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novembro 26, 2004

Profissão de Fé

Nem sei que vos diga sobre o excerto que abaixo reproduzo, da autoria de Paiva Couceiro. Está lá "tudo" - e quão actual é.
A obra em questão foi escrita no exílio e editada pelas Edições Gama no ano da morte do grande vulto, 1944.

«Spengler, naturalista, baseia-se no factor humano. Homens fortes construirão o Mundo Novo. E a solução virá das minorias aristocráticas por eles constituídas. Estado forte, com leis e baionetas, corrigindo a anarquia, sem preocupações da moral que Deus sanciona. (...)
Evidentemente a doutrina de Spengler – casta de senhores em face do povo de servos – nem é compatível com a dignidade humana, nem serve para homens livres.
E de homens livres é tradição Portuguesa, dentro das suas Corporações – morais, intelectuais ou económicas -, embora obedientes, por conveniência própria e necessidade nacional, às hierarquias sociais e políticas. (...)
Não teremos descanso, enquanto se mantiver a supremacia da Força, quer dentro dos Estados atropelando os direitos individuais, quer, por lógica consequência, de Estado para Estado, desrespeitando totalmente a consciência espiritualista da Civilização Ocidental, sob exclusivas preocupações materiais – sofismando os princípios e violando as leis Divinas e Humanas com a dialéctica bruta do lobo contra o cordeiro da Fábula.
Progresso – isto? Ou antes bárbaro retrocesso? (...)
A ambição da conquista, a fome do ouro, a concorrência económica, o abuso da espada guerreira – brutezas e violências a cada passo – caracterizam (...) os processos e os estímulos da política e da diplomacia modernas. A Europa, essencialmente decadente, renovando a clássica confusão de Babel é caminho aberto para as novas invasões de bárbaros. Repete-se a História a milénios de distância. (...)
Oscilam pois as Sociedades nos seus alicerces, e nós Portugueses não menos que os outros. Tanto mais que quaisquer intentos reformadores a fundo, encontram diante de si o organismo social enfraquecido por um século de liberalismo, que perverteu espíritos e costumes, e destemperou o carácter dos homens, sob os estimulantes corrosivos do favoritismo, e das tricas eleitorais, base do Estado liberal.
Seja como for, a decadência tem de travar-se, e há que construir o Portugal Maior.»

Henrique de Paiva Couceiro, "Profissão de Fé (Lusitânia Transformada)", 1944.

Publicado por FG Santos às novembro 26, 2004 10:33 PM

Comentários

Será preciso dizer mais alguma coisa?
Nunca virou a cara à luta!!! Contra as modas!

Viva Portugal

Publicado por: O Corcunda em novembro 27, 2004 04:57 PM