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abril 30, 2005

Petzi

Na vossa infância leram as histórias do urso Petzi? Aquele que passeava pelo mundo fora no barco Mary, com os seus amigos Pingo, Riki e Almirante?
A Verbo editou pelo menos 32 volumes destas magníficas histórias de origem alemã. Pelo menos um desses volumes, «Petzi descobre um tesouro» (editado em 1976), tem tradução de António Manuel Couto Viana...

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Publicado por FG Santos às 04:31 PM | Comentários (2)

Crime de ódio

Um soldado do exército dos EUA acaba de ser condenado à morte pelo assassinato de outros soldados. Hasan Akbar, de confissão muçulmana, estaria preocupado com a morte iminente de outros muçulmanos em consequência da invasão do Iraque, que estava em preparação.
«Não descansarei enquanto a América não for destruída», escrevia ele no seu diário já em 1997.
Dramas das sociedades multi-confessionais.

Publicado por FG Santos às 04:23 PM | Comentários (1)

História do PSOE na TVE...

A TVE começa hoje a transmitir um documentário que retrata a história do PSOE. É preciso ser um espírito muito malévolo para ver qualquer coincidência entre esta situação e o facto de o dito partido estar neste momento no poder em Madrid. Mais a mais, o barão Alfonso Guerra descansa-nos ao declarar que o documentário é neutro. Uff!

Publicado por FG Santos às 03:38 PM

abril 29, 2005

Primeiras páginas da "Time"

Eis algumas curiosas primeiras páginas da "Time".

- 4 de Janeiro de 1932 (Pierre Laval - pelo segundo ano consecutivo "Man of the Year")
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- 20 de Julho de 1936 (Benito Mussolini)
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- 27 de Março de 1939 (Francisco Franco)
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- 22 de Julho de 1946 (Oliveira Salazar)
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Façam a vossa própria pesquisa aqui.

Publicado por FG Santos às 05:43 PM | Comentários (2)

Um ano de "Pena e Espada"

Cumpriu ontem um ano de existência o blogue "Pena e Espada", arauto intransigente da defesa da civilização ocidental.
Com a sua cultura, a sua inteligência e argúcia, o Duarte oferece-nos um espaço de reflexão inconformista de visita obrigatória.
Como escrevi neste espaço em 30 de Dezembro último, «PENA E ESPADA traz-nos o combate pelo ideal europeu (um pouco demais para o meu gosto de euro-céptico militante), num estilo marcadamente influenciado pela Nouvelle Droite. (...) É um valor seguro.»
Parabéns ao Duarte e a todos os que não dispensam a sua leitura.

Publicado por FG Santos às 04:18 PM

Impressões de Barcelona (conclusão)

PARK GÜELL – encomenda de Güell, este parque concebido por Gaudí está pejado de turistas sedentos de fulanar pelos seus caminhos envolventes, por entre a vegetação variada, num ambiente propenso ao sonho e à meditação mas submerso pelo rumor dos de câmara em riste. Aqui e ali alguns velhotes deambulam, certamente sorte de quem reside por perto. Já lá fora uma espanhola de ar modesto interpela-nos, pergunta se somos portugueses, ela que é casada com um flaviense…

SAGRADA FAMÍLIA – após a casa Battló, no Passeig de Gràcia, e o Park Güell, continuou-se a apreciar Gaudí, visitando a catedral da Sagrada Família. Verdadeiro work in progress, o monumento é imponente visto de fora, com os seus relevos evocativos e os seus altos pináculos. Por dentro, para quem não vai prevenido (e paga-se 8 euros para lá penetrar), espera-nos uma desilusão: deparamos com um enorme estaleiro em que para além do ruído, do pó e dos sempre omnipresentes turistas, pouco mais se lobriga que altas colunas, pouco trabalhadas, algo desengraçadas. É do lado de fora que o monumento verdadeiramente surpreende, cativa, deixa-nos perplexos.

DE VOLTA AO CENTRO – para deixar apenas o registo de um magnífico restaurante, o “Canela Restaurant” (1), que destaca a sua “Cuina Mediterrànea Creativa”. O requinte do ambiente e da cozinha é espectacular e mais surpreendentes ainda são os preços: pratos a 7/8 euros, saborosíssimos e quantidade q.b. Se passarem pela cidade condal, fixem este local, adequado para uma refeição agradável, num ambiente recatado e distinto. Lá vos espera uma empregada de mesa brasileira…
Entre o centro e Guëll não pode deixar de merecer menção a extraordinária Casa de Les Punxes (Avinguda Diagonal, 416 – 420), obra de Puig e Cadafalch, infelizmente propriedade particular e como tal não passível de visita.

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(Casa de Les Punxes.)

SUL DA CIDADE – passagem pela Catedral, infelizmente em obras. Visita ao Aquarium, o Oceanário lá do sítio: muito bem concebido, com um largo leque de habitantes do mar, é um espaço aprazível e didáctico para todas as idades.
Aproveitei para ir a Barceloneta, o típico bairro de pescadores (2) bordejado a oeste pelo Passeig de Joan de Borbó e a sul… pelo Mediterrâneo! Ruas estreitas, de onde de repente estão ausentes os turistas, cheiro a comida, a roupa húmida estendida e, para tirar a tipicidade, “sanfonas” em cada bar de esquina com as músicas da moda. Os prédios têm regra geral cinco andares, alguns deles estão ligados entre si à altura do terceiro. O mercado é um edifício horroroso, moderno e sem graça. De repente… estamos na praia, com o Mare Nostrum defronte. Turistas e residentes aproveitam o sol primaveril (que por estas bandas já significa um calorzito muito razoável), espraiando-se na areia. Na água, apenas um valentão. A luz é soberba.

CONCLUSÃO – em poucos dias deu para me embrenhar em alguns pontos característicos da cidade, sorver um pouco a sua vida, o seu ritmo, os seus habitantes, as suas paisagens, as suas construções. Soube a pouco.

(1) Carrer Aribau, 16 (muito pertinho da Plaça de Catalunya).
(2) Criado no século XVIII para albergar os “deslocados” pela construção da fortaleza da Ciutadella.

Publicado por FG Santos às 01:02 PM | Comentários (1)

Genocídio arménio

Comemorou-se no passado dia 24 o 90º aniversário do início do genocídio arménio, perpretado pelo Império Otomano. Cerca de um milhão e meio de arménios morreram em consequência da deportação forçada através do deserto sírio. Mulheres, crianças e velhos não foram poupados à barbárie turca.

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Para além das atrozes condições climatéricas que tiveram que suportar, os deportados sofriam os maus tratos dos soldados (incluindo violações), tendo ainda à sua espera em determinados locais árabes e curdos, devidamente avisados pelas autoridades turcas, prontos para satisfazerem os seus instintos mais primários e bárbaros

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(Dois sobreviventes: mãe e filho.)

Sugiro dois sites que evocam a tragédia.

Publicado por FG Santos às 11:45 AM | Comentários (4)

abril 28, 2005

Impressões de Barcelona (II)

Os passeios das artérias mais movimentadas acabam por ser um “cross section” da população barcelonesa, com as suas belas mulheres, os seus velhotes que não andam com os olhos no chão, os seus imigrantes, os seus punks, góticos e quejandos, os seus estudantes. Por falar em quejandos, assisti a dois polícias a interpelarem três mânfios de ar duvidoso e a revistá-los. Fascismo, diria o Dr. Louçã.
Mesmo no centro há ruas estreitas bastante feias, escuras e nauseabundas. As caretas de alguns turistas que inadvertidamente lá passaram não mentiam!
Numa cidade com vastas áreas planas não é de estranhar a quantidade de sapatarias que existem – nem, de resto, as vespas e algumas bicicletas que nela circulam.
Há muitas livrarias (desgraçadamente não consegui ir à Libreria Europa, como me aconselhara o caro Nonas) e a leitura parece ser um hábito enraízado na população, a fazer fé na frequência daquelas. As edições em destaque, para lá dos romances, ainda incidem bastante na guerra civil e suas consequências, com maior destaque para o lado vencido: torturas franquistas, perseguições aos rojos, biografias de Azaña, Federica Montseny… Apesar disso, um livro com bastante saída “hoy día” é “Paracuellos-Katyn”, uma análise dos genocídios de esquerda. (Ver a este respeito o texto do amigo Pedro.)

TIBIDABO – situada a norte da cidade, a Avinguda (avenida) Tibidabo é um ponto de passagem obrigatório para quem quer ascender ao monte com o mesmo nome. Para quem não leva carro é necessário tomar três transportes: metro, depois eléctrico e finalmente o funicular que conduz ao monte. Foi delicioso ver que o velho eléctrico tem, como nos velhos eléctricos de Lisboa, a menção “proibido cuspir”. O percurso de eléctrico é muito interessante: percorrem-se ruas de vivendas sem fim, outrora certamente residência de burgueses, hoje na sua maioria com outros fins: escolas, Universidad Oberta de Catalunya, empresas de referência como a Publicis.
No topo está instalada a delícia da criançada que vive ou demanda Barcelona: o parque de diversões! Por 22€ cada, adultos e crianças podem passar umas horas bem dispostos, com atracções mais ou menos radicais, como hoje se diz: barcos viking, barco de piratas, castelo misterioso, roda gigante, montanha russa… Junto ao parque existe uma monumental igreja em estilo gótico. Infelizmente no dia em que fui a Tibidabo estava alguma nebulosidade e não soubesse que ao fundo era o mar nem me apercebia quão perto dele estava.
Regresso ao centro, funicular, eléctrico, metro. Já que falamos no metro, a rede cobre toda a cidade e chega aos arredores. As estações em que passei são feias, pouco limpas e as composições algo antiquadas. Um barcelonês que ande de metro em Lisboa (ou S. Petersburgo) pensará que está num museu!

(continua)

Publicado por FG Santos às 06:00 PM

Alguém disse...

«Reflectir na dúvida, realizar com fé.»

Publicado por FG Santos às 04:29 PM | Comentários (2)

Impressões de Barcelona (I)

Não deve haver pior dia para aterrar em Barcelona que o 23 de Abril, dia de S. Jordi (S. Jorge). Esta data é comemorada na cidade condal com um passeio pelas principais artérias do centro (Ramblas e Passeig de Gràcia), oferecendo os cavalheiros uma rosa às damas, retribuíndo estas com um livro.
Escusado dizer que as ruas estão literalmente alagadas de gente, sendo a circulação mais lenta que uma procissão de caracóis.
As bancas de venda de rosas e livros abundam, sendo para mim incompreensível como é que alguém consegue folhear um livro ou mesmo ver o que está exposto, de tal maneira a rua parece uma carruagem de metro apinhada. O “Quixote”, em ano de centenário, tem enorme saída. A jornada começou pela manhã, com diversos escritores, incluindo o nosso Nobel e ex-saneador-mor do DN pós-abrilino, a ler excertos da obra.
As bancas de livros encontram-se amiúde cobertas pelo estandarte catalão, que o orgulho nacionalista (pode-se usar esta palavra com propriedade) é elevado por estas bandas. A este ambiente de fervor catalão não faltou o discurso de Maragall, o presidente da Generalitat e sucessor de Jordi Pujol. Com o discurso habitualmente ambíguo destas ocasiões, proclama-se que «a Catalunha é uma nação: uma nação de Espanha, uma nação da Europa»…
Nas escolas ensina-se a língua catalã desde os primeiros anos, a edição nessa língua é muito dinâmica, nas televisões locais também é a língua “oficial”. A dinâmica económica da Catalunha continua elevada, atraindo imigrantes em barda. Fiquei impressionado com a quantidade de ameríndios, todos com ar humilde, que por lá pululam; vêem-se mais que árabes ou negros. Depois haverá muitos imigrantes sul-americanos que passam despercebidos, primos afastados dos espanhóis que ficaram na Europa.
Turistas, escusado dizê-lo, são aos montes: alemães, ingleses, japoneses, americanos, franceses, italianos, portugueses…
A cidade, após o crescimento desmesurado iniciado em meados do séc. XIX, depois de mais de 100 anos de interdição de construção a mais de 2 quilómetros de distância do forte de Montjuïc (distância alcançada pelos tiros de canhão!) (1), dotou-se de vias largas e rectilíneas, concebidas por Cerdà, que ainda hoje são os principais eixos de circulação. O trânsito é muito, por vezes caótico, frequentemente as faixas de “bus” estão bloqueadas por carros estacionados em 2ª fila, frustrando quem opta por viajar de táxi, pois acaba por se emaranhar no tráfego.
(continua)

(1) Devido ao apoio catalão ao candidato ao trono da Casa de Áustria em detrimento do futuro rei (bourbon) Philippe d’Anjou.

Publicado por FG Santos às 02:59 PM | Comentários (1)

abril 27, 2005

Inquérito literário

O caríssimo Pedro Guedes lançou-me o repto de responder ao inquérito literário que lhe enviaram, ainda por cima por motivo de ter elevado grau de exigência. Perante isto, e porque não se faz uma desfeita a um amigo, aqui vão as minhas respostas ao dito inquérito.

1 - Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Deixo a resposta aos amantes de autos-da-fé, especialmente os encapotados, que tentam reescrever a história e desvirtuar o sentido estético ocidental.

2- Já alguma vez ficaste apanhado por um personagem de ficção?
Apanhado, creio que não. Há é claro certos personagens que nos marcam, como o Emílio de "Emílio e os Detectives", que foi em tempos leitura muito grata para os jovens; há também personagens que, mesmo que não nos identifiquemos a 100% com elas não deixam de impressionar, como o Bardamu da "Voyage" de Céline ou o Raskolnikov do "Crime e Castigo" de Dostoievksky.

3 - Qual foi o último livro que compraste?
Ontem mesmo, "Lawrence y los árabes" de Robert Graves. Ainda não tive obviamente tempo de analisar a obra. O tema é de fascínio permanente: creio que se poderá ter uma ideia do maquiavelismo da "gestão da insatisfação" árabe por parte dos ingleses, ao mesmo tempo que se perceberão as raízes da eterna divisão entre aqueles, impedindo a criação da chamada nação árabe.

4 - Qual o último que leste?
Andei a saltitar entre dois, que conclúí praticamente na mesma altura:
- «Teatro Inédito, vol. 1» de Júlio Dinis: compõe-se de três peças escritas pelo autor quando tinha entre 17 e 18 anos. São comédias bastante divertidas, jogando com as convenções sociais, encenando equívocos divertidos pela confusão de identidades. A escrita é já escorreita embora se trate de obras de menor importância.
- «Le Tre Italie del 1943» de Gianni Oliva. Segundo o autor, havia a Itália dos vencedores, a Itália dos vencidos e a Itália de todos os outros, aqueles que se não comprometeram nem com a resistência nem com Salò. Analisa-se em 100 páginas a mentalidade vigente nos três campos, os imperativos morais de cada atitude. Um ensaio muito interessante.

5 - Que livros estás a ler?
«Dom João na Sicília» de Vitaliano Brancati. Escrito em 1941, a acção passa-se na Sicília, mais concretamente em Catânia. Narra os problemas de um indivíduo em lidar com mulheres: da contemplação embevecida à declaração ia um passo demasiado gigantesco para o nosso herói. Ainda não tenho uma ideia completa sobre as intenções do autor mas a narrativa é excelente, com algumas imagens literárias muito conseguidas e com um humor muito subtil e original. Foi editado pelas Edições Asa na colecção Letras do Mundo.

6 - Que 5 livros levarias para uma ilha deserta?
A resposta a esta questão deveria ser espontânea, ou seja, dada mentalmente em menos de um minuto. Mas já ando a pensar nela há uns dias... «Voyage au bout de la nuit», a obra prima de Céline (mas também podia escolher do mesmo autor o soberbo «D'un Château l'autre»); «Frei Luís de Sousa» de Almeida Garrett; «O Balio de Leça» de Arnaldo Gama, um escritor injustamente esquecido; o livro é de um dramatismo impressionante, uma obra verdadeiramente inspirada que devia orgulhar todos os portugueses; «Odisseia» de Homero e a «Eneida» de Virgílio. Mas não posso deixar sem referência outras obras marcantes, como: «Antígona» de Sófocles, «Medeia» de Eurípides, «Vidas Paralelas» de Plutarco, «Os Lusíadas» de Luís de Camões, «Amor de Perdição» de Camilo, «A Tragédia da Rua das Flores» de Eça, «O Velho e o Mar» de Hemmingway, «A Pérola» de John Steinbeck, «O Processo» de Kafka, «A Pele» de Curzio Malaparte; no campo da história e do ensaio «Mes Combats pour Pierre Laval» de René de Chambrun (descrição da luta de décadas pela verdade e pela reabilitação aos olhos dos franceses de um verdadeiro patriota), «Juízo Final» de Franco Nogueira (condições objectivas para a independência nacional, alerta para os perigos novos e velhos que a Nação enfrenta, um testamento comovente e inspirador) e, embora não seja uma obra fora de série, «Le Pacte Germano-Sioniste (1933)» de Jean-Claude Valla, como exemplo de como a História é manipulada e se ocultam factos essenciais para a compreensão da mesma (o autor recorre quase exclusivamente a fontes israelitas).

7 - A que 3 pessoas vais passar este testemunho?
A três blogueiros muito diferentes uns dos outros e todos estimáveis: Rebatet, Buíça e Luís Bonifácio.

Publicado por FG Santos às 01:02 PM

De volta

De regresso de uma viagem a Espanha, quero desde já agradecer as diversas manifestações de apoio à continuação deste blogue. Apesar de passar um período difícil na minha vida, vou tentar manter o ânimo para dar seguimento a esta empresa, quanto mais não seja por ter leitores tão merecedores.

Publicado por FG Santos às 12:58 PM | Comentários (1)

abril 21, 2005

Ausência

Por motivo de deslocação ao estrangeiro e também porque necessito de reflectir sobre o futuro do blogue, informo os meus estimados leitores que não haverá actualizações por aqui no mínimo até terça-feira dia 26.
Depois vos darei parte do resultado das minhas reflexões sobre os prós e os contras de manter o "Santos da Casa" activo. Receio de me repetir, falta de tempo para artigos de fôlego, cansaço em geral e cansaço de polémicas estéreis e por vezes mesquinhas que abundam pela blogosfera - sobre tudo isto vou matutar.

Publicado por FG Santos às 04:27 PM | Comentários (18)

abril 20, 2005

Desta vez pouparam trabalho ao Zapatero

A estátua de Millan-Astray (fundador em 1920 da Legião, no Marrocos espanhol) em Saragoça foi decapitada por um grupo auto-proclamado "Los Neo-Maquis".
José Millan-Astray (1879-1954) pertenceu ao departamento de propaganda dos nacionalistas em Salamanca, durante a guerra civil. Foi também o director do Corpo de Mutilados. Ironicamente, a sua estátua acabou também mutilada, por iniciativa de quem «pretende eliminar quaisquer vestígios fascistas das nossas aldeias e cidades».

Publicado por FG Santos às 11:53 AM | Comentários (12)

640 anos de pena para carrasco argentino

Graças ao leitor F. Limpo, fiquei a saber que Adolfo Scilingo, militar argentino que participou activamente na brutal repressão sobre os oposicionistas argentinos (torturas várias e as sinistras viagens de avião sobre o mar), foi condenado por um tribunal madrileno a 640 anos de prisão.
É a primeira vez que um militar argentino presente a tribunal é condenado no estrangeiro.
Não serei eu a lamentar a sorte deste verdugo. A junta militar argentina, a pretexto de combater o comunismo, praticou as mais atrozes barbaridades contra oposicionistas, deixando um país traumatizado por gerações.

Publicado por FG Santos às 11:05 AM | Comentários (4)

abril 19, 2005

Ratzinger

A esquerda espuma de raiva: Joseph Ratzinger é o novo Papa. Após a reeleição de George W. Bush em Novembro último, este é o segundo grande revés em pouco tempo para os "seattlistas", "portoalegrenses", bloquistas e quejandos, sem esquecer a esquerda dita democrática, que não perderá tempo a criticar o conservadorismo de Ratzinger.
Curiosos sinais dos tempos, no meio de uma suposta vaga progressista imparável.

Publicado por FG Santos às 06:18 PM | Comentários (9)

Teste de geografia europeia

Ora vamos lá pôr à prova esses conhecimentos de geografia europeia.
Os meus resultados foram:
Score: 38/44
Average error: 40 miles
Pct. correct: 86%
Time total: 427 Secs.

Publicado por FG Santos às 05:11 PM | Comentários (3)

O Japão quer rever a sua constituição pacifista

Numa altura em que a tensão entre o Japão e a China, já aqui evocada, atinge um ponto raramente visto nas últimas décadas, uma comissão parlamentar nipónica preparou um documento propondo uma revisão da Constituição de 1947, que interdita ao Japão a resolução de diferendos internacionais por via militar. Pretende-se igualmente que seja possível a uma mulher ascender ao trono imperial.
Compreende-se que haja inquietude entre os japoneses pelo peso cada vez maior da China a nível regional, acompanhado por um dispositivo militar que, não sendo tão sofisticado como o da república rebelde de Taiwan, é já de respeito e com um efectivo gigantesco.
A Constituição de 1947, imposta pelo ocupante americano, foi uma humilhação para os japoneses. Se estes actualmente não pensam em abandonar a aliança com os EUA, não deixam de pretender ter uma palavra a dizer em caso de conflito regional (que poderia começar na península coreana).
Com o semi-sucesso que se conhece, os EUA conseguiram pôr a Índia e o Paquistão à mesa das conversações. Aguardemos para ver qual a sua postura face ao larvar conflito sino-nipónico.

Publicado por FG Santos às 03:13 PM | Comentários (3)

abril 18, 2005

Crianças iraquianas

Enquanto vigoraram as sanções económicas contra o Iraque de Saddam Hussein terão morrido cerca de 500.000 crianças iraquianas; apesar de tudo «valeu a pena», segundo a ex-MNE (de Clinton) Madeleine Albright. Tudo vale a pena quando a ganância não é pequena. E a morte de mais crianças iraquianas, vítimas das sanções, que nas explosões nucleares de Hiroshima e Nagasaki não pesa muito perante os interesses petrolíferos, sionistas, armamentistas e outros da grande potência.
Que não se suspeite este blogue da mínima indulgência face ao regime de Saddam, ditador sanguinário e sem escrúpulos, que usou o sofrimento do seu povo para ganhar crédito (?) político junto de alguns idiotas úteis. Mas a mensagem do estilo "bem versus mal" não pega, dos dois lados da barricada estavam ex-aliados que se incompatibilizaram e que demonstraram que a vida humana nenhum valor tem quando se perseguem objectivos de domínio.
No mesmo estilo deste postal, sugere-se o artigo irónico de um Monthy Python, Terry Jones, no Guardian.

Publicado por FG Santos às 05:52 PM | Comentários (2)

Alemães deprimidos

A depressão assola cada vez mais os alemães, em particular os residentes em Berlim.
A "culpa" parece residir sobretudo na situação económica, com o desemprego galopante como responsável máximo pelo estado mental dos germânicos.
A euforia subsequente à reunificação, a reconstrução de Berlim, não foram suficientes para manter animados os alemães durante muito tempo. Motores da chamada construção europeia, promoveram o euro forte (um clone do marco forte), ajudando a economia europeia a afundar-se cada vez mais na crise, com dificuldades crescentes de penetração nos mercados externos, ao mesmo tempo que não conseguem atrair investimento externo, dados os elevados custos laborais.
De resto, como já foi dito aqui relativamente ao caso português, «Claro que o fenómeno depressivo é geral às sociedades ocidentais, denunciando um mal estar profundo - uma inadequação da natureza humana à competição extrema, ao urbanismo, à desagregação dos modos de vida tradicionais - numa palavra: ao desenraízamento.»

Publicado por FG Santos às 02:10 PM | Comentários (1)

Receio pela Europa

Via "Causa Liberal", uma entrevista fundamental com Vaklav Klaus, presidente da República Checa, na qual este manifesta os seus maiores receios face ao rumo que a UE tem vindo a tomar, dizendo a dado passo: «Não posso conceber uma sociedade democrática sem um estado-nação. (...) A democracia necessita de um Estado na sua base; de outro modo estamos já numa pós-democracia e a UE é uma sociedade pós-democrática». Ou anti-democrática, digo eu.
Entrevista completa aqui.

Publicado por FG Santos às 01:57 PM

Novo blogue

Surgiu um novo blogue, "O Quietista", que promete. Para já, junta a olhares sobre a nossa realidade, referências literárias muito bem escolhidas.
A seguir, atentamente.
Sugestão: que tal inserir caixas de comentários, que também muita falta fazem ao "Absonante"?

Publicado por FG Santos às 11:53 AM | Comentários (3)

abril 17, 2005

Viva o "Porta Bandeira"!

Um blogue que tem surpreendido pela positiva é, sem dúvida, o "Porta Bandeira".
Feito por um moço que abeira os 18 anos, este estandarte tem revelado uma grande atenção ao quotidiano, sempre com o interesse nacional na mira. A mim faz-me recordar o meu fim da adolescência, com as suas esperanças, as suas frustrações, as suas ingenuidades, até as suas puerilidades.
O Viriato tem demonstrado ser uma pessoa humilde, sem certezas rígidas mas com algumas fortes convicções, que gosta de aprender com os mais velhos e os respeita, sem deferências - o que não é assim tão comum na juventude de hoje em dia.
Recomendo-lhe a (re)leitura deste meu postal, onde tantas das contradições da juventude estão expostas.
E, já que falamos em releituras, aconselho aos meus leitores, este texto do Viriato sobre os Heróis do Mar, mais os comentários que suscitou, um dos quais do Manuel Azinhal, muito interessante.
Vida longa ao "Porta Bandeira"!

Publicado por FG Santos às 02:22 PM | Comentários (1)

Monarquia e Tradição

«A História ensina implacavelmente não haver autoridade fixa sem hereditariedade. Pela hereditariedade a Monarquia assegura a duração do governo, a previsão e a constância nos distantes projectos. Quando se fala nos perigos dos acasos do nascimento, escondem-se malevolamente as tristes e frequentíssimas surpresas da eleição, de que já colhemos tão amargos exemplos. A hereditariedade garante a continuidade e a lógica nos empreendimentos políticos: é a promessa clara da boa conservação do património nacional, com a particularizada e segura educação do futuro soberano.
«Mais do que a unidade do poder, é na forma hereditária da sua transmissão que reside a superior vantagem da Monarquia (...)
«Não há ciência sem experiência, nem Pátra sem tradição. Que se diria do sábio que desprezasse as obras e as experiências dos seus predecessores e limitasse o seu trabalho à própria experiência, ao simples facto presente, à prova momentânea?
Não tem sentido a terra fora da lembrança daqueles que a serviram e amaram. O passado alarga e ilumina o presente. Através de todas as transformações económicas e científicas, há paixões, instintos e sentimentos que se conservam fixos e necessários. Somos tributários do Passado, servos de instintos herdados. Tradição não é velharia, hábito irreflectido, que apenas consiste em repetir cegamente o que já teve razão de ser e a não tem mais. Isso é inércia, e a tradiçãoé o contrário dela. Não é também sinónimo de conservação, nem a explica o amor das ruínas extáticas, suspensas do beijo melancólico do luar. Para o verdadeiro tradicionalista, inteligente e activo, o Passado é fonte de exemplos e de lições. A tradição é para ele o que durou, o que provou secularmente. A vera tradição exige estudo e reflexão. É crítica. Reúne as forças da terra e do sangue, dos reveses do Passado tira ensinamentos, dos êxitos – modelos. Representa-a o que de positivo nos legaram nossos pais antigos. E esse conteúdo positivo, continuadamente acrescentado no rodar do tempo, torna a Tradição coisa viva, que não cessa de se enriquecer, de progredir. Produto de costumes seculares e de necessidades próprias, assente sobre a observação e sobre a história, a Tradição é força activa que se desenvolve incessantemente. Tradição é continuidade no desenvolvimento, permanência na renovação, como Sardinha gostava de repetir. Direi mesmo: Tradição, é selecção. (...)
«Os povos vivem da sua Tradição; e quando perdem, com a memória e o respeito dela, a sua continuidade histórica, entram no caminho onde emboscada os espera a Morte!»

Luís de Almeida Braga, «Posição de António Sardinha», Edições Gama (Cadernos Políticos), Lisboa, 1943

Publicado por FG Santos às 01:56 PM | Comentários (2)

abril 15, 2005

Spleen

O dia amanheceu frouxo, chuvisco aqui, chuvisco ali. Eu, com uma constipação diabólica, lá me arrastei até ao trabalho. Este, com solicitações em catadupa, crescia na proporção inversa da minha capacidade (e vontade) de lhe dar despacho.
Vista enevoada, pingo no nariz, "you have new mail" a toda a hora (minuto) - bolas, custa a chegar o fim de semana.
Hora de almoço, vistoria pelos blogues. Nada de especialmente novo. Argumentos habituais, contestações habituais, insultos habituais, caricaturas habituais.
O desânimo não parece ser só meu: blogueiros normalmente encorajadores pouco "aparecem", os seus últimos postais cristalizaram nessa categoria há dois, três, quatro dias.
Na frente política, a paz podre: referendo aqui, referendo ali, apelo ao voto deste e daquele.
A vida nas empresas arrasta-se penosamente, fornecedores inquietos, falta de encomendas, a retoma que o não é... Funcionários desmotivados, intrigas de bastidores, listas de dispensáveis...
Caramba, hoje acordei mesmo mal disposto.

Publicado por FG Santos às 05:28 PM | Comentários (2)

abril 14, 2005

Avenida, estátua...

A Câmara Municipal de Lisboa decidiu homenagear António de Spínola, atribuindo a uma das novas artérias da capital o nome do marechal. A rotunda em que a dita via desembocará vai ter no seu centro uma estátua do mesmo...
Assim se fará homenagem àquele que Juca Chaves dizia que «devia pôr um monóculo no terceiro olho só para ver a cagada que fez»!
E daqui a uns anitos será a vez de outros figurões do calibre de Costa Gomes, Mário Soares, Álvaro Cunhal...

Publicado por FG Santos às 06:07 PM | Comentários (5)

Ronda blogueira

Como os fazedores de blogues não são profissionais do ofício, sucede amiúde que as actualizações aleatórias de alguns deixam os seus habituais leitores a modos que descalços e à distância de um click que se antevê inútil, pois lá vamos deparar com o mesmo último postal que lá estancia há um ror de dias, com o mesmo número de comentários da vez anterior que lá fomos. Estão neste caso, entre outros: "Blogville", "SG Buíça" (g'anda madraço, tempo não te falta para comentar os blogues dos outros!), "Cegos, Mudos e Surdos" (aqui "A." gato!), "Pena e Espada" (onde os postais, embora não abundantes, são sempre apelativos), "A Casa de Sarto", "O Velho da Montanha" (mas aqui é regra no máximo um ou dois textos semanais), "Nova Floresta"...
Também sucede que outros de que não somos tão assíduos mas que visitamos uma ou duas vezes por semana nos surpreendam e nos façam exclamar: «Bolas, tenho andado a dormir, este é de visita diária obrigatória!» Exemplos: "A Arte da Memória", "O Absonante", "Geraldo sem Pavor", "Semiramis", "Anjos e Demónios", "Cabalas", "Lóbi do Chá"...
Depois há as boas surpresas, que se deseja tenham vindo para ficar, pois rapidamente delas nos tornámos fiéis leitores: "O Insurgente", "Batalha Final"...
E os valores seguros, sem desprimor para os que vão assinalados acima: actualizados quase diariamente, de qualidade acima da média e constante, pertinentes, bem escritos: "Nova Frente", "Último Reduto", "O Sexo dos Anjos", "O Pasquim da Reacção", "Fascismo em Rede", "Causa Liberal", "A Arte da Fuga", "Claque Quente".
Com tão puco tempo para acompanhar tanta gente ilustre, alguém se admira que cada vez menos suje os dedos com "pasquins da contra reacção"?...

Publicado por FG Santos às 10:26 AM | Comentários (10)

abril 13, 2005

Posto de Controlo

Apanhei ontem a meio, no canal 2 da RTP, um documentário intitulado “Posto de Controlo”, que praticamente se “resumia” ao registo filmado, em plenos territórios ocupados, do controlo de identidade de palestinos que desejavam passar “para o outro lado”, fosse para ir ao médico, ver familiares, voltar para casa.
A aleatoridade de critério dos soldados israelitas era manifesta, bem como a sua arrogância e (aparente) indiferença perante o desespero dos palestinos. Por vezes a câmara detinha-se nos rostos dos soldados: em muitos deles lia-se o medo, uma certa angústia. Outro dizia que «ali [Ramallah] é a selva; na selva há macacos, gorilas, cães; é isso que nos distingue deles; eles são animais; pode gravar isto à vontade, não me importo que chegue ao Alto Comando das Forças Armadas».
Os palestinos exprimiam a sua angústia, o seu desespero, a sua impotência, a sua raiva. A certa altura um grupo de mais de 100 pessoas decide desrespeitar a interdição de passar e aos soldados nada mais restou que deixá-lo mesmo passar.
Uma nota final: o documentário é uma produção israelita.

Publicado por FG Santos às 01:03 PM | Comentários (8)

abril 12, 2005

Obrigações domésticas

O parlamento espanhol prepara-se para aprovar uma lei que acrescenta à lista de deveres das pessoas casadas o desempenho de tarefas domésticas.
Exigência antiga das feministas, a nova lei pretende envolver mais os homens nas ditas tarefas, num país em que manifestamente tal constitui uma raridade. Mas é também mais um exemplo do longo tentáculo do Estado totalitário democrático, que se imiscui em todos os recantos da vida das pessoas, que regulamenta tudo, que tenta formatar os indivíduos, tornando-os a todos uns robozinhos, devidamente programados e com as mesmas reacções mentais.
Eu, que tenho dois filhos, e acompanho o seu crescimento e apoio as tarefas inerentes com o maior prazer, tenho dificuldade em compreender como é que funcionarão casais em que o homem participa obrigado nessas tarefas. Deve ser um relacionamento muito saudável.
Outro objectivo da lei é certamente aumentar o número de casos de divórcio. Basta alegar que o homem não participa suficientemente nas lidas da casa para requerer a separação.
E assim continua a dissolução da nossa sociedade.

Via "O Insurgente".

Publicado por FG Santos às 05:42 PM | Comentários (6)

Dar à luz no Canadá: um investimento marroquino

Diversas mulheres grávidas marroquinas estão a deslocar-se ao Canadá para aí dar à luz. Trata-se de um "investimento" com retorno: pede-se um visa turístico, no aeroporto tenta-se ocultar a barriga de grávida, depois há que alugar um quarto, pois só tem direito a assistência médica gratuita quem tem residência permanente no Canadá.
E pronto: o neófito canadense poderá beneficiar de todas as vantagens inerentes à posse de tão cobiçada nacionalidade.
E assim vai o Ocidente.

Publicado por FG Santos às 03:21 PM

Os Tories assumem o combate à imigração

O manifesto de campanha do Partido Conservador assume sem rodeios o combate à imigração como fundamental: «Não é ser racista querer impôr limites à imigração».
O líder Michael Howard (ele próprio filho de imigrantes - refugiados judeus) denunciou, na apresentação do manifesto, mais um exemplo de laxismo na condução das políticas de imigração por parte do Labour. Este reagiu com a sua habitual arrogância, como se pode constatar pela leitura do Guardian, órgão que lhe é muito próximo.
Apesar das insuportáveis pressões dos media para que só a menção do fenómeno imigração seja logo sujeito a críticas de xenofobia, o próprio "mainstream" começa a gerar fenómenos de rejeição do "regabofe" em que se tornaram as fronteiras dos países europeus.
Resta saber se, caso ganhem as eleições, os tories mostrarão efectivamente determinação no combate à imigração.

Publicado por FG Santos às 01:04 PM | Comentários (1)

abril 11, 2005

A Revista

Descansem, caros amigos, que o suplemento do "Espesso" não é para aqui chamado. Desejo apenas fazer um ponto de ordem sobre a minha semi-brincadeira de se criar uma publicação que promovesse a Ideia Nacional, isto é, que fosse uma bandeira do pensamento português, da defesa da Nação, da promoção da nossa cultura, de combate ao politicamente correcto.
Esse texto foi, nos seis meses e três dias de existência deste blogue, o mais comentado, com 29 opiniões.
A semi-brincadeira que foi tentar encaixar alguns nomes de blogueiros em áreas editoriais teve o condão de pôr muita gente a pensar que a ideia da publicação até nem é desprovida de sentido.
Primeira preocupação: o vil metal! Onde arranjá-lo? Como licenciado em Economia, não posso ser insensível a tão fundamental questão. Ter-se-á que fazer um estudo prévio de viabilidade, com previsão no mínimo a dois anos dos custos e proveitos previstos, das despesas e receitas, dos financiamentos... Mas antes disso o mais importante é simplesmente pensar-se o que é que se pretende:
- linha editorial;
- periodicidade;
- número de páginas;
- qualidade do papel, apresentação, "layout";
- número de colaboradores;
- público-alvo;
- formas de divulgação;
- ...
Só após se ter uma ideia mais ou menos concreta dos pontos acima é que se deve fazer a análise da viabilidade:
- financeira, não só nos moldes acima referidos como também análise da relação preço-procura (elasticidade da procura), de investimento necessário, fontes de financiamento...;
- tiragem esperada;
- perspectivas de crescimento;
- alteração de periodicidade caso a audiência cresça acima de determinado patamar;
- ...
Para debater tudo isto, a minha proposta é que os eventuais interessados em colaborar se encontrem para abordar estas e outras questões. Só deveriam comparecer pessoas francamente interessadas e não simples curiosos. A minha sugestão é fazer uma reunião de uma dia, numa sala de reuniões de um hotel dos arredores (sai mais barato...), onde se faria um "brainstorming", de onde se poderiam hierarquizar as melhores ideias e se começar a fazer uma triagem.
Aguardo as sugestões dos interessados. Não se esqueçam do primeiro ponto acima: a linha editorial; ele é que vai determinar qual a abrangência tanto dos colaboradores como dos potenciais leitores, do espectro ideológico-estético pretendido, mesmo que se não deseje uma definição demasiado rígida.
Que dizem?

Publicado por FG Santos às 01:30 PM | Comentários (5)

abril 10, 2005

«Só neste país!»

Os visitantes mais assíduos desta casa sabem que aqui não se cultiva o racismo (infelizmente, com o terror ideológico vigente qualquer pessoa quando quer falar dos “negros” tem que antepor este preâmbulo – adiante), o que não significa que se não condene a imigração desregrada, a discriminação positiva, a preferência anti-nacional, ou a miscigenação.
Dito isto, vou falar-vos de um episódio que testemunhei há uns anitos na Conservatória do Registo Civil de Oeiras, concelho onde tomei residência há duas décadas. Este concelho, com problemas graves de imigração desregrada, habitações insalubres, retornados, comunidades timorenses “perdidas”, foi o pioneiro na erradicação das barracas, nele restando muito poucas. Não testemunha situações mais tensas como será o caso na Amadora e na Margem Sul.
Num dia, à hora de almoço, fui então à Conservatória, cuja frequência estava aí “fifty-fifty” entre brancos e negros. Um grupo destes últimos estava “pegado” com uma funcionária, aliás extremamente paciente, por lhes parecer que ela estaria a ter excesso de zelo, exigindo isto, aquilo e aqueloutro, o que lhes parecia um exagero. Quando a dita funcionária foi ver algo ao arquivo, comentaram os indivíduos entre si:
- Isto só neste país!
- Pois é, país das bananas!
Para além da descortesia perante o país de acolhimento, o que aqueles senhores demonstraram foi que apreenderam uma certa mentalidade lusa de dizer mal do país, atitude aliás bem representada em certas redacções de jornais, onde reina o “inconformismo” perante as mentalidades visivelmente menos progressistas e “iluminadas” que aquelas que esses cavalheiros exigiriam. Afinal, Abril não trouxe uma completa revolução das mentalidades! Certamente a “longa noite” é que tem a culpa, afinal 48 anos não se apagam de uma penada. Mas eles não desistem. Até “lá”, desabafemos a nossa frustração, como os nosso “integrados” já aprenderam.

Publicado por FG Santos às 05:11 PM | Comentários (1)

abril 09, 2005

Seria Yasser Arafat... judeu?!

O último livro, como sempre polémico, de Jacques Delacroix, "Une terrible histoire cachée: Yasser Arafat", cita um livro escrito por Ghazi Hussein (secretário do gabinete jurídico e político da OLP), "Yasser Arafat e a solução sionista da crise na Palestina", no qual se afirma que o falecido dirigente palestino não seria da família El Husseini, como ele sempre afirmara, mas sim... judeu, da família Al Qoudouwa, nome da povoação marroquina de onde era natural o seu pai.
Gostava de ter mais detalhes sobre esta "bomba" mas duvido que os "media", sempre prontos a elogiar o líder palestino, se dêem a esse trabalho.
Seja como for, podemos estar apenas perante mais uma teoria de complot, em que poderes ocultos manobrariam as marionetas a seu bel-prazer, escondendo das populações as suas sinistras manigâncias.

Publicado por FG Santos às 11:07 PM | Comentários (4)

abril 08, 2005

Meio ano

Quis o acaso que o meu post nº 300 fosse para assinalar o sexto mês de existência desta casa.
Cinquenta textos por mês, em média, não terão muito significado se a sua qualidade e o seu interesse não forem acima da média. Sobre a primeira tenho a minha opinião pessoal; sobre o segundo congratulo-me por ter fidelizado algumas dezenas de leitores aos quais reconheço grande nível intelectual e exigência. Esse é o maior elogio que me podem fazer.
Logo no meu primeiro post enunciei como áreas a privilegiar a actualidade internacional e a cultura, não só por afinidade minha com esses temas mas por a actualidade nacional estar já muito bem coberta por blogues de grande qualidade.
Tenho procurado intercalar notícias sobre o que se passa pelo mundo com análises literárias, com excertos de textos de pensadores portugueses e estrangeiros, nem todos de direita ou nacionalistas.
Tentei ser uma voz crítica construtiva aos blogues de que me sinto mais próximo, pois senti que havia um certo unanimismo, não por falta de visões divergentes, mas por falta de discussão "inter pares". Creio que todos aqueles que estimam a Nação, a sua cultura e a civilização em que se inserem só têm a ganhar com o debate franco de ideias, sem tabús, dentro do respeito mútuo. Modéstia à parte, penso que contribuí com o meu quinhão para que isso acontecesse. E aqui, que me não levem a mal os restantes, o meu reconhecimento maior vai para o Bruno e o Pedro, que sempre tiveram a maior franqueza, abertura (e prazer) em discutir temas comigo.
Tenho muita gente a quem agradecer o impulso dado a esta casa, receando cometer alguma(s) injustiça(s) por omissão. Mas aqui vai:
- o Manuel foi o primeiro (por uma questão de alguns minutos) a anunciar à blogosfera o nascimento deste blogue; tem, além disso, feito recomendações frequentes a que os seus leitores por aqui passem;
- o Bruno, como disse, adora uma boa argumentação, apresentando sempre argumentos bem pensados; é uma referência maior para mim;
- o Pedro, num estilo um pouco diferente (mais formal?), tem tido uma atitude semelhante e o seu blogue, a par do do Bruno, foi o primeiro que conheci;
- o Duarte que, tal como os dois cavalheiros que o antecederam nesta lista, já tive o prazer de conhecer, é um dos blogueiros com maior abertura de espírito, promovendo a variedade de perspectivas;
- o Corcunda foi sempre um dos meus maiores apoiantes; apesar de termos uma abordagem diferente dos problemas, temos uma visão algo parecida sobre a "Nação Ideal";
- o Viriato e o Sarto são dois leitores atentos e cujo contributo a nível de comentários é sempre interessante;
- o JM e o Bonifácio têm a mesma veia monárquica que eu e como tal sinto-me não raras vezes próximo das suas posições; é em homenagem a quem, como eles, mantém a chama monárquica acesa, que está "lá em cima" uma fotografia de Paiva Couceiro, alguém que nunca desistiu;
- mais discretos, mas não menos atentos ao que por aqui se vai escrevendo, temos o Geraldo, o A. e o Camisanegra;
- acalme-se Nelson, não me esqueci de si! Você é o meu maior comentador, mesmo (ou sobretudo) para discordar, mas sempre com lisura e humor; a porta desta casa não lhe está franqueada - está escancarada!
- o mesmo se pode dizer do (e ao) Clark, um dos espíritos mais livres que andam pela blogosfera;
- o Paulo Paixão anda muito arredio (e cansado), o que se lamenta, pois escreve como poucos;
- um "conhecimento" recente foi o do AA, que tem encorajado esta casa a partir do seu excelente blogue; partilhamos a mesma paixão pela música.
E de comentadores não posso esquecer o Legionário, o Mendo Ramires, o NC, o JLL, o Nonas e alguns outros como o F. Limpo, que diz que não concorda muito com as minhas opiniões mas gosta de ler o que escrevo.
Um grande abraço a todos - e vão pensando na revista.

Publicado por FG Santos às 02:50 PM | Comentários (15)

Israel visita o "Santos da Casa"!

A fazer fé no "ShinyStat" (podem comprovar vós mesmos carregando no icon respectivo à direita), tive ontem uma visita de... Israel! Como ontem fiz um link a um artigo da Al-Jazeera, penso que já tenho a Mossad à perna...

Publicado por FG Santos às 12:44 PM | Comentários (6)

abril 07, 2005

Entretanto, em Jerusalém...

O promissor (?) entendimento entre Abu Mazen e Ariel Sharon para uma paz efectiva na Palestina e a acalmia que tem reinado nos territórios ocupados quase nos iludem sobre o que se vai passando por aquelas bandas.
Por exemplo, anteontem nos arredores de Jerusalém, bulldozers demoliram várias casas de palestinos.
Um dia normal.

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Publicado por FG Santos às 07:01 PM | Comentários (2)

Os negócios da Halliburton

Como se sabe, a empresa Halliburton, de que o vice-presidente Dick Cheney foi director, angariou pletóricos contratos no Iraque pós-Saddam Hussein, certamente por ser a mais capacitada para o efeito e não por via da posição do seu ex-director na Administração Bush.
O que é certo é que, não contente com os contratos atribuídos, a dita empresa sobre-facturou escandalosamente as refeições fornecidas aos soldados, a ponto de o governo ter retido 200 milhões de dólares até se chegar a conclusões mais efectivas sobre o valor correcto a pagar.
Um acordo provisório permite agora a libertação de 145 milhões.
Um negócio... das Arábias!

Publicado por FG Santos às 06:53 PM | Comentários (1)

abril 06, 2005

Proudhon, a liberdade e o liberalismo

Proudhon (1809-1865), que ontem evoquei a propósito da popularidade que algumas das suas ideias tiveram em alguns meios da direita não-liberal, é mais conhecido por a sua postura ante a propriedade. A bem dizer, conhece-se a famosa frase "A propriedade é o roubo" mas normalmente não o que lhe subjaz.
Proudhon não pretendia eliminar a propriedade privada, pois não se opunha à posse em si, mas antes aos atributos da propriedade, a saber: os rendimentos sob forma de rendas, juros e lucro. Privilegiava, isso sim, o trabalho de todos os homens, como ele próprio, que não teve outro remédio toda a vida (ao contrário do seu inimigo Marx, que vivia uma vida de burguês, devidamente sustentado pelo seu amigo capitalista Engels).
É curioso que muitas das ideias do artesão de Franche-Comté servem às mil maravilhas o ideário liberal:
- para ele, o poder político tende naturalmente para a centralização e, subsequentemente, para a tirania (1);
- amava a liberdade mas achava que esta devia ter como base a ordem social;
- o progresso, apoiado na ciência, é inevitável e esta última é que possibilitaria a harmonia social: a revolução económica concretizará a República universal; a ciência representa a unidade da Humanidade, pois «só a verdade é igual em toda a parte»;
- a propriedade não deve ser eliminada mas universalizada: todos deveriam ter propriedade e isso representaria o maior garante da liberdade.
Ao contrário dos economistas clássicos, como Adam Smith e David Ricardo, Proudhon rejeitava o papel do mecanismo de preços na obtenção dos fins sociais, considerando-o tão injusto e opressor como a lei e o governo. «A lei da oferta e da procura é uma lei enganadora, permitindo a vitória do forte sobre o fraco, daqueles que têm propriedade sobre aqueles que a não têm». Aqui, Proudhon parece confundir concorrência com monopólio, entrando em contradição, pois sustentava que suprimir a concorrência é suprimir a liberdade.
A saída está, como vimos, na universalização da propriedade e na criação de empréstimos livres de juros para todos. Teríamos assim uma sociedade liberal construída com um “arranque” socialista na base, com condições de partida iguais para todos.

(1) Talvez a mais famosa citação de Proudhon seja a que a seguir se transcreve, profissão de fé de todo o anarquista e de todo o libertário:
« Ser governado é ser espiolhado, inspeccionado, vigiado, dirigido, legislado, regulado, certificado, doutrinado, influenciado, controlado, tributado, pesado, censurado, ordenado por homens que não têm nem o direito, nem o conhecimento, nem a virtude para o fazer. Ser governado significa ser, em cada operação, em cada transacção, em cada movimento, anotado, registado, controlado, taxado, selado, medido, avaliado, tributado, patenteado, licenciado, autorizado, endossado, admoestado, impedido, reformado, indeferido, detido. É ser, sob pretexto do interesse geral, taxado, manobrado, enganado, roubado; depois, à menor resistência, à menor palavra de queixa, reprimido, multado, abusado, molestado, seguido, intimidado, batido, desarmado, garrotado, esfolado, vendido, traído e, finalmente, escarnecido, ridicularizado, insultado, desonrado. É isto o governo, é esta a sua justiça, é esta a sua moral!» («L’Idée Générale da la Révolution au 19e siècle»)

Publicado por FG Santos às 11:06 PM | Comentários (2)

Publicação nacional

Recordar-se-ão alguns de vós que há coisa de três meses delineei um governo sombra de salvação nacional. Como as condições objectivas da actualidade nacional não propiciam que por ora se avance em tão desejável sentido, penso que está na hora de pôr mãos à obra e incrementar o combate cultural nacional, indo além da blogosfera e passando pela edição de um jornal semanal ou de uma revista mensal, para a qual proponho desde já a seguinte equipa:

Director: Manuel Azinhal
Chefe de Redacção: Clark59
- Sub-chefe de redacção: FG Santos
Editor de Política: Pedro Guedes
- Colaborador: JCS
Editor de Sociedade: Duarte Branquinho
- Colaborador: A.
Editor de Cultura: BOS
- Página de Filosofia: O Corcunda
- Página de Literatura: BOS
- Página de Música: AA
- Página de História: Mendo Ramires
- Página de Religião e Misticismo: J. Sarto e Legionário (respectivamente)
Editor de Economia: Luís Bonifácio
Editor de Educação: Viriato
Editor de Desporto: Luís Oliveira
Página de Opinião – colaboradores: Rebatet, JRA, Nelson Buíça, JM
Arquivo: Nonas

Aguardo resposta dos interessados, sugestões de alteração e, como é óbvio, propostas para o nome de tão insigne publicação.
Também se aceitam sugestões sobre a melhor forma de convencer o Clark59 a participar na equipa, sendo que a resposta deve passar pelo "perfil" e atribuições da sua secretária pessoal.

Publicado por FG Santos às 03:34 PM | Comentários (30)

Vitória sinistra em Itália

Tremor de terra eleitoral em Itália, com a esmagadora vitória da esquerda nas eleições regionais dos passados dias 3 e 4, ficando com 11 regiões num total de 13 (a Casa delle libertà fica apenas com a Lombardia e o Veneto).
Agora sob a designação de Unione, a esquerda, liderada pelo regressado (da Comissão Europeia) Romano Prodi, saliva já com a perspectiva de vitória nas legislativas do próximo ano.
Berlusconi, irritado, criticou os seus parceiros de coligação Fini (AN) e Follini (UDC), em particular por «não saberem fazer equipa», numa alusão à sua recusa em albergar na Casa delle libertà Alessandra Mussolini (AS), os radicais de Marco Pannella e um grupo de ex-democratas cristãos.
Mais uma vez se constata que estas eleições servem mais para aferir o sentimento público face ao governo central que face ao governo regional que vai a votos. Aparentemente, o "Povo" queixa-se da situação económica e da intervenção militar no Iraque.

Sugestões de leitura:
- Resultados completos, região a região.
- Uma análise lamentável da "Panorama" sobre a Alternativa Sociale de Alessandra Mussolini (que se ficou pelos 1,9% no Lácio), num tom mais habitual em jornais como o facciosíssimo "La Repubblica" que numa revista que costumava ter mais objectividade e distanciamento (que por ora não abandonaram o sempre excelente "Corriere della Sera".)

Publicado por FG Santos às 01:47 PM

abril 05, 2005

Proudhon, o socialismo e a extrema-direita

«O bom acolhimento de Proudhon à ditadura de Luís Napoleão e os seus ataques à democracia liberal e ao sufrágio universal vieram a ter um efeito estranho na sua reputação. No século XX houve quem o saudasse na extrema-direita, como precursor: chamaram-lhe antecessor de Maurras e da Action Française e, sob o regime de Vichy, saudaram-no como o verdadeiro representante do socialismo «francês» em oposição ao marxismo russo. Verdade é que é difícil amoldar Proudhon dentro da tradição do pensamento político liberal «progressista». As suas opiniões sobre a natureza irracional e violenta do homem, o seu puritanismo, o seu desprezo pelas eleições e pelos parlamentos e todas as frases feitas do governo democrático, bastam para explicar a simpatia que os pensadores fascistas sentiam por ele. Todavia seria errado interpretar este seu lado como a verdadeira tendência do seu pensamento, ou rotulá-lo de profeta das ditaduras do século XX só por causa das suas reacções perante a tomada do poder por Luís Napoleão.»

James Joll, «Anarquistas e Anarquismo», Publicações Dom Quixote, 1977

Publicado por FG Santos às 11:18 PM | Comentários (2)

Revisionismo made in Japan

Volta e meia estala a polémica entre a Coreia do Sul e a China, por um lado, e o seu invasor durante a II Guerra Mundial, o Japão, por outro.
Desta vez, a questão prende-se com os manuais de História japoneses para o próximo ano lectivo, que alegadamente elogiam e glorificam feitos militares nipónicos fortemente criticáveis segundo os países referidos.
Um exemplo: o massacre na cidade chinesa de Nanjing, no qual terão morrido 300.000 civis, é descrito como um "incidente" em que "muitas pessoas" morreram.
Também o litígio entre Seul e Tóquio quanto à soberania de duas ilhas continua vivo. Recorde-se que o Japão também tem um diferendo com a Rússia em relação às ilhas Curilhas, ocupadas pelos soviéticos no final da Segunda Guerra Mundial.

Publicado por FG Santos às 05:59 PM | Comentários (1)

abril 04, 2005

Na morte de João Paulo II

Como não sou crente, tenho alguma dificuldade em abordar o pontificado de João Paulo II e a minha tentação seria sugerir simplesmente o excelente texto de José Adelino Maltez.
De qualquer modo, aqui ficam algumas notas sobre o falecido Papa.
Para mim, a imagem mais forte que fica da acção do Papa polaco é, por um lado, o contributo subtil que deu para a queda do comunismo e, por outro, as pontes que tentou abrir para o diálogo. Que diálogo? Entre católicos e cristãos de outras igrejas, entre católicos e judeus, entre católicos e muitas outras fés. Até entre católicos desavindos: veja-se o quanto lhe custou o afastamento de Monsenhor Lefèbvre da igreja pós-Vaticano II.
João Paulo II tentou levar a mensagem da paz a todo o mundo, a todos os continentes, a todas as raças e credos. Qual o balanço que se pode fazer desse esforço? Creio que tirante o colapso do comunismo em quase todos os países que o “professavam”, há uma sensação de fracasso. Apesar dos seus apelos sem conta, 26 anos depois o mundo continua envolvido em conflitos incontáveis, a fome e as doenças progridem a olhos vistos, a ganância e o lucro continuam a fazer girar o mundo, aos valores que a Igreja promove os poderosos fazem orelhas moucas e, para cúmulo, a própria Igreja, com algumas excepções geograficamente bem definidas, perde fiéis em catadupa, tendo-se inclusive multiplicado as seitas.
Numa ânsia de “não perder o contacto” com o mundo, o que é uma manifestação de impotência, a Igreja foi-se descaracterizando progressivamente, abraçando em muitos aspectos a modernidade, confundindo as suas ovelhas – e não deixando de ser criticada pelos progressistas, para os quais ela ainda não se actualizou o suficiente.
Tendo sido João Paulo II muito admirado por crentes e não crentes, tendo a sua mensagem sido difundida largamente em todas as paragens do mundo e tendo este tido a evolução que acima sumariamente caracterizei, poderemos falar em fracasso da sua mensagem de paz? Sim e não. Sim, pelos motivos descritos; e não por estar convencido que o Papa conseguiu falar aos corações de milhões de pessoas que abraçaram sinceramente o ideal que incansavelmente promoveu. Pelo menos algo terá sido semeado. Frutificará?

Publicado por FG Santos às 12:02 PM | Comentários (11)

abril 02, 2005

Uma tarde "com" Rodrigo Emílio

Realizou-se esta tarde uma homenagem a Rodrigo Emílio no Palácio da Independência, em Lisboa. Perante uma assistência que rondava a centena de pessoas, que praticamente preencheu todas as cadeiras disponíveis, o poeta que faleceu há um ano e poucos dias esteve bem presente, fosse pelas evocações de alguns que com ele privaram, fosse pela leitura apaixonada de alguns dos seus poemas, fosse ainda pela música de José Campos e Sousa com poemas de Rodrigo. Após três horas nenhum dos presentes deve ter dado por mal empregue o seu tempo.
A primeira parte da homenagem fez-se de evocações. Falou primeiro o Eng. José Luís Andrade, director da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, que promoveu o evento. O tom foi amargurado face ao rumo que a Pátria tem tomado nas últimas décadas. Ao contrário do anunciado, tanto Carlos Soveral como António José de Brito estiveram ausentes, tendo sido lidos curtos textos que ambos enviaram.
Seguiu-se um dos momentos altos da tarde, com a evocação tão sentida como espirituosa de António Manuel Couto Viana. Desde o estudante até ao soldado, do poeta ao Rodrigo “Exílio”, Couto Viana deu-nos um retrato vivíssimo do bardo, pontuado com alguns episódios pitorescos, como a imagem do poeta trazendo sacos cheios de livros, jornais, escritos, cujo peso contribuía e muito para a sua hérnia, a “hérnia literária” como lhe chamava...
João Bigotte Chorão falou de improviso, falando-nos entre outras coisas de um Rodrigo desalentado, cansado de viver. Já Pinharanda Gomes tentou quebrar um pouco a nota de consenso em que decorria a sessão, questionando-nos, como disse ter questionado Rodrigo, sobre a sua postura perante o mundo, a guerra, a vida. Fez uma importante distinção entre comunidade e sociedade, entre Pátria e Estado. Segundo Pinharanda, a falta de espírito de comunidade tem sido uma constante pelo menos desde o tempo do Marquês de Pombal, digladiando-se o nosso país em confrontos que muito o foram enfraquecendo.
Na segunda parte passou-se à leitura de poemas do homenageado (na primeira já Couto Viana nos deixara um que lhe era dedicado) por, entre outros, António José de Almeida e Luís Serra. As escolhas variaram entre poemas mais militantes e poemas mais reveladores do íntimo do “poeta vestido de soldado”. Os declamadores conseguiram dar um tom bem dramático e quase teatral (no bom sentido) a alguns dos poemas.
E, finalmente, José Campos e Sousa interpretou na íntegra o seu recente álbum “Rodrigamente Cantando”, pela mesma ordem que no disco (à excepção de “Indício de Ouro” que veio depois do “Azul Lusíada”). O cantor confessou-se muito emocionado e com alguma dificuldade em se concentrar na música e nos poemas que ia interpretar. Mas mais uma vez saíu-se bem da empresa, muito bem acompanhado à guitarra portuguesa pelo seu jovem sobrinho Bernardo e, como habitualmente, à gaita-de-foles por António Rangel em dois temas.
Parabéns à SHIP pela iniciativa, que foi, pode-se dizer, coroada de sucesso, deixando, mesmo em quem mal conhecesse Rodrigo Emílio, a mais viva impressão.

Publicado por FG Santos às 11:56 PM | Comentários (8)

abril 01, 2005

Voto dos negros crucial na Grã-Bretanha

Um estudo levado a cabo na Grã-Bretanha alega que o voto da comunidade negra pode ser decisivo em 70 círculos eleitorais de maioria simples ("marginal constituencies").
A comunidade negra tenta fazer valer o seu peso no sentido de forçar os partidos políticos a adoptar o que chamam um programa político promotor da igualdade ("equality agenda"). Uma das medidas exigidas é (surprise, surprise!) a interdição do British National Party. Também se pretende a instituição de um... Ministério das Raças (ou das questões raciais)! O lobby negro agrupa associações com nomes tão singelos como a National Black Police Association, a Muslim Association of Britain ou a Society of Black Lawyers.
As quatro exigências básicas de igualdade (igualdade no emprego, na educação, na democracia e para os refugiados) não passam na verdade de exigências de tratamentos de excepção ou, por outras palavras, de tratamento discriminatório contra a grande maioria dos britânicos.

Publicado por FG Santos às 05:11 PM | Comentários (4)

Governo francês tenta "comprar" o sim à Constituição

Numa atitude desesperada para acalmar os sempre insaciáveis funcionários públicos, o governo francês concedeu-lhes um aumento salarial equivalente à taxa de inflação prevista, o que, segundo o "Independent", será uma manobra tendente a aumentar o lote dos votantes no "sim" à Constituição Europeia.
Também os agricultores viram a sua situação melhorada, ao passo que os estudantes do 12º ano ("baccalauréat") vão ter menos avaliações...
É o regabofe total na política francesa: comprar a paz social e os votinhos necessários, à custa do já depauperado Tesouro. O que vale é que o Pacto de Estabilidade e Crescimento foi alterado...
Entretanto, no Japão (*), Jacques Chirac cometeu uma gaffe reveladora: apelou ao voto no "sim" pois «l'intérêt de la France, de l'Europe et de la paix suppose l’adhésion de la T...» corrigindo depois para «suppose la ratification de la constitution européenne»...

(*) Suspeita-se que o Presidente francês tem um filho ilegítimo a residir no Japão, o que explicaria as suas frequentes viagens ao país do Sol Nascente - a expensas públicas, naturalmente.

Publicado por FG Santos às 05:04 PM

Judeus indianos são mesmo... judeus!

O rabino Shlomo Amar reconheceu como descendentes de judeus os membros da comunidade indiana Bnei Menashe. Estes reclamavam à pertença ao judaísmo, alegando serem descendentes de uma das dez tribos perdidas de Israel.
Foram inclusivamente feitos estudos de DNA, encontrando-se algumas características comuns com os povos do Médio Oriente, mas apenas nas mulheres...
Entretanto, há grande celeuma em Israel relativamente a uma decisão do Supremo Tribunal que atribui nacionalidade israelita às pessoas que tiveram uma conversão não-ortodoxa. Há quem fale em "ataque suicida ao povo judeu"...

Publicado por FG Santos às 04:32 PM | Comentários (3)