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março 16, 2005
Carta aberta ao autor do "Nova Frente"
Caro Bruno,
Estive a ler atentamente a sua entrevista (num francês de excelente nível) ao blogue "Actualité des nationalistes européens", a qual me suscita as seguintes questões:
Os principais problemas que enfrentam os portugueses são, para si, a imigração descontrolada, a insegurança e o desemprego. São também estes os problemas que o FN, o VB, o FPÖ, etc. identificam como mais preocupantes nas sociedades respectivas. Fico sempre perplexo quando leio isto. Embora esses sejam problemas sérios e graves, sempre me pareceu que para um nacionalista de um país europeu, membro da UE, o maior problema que o seu país enfrenta é o da soberania cada vez mais reduzida. Acho que o PNR e movimentos similares têm este problema de foco: para eles, a Europa é uma realidade a ser preservada; não nos dizem o que é ao certo a Europa: um conjunto de países unidos pela geografia e pela religião; um conjunto de povos unidos pela raça (?). Falam em Europa das Pátrias, sem que se perceba o que isso é em concreto; é, desculpe-me, um slogan desprovido de conteúdo.
Afirmo e reafirmo, à força de ser maçador: Portugal construiu a sua independência virando-se para o mar: para a Inglaterra, para a América, para África. Sempre que se vira para terra, encontra a Espanha pela frente; a construção europeia é o caminho mais certo para a morte da nossa Pátria. Infelizmente, para os chamados identitários, mais vale sermos escravos de uma Europa branca do que soberanos de uma nação eventualmente mestiça ou pelo menos não homogénea etnicamente.
Já escrevi várias vezes que não quero o meu país invadido por uma imigração descontrolada, que não desejo que venhamos a ser um Brasil, mas que Diabo: será que só conseguimos isso entregando-nos de pés e mãos atados a uma entidade abstracta chamda Europa, que se está mais ou menos nas tintas para nós, que nos destrói os poucos sectores produtivos em que estávamos especializados, que nos despovoa os campos, que nos diz o que produzir, onde e como, que nos faz as leis, que nos rebaixa ao papel de mendigos, sem dinheiro e sem dignidade, que faz de nós, em suma, LACAIOS dos grandes países? Porque, e para concluir, é preciso muita ingenuidade para pensar que um dia a Europa, seja sob que forma jurídica e institucional, deixará de ser um conjunto de países, em que os mais fortes ditarão sempre as suas leis e em que os mais fracos ficarão subjugados, sem honra nem glória.
Um abraço deste que muito o estima,
FG Santos.
Publicado por FG Santos às março 16, 2005 05:56 PM
Comentários
Subscrevo e passarei palavra...
Parece que algumas respostas as perguntas que colocamos antes das eleicoes foram finalmente respondidas!
Tambem li, tambem rejeito!
Irei escrever qualquer coisa sobre o assunto nos proximos dias...
Publicado por: O Corcunda em março 16, 2005 06:35 PM
O que o FG Santos foi dizer...
Vêm já aí as 'brigadas'....
Mas, que diabo.
De que Portugal falamos?
Será que o BOS tem presente que Portugal, durante DÉCADAS, teve como principal 'exportação'.....hordas imensas de emigrantes que, em condições abandonaram o país em condições duríssimas e muitas vezes desumanas e miseráveis, se dispersaram pelo mundo, fugindo a uma pátria que foi sempre mais madrasta que mãe?
Podia aqui falar das gigantescas comunidades portuguesas residentes em França e na Alemanha, p.ex...
Mas vou antes falar das numerosíssimas comunidades portuguesas extra-europeias, no BRASIL, nos EUA (sim, sim), no CANADÁ (qualquer dia o 'PNR' lá do sítio, caso existisse, ainda expulsava a srª dª Fernanda Leitão...), na VENEZUELA (pois é), na AUSTRÁLIA, na ÁFRICA DO SUL, etc, etc...
(no Brasil chegam quase a 1 milhão, e nos restantes países são às larguíssimas CENTENAS DE MILHAR)
A diáspora é tão grande que se torna dificil numa viagem ao estrangeiro não dar de caras com portugueses e/ou seus descendentes. Estão em todo o lado. É um 'enxame'.
É certo e sabido que a entrada de emigrantes precisa de regras claras e isto não é a 'casa da sogra'.
Mas esta retórica insistente, vinda de um país europeu que produziu uma das maiores DIÁSPORAS à ESCALA PLANETÁRIA chega a ser absolutamente desconcertante.
Publicado por: Nelson Buiça em março 16, 2005 07:13 PM
Agradeço as observações que a entrevista lhe suscitou. É óbvio que a imigração, a insegurança e o desemprego não são os únicos problemas que nos afectam. São dos mais evidentes — mas não são os únicos. Podia ajuntar-lhes a crise da Saúde e da Educação, o "fiscalismo", a burocracia — e, entre muitos outros, a perda gradual de soberania, trespassada para Bruxelas. Nunca me esqueci, caro FG Santos, deste problema — que considero maior. E na entrevista que leu, falo contra a «Europa de Bruxelas» e denuncio o fim da soberania política. Digo-lhe mais, embora eu não caiba propriamente na definição de "identitário": nem escravos de uma Europa branca, nem soberanos de uma nação mestiça. Em matérias desta natureza, não podemos ir atrás do "mal menor".
Concedo que talvez não esteja claro o que seja a "Europa". Prometo um postal sobre o tema para qualquer dia.
Aproveito este comentário para chegar à fala com o Buiça, que me fornece a lista de países que acolheram emigrantes portugueses. Presumo eu que os quiseram lá. Há até países que foram erigidos segundo esse modelo. Cada caso é um caso. Mas, de qualquer modo, nem eu respondo pela política de administração interna dos outros países, nem sou "refém" dos portugueses que emigraram.
Publicado por: BOS em março 16, 2005 07:35 PM
"que nos rebaixa ao papel de mendigos, sem dinheiro e sem dignidade"
Não é a "Europa" que nos obriga a este papel, é a nossa classe política
Publicado por: Luís Bonifácio em março 17, 2005 04:47 PM
Muitas vezes oiço o argumento do N.Buíça, a respeito dos emigrantes que Portugal debitou para o estrangeiro, logo tendo o "dever moral" de aceitar imigrantes debitados de outros países.
Não o posso aceitar tendo em conta que, como diz o Bruno, "cada caso é um caso", e se Portugal enviou gente honesta, educada para o sacrifício, para o trabalho, para o respeito e auto-disciplina (à semelhança dos imigrantes de Leste ou da Ásia presentes em Portugal), os imigrantes oriundos de África trazem-nos uma cultura de sobrevivência, de nivelamento mínimo, de desespero, da lei selvagem do mais forte fisicamente que subjulga o mais fraco, uma cultura sem auto-disciplina nos gastos e na educação familiar, etc, etc, etc...
Estamos nós em condições de educar esta gente para a civilização à velocidade com que entram cá? Esta é a única questão que deixo.
A alternativa é a violência doméstica, a violência juvenil, a insegurança nas escolas, o apinhamento de bairros étnicos clandestinos, etc.
Publicado por: Dextera em março 17, 2005 09:32 PM
Uma INFORMAÇÃO ESSENCIAL:
NÃO SOU RACISTA (para que conste)
Publicado por: Dextera em março 17, 2005 09:34 PM
"Estamos nós em condições de educar esta gente para a civilização à velocidade com que entram cá?"
Não. Claro que não.
E eu sempre tenho dito que a emigração não pode ser desregrada e desvairada como tem sido.
Até porque estamos a lidar também com as limitadas capacidades económicas do nosso país que, para nosso infortúnio, nunca conheceu um processo de verdadeira industrialização.
Publicado por: Nelson Buiça em março 18, 2005 12:47 AM
Sabe qual é o primeiro problema caro Buíça?
É que se referirmos apenas a necessidade de "educar essa gente", temos o SOS Racismo, o Bloco de Esquerda e escumalha afim a questionar a nossa autoridade para educar povos de outros países, com direito a manter seus hábitos e suas culturas. E pode crer que os média logo trataríam de deixar vitoriosa a indignação destes em deterimento dos nossos apelos, que passariam por fascizantes, racistas ou sei lá o quê...!
Publicado por: Dextera em março 18, 2005 03:01 AM
«Infelizmente, para os chamados identitários, mais vale sermos escravos de uma Europa branca do que soberanos de uma nação eventualmente mestiça ou pelo menos não homogénea etnicamente.»
Ou seja, FG Santos quer preservar a todo o custo a soberania do Estado português, mesmo que já não existam portugueses... Não percebo qual o interesse de ter uma Estado dito português, soberano, se já não houver portugueses.
Publicado por: NC em março 19, 2005 12:14 AM
Fica-se a aguardar o tal postal do BOS sobre a Europa; e, já agora, outro sobre a Direita.
Publicado por: Mendo Ramires em março 19, 2005 07:17 PM
«Afirmo e reafirmo, à força de ser maçador: Portugal construiu a sua independência virando-se para o mar:»
Não, não é verdade. A independência de Portugal foi consolidada na Europa ANTES de Portugal se lançar pelo mar fora.
E a Inglaterra, «por acaso», também faz parte da Europa e sempre foi uma nação orgulhosamente branca, que contribuiu, «por acaso», para edificar dois dos regimes mais racistas de sempre: o do sul dos EUA antes da guerra civil e o do apartheid sul-africano.
Publicado por: Caturo em março 20, 2005 11:33 PM
Isso não quer dizer que tivéssemos que seguir o modelo inglês; a nossa aliança, como escrevi, era no interesse de ambos e serviu para consolidar a nossa independência face aos apetites vizinhos.
Publicado por: FG Santos em março 21, 2005 09:51 AM
NC, leu o que eu escrevi? «Já escrevi várias vezes que não quero o meu país invadido por uma imigração descontrolada, que não desejo que venhamos a ser um Brasil, mas que Diabo: será que só conseguimos isso entregando-nos de pés e mãos atados a uma entidade abstracta chamada Europa (...)»
Publicado por: FG Santos em março 21, 2005 09:54 AM
Li. E você? Leu o que escreveu?
«[mais vale sermos] soberanos de uma nação eventualmente mestiça»
Publicado por: NC em março 22, 2005 01:18 AM
NC, não sei se leu Camus (se calhar, não, o homem era de esquerda). Escreveu ele em tempos: «dêem-me um texto de um indivíduo qualquer que eu faço-o fuzilar». Fora do contexto certas frases saiem muitas vezes deturpadas. A frase (truncada) que reproduz tinha como sujeito os identitários, não eu próprio e pretendia mostrar que muito simplesmente para os identitários a raça está acima de qualquer outra consideração, INCLUSIVE a Nação; daí a concluir-se que eu não me importo que Portugal se torne um novo Brasil (ideia que mais à frente reprovo) é uma interpretação claramente descabida.
Publicado por: FG Santos em março 22, 2005 02:12 PM