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janeiro 03, 2005

Rodrigo Emílio e os judeus

Tenho lido nos últimos tempos alguns artigos e poemas que Rodrigo Emílio escreveu na defunta revista "Último Reduto" sobre o "povo eleito".
Confesso que a minha alminha ficou chocada. Há lá asserções que, mesmo descontando o factor ironia, fariam se calhar corar o Dr. Destouches quando este escreveu as "Bagatelles" (que, desconto se possa fazer, sempre era um panfleto pacifista).
As sociedades em geral prezam muito o consenso aquando da morte de uma figura. O mesmo é verdade para grupos de pessoas quando se fina alguém cujas ideias ou talento os uniam simbioticamente. Quando Rodrigo Emílio faleceu, muitos blogues (quem mais o poderia fazer?) evocaram a figura do poeta, do polemista, do pensador. O consenso nesse restrito meio era um facto. Temos realmente dificuldade em criticar alguém após a sua morte, mais a mais se esse alguém nos diz muito. Mas também penso que não é fazer justiça aos mortos ocultar ou simplesmente esquecer facetas dessa pessoa só porque podem enegrecer a imagem que dela fica para a posteridade. E de facto Rodrigo Emílio tinha uma judeofobia marcada, a fazer fé no que publicou na supracitada revista. Isso não apagará nunca o seu talento, nomeadamente de poeta. Nem eu me quero arvorar em moralista, apenas escrevo estas linhas chocado em particular com um poemeto intitulado singelamente "Receita Levemente Crematória", que é de um mau gosto extremo.
Mas continuarei a ouvir Rodrigo Emílio cantado por Campos e Sousa com o mesmo prazer. Saibamos separar as águas.
O ser humano é naturalmente ambíguo e pejado de contradições e facetas variadas. "Ainsi soit-il".

Publicado por FG Santos às janeiro 3, 2005 05:46 PM

Comentários

O Rodrigo Emílio não tinha nenhuma "judeofobia marcada". A obra não é o homem. A «Receita Levemente Crematória» é um poema menor, a que o autor não atribuía grande importância; é uma composição de carácter irónico, com o propósito simples de pôr em verso uma piada que andava nesse tempo de boca em boca — e que tinha a ver com a conta do gás... Não queiramos ver no poema um 'manual de procedimentos' para o nacionalista moderno!
Na mesma linha se situa o 'Ein lied gegen juden', poema com que o FG Santos é também capaz de ter topado. Poemas menores, pequenas brincadeiras satíricas, para combater o amargurado tédio dos poetas...
Não sei porquê, mas o 'métier' judaico tem inspirado as nossas melhores canetas. O 'povo eleito' tem de certeza um misterioso e insondável fundo poético... O Fernando Pessoa, quando fundou a editora Olissipo (que acabou logo a seguir), queria a todo o custo publicar os «Protocolos dos Sábios de Sião». Não chegou a fazê-lo, mas não foi por falta de vontade...

Publicado por: BOS em janeiro 3, 2005 06:48 PM

Não duvido do que diz, daí ter mencionado a ironia como base para o poemeto.
Infelizmente hoje em dia já não se pode brincar com os judeus, mesmo a bem. Acho que as únicas piadas que correm sobre eles têm origem... neles próprios. (Eu ouvi algumas, sobretudo sobre rabinos, da boca de um judeu holandês com grande sentido de humor.)
Infelizmente vigora aquilo a que Annie Kriegel chamava "insuportável polícia judaica do pensamento".

Publicado por: FG Santos em janeiro 3, 2005 07:14 PM

É quase escusado dizer que ao escrever, não sem hesitação, o texto acima, esperava que o BOS, que conheceu o poeta pessoalmente, me viesse esclarecer. Quem sabe, sabe.

Publicado por: FG Santos em janeiro 3, 2005 07:17 PM

Onde é que se arranja uma "judeofobia marcada"?
Eu quero uma!
;)

Publicado por: A em janeiro 4, 2005 02:54 PM

Tu já não precisas!

Publicado por: BOS em janeiro 4, 2005 04:15 PM

E o FG Santos vai disponibilizar esses textos no blogue, para que os seus leitores também os possam ler?

Publicado por: NC em janeiro 4, 2005 11:12 PM

NC, em princípio não, dado que, como percebeu, não me identifico com eles. Se o desejar tenho todo o gosto em enviá-los por mail. É só dizer.

Publicado por: FG Santos em janeiro 5, 2005 12:14 PM

Claro que quero! Vou-lhe enviar um mail então, fico a aguardar e desde já lhe agradeço.

Publicado por: NC em janeiro 6, 2005 11:33 PM

RODRIGO EMÍLIO E OS JUDEUS
Sempre que se fala dos judeus num tom diferente do cacarejado "urbi et orbis" pelos chulos, alcoviteiras e prostitutas do sistema, da imprensa, dos que "todo lo saben" e dos que "lo saben todo", não tarda que apareça uma alminha chocada (pelo menos uma) a lacrimejar queixumes de donzela ofendida. Nunca falha, é fatal como o destino...
Agora, foi a vez do F. G. Santos, que, embora não sendo propriamente uma donzela, não consegue dormir sossegado desde que leu o poema "levemente crematório" do Rodrigo Emílio. "De um mau gosto extremo", diz enfaticamente, depois de admitir umas linhas antes que a "judeufobia marcada" do poeta "não apagará nunca o seu talento", tirada oblíqua com a qual nos oferece a preço de saldo outra peça do arsenal argumentístico dos que não sabem muito bem para que lado cair, ou seja, a técnica de uma no cravo e outra na ferradura, estratagema que em situações como esta serve para ficar bem com Deus e nem bem nem mal com o Diabo...
Assim, ficamos a saber que o Rodrigo Emílio se pautou pelo mau gosto ao escrever o "poemeto" e que o F. Santos é, pelo contrário, dotado de um bom gosto excelente, pois, se assim não fosse, não estaria aí a terçar armas por tão eminentes e qualificados amigalhotes...
Não quer armar em moralista, diz a certo passo, mas dá a entender implicitamente (a mim, deu-me, e a outros terá dado também) que está à altura de chefiar condignamente uma comissão de censura e que, nessa qualidade, não deixaria de pôr cobro a semelhantes indecências. De facto, há muitos (ora se não há!...) que vociferam a todas as horas anátemas e maldições contra a censura e que são os primeiros a empunhar o lápis azul para exprobar (leia-se censurar) tudo o que sai das ideias e pensamentos que digeriram ou lhes meteram na cabeça. "Mutatis mutandis", é o que se passa com os anti-colonialistas: quanto mais fanaticamente anti-colonialistas, mais facilmente colonizadores (e colonizáveis, o que parece paradoxal, mas que, de facto, não é). É típico. Um bom exemplo disso é a campanha política e ideológica que vai ganhando foros de verdadeira colonização e à qual o F. Santos parece não ver necessidade de opor mais que a resistência descafeinada e pífia própria desta época "soft" e "light" em que vivemos, colonização que nos aspectos mais exteriores e gerais se caracteriza essencialmente pela submissão bovina às "verdades", conselhos, sugestões e mensagens liminares ou subliminares das rameiras, bonifrates e esbirros de todas as centrais vermelhas e cor-de-rosa do planeta, a atenção religiosa posta no locutor de turno, mesmo que seja um rematado patife, ou no escriba de serviço, mesmo quando não passa de um crápula ignorante. A estrita observância do politicamente correcto, em suma, o que nos tempos que correm é recomendável a todo aquele que tem o pé direito num lado e o esquerdo noutro, escolha que lhe permitirá não ter demasiados sobressaltos e lhe possibilitará tratar comodamente da vidaça e da conta bancária...
Não parece difícil adivinhar o tipo de preconceitos e tabus com que o F. Santos se alimenta. Ao dizer, por exemplo, que "o ser humano é naturalmente ambíguo e pejado de contradições", não está a pretender fazer os outros, incluindo eu próprio, à sua imagem e semelhança? Que ele viva ou goste de viver entre contradições e ambiguidades, é coisa que não me diz respeito, mas pretender que todos padecem do mesmo mal, é levar demasiado longe a impertinência e a falta de decoro.
Depois de tudo e para terminar, e porque devo defender a memória do Rodrigo Emílio, meu camarada de ideário, seria bom que não voltasse a falar com tanto despeito e desrespeito daquele que foi sem exagero o maior poeta da actualidade, um homem de qualidades éticas e morais que infelizmente não abundam, que aliás estão em vias de extinção, e um amigo caro com quem tive a sorte de partilhar ideias, pensamentos e muitos anos de camaradagem e fidelidade. Quando achar que deve criticá-lo, não transforme em defeitos o que nele eram virtudes, não enegreça aquele que era um farol de luz no meio deste negrume. Se gosta de queimar cartuchos, queime-os, mas então use-os contra os falsários e traficantes que pululam por aí como fungos venenosos, contra essa corja infrene de maltrapilhos mentais sem vergonha e sem escrúpulos a quem corresponde a sargeta e não a ribalta.
--- Rangel ---

Publicado por: Rangel em janeiro 9, 2005 01:23 AM

Ao falar no consenso que reina sempre em qualquer grupo, referia-me em particular que mesmo nos chamados politicamente incorrectos reina uma correcção política, em que certas figuras são inatacáveis. Se ouviu o que disse Campos e Sousa, Rodrigo Emílio tinha alguns defeitos (como todos nós) e não há-de ser por isso que deixamos de apreciar a sua obra.
Mas para si parece que quem não usa de hostilidade permanente e agressiva para com os judeus (mesmo que seja crítico para com a sua actuação) leva logo com o rótulo de "soft" e de alguém que quer agradar a gregos e troianos.
Não quero ser deselegante mas acho que isso é uma atitude algo fanática; a realidade, no entanto, não é a preto e branco e neste blogue não serei absolutista das ideias e das figuras.

Publicado por: FG Santos em janeiro 9, 2005 01:22 PM

A correcção política que possa existir eventualmente nos meios politicamente incorrectos a que você se refere não representa, como parece querer insinuar, falta de personalidade ou carência de espírito crítico, mas apenas e tão-somente o respeito por figuras cuja vida foi exemplar no essencial.
Não necessito que me lembrem que o Rodrigo Emílio tinha defeitos. Sei muito bem, talvez melhor que muita gente, que os tinha, e várias vezes tive de lhe aturar impaciências, maus humores e até ditos azedos, mas nunca olhei esses defeitos à lupa nem os usei como arma de arremesso. Mesmo quando me sentia com razão, o que acontecia com frequência, evitei sempre esbracejar ou discutir e esperei um momento mais adequado para o levar a aceitar a minha opinião ou a reconhecer as minhas explicações. Foi assim que procedi durante os quase trinta anos de amizade e camaradagem que me ligam a ele e nunca me dei mal com isso. Antes pelo contrário. É certo que tinha de engolir uns sapos gordos de vez em quando, mas sentia-me perfeitamente compensado ao saber que tinha nele um amigo fiel e dedicado que me dava atenção, que me estimava e respeitava, que me saudava com abraços de partir as costelas e me dizia a cada passo (modéstia àparte) que as minhas reflexões ou comentários o levaram em várias ocasiões a rever os seus próprios pontos de vista sobre questões que considerava definitivas.
Para terminar este ponto, não há que ampliar os defeitos e fraquezas de homens exemplares e dignos cuja honra está acima de todas as suspeitas e contingências, seja o Rodrigo Emílio ou outro qualquer, mas de honrar as virtudes de que são portadores e de os elevar ao lugar que merecem, que conquistaram com coragem, sacrifício, abnegação, altruísmo e, muitas vezes, com dores e sofrimentos. Nesse aspecto, são inatacáveis, mesmo por aqueles que sendo pequenos recusam reconhecer a sua pequenez e insuficiência e pelos que se deleitam em descobrir ou inventar mazelas em almas sãs para encobrirem a sua própria baixeza e mediocridade. É coisa sabida que a sombra do gigante assusta o pigmeu...
Da mesma maneira que o Rodrigo Emílio me defenderia em circunstâncias semelhantes, do que nunca duvidei, assim o defenderei da insinuação malévola e da calúnia. Sem tréguas e sem descanso.
Já agora e para que conste, a sua acusação de “judeufobia” é na realidade um elogio que lhe faz, embora talvez involuntário... Aquilo que para si não passa de judeufobia barata e inconsequente, era no Rodrigo Emílio conhecimento e sabedoria.

Quanto à questão judaica e sobre o que penso sobre o assunto, terei dito alguma vez que os judeus devem ser invariavelmente hostilizados e agredidos? Onde viu ou ouviu semelhante coisa? Por favor, não ponha na minha boca coisas que eu não disse.
O que digo e sustento é que o judaísmo internacional é o principal responsável pelo mal-estar e desconcerto que grassam em toda a parte, que são ou foram judeus os patrocinadores, autores e factotums das convulsões que assolaram o mundo, incluindo as revoluções ditas francesa, americana, alemã, húngara, bolchevista, a guerra civil espanhola, as duas guerras mundiais, etc., que são judeus os principais promotores da mentira, da subversão e da propaganda dissolvente, da contra-cultura, do anti-racismo (na realidade, racismo anti-branco), da pornografia e do terrorismo, o mental e o outro (os acontecimentos na Palestina demonstram-no claramente e sem margem para dúvidas), do crime organizado, da banca especulativa e espoliadora, do tráfico de droga e de armas e, em geral, de todos os tráficos, das campanhas a favor da homossexualidade e, enfim, do complexo de culpa dos povos europeus com a difusão de patranhas monstruosas como a do “holocausto”...
Para tal, baseio-me essencialmente, não em escritos de carácter anti-semita ou em discursos e proclamações do género, mas nas próprias afirmações de representantes eminentes do "povo eleito". Poderia citar um bom número de políticos, escritores e ideólogos judeus que o afirmam sem máscaras e sem véus.
“Não quero ser deselegante mas acho que isso é uma atitude algo fanática”, diz você... Seja, pense o que quiser, mas devo dizer-lhe que sempre fui fanático contra o fanatismo, sabe? Como sou intolerante com a intolerância! Assim e quaisquer que sejam as consequências, é com fanatismo e intolerância que respondo aos fanáticos e intolerantes. Mesmo quando se escudam, como você fez agora, atrás de pretextos anti-absolutistas e multicoloridos.
Finalmente, devo acrescentar que não pretendo fazer de si um inimigo. Ao avisá-lo de que iria usar palavras desagradáveis na minha exposição, quis apenas ser leal consigo, não ofender ou maltratar. Sou consciente de que a minha linguagem tem pouco de elegante e que tal circunstância poderá surgir como um defeito aos seus olhos, mas também tenho como certo que a verdade é sempre brutal e que as coisas são como são, não como muitos gostariam que fossem.
Por último, penso não ser despropositado recordar-lhe que os meus inimigos são também os seus inimigos. Disso, pode estar seguro, como pode estar seguro que na hora fatídica hão-de usar consigo a mesma corda e a mesma forca que usarem comigo...

Publicado por: Rangel em janeiro 11, 2005 01:13 AM