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março 28, 2005

Rodrigo Emílio , um ano depois

No primeiro aniversário do passamento do poeta e polemista Rodrigo Emílio, achei por bem deixar-vos uma evocação do mesmo sobre Salazar. Independentemente do que se pense sobre o ditador, a mensagem deixada por Rodrigo Emílio deveria ser abraçada por todos quantos amam a Pátria.
O tempo, infelizmente, deu-lhe razão, dado que os portugueses estão há muito «fatigados da sua existência como nações independentes».


SALAZAR PERMANECENTE

Salazar pertence ao número dos mortos que não devemos chorar, a menos que nos revelemos, algum dia, indignos dele. A indignidade consistiria em deixarmos que tivessem ido a enterrar com ele (aqui há um ano) os pensamentos, palavras e obras de mais de oito lustros de mestrado esclarecido e empreendedor. Então, teríamos de chorá-lo, sim, e bem amargamente, ao vermos que se dissipara toda a acção desenvolvida por ele em 42 anos de cuidados, durante os quais tratou de nos pôr «diante de coisas tão sérias como sermos ou não sermos, cumprirmos ou não cumprirmos a nossa missão no Mundo».
A Nação foi o ponto de referência cardial de todos os seus actos e, como tal, o ponto de reencontro de Portugal com as mais lídimas directrizes do seu destino.
Sob a égide de Salazar foi que nós nos soerguemos do letargo histórico em que jazíamos prostrados desde o liberalismo, e foi que de novo nos fundámos como Nação e nos erigimos como Povo às culminâncias do que nos está cometido. Estátua a toda a estatura, Salazar foi o que se impunha que fosse: um homem à medida da Nação, e à altura das circunstâncias, ainda mesmo das mais melindrosas (ou sobretudo dessas); um estadista de génio que, por largo tempo ainda, nos resgatará de todos os governantes abaixo do comum que por aí surgiram...
Ao longo de quatro décadas e tal de chefia, todas as ocasiões lhe pareceram poucas para advertir contra «tempos em que a grande divisão, o inultrapassável abismo há-de ser entre os que servem a Pátria e os que a negam. Dir-se-ia que alguns países» — observava ele, de caminho «estão fatigados da sua existência como nações independentes». Ora, não nos incluamos nós nesse número, não nos penitenciemos nunca da nossa grandeza (além-mar projectada), e já não haverá motivo de maior para chorarmos Salazar, porque é sinal seguro de que o merecemos, e de que merecemos ter sido tudo aquilo que fomos enquanto ele foi, «uma grande e próspera Nação».

Rodrigo Emílio

In Política, n.º 37, 15.07.1971, pág. 1

Publicado por FG Santos às março 28, 2005 11:28 AM