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abril 28, 2005

Impressões de Barcelona (I)

Não deve haver pior dia para aterrar em Barcelona que o 23 de Abril, dia de S. Jordi (S. Jorge). Esta data é comemorada na cidade condal com um passeio pelas principais artérias do centro (Ramblas e Passeig de Gràcia), oferecendo os cavalheiros uma rosa às damas, retribuíndo estas com um livro.
Escusado dizer que as ruas estão literalmente alagadas de gente, sendo a circulação mais lenta que uma procissão de caracóis.
As bancas de venda de rosas e livros abundam, sendo para mim incompreensível como é que alguém consegue folhear um livro ou mesmo ver o que está exposto, de tal maneira a rua parece uma carruagem de metro apinhada. O “Quixote”, em ano de centenário, tem enorme saída. A jornada começou pela manhã, com diversos escritores, incluindo o nosso Nobel e ex-saneador-mor do DN pós-abrilino, a ler excertos da obra.
As bancas de livros encontram-se amiúde cobertas pelo estandarte catalão, que o orgulho nacionalista (pode-se usar esta palavra com propriedade) é elevado por estas bandas. A este ambiente de fervor catalão não faltou o discurso de Maragall, o presidente da Generalitat e sucessor de Jordi Pujol. Com o discurso habitualmente ambíguo destas ocasiões, proclama-se que «a Catalunha é uma nação: uma nação de Espanha, uma nação da Europa»…
Nas escolas ensina-se a língua catalã desde os primeiros anos, a edição nessa língua é muito dinâmica, nas televisões locais também é a língua “oficial”. A dinâmica económica da Catalunha continua elevada, atraindo imigrantes em barda. Fiquei impressionado com a quantidade de ameríndios, todos com ar humilde, que por lá pululam; vêem-se mais que árabes ou negros. Depois haverá muitos imigrantes sul-americanos que passam despercebidos, primos afastados dos espanhóis que ficaram na Europa.
Turistas, escusado dizê-lo, são aos montes: alemães, ingleses, japoneses, americanos, franceses, italianos, portugueses…
A cidade, após o crescimento desmesurado iniciado em meados do séc. XIX, depois de mais de 100 anos de interdição de construção a mais de 2 quilómetros de distância do forte de Montjuïc (distância alcançada pelos tiros de canhão!) (1), dotou-se de vias largas e rectilíneas, concebidas por Cerdà, que ainda hoje são os principais eixos de circulação. O trânsito é muito, por vezes caótico, frequentemente as faixas de “bus” estão bloqueadas por carros estacionados em 2ª fila, frustrando quem opta por viajar de táxi, pois acaba por se emaranhar no tráfego.
(continua)

(1) Devido ao apoio catalão ao candidato ao trono da Casa de Áustria em detrimento do futuro rei (bourbon) Philippe d’Anjou.

Publicado por FG Santos às abril 28, 2005 02:59 PM

Comentários

Como este postal me faz lembrar a minha rápida incursão à capital da Catalunha, há cerca de um mês.
A Rambla, as vias rectilíneas, o sentimento nacionalista dos catalães... Até tenho saudades de Barcelona...

Também escrevi um pouco: http://portabandeira.blogspot.com/2005/04/barcelona-mais-do-que-camp-nou.html

Publicado por: Viriato em abril 28, 2005 05:02 PM