a sua personalidade já não fazia sombra a ninguém! Sie transit gloria mundi...
No entanto o seu pensamento, depois desta provação, permanece vivo: católico e monárquico, viveu; católico e monárquico morreu. E é esse pensamento que agora se agiganta, liberto o Autor de todas as garras terrenas que lhe coartaram movimentos e que lhe bloquearam a inteligência activa. O nosso respeito pela herança intelectual do Mestre deve concentrar se na maior divulgação desse pensamento; e deve ainda, no render de posições, o situarmo nos onde ele tombou para prosseguirmos numa luta de ideais que é agora mais premente e mais imediata do que nos dias atribulados em que ele viveu. A morte de um capitão general de ideias não significa que as ideias morreram ou que deixaram de palpitar. Não. Importa que na brecha, agora aberta, pela sua morte, todos nós tomemos consciência do que ele representou e das obrigações que nós temos para com a sua amizade e para com a sua doutrina. Só assim seremos dignos de nos considerarmos seus amigos, indefectíveis; só assim seremos dignos de termos sido seus íntimos nos dias cruciais da sua provação na terra.
Morreu um Homem. Mas está vivo o seu exemplo. E estão vivas as ideias mestras pelas quais se bateu na vida terrena e viva a doutrinação que ficou nas páginas imortais de seus livros. Esse o seu testamento político. Sejamos dignos dele.
Amândio César
In «Gil Vicente», n.º 5/6, Maio/Junho de 1970, vol. 21, págs. 75/78
Publicado por FG Santos às 05:52 PM | Comentários (5)
Gustav Mahler (1860-1911)
Judeu convertido, wagneriano, bruckneriano, bachiano, maestro notável, compositor maravilhoso de sinfonias eternas, de que destaco a 6ª, a 9ª e a "Canção da Terra" (Das Lied von der Erde), Gustav Mahler faleceu há 94 anos.
A impotência do Homem perante a morte, a Natureza eterna e majestosa são algumas das imagens que a sua música nos traz.
Chamo a atenção dos leitores melómanos que a Orquestra Sinfónica Portuguesa tem agendados dois concertos no CCB em que vão ser interpretadas as 7ª (9 de Junho) e 6ª (19 de Junho) sinfonias, esta última sob a direcção do aclamado maestro Eliahu Inbal.
Publicado por FG Santos às 05:08 PM
Petição sobre programa de Educação Sexual nas escolas
Felizmente a sociedade civil em Portugal sabe por vezes mobilizar-se para defesa de boas causas. E às vezes bem depressa. Está já em marcha uma petição contra os conteúdos de educação sexual que já estão a ser ministrados em algumas escolas do país.
Na página da petição tem-se acesso à notícia do "Expresso" que despoletou toda a polémica. Passem por lá.
Publicado por FG Santos às 03:35 PM
maio 17, 2005
Cesarismo e Monarquia
Os excertos que se seguem estavam prometidos há tempos ao amigo Rafael, sendo também dedicados com estima ao Corcunda. O autor é Luís de Almeida Braga, um dos membros fundadores do Integralismo Lusitano nos idos de 1914 e logo participante do primeiro número de “A Nação Portuguesa”.
A obra em questão é “Posição de António Sardinha”, editada pelas Edições Gama em 1943. A grafia foi por mim actualizada.
«Consentir que a administração geral do Estado estanque os particularismos locais, é aceitar as cadeias do Absolutismo. Nada mais contrário à formação e ao desenvolvimento histórico de Portugal.
«Cesarismo é a negação da Monarquia. Pela sua íntima colaboração com as forças morais, económicas e territoriais – os lares, as oficinas e os municípios – a Monarquia repele tudo quanto seja abuso de centralização administrativa, bem sabendo que esse é o trilho por onde se chega ao enfraquecimento da vontade política.
«O Estado apodera-se dos corações e das almas. Tudo quer absorver o Estado. Levando a toda a parte a vigilância e a influência, em todos os sentidos desenvolve a sua autoridade e constrói abrigos para a sua administração. A vida perde a graça que a animava na variedade do seu conjunto e não há estímulo que lhe afervore o amor. Com precisão mecânica, a vida é apenas fria regra administrativa. E a Nação surge transformada em vasta caserna, onde as mais insignificantes acções são dirigidas de longe e do alto. Ditadura de César ou ditadura do Proletariado são afinal as duas faces, bem pouco diferentes, do mesmo estadismo tirânico e desumano. (...)
«Por muito forte que seja a vontade de um homem, ou de uma geração, sossobra sempre na obra de criar instituições políticas duradoiras. Só perdura o que o tempo não alcança.
«António Sardinha (...) acrescentava imediatamente: «Só um poder, cujo título não repouse no sufrágio nem nas aclamações da multidão, é que pode governar com todos, sem governar contra nenhum.»
«É o merecimento das instituições que dá azo a utilmente frutificarem as virtudes e o valor do homem.»
Publicado por FG Santos às 11:14 PM | Comentários (3)
«Nem os negros»...
O presidente mexicano Vicente Fox irritou a comunidade afro-americana (como se diz em P.C.) ao declarar que «os imigrantes mexicanos (...) trabalham em profissões que nem os negros querem».
Não sabemos a que profissões se referia o homem que acabou com o reinado de décadas do PRI, mas o que é certo é que teve que se desculpar publicamente. Sejam ou não verdade, há coisas que ninguém se atreve a dizer.
A propósito, os pro-imigracionistas não costumam dizer que os imigrantes vêm para a Europa trabalhar em profissões que os europeus não querem? E quem é que se indigna?
Publicado por FG Santos às 06:50 PM | Comentários (3)
In memoriam
Heart And Soul
Instincts that can still betray us
A journey that leads to the sun
Soulless and bent on destruction
A struggle between right and wrong
You take my place in the showdown
I'll observe with a pitiful eye
I'd humbly ask for forgiveness
A request well beyond you and I
Heart and soul, one will burn
An abyss that laughs at creation
A circus complete with all fools
Foundations that lasted the ages
Then ripped apart at their roots
Beyond all this good is the terror
The grip of a mercenary hand
When savagery turns all good reason
There's no turning back, no last stand
Heart and soul, one will burn
Existence well what does it matter?
I exist on the best terms I can
The past is now part of my future
The present is well out of hand
Heart and soul, one will burn
One will burn, one will burn
Heart and soul, one will burn.
Ian Curtis, 1957-1980

Publicado por FG Santos às 04:45 PM | Comentários (2)
Ditadura da linguagem
«Sigue habiendo varas de medir distintas para la derecha y para la izquierda. A aquélla no se le tolera lo que en ésta se admite como normal e incluso como deber. Cuando la derecha endurece su discurso, siempre hay quien la tacha de fascista; cuando es la izquierda, siempre hay quien habla de su obligación moral. La dictadura del lenguaje tiene en este fenómeno uno de los ejemplos palmarios de su iniquidad.»
Justino Sinova, "El Mundo", 16/V/2005, pág. 2.
Publicado por FG Santos às 11:17 AM | Comentários (2)
maio 16, 2005
Antologia de citações blogosféricas
O blogue "Geraldo sem Pavor", grande amigo desta casa, inventariou um conjunto de frases apostas em blogues. Teve a amabilidade de incluir uma deste vosso servidor, no meio de uma plêiade de outras muito bem apanhadas, revelando muito bom gosto pela escolha das frases - e dos blogues.
Só lamento que não se tenha feito o link (*) para os postais em que as frases escolhidas apareceram originalmente, o que permitiria enquadrá-las no devido contexto. Quanto ao resto, parabéns pelo (continuado) bom trabalho e um muito obrigado aos amigos eborenses.
(*) Como diz o amigo BOS, «sem link não há olho que se finque»!
Publicado por FG Santos às 02:07 PM | Comentários (1)
Atentado da ETA não condenado pelo governo espanhol
«Pela primeira vez na história um atentado da ETA não foi condenado pelo governo espanhol.» É esta a acusação que faz ao executivo Zapatero o secretário-geral do Partido Popular, Angel Acebes, que acrescenta que «até agora sabíamos quais eram os que não condenavam [os atentados do grupo terrorista]».
Numa altura em que o PSOE trompeteia que há dois anos que a ETA não mata e em que o PP faz um braço de ferro com o governo pela não ilegalização do Partido Comunista das Terras Bascas (PCTV), este silêncio do partido no poder é no mínimo comprometedor.
Publicado por FG Santos às 02:01 PM | Comentários (2)
maio 15, 2005
Abdicação
A notícia, lembrada pelo amigo Pedro, sobre a iminente promulgação por parte do rei Juan Carlos da lei que autoriza o casamento entre homosexuais, só pode causar perplexidade (embora em rigor não muito espanto) a todos aqueles que crêem que a função real deveria ser mais que o simples cortar de fitas, o passear pelo país e pelo estrangeiro, a atribuição de prémios culturais a autores mais ou menos republicanos e desprezadores da tradição.
Se é só para isto, perguntamos como o nosso amigo bloguista, para que é que serve a monarquia hoje em dia? É claro que a instituição não se confunde apenas com o titular do trono num determinado momento histórico, e sempre houve bons e maus reis. Mas era suposto haver um mínimo de princípios que enformam uma nação a ser respeitados intransigentemente pelo monarca.
Receptor da tradição pátria, o rei deve ser também o seu promotor e projectar os eternos princípios para o futuro, que só será risonho se assentar sobre aqueles, sem cristalizações paralizantes mas também sem abdicações comprometedoras.
Antigamente o povo revoltava-se contra monarcas que desrespeitavam a tradição ou que punham em perigo a independência nacional – podia mesmo haver motivos para a deposição do rei se as cortes assim o entendessem. Hoje em dia, o rumo, tacitamente aceite pelos monarcas ocidentais, é a aceitação da maré, a resignação à força desta, sem curar de ver que essa força é tanto maior quanto menor a resistência que se lhe opõe.
Publicado por FG Santos às 04:30 PM | Comentários (5)
Bar-Mitzvah milionário
Quatro milhões de libras para o Bar-Mitzvah do filho: foi esta a bagatela que dispendeu Philip Green, o inglês, de origem judaica, que é o indivíduo mais rico do negócio retalhista nas Ilhas Britânicas.
Como é que se gasta tamanha fortuna em três dias? Convidando 300 amigos para hotéis no sul de França, promovendo um concerto com o tenor italiano Andrea Bocelli, construindo uma sinagoga gigante numa pequena península da Cote d’Azur, etc...
Adepto do Tottenham Hotspur, o clube da comunidade judaica de Londres, Green não parece incomodado por o seu filho ser adepto do Arsenal. Afinal de contas, há fidelidades mais importantes que as desportivas.
Publicado por FG Santos às 04:12 PM
maio 13, 2005
Novilíngua em marcha
Após a (por agora) abortada tentativa por parte do governo brasileiro de impor uma cartilha politicamente correcta, com uma lista de palavras e expressões proibidas, a Mídia sem Máscara teve a excelente ideia de lembrar uma passagem do "1984" de George Orwell.
Que é que têm em mente os democrato-totalitários que nos governam (e os seus acólitos nos media e universidades) senão isto: «Não percebes a beleza que é destruir palavras. Sabes que Novilíngua é o único idioma do mundo cujo vocabulário se reduz de ano para ano? (...) Não vês que todo o objetivo da Novilíngua é estreitar a gama do pensamento? No fim, tornaremos a crimidéia literalmente impossível, porque não haverá palavras para expressá-la.»
Publicado por FG Santos às 04:55 PM | Comentários (1)
Somos umas bestas?
«Pelo amor de Deus, senhores! Um pequeno esforço!
Às vezes, não apetece comer, mas quem se entregar ao fastio, e não comer nada, acontece-lhe como ao burro do inglês... e morre.
Às vezes é preciso fazer ginástica ou qualquer exercício para não emperrar, para desenvolver a resistência, para defender de amolecimentos e franzinices e banhas...
Pelo amor de Deus, senhores! Não deixem o cérebro ficar lisinho como triste massa espalmada! Não deixem ficar a cabeça oca!
Pelo amor de Deus! Lembrem-se de que o Criador lhes doou uma inteligência para pensar, reflectir, assimilar e enriquecer!
Fora com a preguiça mental! Fora com a pressa! Demorem um bocadinho: e apliquem-se! Leiam aquelas coisas que talvez lhe custem, mas são boas e necessárias! Cultivem-se, doutrinem-se, aprendam as razões da vossa fé para não acontecer que um dia acabem outros por atraídos e levá-la ao engano, pois ela se invertebrou em simples boa-fé...
«Nem só de pão vive o homem», senhores! O homem não vive só para as questões do dia-a-dia, para os problemas concretos, para as coisas da vidinha.
Só lhes interessa o caso imediato? A História pessoal? O escândalo guloso? O que lhes toca mesmo pela porta? A pílula fácil de engolir? O bom-bom que se derrete sem mastigar?
Oh! Oh! Meus senhores, que vergonha! Querer, apenas, assuntos de encher o olho, mas que se lêem com o rabo do olho, ao subir para o eléctrico ou ao dobrar a esquina! Qualquer dia acabam a ler só histórias aos quadradinhos ou anedotas!
Correis ao chamativo! Como o touro, vejam lá, que marra no vermelho, cor muito viva! Com esse apetite de deslizar sem incómodo, com essa procura de fácil vida, ficais tão parecidos com as mulheres de vida fácil...
Respeitem-se mais um bocadinho! Os senhores valem bem um esforço de concentração e aplicação. Leiam também o difícil, leiam um ou outro artigo longo, leiam a doutrina. Iremos perder o gosto da leitura? Acabaremos por reduzir-nos a público de cartazes ou de bombas jornalísticas?
Demorem-se na doutrina! Leiam, releiam, estudem, comentem-na e discutem-na com os amigos! Ainda lhes tomam o gosto, verão! É como a cerveja: começa por ser amarga, mas depois...
As direitas não são estúpidas, não podem ser estúpidas! Ser umas bestas ou bestificar-nos contradiz a dignidade humana para que fomos feitos.
Pelo amor de Deus, senhores! Ao menos, uma hora por semana, exercitem a inteligência! Combinado?»
Goulart Nogueira, in Agora – n.º 340, pág. 12, 20.01.1968.
Publicado por FG Santos às 03:33 PM
maio 12, 2005
Imprensa livre na Argélia
A repressão que o presidente Abdelaziz Bouteflika tem imposto à imprensa argelina desde que foi reeleito tem um excelente exemplo naquilo que sucedeu ao site do jornal "Le Matin", conhecido pela sua independência face ao poder.
Para quem não sabe, o director do jornal foi condenado a dois anos de prisão.
Publicado por FG Santos às 04:11 PM | Comentários (1)
Proibição de ler a Bíblia!
Esta não se passou na Arábia Saudita mas sim... nos EUA: após queixa do pai de um aluno, um estudante de uma escola do estado de Tennessee foi proibido de ler a Bíblia no recreio, no intervalo das aulas.
Já nem há palavras para descrever a barbaridade em que se tornaram as nossas sociedades ocidentais, em que a única norma é o desprezo pela tradição e valores em que assentou a nossa civilização.
Publicado por FG Santos às 04:02 PM | Comentários (1)
Lista de participantes na reunião de Bilderberg de 2005
Consulte aqui as eminentes figuras que participaram na reunião deste ano do Grupo de Bilderberg, onde zelaram denodadamente pelo futuro da Humanidade.
O nosso país esteve representado por três ex-primeiros-ministros e um ex-ministro da presidência. Tudo bons rapazes.
Publicado por FG Santos às 03:50 PM | Comentários (1)
Acerca do Integralismo Lusitano
«Foi em 8 de Abril de 1914, com o aparecimento da revista Nação Portuguesa, que se iniciou o movimento de doutrinação política do Integralismo Lusitano.
Descrentes da República, como já também descrentes do liberalismo monárquico, um punhado de homens bons, com António Sardinha à frente, lançou um movimento de renovação doutrinária que se tornou realidade na consciência política da Grei e criou uma mística revolucionária na mocidade portuguesa de então.
O fracassado movimento monárquico de Monsanto e o aparecimento do diário A Monarquia, a 12 de Fevereiro de 1917, veio pôr o Integralismo Lusitano numa posição de comando na orientação da política monárquica assente nas bases de uma monarquia orgânica, tradicionalista e antiparlamentar estabelecidas no primeiro número da Nação Portuguesa.
Data de 6 de Janeiro de 1920 a minha adesão ao Integralismo, em carta que então dirigi a Félix Correia e foi publicada no n.º 650 de A Monarquia de 20 de Janeiro de 1920, exemplar que conservo como recordação saudosa dos meus dezoito anos cheios de esperança e de vibração patriótica.
Anda hoje propositadamente adulterado o conceito da Tradição. O progresso, diz se, sempre significou repúdio ou abandono do passado porque é avanço em direcção ao que dantes não existira. Afinal, que dever ou obrigação seria desrespeitada e infringida se uma nova geração prescindisse dos valores transmitidos para pensar, dizer e fazer qualquer coisa de radicalmente novo?
Esta nefasta teoria é que tem levado os povos às catástrofes político sociais dos nossos dias.
O que será que, para a continuidade do verdadeiramente humano, que de outra maneira se perderia, se torna indiscutivelmente necessário conservar através de todas as mudanças e de salvar do amontoamento variado das coisas e valores casualmente recebidos? Pergunta-se aqui, evidentemente, por aqueles conteúdos essenciais da tradição que, por direito inalienável, terão de ser mantidos vivos em cada momento presente para que as novas gerações venham a confirmá los com alento e ânimo sempre renovados e vigorosos. Assim, a esses conteúdos essenciais da tradição poder se á chamar, propriamente, transmissão sagrada. E, na verdade, valem ser salvos e a sua conservação é mesmo uma necessidade. E assim se demonstra como é ingente a tarefa que tal acto de transmissão pressupõe.
O mal reside no desconhecimento total desta tarefa nos tempos que decorrem.
Pretendeu-se tornar apolítica a mocidade actual e em vez de uma doutrinação conveniente preferiu se levá la a sacrificar aos novos mitos consubstanciados no quem viva? e no quem manda? dos funestos resultados político sociais que estamos observando.
O Integralismo Lusitano foi um movimento consciente de renovação política que empolgou a mocidade dos nossos tempos.
Acusado por uns de absolutismo e por outros de comunismo, aglutinou os novos e deu lhes uma consciencialização política que transmitiu calor, entusiasmo e fé a tantos que, corno Ramalho Ortigão, lhe renderam homenagem e louvores.
Decorridos tantos anos, a doutrinação integralista vive em todos os bons portugueses, novos ou velhos, que sentem a necessidade de resgate da Nação, numa coerência de atitudes e de vivência do seu pensamento.
Talvez tivesse sido precipitada, por excesso de confiança, a inactividade política do Integralismo a partir de 1933, e é possível que, dada a adulteração de muitos dos seus princípios pelo governo desta República, alguns deles tenham de ser revistos e reabilitados, mais na letra do que no espírito.
Outra não tem sido, evidentemente, a função das Semanas de Estudos Doutrinários realizadas na Coimbra Doutora, onde os problemas políticos dos nossos dias têm sido apreciados e discutidos com uma elevação e serenidade, que é justo salientar e enaltecer.
E reafirmemos, nesta hora comemorativa do cinquentenário do Integralismo, as palavras, tão actuais, de António Sardinha, publicadas em A Monarquia de 20 de Fevereiro de 1917:
«Somos tradicionalistas. Ser tradicionalista não é devolver nos ao Passado, morto, inerte nos seus moldes cristalizados. É aceitar do passado o impulso dinâmico, a sua força vivificadora. Para nós tudo o que é repousa naquilo que foi. A tradição não é assim um ponto imóvel na distância. É continuidade no desenvolvimento, é aquela ideia directriz que já Claude Bernard apontava como presidindo à vida dos seres. Não acatar as regras inalienáveis da nossa confirmação histórica o mesmo é que pretender substituir estultamente a nossa hereditariedade individual por qualquer outra que seja mais da nossa simpatia.
Os princípios que defendemos, antes de serem princípios, foram conclusões. Nós não significamos aqui mais que um voto unânime da nacionalidade pelo apelo sagrado dos seus Mortos.
A nossa política não é uma política de profissionais mas uma política de profissões. Assentamos numa concepção orgânica da sociedade, com a diferenciação e a competência por critérios reguladores. Se nos Insurgimos contra a democracia, é porque a democracia é a negação de todo o estímulo e de toda a prosperidade. Somos antiliberais. Mas somos antiliberais, porque, municipalistas em relação às administrações locais e sindicalistas em face da questão operária; é pelas liberdades, de sentido restrito e concreto, que dedicadamente nos bateremos.»
Há, portanto, que persistir, que continuar, que renovar, que manter a luta, como no início do Integralismo, pela liberdade, pelo engrandecimento e pelo resgate de Portugal, agora que a Mocidade combate e se bate para, de novo, assegurar a continuidade da Nação nas terras nossas, bem portuguesas, da nossa África.»
Manuel Alves de Oliveira
In «Gil Vicente», n.º 5/6, Maio/Junho de 1964, vol. 15, págs. 70/72.
Publicado por FG Santos às 02:49 PM | Comentários (1)
maio 11, 2005
Ter ou não ter estado em Mauthausen
O presidente da organização "Amical Mauthausen" mentiu quando sempre afirmou que tinha estado detido no campo de concentração nazi.
Enric Marco disse que sabia que mais cedo ou mais tarde a mentira seria descoberta mas que se terá valido do "estatuto" de internado para melhor divulgar o seu trabalho.
Pergunta: como é que o sr. Marco pode achar que o seu trabalho tem credibilidade? E é assim que ele pensava que honrava o sofrimento dos (verdadeiros) detidos?
A Generalitat de Catalunya está a considerar retirar a Marco a Cruz de Sant Jordi que lhe houvera sido atribuída como prémio pelo seu trabalho de divulgação.
Publicado por FG Santos às 06:07 PM | Comentários (5)
Louvado?
Diz o leitor F. Limpo que «Surpreendeu-me que nest blog não houvesse um post de saudação ao 60º aniversário da derrocada do nazi-fascismo na Europa. É certo que parte dela ficou submersa no granito stalinista totalitário mas afinal esquecer o "V" da vitória de Churchill e dos britânicos, da resistência francesa, etc, não será omitir o principal, o que merecia ser louvado?»
Como é leitor assíduo deste blogue, sabe que aqui não se loa o nazismo (e também sabe que a postura face ao regime mussoliniano não é idêntica). Mas eu é que fico surpreendido com a aparente amnésia do leitor, que se esquece implicitamente dos crimes dos vencedores, sejam os da chamada resistência (francesa, italiana, titista, etc.), sejam os cometidos pelas forças ocupantes da Alemanha. Para sua iniciação ao tema sugiro o site do historiador James Bacque; se ler as suas obras certamente nunca mais falará em "libertação" da Alemanha.
Publicado por FG Santos às 04:45 PM | Comentários (5)
maio 10, 2005
Hospitais israelitas serviram-se de idosos e doentes mentais como cobaias em experiências médicas
A notícia quase nem se topa na edição online do "Daily Telegraph" mas está lá: hospitais israelitas fizeram experiêcias médicas com pacientes idosos e deficientes mentais, dispensando autorização dos mesmos ou dos que por eles se responsabilizavam, em alguns casos aparecendo como autorização apenas a impressão digital das cobaias humanas (como sucedeu com duas pacientes de 91 e 101 anos de idade). Nem crianças escaparam, tendo a algumas sido furadas as orelhas para injecção de um medicamento não autorizado em mais nenhum lugar no mundo inteiro.
Em algumas situações quem ministrava o medicamento eram investigadores que nem sequer eram médicos - um deles empregado de uma empresa farmacêutica.
Estas experiências provocaram 37 mortes, 21 das quais não foram reportadas em tempo devido ao Ministro da Saúde.
O parágrafo do "Telegraph" em que se diz que tais experiências não têm comparação com as levadas a cabo pelo sinistro Dr. Mengele é patético, pois tenta minimizar o que é indesculpável e na verdade criminoso.
Publicado por FG Santos às 05:48 PM | Comentários (5)
Eurocratas impudentes
A comissária sueca Margot Wallstrom teve o despudor de afirmar que a não aprovação da Constituição Europeia implicará o regresso aos horrores nazis dos anos 30 e 40.
Os seus coleguinhas "komissars" emitiram, entretanto, uma declaração conjunta apelando ao "sim" como forma de prestar homenagem aos mortos na segunda guerra mundial.
A estupidez da argumentação e a desonestidade intelectual são tais que custa a crer que alguém vá na cantiga. Mas já se sabe que para a nomenclatura "brucelose" e politicamente correcta a forma de alcançar certos objectivos é apelar aos instintos pavlovianos das massas, devidamente condicionadas por décadas de terror intelectual e "engenharia de almas", para usar a expressão do Pai dos Povos.
A pouca vergonha desta gente, que ninguém conhece nem elegeu, que governa na sombra e nos quer impor os seus sinistros desígnios, só pode merecer o maior desprezo. Que o Diabo os leve.
Publicado por FG Santos às 04:26 PM | Comentários (3)
maio 09, 2005
"Tristan und Isolde"
E já que falamos de Wagner e da Antena 2, fiquem sabendo que a estação de rádio vai transmitir "Tristan und Isolde" do grande Ricardo, amanhã pelas 20.00. Trata-se da gravação de uma récita dada no passado dia 7 de Maio na Ópera da Bastilha, em Paris, sob a direcção do grande maestro Esa Pekka Salonen. Ben Heppner e Waltraud Maier interpretam Tristan e Isolde, respectivamente.
Publicado por FG Santos às 05:05 PM
"Rule Britannia", by Wagner...
Neste dia em que se comemora o V-day, soou-me estranhamente a peça "Rule Britannia", baseada no famoso tema de Thomas Arne, composta por... Richard Wagner! É verdade, de certeza que o tio Adolfo não devia gostar muito deste ópus algo esquecido do Mestre.
Tive oportunidade de escutar esta obra na mui recomendável "King FM" de Seattle. Passem por lá quando a Antena 2 estiver desinteressante, o que acontece aos dias de semana entre as 16.30 e as 20.00...
Publicado por FG Santos às 04:59 PM
Renúncias...
O primeiro-ministro turco Recep Tayyip Erdogan esteve na passada semana de passagem pelo Médio Oriente, onde ofereceu os seus préstimos para mediar o conflito israelo-palestino.

(Desenho de Kichka.)
Publicado por FG Santos às 03:32 PM
Regularização de 700.000 clandestinos em Espanha
O governo Zapatero prepara-se para regularizar a situação de 700.000 imigrantes clandestinos residentes no território espanhol. Mostrando claramente qual a "ideologia dominante" (desculpe lá, Sarto, o termo marxista!), o diário El País, próximo (eufemismo) do PSOE, escreve que se trata de «normalisar um fenómeno inevitável (sic) mas regulável (sic-bis), contribuindo para tornar legal a realidade». Comentários para quê? Os nossos governantes democráticos há muito que andam a reboque da "realidade": realidade do domínio das oligarquias, realidade do "fait accompli" social. Trata-se, assim, de legislar para acomodar a "realidade", que os ultrapassa.
Publicado por FG Santos às 03:21 PM | Comentários (4)
maio 08, 2005
O humor de Luís de Araújo
O nosso amigo BOS propôs-se discorrer em vários postais sobre o humor em Portugal, mais concretamente sobre escritores portugueses que a seu tempo fizeram gargalhar gerações de livro na mão.
Sugeri-lhe que se não esquecesse de Luís de Araújo (Portalegre, 1833 - Lisboa, 1908), humorista muito em voga no século XIX. Isto porque li há poucos meses “Contos e Histórias” (ed. Lello & Irmão) que, longe de ser uma obra-prima, descreve vários tipos lisboetas (populares e pequeno-burgueses) e saloios, com certo pitoresco. Ele são as aspirações sociais de funcionários públicos, ele são as conversetas de criadas na escada, ele são feiras na Agualva, ou passeios ao Lumiar...
Um capítulo delicioso, intitulado “Aves e Peixes” fala-nos de «certas aves e peixes que abundam nestes ares e mares de Portugal (...)». Ora vejam alguns exemplos:
«CARAPAU – Menina delgadinha – nervosa – mau génio – de sangue na guelra – que se escama facilmente, e que é capaz de tudo menos de se fazer em postas pelo namorado.»
«BALEIA – Velhota gorda com a pele lixosa, -de barbas grossas. Enorme cetáceo humano que nos seus tempos foi boa FATAÇA, e que em dias de jejum enche o buxo com vários peixes. (...)»
Outro capítulo, intitulado “Biografia do preto Germano, Arlequim das feiras” seria hoje tido por racista, quando mais não faz que gozar com um tipo do mesmo modo que fez com outros em capítulos anteriores. Fala-nos do Sr. Germano José Lopes, «esse rapaz que nas barracas de arlequins das feiras faz o papel de preto! (...) Em 1835, ano do seu nascimento, via-se Lisboa povoada de pretos e pretas, que tinham vindo do Brasil com a família real. Notem as coincidências. (...)
«Começou a representar em teatros particulares. Mas em que se estreou este demónio do Germano? Na canção do Preto ribola.
Plêto é livre,
É livre oi é!
Plêto ribola,
Plêto estar
Já cidadão
Da nova Angola.»
Esta sátira do branco que queria fazer de preto poderia muito bem hoje ser uma alegoria à imposição multicultural...
Não poderia deixar de mencionar um tipo característico da época – e de hoje, já vão ver porquê!
«Oiçam as coisas que ele fez para ser barão. O Sr. José Tinouco depois de sair conselheiro, começou a ir todas as noites a casa de um seu amigo, que era unha com carne, com vários ministros e cavalheiros influentes na situação daquele tempo. A família... (e que tolas que as filhas se fizeram!) foi logo apresentada em casa do Visconde Disto... do Marquês Daquilo, do Comendador de Tal, e do Presidente da Câmara Municipal.
«O conselheiro também se relacionou com vários deputados. Não fez escolha. Quis ser apresentado a todos quer fosse dos que falam, quer dos que estão sempre calados. Tratava toda a gente que julgava inferior a si, com maus modos e má criação; mas em sendo de deputado para cima, logo muita festa para a festa, mão por cima do ombro, muita farófia; sem se lembrar de que aos olhos dos analíticos atilados, ele só fazia papel... de parlapatão inepto.»
Não menor mérito do autor é tornar bem viva uma época já tão distante.
Publicado por FG Santos às 11:12 PM | Comentários (6)
Planeamento familiar
A certamente não casual coincidência entre o nascimento do filho de Charles Kennedy, líder "lib-dem", e o período de pré-campanha para as eleições no Reino Unido dá que pensar.
Não deixa de ser extraordinária a forma como o casal deve ter olhado para o calendário antes de decidir qual o melhor momento para... Todos sabemos o impacto positivo junto dos eleitores de aparecer um candidato babado, com um recém-nascido nos braços; então se faltarem poucas semanas para o dia da votação...
Esta história fez-me lembrar outro episódio passado numa empresa portuguesa (melhor dizendo, numa multinacional com sede em Lisboa). Uma dama bem posicionada na hierarquia gabava-se de ter perguntado ao Director-Geral qual seria, no interesse maior da empresa, o melhor momento para dar à luz. E depois "actuou" com base na opinião do chefe!
Publicado por FG Santos às 04:11 PM
maio 06, 2005
Saudades do tempo em que...
Com uma excelente capacidade de síntese, o recomendável "The Road to Euro-Serfdom" lista alguns dos princípios e políticas que norteavam a acção dos governantes de Sua Magestade e que o Labour atirou para o caixote do lixo:
«Back to when British courts were the last adjudicator of justice.
Back to when standing up for the UK was a Prime Minister’s first duty
Back to when an individual was free to decide how many hours he wished to work
Back to the days when perfectly good fish were not thrown back into the sea dead, because Brussels wanted it that way
Back to when selling goods to our neighbours wasn’t a privilege that we had to pay billions for each year.
Back to the days when a Policeman’s job was catching criminals, not diversity awareness
Back to the days when one went into hospital to be cured not infected.
Back to when a government didn’t think that 1 million lost manufacturing jobs could be replaced by 850.000 state employees.
Back to when discipline in schools was expected, and headmasters were authorised to actually run their schools.
Back to a time when the government thought that taxation was a necessary evil, and sought to reduce it at every opportunity.»
Publicado por FG Santos às 11:49 AM
Nick Griffin militante anti-racista?
Após uma campanha em que apostou em ganhar votos de minorias étnicas não muçulmanas, o líder do BNP envergou uma braçadeira anti-racista durante a contagem de votos em Keighley, West Yorkshire, onde era candidato e recolheu 9,2% dos votos.
Publicado por FG Santos às 11:06 AM | Comentários (5)
Mais quatro anos de Labour
E o Tony "B-liar" lá ganhou mais um mandato para prosseguir com a sua política de destruição da velha Inglaterra, apoiado numa inteligente política orçamental (que irá servir provavelmente para catapultar o Chancellor Gordon Brown para candidato a PM daqui a quatro anos).
Subversão do tradicional processo da nomeação dos membros da Câmara dos Lords; europeização cautelosa mas decidida; políticas e práticas politicamente correctas aplicadas a todos os níveis da Administração; passividade face aos sempre crescentes fluxos migratórios - apenas alguns exemplos da revolução blairista que promete deixar o Reino Unido descaracterizado. Se juntarmos a isto o seguidismo em relação à Administração Bush, em particular a participação sob falsos pretextos na guerra do Iraque, que provocou divergências tremendas no seio do partido, concluímos que a sua terceira vitória eleitoral resultou da fraqueza da oposição (o Conservative Party vai no n-ésimo líder nos últimos 8 anos), do sistema eleitoral britânico (maioritário) e, como vimos, da equilibrada política orçamental (apesar do aumento da despesa pública).
Será Michael Howard o líder que o CP necessita para voltar ao poder? É legítimo duvidar. Os media disseram que a sua mensagem não passou, nomeadamente o tema da imigração. O que é certo é que recuperou para o CP 33 "constituencies", das 47 perdidas pelo Labour. Uma olhadela ao mapa eleitoral mostra-nos a divisão ideológica bem determinada geograficamente, com os Conservadores dominadores no sul e este e os trabalhistas com maior força nas zonas industriais do centro oeste.
Os liberais-democratas de Charles Kennedy (que foi pai há poucas semanas - um facto acidental, certamente) beneficiaram da erosão do Labour pela polémica que envolveu a participação na guerra do Iraque, ganhando mais 11 lugares no parlamento.
Quantos aos pequenos partidos, o Scottish National Party obteve 6 mandatos, enquanto o UKIP, com 2,3% no total nacional, foi o quarto partido mais votado. Os restantes partidos ficaram abaixo de 1%.
Publicado por FG Santos às 10:33 AM | Comentários (7)
maio 05, 2005
Um dia normal em Israel, 60 anos depois do fim da II Guerra Mundial
Hoje, dia 5, milhares de judeus participaram na "Marcha dos Vivos" nos campos da morte de Auschwitz e Birkenau. Ontem, dois palestinos de 17 anos foram mortos a tiro em Ramallah, nos Territórios Ocupados: ao terem atirado pedras em direcção a soldados que se encontravam a vigiar o já tristemente célebre muro, estes responderam a tiro.
Entretanto, os protestos contra a construção do muro continuam, incluindo-se nas manifestações pacifistas judeus.

(Protestos em Bal'een, na Cisjordânia.)
Publicado por FG Santos às 05:29 PM | Comentários (3)
Mussolini e o desenvolvimento italiano
A esquerda gosta de falar nos avanços sociais como obra sua, ocultando descaradamente os progressos feitos em alguns regimes hoje votados ao opróbrio.
É o caso do rápido desenvolvimento económico e social da Itália nos primeiros dez anos do regime fascista, de que o texto abaixo dá um lamiré:
«Desde el poder Mussolini dictó leyes sociales muy importantes que aún hoy siguen vigentes como la jornada laboral de ocho horas, la pensión por ancianidad, la jubilación después de una vida de trabajo, el derecho a una justa retribución, la protección de los niños y otras leyes que nunca antes los italianos habían conocido. Por primera vez los ciudadanos se sentían protegidos por el estado y orgullosos de ser italianos. Las grandes obras públicas, la construcción de autopistas y la creación de nuevas industrias cambiaron la fisonomía de Italia en pocos años. Si en 1922 Italia era un país todavía medieval, en los años treinta proyectaba hacia el mundo la imagen de un país moderno y próspero con un sistema político que muchos países del mundo trataban de imitar. El fascismo estaba de moda y su líder era admirado en todo el mundo. Los grandes personajes de esa época eran pródigos en elogios hacia Mussolini. Churchill dijo de él que era el estadista más importante de su época, Gandhi dijo que era el nuevo Mazzini de Europa, Hitler lo admiró toda su vida y llegó a decir que Mussolini era el estadista más grande que había tenido la humanidad en los últimos mil años, Roosvelt lo citaba como modelo de conductor político y hasta el papa Pío XI llegó a decir que Mussolini era el hombre enviado por la providencia.»
O texto completo está aqui, onde se descrevem igualmente os erros do Duce, alguns de consequências trágicas, como é sabido.
Publicado por FG Santos às 03:31 PM | Comentários (1)
maio 04, 2005
Registo de impressões digitais de bebés na Malásia
A polícia da Malásia deseja que doravante se registem as impressões digitais de todos os recém-nascidos.
A contestação à proposta foi enorme, argumentando-se que se passará a tratar todas as crianças como criminosos em potência.
A Malásia é um país em que apenas metade da população é de etnia malaia, constituindo os chineses um quarto e o restante repartindo-se entre indianos e tribos locais. Os chineses são a comunidade mais dinâmica, apesar da discriminação positiva de que beneficiam os malaios.
De religião oficial muçulmana, o reino censura ferozmente os meios de comunicação social, expurgando-os de mensagens que possam ofender os preceitos do Corão.
A economia continua vibrante, exportando boa parte da produção para os países desenvolvidos, fazendo-se valer dos baixíssimos salários que aufere a maior parte dos trabalhadores.
Publicado por FG Santos às 04:10 PM
A lectio magistralis do Cardeal Ratzinger
Após ter aqui deixado um excerto da alocução que o então Cardeal Ratzinger proferiu no Senado Italiano em 13 de Maio de 2004, encontrei no site oficial do Senado o texto integral da mesma.
Outras intervenções de Ratzinger podem também ser consultadas no mesmo site.
Publicado por FG Santos às 11:19 AM
maio 03, 2005
Cada vez se vendem menos jornais nos EUA
Tem-se verificado uma queda da venda de jornais diários nos EUA, que atingiu 1,9% no semestre Outubro de 2004 - Março de 2005 (note-se que as eleições foram a 2 de Novembro!).
Este fenómeno é na verdade generalizado, não se restringindo ao mercado norte-americano. Algumas das razões serão:
- menor hábito de leitura por parte das gerações mais novas;
- preferência cada vez maior pelas notícias online;
- concentração dos "media" em grandes (e poucos) grupos, havendo uma cada vez maior uniformização na forma de noticiar e nas linhas editoriais, difundindo quase todos os órgãos a visão politicamente correcta;
- desinteresse pela política na medida em que, como nos jornais, "o centro é quem mais ordena", reduzindo-se as querelas ideológicas;
- peso crescente da televisão na ocupação dos tempos livres, diminuindo o tempo dedicado à leitura;
- desinteresse pela análise detalhada da actualidade, recorrendo os jornais à tabloidização de formas e conteúdos.
Trata-se de um fenómeno que não anuncia inversão a breve trecho, sendo um reflexo da pobreza cultural que nos circunda, pobreza essa que deve ser também assacada a jornalistas conformistas, preguiçosos (pouca investigação, pouca análise crítica, reprodução mecânica de despachos de agências noticiosas) e em muitos casos pouco letrados.
Publicado por FG Santos às 06:08 PM | Comentários (1)
Sobre a Europa
«A Europa parece ter-se esvaziado desde o seu interior, paralizada de certa forma por um problema no seu sistema circulatório, uma crise que lhe põe a vida em risco, confiada que está a transplantes que acabarão por lhe eliminar a identidade. A este esvaziamento interior corresponde o facto de que etnicamente a Europa se encaminha para o seu desaparecimento.»
Cardeal Ratzinger, Lectio Magistralis no Senado Italiano, 2004. Reproduzido no El País de 24.04.2005, pág. 7.
Publicado por FG Santos às 05:38 PM | Comentários (1)
Número 1 da revista
A revista nacional, cujo proposta de lançamento foi aqui lançada, tem já um esboço do número 1, com os seguintes artigos previstos:
Editorial: "O Nacionalismo ontem, hoje e sempre", por Manuel Azinhal.
"O que é um facho?", por Clark59.
"A perfídia castelhana ao longo dos tempos", por FG Santos.
"A arte de bem cavalgar o tigre em toda a sela", por Pedro Guedes.
"A minha única fé: a fé no Faye", por Duarte Branquinho.
"Roger Nimier, la fureur de vivre e a sinistralidade rodoviária", por BOS.
"O relativismo, a sofística e o buícismo: subsídios para o estudo da problemática", por O Corcunda.
"Motivos de esperança: Bento XVI", por J. Sarto.
"Delinquência e vandalismo na Margem Sul", por Viriato.
"Os rapazes da praia: história do Clube de Futebol "Os Belenenses"", por Luís Oliveira.
"A morte da esperança, o Ideal, o Uno a a astróloga Maya", por Legionário.
"I'm in love with Rothbard", por Nelson Buíça.
"O identitarismo na Europa: monografia sobre as danças tradicionais da Armórica", por Rebatet.
DOSSIER: A Decadência
- "1974: início da decadência", por Camisanegra.
- "1910: início da decadência", por Luís Bonifácio.
- "1820: início da decadência", por Mendo Ramires.
- "Ano 0 da era cristã: início da decadência", por Caturo.
Publicado por FG Santos às 12:23 PM | Comentários (9)
maio 02, 2005
Sobre a "España una", o iberismo, os preconceitos...
O amigo Bruno lançou novamente no seu blogue a questão da Espanha una face às autonomias, gerando-se a habitual polémica entre comentadores.
Face à extensa resposta que Rafael Castela Santos entendeu por bem presentear-me, aqui deixo o que se me oferece ainda dizer sobre tudo isto.
Admito que olho talvez em excesso para o passado quando reflicto sobre as relações peninsulares. A desconfiança de séculos não se esvai de um momento para o outro. Em termos algo cínicos de “realpolitik”, um português receoso da perda de independência pode eventualmente ver na desintegração de Espanha algo de bom para o seu país mas eu não tenho uma opinião rígida a este respeito. A propaganda autonomista e respectiva “contestación” gera um certo ruído do qual não é fácil perceber o que efectivamente desejam os galegos, os catalães, os bascos.
Acredite, caro Rafael, que a minha posição face a Espanha é, por um lado, de alguma desconfiança pelo passado e por algumas manifestações actuais de iberismo, e por outro de admiração. O tempo que já passei (voluntariamente) no país vizinho é superior ao que passei em todos os outros países estrangeiros juntos – e não tenho viajado assim tão pouco.
"Pregúnte a los catalanes de Gerona o Lérida qué piensan de Barcelona." Isto mesmo disse eu a minha mulher a semana passada quando estava na cidade condal e constatava o "centralismo noticioso" das televisões e jornais catalães. Infelizmente as lutas autonomistas ocultam outros desejos centralistas. Aqui em Portugal temos a mesmo situação quando "notáveis" do Norte falam na região; para eles Trás-os-Montes é algo de remoto e com que se não deve perder muito tempo.
Portugal e Espanha têm muito em comum, bem para além do catolicismo, mas as tentativas de aproximação de parte a parte acabam sempre por ser mal interpretadas. Não sei como sair deste dilema mas ele parece-me irresolúvel no curto prazo.
Finalmente, agradeço encarecidamente as suas palavras de reconforto, que muito me sensibilizaram e contribuíram para me animar um pouco.
O futuro do blogue estará talvez assegurado enquanto houver tanta (e tão exagerada) boa vontade por parte de quem o lê.
Publicado por FG Santos às 05:16 PM | Comentários (3)
Chorado pelo Vento
Cada vez que volto a escutar "Chorado pelo Vento, Liturgia para Viola e Orquestra", do compositor georgiano Gyia Kancheli, fico quase em estado de transe.
A obra é de uma beleza esmagadora, a tristeza - profunda - perpassa em cada nota, a angústia é tremenda, a resignação (salvadora?) é deixada pelas últimas notas... Pouco antes, curtas notas na celesta assemelham-se ao som de lágrimas a cair em cristal...
O magnífico violetista Yuri Bashmet, a quem a obra é dedicada, interpreta-a como ninguém, tendo eu tido a felicidade de o ter escutado a interpretar esta obra na Gulbenkian em 1996 e ficado com um autógrafo no programa do concerto.

(O violetista russo Yuri Bashmet.)
Se tiverem oportunidade, comprem o disco, fechem-se na sala às escuras e deixem-se levar pela música. Musica aeterna.
Publicado por FG Santos às 03:15 PM