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março 21, 2005

Breves de um país cinzento

Neste dia tão cinzento, as breves que se seguem reflectem o estado do tempo, apesar de a chuvinha ser tão necessária para a nossa terra como o bom senso.

1) As notícias abaixo referidas prenunciam o que sempre se anteveu: o governo de centro-esquerda vai tentar estimular a economia e o emprego recorrendo à velha receita keynesiana de investimentos públicos. Junta-se-lhe a estratégia também empregue por Jospin em França de dar emprego a jovens.
Em vez de se criarem condições para os empresários investirem, é o Estado que toma a dianteira, metendo-se onde não devia ser chamado. Parece-me óbvio que passada essa vaga de investimento e apoio aos jovens o tecido produtivo português estará na mesma e voltaremos ao ponto de partida. E os investimentos verdadeiramente reprodutivos ficaram na gaveta das empresas.
«Governo prevê investimentos de 20.000 M€ nos próximos quatro anos»
«Primeira medida do Governo será empregar mil jovens»

2) "A Capital", sob a iluminada direcção de Luís Osório, tem-se afirmado como um dos paradigmas da reflexão à esquerda. Não surpreende, por isso, que nos destaques da edição online de hoje nem sequer se fale do assassinato de dois polícias na Amadora. Em contrapartida, pode ler-se uma entrevista com dois distintos membros da organização filantrópica Batasuna.

3) A propósito do drama dos dois polícias, destaque-se as sensatas palavras de Luís Maria, dirigente do Sindicato de Profissionais de Polícia: «A polícia é ineficaz no combate à criminalidade e não pode fazer nada. O crescendo de violência contra elementos das forças de segurança passa por uma percepção que os criminosos têm em relação à polícia que se restringe à frase "não pode fazer nada. A polícia não pode levar ninguém para a esquadra sem um forte fundamento, não pode identificar ninguém sem um forte fundamento, não pode puxar da arma.»
À força de implementar os direitos humanos no ordenamento jurídico, o legislador contemporâneo acaba na prática por proteger os criminosos para lá do razoável, desprotegendo as vítimas e os garantes da ordem pública.

Publicado por FG Santos às março 21, 2005 12:10 PM

Comentários

"Em vez de se criarem condições para os empresários investirem, é o Estado que toma a dianteira, metendo-se onde não devia ser chamado."

Bravíssimo!

Aplaudo, de pé, este post do FG Santos

Publicado por: Nelson Buiça em março 21, 2005 04:07 PM