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abril 28, 2005
Impressões de Barcelona (II)
Os passeios das artérias mais movimentadas acabam por ser um “cross section” da população barcelonesa, com as suas belas mulheres, os seus velhotes que não andam com os olhos no chão, os seus imigrantes, os seus punks, góticos e quejandos, os seus estudantes. Por falar em quejandos, assisti a dois polícias a interpelarem três mânfios de ar duvidoso e a revistá-los. Fascismo, diria o Dr. Louçã.
Mesmo no centro há ruas estreitas bastante feias, escuras e nauseabundas. As caretas de alguns turistas que inadvertidamente lá passaram não mentiam!
Numa cidade com vastas áreas planas não é de estranhar a quantidade de sapatarias que existem – nem, de resto, as vespas e algumas bicicletas que nela circulam.
Há muitas livrarias (desgraçadamente não consegui ir à Libreria Europa, como me aconselhara o caro Nonas) e a leitura parece ser um hábito enraízado na população, a fazer fé na frequência daquelas. As edições em destaque, para lá dos romances, ainda incidem bastante na guerra civil e suas consequências, com maior destaque para o lado vencido: torturas franquistas, perseguições aos rojos, biografias de Azaña, Federica Montseny… Apesar disso, um livro com bastante saída “hoy día” é “Paracuellos-Katyn”, uma análise dos genocídios de esquerda. (Ver a este respeito o texto do amigo Pedro.)
TIBIDABO – situada a norte da cidade, a Avinguda (avenida) Tibidabo é um ponto de passagem obrigatório para quem quer ascender ao monte com o mesmo nome. Para quem não leva carro é necessário tomar três transportes: metro, depois eléctrico e finalmente o funicular que conduz ao monte. Foi delicioso ver que o velho eléctrico tem, como nos velhos eléctricos de Lisboa, a menção “proibido cuspir”. O percurso de eléctrico é muito interessante: percorrem-se ruas de vivendas sem fim, outrora certamente residência de burgueses, hoje na sua maioria com outros fins: escolas, Universidad Oberta de Catalunya, empresas de referência como a Publicis.
No topo está instalada a delícia da criançada que vive ou demanda Barcelona: o parque de diversões! Por 22€ cada, adultos e crianças podem passar umas horas bem dispostos, com atracções mais ou menos radicais, como hoje se diz: barcos viking, barco de piratas, castelo misterioso, roda gigante, montanha russa… Junto ao parque existe uma monumental igreja em estilo gótico. Infelizmente no dia em que fui a Tibidabo estava alguma nebulosidade e não soubesse que ao fundo era o mar nem me apercebia quão perto dele estava.
Regresso ao centro, funicular, eléctrico, metro. Já que falamos no metro, a rede cobre toda a cidade e chega aos arredores. As estações em que passei são feias, pouco limpas e as composições algo antiquadas. Um barcelonês que ande de metro em Lisboa (ou S. Petersburgo) pensará que está num museu!
(continua)
Publicado por FG Santos às abril 28, 2005 06:00 PM