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dezembro 22, 2004

Poeminha de Natal para Vintila Horia

Poeminha de Natal para Vintila Horia
e para a Constança Filipa, minha segunda filha,
en recuerdo de su càsi clandestina navidad...

(Em memória do grande escritor católico, apostólico, romeno, Vintila Horia, tido como um dos centros e epicentros mentais da Terra mais influentes e operantes no painel do nosso tempo, autor de Deus Nasceu no Exílio e falecido, ele mesmo, no exílio — no seu exílio de Madrid — por altura da Páscoa do ano transacto, — aqui relembrando a diáfana meia-tarde lisboeta de meados de 1979, em que a ele e com ele me juntei, e me jantei, senhorialmente cancionado para o efeito por real deferência e especial alforria do João Bigotte-Chorão, que foi quem fez, a meias comigo, as honras da Casa e a mor e melhor parte das despesas da conversa que vivamente entretecemos, e que longamente mantivemos, de trindade e pucarinho, já se vê, com o nosso, e portentoso, conviva dessa hora: desde logo, o mais sábio, principesco, preclaro e cativante «camponês» que o Danúbio Azul já produziu e que Deus guarde, agora e sempre, accanto a Se!)

À luz de terra estrangeira
foi que pela vez primeira Te palpitou a pupila
e se insinuou sol em teu cílio.

Foi-te berço embalador
todo o desterro espanhol
do teu pai Rodrigo Emílio:
Senhor d'intranquila história...

De toda e qualquer maneira,
minha menina fagueira:
Também Deus Nasceu No Exílio...

(— Pois não é, Vintila Horia?!...)

Natal de 1975
Rodrigo Emílio

Publicado por FG Santos às dezembro 22, 2004 04:19 PM