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novembro 24, 2004
Juventude
Após tanta especulação e posterior surpresa, nomeadamente aqui e aqui, sobre aspectos da verdadeira nartureza de alguns blogueiros, em especial sobre os seus "verdes anos", lembrei-me do texto de Curzio Malaparte que a seguir reproduzo, extraído da sua "Carta à Juventude da Europa". Em português está incluído no volume "Mãe Apodrecida", Livros do Brasil (Colecção Dois Mundos).
«Estou ainda tão desgostoso com os elogios que as gerações de têmporas grisalhas dirigiam à minha geração, quando era novo, quando ainda não tinha vinte anos, que hoje, que tenho também as fontes grisalhas, me repugna dirigir elogios, esses mesmos elogios, aos jovens. Não tenho nada a pedir aos jovens, não tenho nada de bom a esperar deles, e parecer-me-ia uma lisonja inútil e vil dirigir-me a eles com a boca cheia de sorrisos e palavras melosas. Tenho da juventude, da minha juventude, uma recordação humilhada, e creio ainda, como quando tinha dezasseis anos, que a juventude é o período do homem mais triste, mais humilhado, mais mentiroso e mais vil. Cantar o elogio dos jovens é até certo ponto uma convenção. E dizer que os jovens são melhores do que nós, que os jovens de hoje são melhores, ou piores, do que nós éramos em jovens. As gerações jovens assemelham-se todas: não diferem senão por via das circunstâncias históricas, económicas, sociais, intelectuais, em que crescem e se formam. Mas os seus pensamentos, os seus sentimentos, são, mais ou menos, os mesmos em todas as gerações. (...)
«Os ideais da juventude são sempre os mesmos, em qualquer momento da história: são ideais de justiça e de liberdade, bien sûr, mas estes mesmos sinceros ideais são bastante menos fortes do que o espírito de aventura, do que a ambição de sair, com uma guerra, uma revolução, uma viagem, uma exploração, uma aventura, em suma, dessas incertezas, dessa escuridão e tristeza em que crescem e se formam, em todos os períodos históricos, os jovens de todas as nações. (...)
« Os ideais da juventude são ditados, sempre e por toda a parte, por motivos de carácter biológico. A juventude é uma fera jovem. Tem o instinto da luta, da aventura. Quer construir para si um mundo novo. É revolucionária, romântica, sem piedade. A juventude é igual em todas as classes. Mais do que de ideais é preciso falar de instintos, de necessidades biológicas. (...)»
Publicado por FG Santos às novembro 24, 2004 10:36 PM
Comentários
Lo cierto es que la juventud solo es idolatrada por los modernos, porque los antiguos veneraban la experiencia, la senectud, no la juventud, esta ultima epoca de la vida en que se hacen muchas estupideces.
La experiencia no solo es un grado. Es una virtud.
Publicado por: Rafael Castela Santos em novembro 25, 2004 02:11 AM