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março 30, 2005

Jacques Ploncard d'Assac (1910-2005)

Só anteontem é que soube, via "Lectures Françaises" do falecimento de Jacques Ploncard d'Assac no passado dia 20 de Fevereiro.
O nome Ploncard d'Assac é familiar a muitos nacionalistas (e não só) por ter sido conselheiro de Salazar. Dado ter pertencido ao governo de Vichy, exilou-se em Portugal, aqui tendo permanecido até 1974.
Conhecedor profundo da maçonaria, tornou-se um infatigável divulgador da sua perniciosa acção. Também escreveu um influente "Doctrines du Nationalisme" (com tradução portuguesa em 1962).
A partir de Lisboa, ao microfone da "Voix de l'Occident", foi uma voz infatigável contra a decadência e a perda de valores do Ocidente.
Aqui fica uma breve referência que dele fez João Ameal no seu livro «A Verdade é só uma», de 1960.

«O escritor e jornalista frances Jacques Ploncard d`Assac, há alguns anos residente no nosso pais, cuja inteligência e cultura são bem conhecidas, teve a excelente ideia de compôr este volume: O Pensamento de Salazar extraído dos seus discursos.
Ouçamo-lo expôr, no Prefácio, a génese do seu trabalho e a admiração que dedica ao Chefe do Governo Português:

— «Na confusão política que vem da segunda guerra mundial, as democracias queimaram na mesma fogueira as verdades e os erros das revoluções nacionalistas da Europa. Das cinzas, nada renasceu senão nostalgias perturbadoras. Mas quando se fizer a historia do nosso tempo há-de reconhecer-se que a doutrina de Salazar, o seu pensamento político, fora posto de reserva, no extremo-ocidente da Europa, por uma Providencia ciosa de não deixar que se extinguisse o facho da Sabedoria Política.
As justas homenagens que se dirigem a Salazar dirigem-se, volens nolens, às suas ideias. Sem elas, não seria Salazar quem é. Todas as suas qualidades pessoais, que são imensas, não podiam evidentemente conseguir que de uma doutrina de desordem ele tirasse a ordem. Quase peço desculpa destas minhas reflexões, visto poder parecer que um português teria mais autoridade pare as fazer. Entretanto, eis a minha resposta: Salazar já não pertence só a Portugal, senão a todo o homem que pensa...»
E mais adiante:
— «Muito poucos políticos poderiam tolerar hoje a comparação de afirmações feitas à distância de vinte anos. Na melhor hipótese, os textos mais recentes seriam a modificação de um ponto de vista amigo; as mais das vezes, o confronto havia de ser intolerável, pois salientaria contradições flagrantes. Que seja possível com Salazar pôr em confronto, lado a lado, pedaços dos seus discursos de 1928, de 1940 e de 1950, sem que o mais atento leitor possa descobrir uma só contradição, eis o que não é vulgar. E, ainda menos, que a sua extraordinária unidade e continuidade de pensamento transcenda o tempo».»

Publicado por FG Santos às março 30, 2005 06:34 PM