« Juventude | Entrada | O politicamente correcto mostra as suas garras »

novembro 25, 2004

25 de Novembro

Faz hoje 29 anos que terminou a aventura revolucionária do Portugal pós-abrilino.
Golpe ou contragolpe, os contornos do episódio ainda hoje não são totalmente claros, o que é certo é que se abriu uma nova era para o nosso país, pondo-se de lado as experimentações marxistas-leninistas e o poder saíu das ruas.
O sinistro Melo Antunes, co-signatário do Documento dos Nove, logo se apressou a acolher o PCP nos braços da democracia, dado o seu "papel indispensável" na construção desta. O mesmo energúmeno que, à revelia da história e dos tratados e do simples bom senso, declarou Cabinda parte integrante do estado angolano.
Mas obviamente que o marxismo não saíu de cena: oito meses antes tinha-se procedido à nacionalização indiscriminada de vastos sectores da economia e as consequências dessa tragédia ainda hoje se fazem sentir, com inúmeras empresas reprivatizadas e, acto contínuo, na posse de capital estrangeiro. O Conselho da Revolução continuou a existir e a ter a possibilidade de vetar leis, até ao seu fim constitucional em 1982.
O Império esboroara-se e a guerra continuou no ex-Ultramar. Vários biltres de "impecável" pedigree revolucionário não perderam tempo a beneficiar comercialmente das novas possibilidades oferecidas pela independência das ex-colónias, amiúde fraudulentamente.
Ainda hoje a nossa Constituição tem um preâmbulo delirante, falando em "longa resistência do povo português" e mantendo menções à construção do socialismo.
Muito mais haveria a dizer sobre a data de 25 de Novembro e sobre a democracia que temos, sobre a construção europeia (e desconstrução do nosso Portugal), sobre a classe política, sobre a forma como os portugueses a encaram, sobre o baixo nível educacional dos nossos jovens (e menos jovens). Por ora, recordemos esta data, que vale a pena.

Publicado por FG Santos às novembro 25, 2004 11:44 AM