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março 22, 2005
Colaborações
Relativamente ao meu texto sobre o Marechal Pétain, o leitor F. Limpo (a quem agradeço o ter dito «os seus artigos são sempre interessantes embora eu discorde da sua perspectiva política») interroga-se sobre a natureza da colaboração com uma entidade ocupante. E escreve:«Se desculpabilizamos Petain não deveremos desculpabilizar Miguel de Vasconcelos? E então onde se situa o patriotismo? Na resistência extra-institucional ou no governo do «mal menor» colaboracionista?»
Este é um tema que dá pano para mangas, mas vou tentar dar a minha opinião em poucas linhas.
Ao contrário de Miguel de Vasconcelos, nomeado pelo ocupante, Pétain vira serem-lhe atribuídos quase unanimemente pela Assembleia Nacional os plenos poderes. E ao «fazer dom da sua pessoa» à França, sacrificou-se para poupar os franceses a males maiores, que adviriam seguramente se o país fosse governado por um gauleiter dependendo directamente de Hitler.
E era amado pelos franceses: após a "débacle" de 1940, ele era na verdade a sua única esperança. O insuspeito Henri Amouroux intitulou o primeiro tomo da sua monumental história da Ocupação "Quarante millions de pétainistes".
Quanto a Laval, sacrificou quase diria deliberadamente a sua imagem com o mesmo objectivo. Quando declara «(desejar) a vitória da Alemanha, pois caso contrário o bolchevismo instalar-se-á por toda a Europa», não podemos ver nisso uma declaração de amizade e conivência ideológica com o nazismo, mas uma forma de lhe ganhar confiança, para posteriormente conseguir do ocupante a atenuação das suas rigorosas medidas, fossem de natureza financeira, fossem relativamente à deportação de judeus.
A vergonha foi, quanto a mim, protagonizada por De Gaulle e a sua clique de Londres, que em vez de compreenderem a duplicidade de Vichy, viram neste um governo fantoche, com o puro objectivo de o denegrir e preparar o caminho para a sua futura "legitimidade".
Após a invasão do Norte de África pelos aliados , Hitler decide ocupar a zona até aí não ocupada. A filha de Laval suplica ao pai para abdicar, enquanto este lhe chama inconsciente, pois as agruras dos franceses só poderiam aumentar sem a sua presença na Presidência do Conselho.
De tal forma a sua actuação foi benéfica para a França que, perante a óbvia verdade, foi-lhe negado em tribunal recorrer à sua documentação pessoal e condenado à morte, numa paródia de justiça.

Pierre Laval
Sugestões de leitura:
- «Laval» de Fred Kupferman (Flammarion), um livro premiado escrito por um filho de um deportado.
- «Pierre Laval devant l'Histoire» e «Mes Combats pour Pierre Laval» (ambos France Empire) do seu genro René de Chambrun.
Publicado por FG Santos às março 22, 2005 06:41 PM
Comentários
Aprecio o seu esforço para arrumar alguma informação histórica relevante no lugar que lhe é devido. O vencedor raramente é justo para com o vencido.
Publicado por: JMTeles da Silva em março 23, 2005 11:19 AM