« Contra o iberismo, marchar, marchar | Entrada | Marechal Pétain »

março 18, 2005

Camilo

Ontem deixei passar sem referência os 180 anos do nascimento do grande Camilo Castelo Branco.
Graças ao Rui Oliveira, mais conhecido pelo "Superflumina" que pelo seu blogue literário "Humanae Litterae", esta efeméride não passou em claro na blogosfera.

camilo.jpg


Homem de letras de génio, Camilo deu à língua portuguesa uma aura maravilhosa, o seu vocabulário riquíssimo é vertido em páginas de prosa poética, de uma musicalidade raramente alcançada entre nós.
Mesmo os seus enredos menos elaborados, como "Estrelas Propícias", acabam por ser de leitura mais que proveitosa, pelo factor apontado, pela riqueza dos tipos, pelo retrato vivíssimo que nos dá do Minho e Douro Litoral.
As suas obras que li mais recentemente foram o "Amor de Perdição" e as "Memórias do Cárcere", que ficaram bem vivas na minha memória. A imagem do barco que leva Simão Botelho para o exílio, vista pela sua amada, é de uma força emotiva fantástica, arrepiante. As evocações de José do Telhado ou das visitas do Rei D. Pedro V à prisão são inesquecíveis.
Honremos a memória do grande escritor, lendo-o e divulgando a sua obra.

Publicado por FG Santos às março 18, 2005 11:29 AM

Comentários

Bem lembrado. Curvo-me respeitosamente perante a memória de Camilo. O meu prosador português favorito. Os meus amigos (quase) todos acham que vou mais pelo Eça. Qual! Quando aos 13 anos o meu avô materno me pôs pela frente as "Aventuras de Basílio Fernandes Enxertado" — comecei uma relação ternurenta com a prosa camiliana. Corri a seguir "As três irmãs" (salvo seja), "Onde está a felicidade?", "A mulher fatal" e o extraordinário "Coração, cabeça e estômago". Mergulhei na prosa, no teatro e na (escassa) poesia do autor. Li, reli e 'treli' as "Novelas do Minho", de cima para baixo, de baixo para cima, linha por linha, adjectivo por adjectivo, preposição por preposição. Diverti-me à gargalhada com as desventuras de Calisto Elói n'«A queda dum anjo». Depois, na escola, dei o «Amor de Perdição», mas a titular da cadeira não gostava lá muito da novela nem do autor. "—Isto é um bocado chato" — chegou a confessar a tonta. Mandei-a àquela parte baixinho e prossegui a camiliana senda — "Coisa Espantosas" logo após; "O senhor do Paço de Ninães", de vernáculo muito medievo; o "Anátema"; o "Eusébio Macário" e o seu símile "A Corja", livro admirável em que Camilo zomba do Eça e de toda a escola realista. — Vocês anotem estas coisas que isto não se ensina nas escolas e eu não duro para sempre! — Na primeira página e meia de "A corja", Camilo abusa da preposição "com", falha em que nunca caía, repetindo-a várias vezes, com o intuito de vergastar o descuidado uso das preposições no Eça. Só pode ser...
Acho que não me falta ler nada da prosa camiliana. Algumas coisas, é certo, só li uma vez. Outras, umas três ou quatro! E acho que a nossa geração só tinha a lucrar se seguisse o exemplo.

Publicado por: BOS em março 18, 2005 01:07 PM

Muitíssimo bem lembrado por FG Santos e rematado com chave de ouro por BOS.
Bem-hajam!

Publicado por: Mendo Ramires em março 18, 2005 04:06 PM

Ora viva!
O Zecatelhado, camarada destas lides da blogosfera, deseja para esta casa um fim de semana cheio de bons posts e demais coisas agradáveis.
Envia ainda
AQUELE abração amigo.

Zecatelhado

Publicado por: zecatelhado em março 19, 2005 11:08 AM

Um link: www.citi.pt/cultura/literatura/romance/c_castelo_branco/index.html

Publicado por: Pimenta em março 20, 2005 09:09 PM