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janeiro 26, 2005
Aventuras de Nelsinho no Bairro do Al-Arido
O menino Nelsinho habitava no Bairro do Al-arido. Outrora este bairro era habitado maioritariamente por meninos de classe média; os pais eram regra geral perquenos comerciantes que viviam sem problemas de maior.
Depois começaram a afluir famílias estrangeiras da terra de Ju-Sião. Depressa constituíram milícias e começaram a pressionar os al-aridenses a deixar as suas casas e ir para as terras áridas da periferia. Os recalcitrantes seriam alvo de fortes represálias.
Os al-aridenses por sua vez constituíram também milícias que procuraram resistir aos invasores.
Os ju-siões começaram a ser apoiados pelo povo dos Sam-Gringos, que fornecia armas modernas para ajudar à ocupação de Al-arido.
A luta era desigual e poucos meses depois os ju-siões ocupavam já 80% de Al-arido, tendo os al-aridenses fugido na sua grande maioria.
O menino Nelsinho, não sendo nem al-aridense de gema nem ju-sião, simpatizava com estes últimos. Não sabia bem porquê. No fundo achava-os algo bárbaros. Mas como eram apoiados pelos Sam-gringos, achava que era melhor estar do seu lado.
Os ju-siões controlovam o bairro de Al-arido com mão de ferro. Rebaptizaram-no para Grande Al-arido e o centro do bairro ficou Eretz-coiz-i-tal. Usavam o trabalho mal pago dos pobres al-aridenses, que sofriam todo o tipo de controlos humilhantes até chegarem ao seu local de trabalho.
Um dia nas terras áridas da periferia os al-aridenses descobriram uma mina de ouro, matéria muito cobiçada pelos Sam-gringos. Entre retirar o apoio aos ju-siões e aliar-se aos al-aridenses, ou manter a aliança antiga e perder o ouro, os Sam-gringos hesitaram. Para complicar a coisa, havia muitos ju-siões no governo Sam-gringo, querendo manter o apoio à sua pátria. O governo Sam-gringo forjou uma aliança com os Al-aridenses corruptos, que vendiam o ouro a bom preço a troco de fechar os olhos ao sofrimento dos seus conterrâneos na primitiva terra.
O menino Nelsinho ficou contente. A opção tomada por Sam-gringo estava em linha com a doutrina “Libera me”, de Adão Schmitt. Os al-aridenses não passavam de um bando de desordeiros e terroristas e mereciam pesado castigo. Pensava já, extasiado, na próxima missão Sam-gringa: a invasão de Safíria, terra rica em pedras preciosas habitada por primos de al-aridenses. A grande marcha neo-gringa era imparável.
Publicado por FG Santos às janeiro 26, 2005 12:01 PM
Comentários
Não sei porquê mas, esse Nelsinho, faz-me lembrar alguém.
;)
Publicado por: A em janeiro 27, 2005 04:25 AM
:-)
O FG Santos revela-se, cada vez mais, como um caso sério de talento na escrita.
Está muito giro. :-)
Quanto à substância acho que errou. Ou melhor, exagerou um bocado.
Responderei no meu blog, para por esta questão em 'clean dishes'.
This is a threat! ;-))
Publicado por: Nelson Buiça em janeiro 27, 2005 03:55 PM
Obrigado pelo elogio. Em relação à substância, se exagerei também é verdade que apenas pretendi fazer uma caricatura e não um retratro fidelíssimo da realidade.
Quanto à "threat", vou já a correr esconder a minhas WMD.... :-)
Publicado por: FG Santos em janeiro 27, 2005 05:15 PM