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abril 29, 2005
Impressões de Barcelona (conclusão)
PARK GÜELL – encomenda de Güell, este parque concebido por Gaudí está pejado de turistas sedentos de fulanar pelos seus caminhos envolventes, por entre a vegetação variada, num ambiente propenso ao sonho e à meditação mas submerso pelo rumor dos de câmara em riste. Aqui e ali alguns velhotes deambulam, certamente sorte de quem reside por perto. Já lá fora uma espanhola de ar modesto interpela-nos, pergunta se somos portugueses, ela que é casada com um flaviense…
SAGRADA FAMÍLIA – após a casa Battló, no Passeig de Gràcia, e o Park Güell, continuou-se a apreciar Gaudí, visitando a catedral da Sagrada Família. Verdadeiro work in progress, o monumento é imponente visto de fora, com os seus relevos evocativos e os seus altos pináculos. Por dentro, para quem não vai prevenido (e paga-se 8 euros para lá penetrar), espera-nos uma desilusão: deparamos com um enorme estaleiro em que para além do ruído, do pó e dos sempre omnipresentes turistas, pouco mais se lobriga que altas colunas, pouco trabalhadas, algo desengraçadas. É do lado de fora que o monumento verdadeiramente surpreende, cativa, deixa-nos perplexos.
DE VOLTA AO CENTRO – para deixar apenas o registo de um magnífico restaurante, o “Canela Restaurant” (1), que destaca a sua “Cuina Mediterrànea Creativa”. O requinte do ambiente e da cozinha é espectacular e mais surpreendentes ainda são os preços: pratos a 7/8 euros, saborosíssimos e quantidade q.b. Se passarem pela cidade condal, fixem este local, adequado para uma refeição agradável, num ambiente recatado e distinto. Lá vos espera uma empregada de mesa brasileira…
Entre o centro e Guëll não pode deixar de merecer menção a extraordinária Casa de Les Punxes (Avinguda Diagonal, 416 – 420), obra de Puig e Cadafalch, infelizmente propriedade particular e como tal não passível de visita.

(Casa de Les Punxes.)
SUL DA CIDADE – passagem pela Catedral, infelizmente em obras. Visita ao Aquarium, o Oceanário lá do sítio: muito bem concebido, com um largo leque de habitantes do mar, é um espaço aprazível e didáctico para todas as idades.
Aproveitei para ir a Barceloneta, o típico bairro de pescadores (2) bordejado a oeste pelo Passeig de Joan de Borbó e a sul… pelo Mediterrâneo! Ruas estreitas, de onde de repente estão ausentes os turistas, cheiro a comida, a roupa húmida estendida e, para tirar a tipicidade, “sanfonas” em cada bar de esquina com as músicas da moda. Os prédios têm regra geral cinco andares, alguns deles estão ligados entre si à altura do terceiro. O mercado é um edifício horroroso, moderno e sem graça. De repente… estamos na praia, com o Mare Nostrum defronte. Turistas e residentes aproveitam o sol primaveril (que por estas bandas já significa um calorzito muito razoável), espraiando-se na areia. Na água, apenas um valentão. A luz é soberba.
CONCLUSÃO – em poucos dias deu para me embrenhar em alguns pontos característicos da cidade, sorver um pouco a sua vida, o seu ritmo, os seus habitantes, as suas paisagens, as suas construções. Soube a pouco.
(1) Carrer Aribau, 16 (muito pertinho da Plaça de Catalunya).
(2) Criado no século XVIII para albergar os “deslocados” pela construção da fortaleza da Ciutadella.
Publicado por FG Santos às abril 29, 2005 01:02 PM
Comentários
Quer a fortuna, meu caro, que o primeiro comentador deste seu postal sobre Barcelona seja um «madrileño». Eu mesmo, BOS nas andanças da blogosfera. E quer-me parecer que o Pedro Guedes, se por aí aterrar, não andará muito longe do que venho dizer-lhe.
Escreve o FG Santos, a linhas tantas, que a Sagrada Família é imponente vista de fora, mas «Por dentro, para quem não vai prevenido (e paga-se 8 euros para lá penetrar), espera-nos uma desilusão». No lapso de um parágrafo, o viandante dá-nos uma imagem fiel da Catalunha, a imagem que eu próprio conservo de visitas várias: — por fora, aquilo é tudo muito bonito...! Por dentro é que é o diabo!... Os monumentos e as casas, os bares e as pessoas... Não, definitivamente sou «madrileño». E «malagueño». E galego. Mas não consigo filiar-me catalão.
Publicado por: BOS em abril 29, 2005 02:48 PM