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novembro 30, 2004
Onde se fala de conjurados, do traidor Morais Sarmento, da perfídia castelhana...
«A administração ruinosa em Espanha viria a reflectir-se (...) em Portugal. A falta de dinheiro lá, acentuava cá os dislates e as extorsões do fisco. (...)»
(Segue-se uma descrição dos inúmeros impostos lançados por Castela contra Portugal, a cada dia mais miserável sob a bota espanhola.)
«Foi esta renovação (nota: contribuição anual dos quinhentos mil cruzados) que provocou os motins de Évora. Quando o corregedor Morais Sarmento quis obrigar o juíz do povo, Sesinando Rodrigues, à aceitação pura do imposto, ameaçando-o com o carrasco, este berrou da janela à multidão que o salvasse, e os populares acudiram-lhe, arrombando as portas da casa e dando-lhe fogo. Estes tumultos alastraram no Alentejo e no Algarve. Depois ao Porto, ao Minho, e em Lisboa começou também a murmurar-se a revolta. As tropas espanholas acabariam por entrar pelo Algarve, e provocando os maiores desmandos, aproveitando-se do facto do país estar desarmado e o povo de mãos vazias, obrigar os cabeças dos revoltosos a expiar os motins na forca ou nas galés.
«Entretanto, Filipe III concebia o plano de anexação de Portugal, pura e simples. O seu ministro, conde Olivares, dispôs-se a realizar tal ideia. Portugal passaria a ser de vez e definitivamente uma província de Espanha e nada mais. Assim tirou-lhe todo o dinheiro, reduzindo o povo português à miséria, levou-lhe a juventude, como soldados, que fazia morrer longe do solo pátrio, chamava a nobreza para a fixar em solo espanhol. Valeu a Portugal a derrota do almirante D. António Oquendo frente aos holandeses, quando se preparava para vir fixar a anexação. Depois rebentou a rebelião na Catalunha (...).
«Corria então o ano de 1640... Foi quando os conjurados portugueses, reunidos ao longo de todo o mês de Setembro, resolveram instar com o duque de Bragança para aceitar a coroa...»
Roussado Pinto, Quadros da História de Portugal, Nº 74, Jornal do Cuto, 9/12/1972
Publicado por FG Santos às 10:33 PM
Forma republicana de desgoverno
Longe de mim achar que a monarquia resolve (ou resolveria) todos os problemas de um país, mas a presente crise política constitui, quanto a mim, um triste exemplo do funcionamento de uma república.
A minha teoria é que o PR não convocou eleições aquando da debandada do ex-maoísta para a Eurocrássia porque, ou não acreditava na capacidade de Ferro Rodrigues em dar maioria absoluta ao PS, ou porque simplesmente não gosta dele. Entronizado Sócrates, ele crê que agora sim, o PS está apto a conseguir o que nunca teve: maioria absoluta.
Resumindo: o PR nunca teve na base das suas opções o interesse nacional, como é suposto num Chefe de Estado, mas empregou a táctica que melhor serve o partido que o propulsionou para a Presidência.
E Santana no meio disto tudo? Parece-me que fez tudo para ajudar o PR a tomar esta decisão. Será porque, perdendo as eleições, se pode novamente concentrar naquele que sempre foi o seu objectivo, ou seja, chegar a PR? E com isto voltamos ao meu primeiro parágrafo – CQD.
Publicado por FG Santos às 10:01 PM
Envenenamento?
Será que houve uma tentativa de envenenamento do candidato derrotado (até ver) nas presidenciais ucranianas, Viktor Yushchenko?
A teoria é comentada no "Amor e Ócio" e as imagens da degradação física de Yushchenko são impressionantes.
Mais um exemplo provável do gangsterismo na política.
Publicado por FG Santos às 06:19 PM | Comentários (1)
novembro 29, 2004
Uma equipa de (do) futuro?
O cher BOS já tinha abordado a questão há um mês e picos. Sabem os meus amigos que equipa de futebol alinha com os seguintes jogadores?
Barry Copa Boubacar, Sekou Ouattara ('61 Bjorn Vleminckx), Emmanuel Eboué, Kristof Lardenoit, Armand Mahan Mondakan, Marco Né, Seydou Badjan Kante, Alain Arunina Koudou, Moussa Sanogo ('62 Olivier Tia Togbe), Koffi N'dri Romaric en Mohamed Diallo.
Será o Liberty do Togo? O Atlético de Ouagadougu? O Espérance de Bamako?...
Na verdade, trata-se do KSK Beveren, da Bélgica, próximo adversário do Benfica na Taça UEFA...
Pelo menos já podemos dizer que há uma equipa de uma I Liga na Europa com homogeneidade étnica! Os titulares são quase todos da Costa do Marfim. Só não se percebe o que é que os pobres dos Vleminckx e Lardenoit estão lá a fazer. A dar um pouco de colorido local?
Publicado por FG Santos às 04:55 PM | Comentários (2)
Serviços de Segurança dos EUA
Um assunto da máxima importância, e que como é hábito tem sido pouco falado entre nós, ocupa actualmente o Senado norte-americano: trata-se de uma proposta de lei, vetada por dois Republicanos de peso, que iria permitir um comando unificado das diversas agências federais ligadas à segurança.
Apesar de tal ter sido desmentido oficialmente (*) , diz-se nos bastidores que Bush e Rumsfeld não estariam muito interessados em que a lei passasse pois tal significaria uma perda de controlo do Pentágono sobre os serviços de informação e espionagem (intelligence).
A seguir, atentamente.
(*) Uma das máximas de Sir Humphrey, da saudosa série "Yes, Minister", era: "nunca acreditar num boato até ele ser oficialmente desmentido"!
Publicado por FG Santos às 03:17 PM
Envolvimento da ETA no 11 de Março?
A ler, este artigo no Observer (o mais antigo semanário do mundo, de tendência Labour mas menos faccioso que o Guardian, que o adquiriu há pouco tempo - e regra geral de agradável e instrutiva leitura) sobre teorias que correm em Espanha sobre o alegado envolvimento da ETA, em conluio com os islamistas, no atentado de 11 de Março.
Publicado por FG Santos às 12:15 PM
Nacionalismos (cont.)
Um apoiante desde a primeira hora de vida (em rigor até antes) deste blogue, o caríssimo Pedro Guedes, deixou um texto no seu Último Reduto sobre a sua posição em torno da polémica sobre que nacionalismo se pretende.
Confesso, e se calhar outros como eu, que esperava que o Pedro desse a sua opinião pessoal sobre as questões mais "quentes", nomeadamente a proeminência ou não da questão racial na base da ideologia nacionalista. Se calhar a expectativa era ilegítima, pois o Último Reduto sempre foi um pouco diplomático em redor das questões que podem dividir os nacionalistas.
Concorde-se ou não, é uma opção do autor, e se calhar uma opção não só inteligente como construtiva.
Não somos muitos e se nos dividimos menos força teremos.
Embora haja questões de princípio que para uns são acessórias e para outros essenciais, não pretendo alimentar essa guerra. Se calhar o PFR, que põe as pertinentes questões reproduzidas no Último Reduto, tem razão, apesar de este vosso servidor já ter sentido na pele a sua animosidade a opiniões que o contrariem. Deve ser-se coerente com o que se diz mas eu, que não sou nada rancoroso, espero sinceramente que o ilustre comentador, com quem até trocara aqui cordatamente opiniões sobre a questão social durante o salazarismo, esteja arrependido do que me disse. O seu discurso rassembleur (ó Nelson, desculpe lá o francesismo!) parece confirmá-lo.
Aos meus leitores peço desculpa por vos maçar com esta questão pessoal mas as tricas entre nacionalistas, num meio apesar de tudo pequeno como é a blogosfera nacional, ganham demasiado peso face ao que se vai editando.
Publicado por FG Santos às 11:45 AM | Comentários (1)
Provas de fraude eleitoral na Ucrânia
Foi tornado público um vídeo que mostra alguns exemplos do que foi uma fraude eleitoral preparada pelo poder ucraniano para permitir a vitória de Viktor Yanukovitch nas presidenciais (já aqui abordadas).
Desde uma agressão a um eleitor até casos de duplas votações, o registo é rico em exemplos de manipulação de resultados.
Aguardemos agora pela decisão do Supremo Tribunal quanto à validade ou não desses resultados.
Publicado por FG Santos às 11:34 AM
novembro 26, 2004
Profissão de Fé
Nem sei que vos diga sobre o excerto que abaixo reproduzo, da autoria de Paiva Couceiro. Está lá "tudo" - e quão actual é.
A obra em questão foi escrita no exílio e editada pelas Edições Gama no ano da morte do grande vulto, 1944.
«Spengler, naturalista, baseia-se no factor humano. Homens fortes construirão o Mundo Novo. E a solução virá das minorias aristocráticas por eles constituídas. Estado forte, com leis e baionetas, corrigindo a anarquia, sem preocupações da moral que Deus sanciona. (...)
Evidentemente a doutrina de Spengler – casta de senhores em face do povo de servos – nem é compatível com a dignidade humana, nem serve para homens livres.
E de homens livres é tradição Portuguesa, dentro das suas Corporações – morais, intelectuais ou económicas -, embora obedientes, por conveniência própria e necessidade nacional, às hierarquias sociais e políticas. (...)
Não teremos descanso, enquanto se mantiver a supremacia da Força, quer dentro dos Estados atropelando os direitos individuais, quer, por lógica consequência, de Estado para Estado, desrespeitando totalmente a consciência espiritualista da Civilização Ocidental, sob exclusivas preocupações materiais – sofismando os princípios e violando as leis Divinas e Humanas com a dialéctica bruta do lobo contra o cordeiro da Fábula.
Progresso – isto? Ou antes bárbaro retrocesso? (...)
A ambição da conquista, a fome do ouro, a concorrência económica, o abuso da espada guerreira – brutezas e violências a cada passo – caracterizam (...) os processos e os estímulos da política e da diplomacia modernas. A Europa, essencialmente decadente, renovando a clássica confusão de Babel é caminho aberto para as novas invasões de bárbaros. Repete-se a História a milénios de distância. (...)
Oscilam pois as Sociedades nos seus alicerces, e nós Portugueses não menos que os outros. Tanto mais que quaisquer intentos reformadores a fundo, encontram diante de si o organismo social enfraquecido por um século de liberalismo, que perverteu espíritos e costumes, e destemperou o carácter dos homens, sob os estimulantes corrosivos do favoritismo, e das tricas eleitorais, base do Estado liberal.
Seja como for, a decadência tem de travar-se, e há que construir o Portugal Maior.»
Henrique de Paiva Couceiro, "Profissão de Fé (Lusitânia Transformada)", 1944.
Publicado por FG Santos às 10:33 PM | Comentários (1)
Questão pertinente
O Arte de Opinar, que há umas semanas atrás teve o condão de pôr o BOS fora de si, levanta uma boa questão sobre os contornos do processo Casa Pia: "Começou um julgamento onde, curiosamente ou não, a tentacular e sinistra Maçonaria está presente em peso, quer entre arguidos, quer entre advogados. Interessante..."
Como em tudo o que se refere aos "Filhos da Viúva", são mais as interrogações que as respostas, e estas normalmente sob a forma de especulação.
Publicado por FG Santos às 12:32 PM
novembro 25, 2004
O politicamente correcto mostra as suas garras
Via o recomendável Super Flumina, tive conhecimento de mais quatro exemplos aberrantes do politicamente correcto em acção, nos casos em apreço motivado por zelo anti-religioso.
Leiam e arrepiem-se.
Publicado por FG Santos às 12:45 PM
25 de Novembro
Faz hoje 29 anos que terminou a aventura revolucionária do Portugal pós-abrilino.
Golpe ou contragolpe, os contornos do episódio ainda hoje não são totalmente claros, o que é certo é que se abriu uma nova era para o nosso país, pondo-se de lado as experimentações marxistas-leninistas e o poder saíu das ruas.
O sinistro Melo Antunes, co-signatário do Documento dos Nove, logo se apressou a acolher o PCP nos braços da democracia, dado o seu "papel indispensável" na construção desta. O mesmo energúmeno que, à revelia da história e dos tratados e do simples bom senso, declarou Cabinda parte integrante do estado angolano.
Mas obviamente que o marxismo não saíu de cena: oito meses antes tinha-se procedido à nacionalização indiscriminada de vastos sectores da economia e as consequências dessa tragédia ainda hoje se fazem sentir, com inúmeras empresas reprivatizadas e, acto contínuo, na posse de capital estrangeiro. O Conselho da Revolução continuou a existir e a ter a possibilidade de vetar leis, até ao seu fim constitucional em 1982.
O Império esboroara-se e a guerra continuou no ex-Ultramar. Vários biltres de "impecável" pedigree revolucionário não perderam tempo a beneficiar comercialmente das novas possibilidades oferecidas pela independência das ex-colónias, amiúde fraudulentamente.
Ainda hoje a nossa Constituição tem um preâmbulo delirante, falando em "longa resistência do povo português" e mantendo menções à construção do socialismo.
Muito mais haveria a dizer sobre a data de 25 de Novembro e sobre a democracia que temos, sobre a construção europeia (e desconstrução do nosso Portugal), sobre a classe política, sobre a forma como os portugueses a encaram, sobre o baixo nível educacional dos nossos jovens (e menos jovens). Por ora, recordemos esta data, que vale a pena.
Publicado por FG Santos às 11:44 AM
novembro 24, 2004
Juventude
Após tanta especulação e posterior surpresa, nomeadamente aqui e aqui, sobre aspectos da verdadeira nartureza de alguns blogueiros, em especial sobre os seus "verdes anos", lembrei-me do texto de Curzio Malaparte que a seguir reproduzo, extraído da sua "Carta à Juventude da Europa". Em português está incluído no volume "Mãe Apodrecida", Livros do Brasil (Colecção Dois Mundos).
«Estou ainda tão desgostoso com os elogios que as gerações de têmporas grisalhas dirigiam à minha geração, quando era novo, quando ainda não tinha vinte anos, que hoje, que tenho também as fontes grisalhas, me repugna dirigir elogios, esses mesmos elogios, aos jovens. Não tenho nada a pedir aos jovens, não tenho nada de bom a esperar deles, e parecer-me-ia uma lisonja inútil e vil dirigir-me a eles com a boca cheia de sorrisos e palavras melosas. Tenho da juventude, da minha juventude, uma recordação humilhada, e creio ainda, como quando tinha dezasseis anos, que a juventude é o período do homem mais triste, mais humilhado, mais mentiroso e mais vil. Cantar o elogio dos jovens é até certo ponto uma convenção. E dizer que os jovens são melhores do que nós, que os jovens de hoje são melhores, ou piores, do que nós éramos em jovens. As gerações jovens assemelham-se todas: não diferem senão por via das circunstâncias históricas, económicas, sociais, intelectuais, em que crescem e se formam. Mas os seus pensamentos, os seus sentimentos, são, mais ou menos, os mesmos em todas as gerações. (...)
«Os ideais da juventude são sempre os mesmos, em qualquer momento da história: são ideais de justiça e de liberdade, bien sûr, mas estes mesmos sinceros ideais são bastante menos fortes do que o espírito de aventura, do que a ambição de sair, com uma guerra, uma revolução, uma viagem, uma exploração, uma aventura, em suma, dessas incertezas, dessa escuridão e tristeza em que crescem e se formam, em todos os períodos históricos, os jovens de todas as nações. (...)
« Os ideais da juventude são ditados, sempre e por toda a parte, por motivos de carácter biológico. A juventude é uma fera jovem. Tem o instinto da luta, da aventura. Quer construir para si um mundo novo. É revolucionária, romântica, sem piedade. A juventude é igual em todas as classes. Mais do que de ideais é preciso falar de instintos, de necessidades biológicas. (...)»
Publicado por FG Santos às 10:36 PM | Comentários (1)
A Camila apaixonou-se
Como pai de dois jovenzinhos, costumo estar atento ao que se publica na área dos livros infantis. Hoje em dia esta constitui um nicho de mercado muito apetecível para as editoras, havendo uma pletórica oferta de títulos, em geral de qualidade apreciável (pedagógica e graficamente).
Ontem, em mais uma "pesquisa de mercado", deparei com um livro da série da menina Camila, com o título que encima esta entrada.
Então a moça em causa (6/7 anos de idade?) está muito desorientada, pois acha que está apaixonada. Fala com a mãe, que a aconselha a arranjar-se bem para agradar ao namoradinho, o Celestino... Quando chega à escola, ambos acabam por se declarar e o livro acaba com um terno beijinho...
Para quê esta arengada, dir-me-ão vocês? Então não é que a ruiva Camila se apaixonou pelo negrinho Celestino? Querem alguma coisa mais comovente?
Não quero estar aqui a criticar a inclusão de negrinhos nas histórias para crianças, acho isso normal, pois eles fazem parte do nosso quotidiano e, já agora, também lêem livros para crianças. A série do Ruca (aconselho o site aos vossos filhos, tem jogos muito interessantes), em difusão na TV2 aos dias úteis de manhã, mostra-nos a simpática Clementina, amiga (só isso...) do protagonista. Agora a história da Camila não é mais que uma despudorada manipulação das criancinhas, quiçá um apelo a futuras mestiçagens, jogando com os sentimentos das crianças (brancas e pretas) e seus pais, em prol de inconfessáveis propósitos.
Acho os apelos ao boicote uma coisa muito esquerdista, mas penso que não será mau evitarem dar uns euritos à Asa, que edita a série de origem... belga!
Publicado por FG Santos às 03:43 PM | Comentários (1)
novembro 23, 2004
Turbulência na Ucrânia
As gigantescas manifestações em Kiev e Lviv após o anúncio oficial da vitória do candidato pró-russo Viktor Yanukovitch sobre Viktor Yushchenko nas presidenciais ucranianas são, depois do ocorrido com Milosevic após as municipais na Sérvia-Montenegro e com Edouard Chevarnadze na Geórgia após as presidenciais, mais um sinal de que os povos do ex-bloco de Leste já não suportam que o seu voto seja manipulado e distorcido por políticos prontos a arrebatar o poder a todo o custo.
Neste gigantesco país (604 mil km2) de 48 milhões de habitantes, outrora celeiro da URSS (e vítima – 8 milhões de pessoas sucumbiram à fome - da colectivização estalinista), a transição para a democracia e o capitalismo trouxe o habitual cortejo de privatizações fraudulentas, miséria crescente, poderio das mafias...
Aguardemos a evolução próxima, mas quando a combativa Yulia Tymoschenko (ela própria repetidas vezes perseguida pelo poder por denunciar as ligações entre mafia e nomenklatura política) apela à desobediência civil, é de recear que venha a correr sangue nas ruas desta república.
Publicado por FG Santos às 05:14 PM | Comentários (2)
E já que falamos de música...
... nada melhor que recomendar aos mais melómanos dos meus leitores que ouçam a transmissão na Antena 2 da Tetralogia "O Anel do Nibelungo", do grande Richard Wagner, composta como sabem por "O Ouro do Reno", "A Valquíria", "Siegfried" e "O Crespúsculo dos Deuses" . A partir de hoje e nas três terças feiras seguintes (portanto, dias 23, 30, 7 e 14), às 21h00. Trata-se de gravações efectuadas ao vivo no Festival de Bayreuth. A direcção é de Adam Fischer. Para mais detalhes, nomeadamente os intérprtes, consultem o site da Antena 2.
Desliguem a televisão, mandem os miúdos mais cedo para a cama e usufruam!
Publicado por FG Santos às 03:13 PM | Comentários (5)
Krzysztof Penderecki
Infelizmente o nome que encima este artigo é ainda bastante ignorado, mesmo entre os amantes da grande música.
Nome cimeiro da música polaca do séc. XX, Penderecki (lê-se "Penderétski") faz hoje 71 anos e merece por isso uma entrada, que se espera contribua para que alguns leitores, em particular o Paulo Paixão (ele sabe porquê), se interessem pela sua música.
Da sua vasta obra, ao vivo tive já a oportunidade de ver o próprio dirigir o seu lindíssimo Concerto para Viola, uma vez com a Orquestra Sinfónica Portuguesa no CCB há uns oito anos, a outra já este ano na Gulbenkian. A mesma OSP interpretou salvo erro há quatro anos o comovente "Trenodia pela Vítimas de Hiroshima", sob a batuta de José Ramon Encinar, seu antigo maestro titular.
Não deixem de ouvir a obra do veterano músico.
Publicado por FG Santos às 02:53 PM
Imigração e ideologias
O Pena e Espada referiu-se num post recente à decisão do governo de Madrid de expulsar quase 90.000 imigrantes clandestinos.
Nos comentários a esta notícia, o liberal Nelson achava que ela revela simplesmente o cinismo do sistema liberal: enquanto é necessária mão de obra barata (mesmo que clandestina - ou sobretudo SE for clandestina) tolera-se a imigração; quando esta traz mais problemas que vantagens o sistema encarregar-se-ia de se "livrar" dos indesejáveis.
Não sei se admire mais o cinismo do raciocício se a sua ingenuidade. Ao contrário do proclamado pelo blogueiro libertário, e infelizmente, a ideologia multiracial e multicultural veio para ficar, e com ela os milhões de imigrantes que saturam o mercado de trabalho e causam cada vez mais problemas na coesão das sociedades ocidentais. Pode haver algum controlo acrescido em algumas fileiras de imigração de origem muçulmana, por causa do terrorismo, mas o sistema abraçou a ideia (frequentemente pregada pela ONU) de que a Europa precisa ainda de muitos mais milhões de imigrantes. Aqui sim, o cinismo é claro: em vez de promover políticas de natalidade que já provaram ter sucesso (exemplo: Suécia), prefere-se trazer para as nossas paragens milhões de desenraízados, que ajudarão os europeus a sentirem-se também eles desenraízados.
Como tem sido referido amiúde na blogosfera, Gramsci acertou quando sugeriu que se minasse o sistema por dentro, inoculando o vírus (digo eu) da ideologia conquistadora, que actualmente é a ideologia mundialista, cuja vertente económica casa bem com a vertente multicultural.
Ignoro se estas linhas surpreendem alguns que mais encaloradamente comigo discutiram qual deve ser o papel do nacionalismo. Eu sempre achei (pelo menos desde 1990, quando comecei a ler o Rivarol...) que a imigração era um problema em potência, o que nunca gostei foi que se hostilizasse pessoas que têm outra cultura ou são de outra raça por esse mesmo motivo. Além do mais, se a imigração é um problema em potência, mal do nacionalismo que precisa de a ela se agarrar para erigir a sua base ideológica. O que não deve obstar a que expresse as suas críticas nesta matéria.
Publicado por FG Santos às 11:37 AM | Comentários (4)
novembro 21, 2004
Aparências e tabús
Uma discussão em tom ligeiro e bem disposto numa caixa de comentários d' "A Casa de Sarto" sobre a aparência suposta de alguns blogueiros e comentadores levou a algumas situações cómicas, pois o liberal Nelson imaginava certos nacionalistas como personagens sisudos, impecavelmente vestidos e, regra geral, já entradotes nos 50...
Veio a constatar-se que aqueles ainda nem afloraram os 40, gostam de se vestir descontraidamente e se calhar até nem são assim tão sisudos!
Realmente, a vulgata de esquerda (desculpe lá, Nelson!) representa a “direita” mais ou menos como o nosso liberal de estimação o faz. Ao passo que a própria esquerda gosta de ocultar os seus gostos as mais das vezes sofisticados. Céline, nas “Bagateles” falava na “esquerda caviar”! Não sei se foi “Ferdine” que inventou a expressão, que já vem de longe, como se vê.
Aliás o grande escritor e Arnold Schönberg, o genial compositor que revolucionou a escrita musical no séc. XX, tinham fortes inclinações conservadoras a nível político. (E ao mesmo tempo inspiravam-se na tradição: Schönberg tinha uma profunda admiração por Bach e Brahms.) Este, no fundo, é mais um tabú que convém desmistificar: muitas vezes os maiores criadores, como os citados, que romperam com a tradição e mudaram para sempre a arte em que deram cartas, são pessoas pouco dadas a revolucionites a nível social. E essa é também uma lição de liberdade, neste caso perante si próprios: conservadores, seguiram no entanto a sua voz interior que os impelia para uma criação de ruptura, sem qualquer consequência ou desejo implícitos de ruptura paralela a nível social.
Publicado por FG Santos às 04:17 PM | Comentários (4)
novembro 19, 2004
E por falar em TV Cabo...
É muito provável que já tenham deparado com uma situação como a que vou descrever.
Regularmente sou martelado ao telefone por jovenzinhos, seja da ONI, da PT, da TV Cabo, eu sei lá, que me propõem novos pacotes, novos produtos, novas modalidades disto, daquilo e daqueloutro.
Há pouco tentaram-me impingir a adesão à Netcabo. Como os pacotes propostos eram pouco apelativos, manifestei o meu desinteresse. Eis senão quando o imberbe aspirante a rei de tele-marketing tira um coelho da cartola: tratava-se de uma nova modalidade, em que só se pagava o correspondente ao tempo navegado na "teia". Pedi então uns dias para pensar e ficaram então de me contactar. Como diria o cantor, "Tomorrow never comes" e nunca até hoje voltei a ser "melgado" pela Netcabo.
Um dia, pelas 23.30, já os meus dois pequenos estavam nos braços de Morfeu há umas horas, toca o telefone e uma gravação anuncia que estava já activo o "meu" acesso à Netcabo. Que sorte a minha!
Telefonei para o "apoio ao cliente" e expus o caso. Como já conheço as baixas técnicas da entidade em causa, calculei logo que na factura seguinte que recebesse, o dito serviço viesse já cobrado...
Não era preciso ser bruxo. Hoje lá tive que desancar uma menina, que insistia em que pagasse a totalidade da factura e o valor pago a mais seria estornado na factura seguinte. Obviamente que lhe disse que nunca me passaria pela cabeça pagar por um serviço de que não sou assinante. Como na nossa peculiar economia de mercado não há concorrência em muitos mercados, não posso mudar de operador e mandar os biltres da TV Cabo pregar para outra freguesia. Mas vontade não faltaria.
Publicado por FG Santos às 02:59 PM | Comentários (5)
Orgulho nacional
Não sei se algum dos meus leitores teve oportunidade ontem de ver um concerto transmitido pelo canal de TV por cabo Mezzo, realizado no auditório da Orquestra Sinfónica de Colónia, com a excelente Orquestra Sinfónica de Chicago, sob a batuta do grande Daniel Barenboim.
Como solista convidada para interpretar "O Amor Bruxo" de Manuel de Falla, e em tão ilustre companhia, tivémos a nossa Elisabete Matos, hoje em dia conceituadíssima soprano do panorama internacional.
Ao vivo só a ouvi uma vez, em S. Carlos, interpretando as melancólicas "Wesendonk Lieder", de Wagner, e foi magnífica.
Num país em que qualquer artista do pontapé na bola tem honras de Estado, é extraordinário como a nossa cantora lírica bracarense é ainda tão ignorada.
Publicado por FG Santos às 02:50 PM | Comentários (3)
novembro 18, 2004
Capacidades intelectuais
Não sei se o que vou contar se passa com algum dos meus leitores.
Com 35 anos, sinto que já não tenho as capacidades intelectuais, de memória, de que outrora usufruía. Tenho lapsos de memória incríveis, do tipo esquecer-me de coisas que me disseram há pouco, de confundir pessoas, então quando o esquecimento envolve o trabalho a coisa é mais grave, quando lidamos com valores de milhares ou milhões de euros (descansem que não são meus...).
Também já não consigo estar horas a fio a ler. Lembro-me, à laia de exemplo, que quando tinha 19 anos li as últimas 400 páginas do "Crime e Castigo" de Dostoievski num dia, que passei deliberadamente em casa pois "não conseguia" largar o grosso volume. Hoje, se ler 40 páginas seguidas, já é um feito.
Quando tento identificar causas para esta desagradável situação, concluo que o momento de viragem foi durante a universidade. Penso que o curso (de Economia) me exigiu bastante, de tal forma que nunca mais fui o mesmo. Lembro-me sempre das descrições que Céline faz, salvo erro no "Guignol's Band", das dores de cabeça que tinha quando andava na escola.
Depois, um acontecimento traumático na família e o nascimento dos meus filhos, com o seu cortejo de noites mal dormidas (obviamente mais que compensadas pelas alegrias da paternidade) fizeram "o resto".
E, claro, todo o estilo de vida actual, acelerado, cheio de pressões a nível de trabalho, a ameaça permanente do desemprego geram, queira-se ou não, a sua influência.
Isto já não vai lá com Cerebrum.
Publicado por FG Santos às 02:23 PM | Comentários (6)
novembro 17, 2004
É da praxe
De acordo com um relatório governamental, este ano morreram mais soldados na Rússia fora de combate do que em situações de combate, 509 contra 423, respectivamente.
De entre os primeiros, 25% suicidaram-se. Ao que parece, os recrutas serão tratados abaixo de cão e muitos não aguentam o terror quotidiano a que os submetem os "veteranos".
Fontes oficiais afirmam que o exército está atento ao fenómeno. Explicações para este último são múltiplas mas parecem estar relacionadas com a tradição, ao longo da história russa, do uso da força bruta para impor a ordem, de que o período estalinista seria apenas mais uma etapa. Temos assim o ciclo vicioso da violência e do autoritarismo: habituados a levar no lombo, os russos acabam por preferir líderes fortes, que imponham a ordem. Situação típica de países em que a sociedade civil marca passo e em que um ex-funcionário do KGB chega ao mais alto cargo da federação.
Publicado por FG Santos às 10:05 PM | Comentários (1)
A Repugnância Pela Maioria
«Nada é mais repugnante que a maioria. Porque a maioria é constituída por uns quantos precursores dotados de grande força, por tratantes que se acomodam, por fracos que se vão assimilando e pela massa que se deixa arrastar sem saber minimamente o que quer.»
Johann Wolfgang von Goethe, "Máximas e Reflexões"
Publicado por FG Santos às 05:36 PM
Novos projectos
Embora já salientado em outros blogues, nunca é de mais lembrar os novos projectos de dois ilustres blogueiros da nossa praça:
- O Luís Bonifácio, autor do excelente Nova Floresta, deitou mãos a um trabalho ciclópico que constitui na apresentação de "um acervo de cerca de 460 cartas escritas por grandes figuras (da I República) ao Coronel Raimundo Meira e ao General Simas Machado (...) e cobrem o periodo que vai de 1911 a 1927". Trata-se de autêntico serviço público que vai certamente ajudar a compreender melhor alguns episódios da sinistra época, pela voz de alguns dos principais protagonistas.
- O BOS, não contente com o Nova Frente e os Cadernos de Marcel Aymé (este último parado desde que foi mencionado no site da Société des Amis de Marcel Aymé - terá sido o elogio paralisador?) - um dos escritores preferidos deste vosso servidor, um autêntico homem livre e um criador de grande talento - abraça agora novo projecto, o Spinus, que promete ser uma homenagem fotográfica à sua cidade natal, Espinho.
Deixamos aqui votos de bom trabalho a quem já demonstrou talento a rodos pela nossa blogosfera.
Publicado por FG Santos às 09:32 AM | Comentários (1)
novembro 15, 2004
"Vais pra longe meu amor "
Sou coleccionador de revistas de banda desenhada antigas, desde o Mundo de Aventuras ao Jornal do Cuto, do Tintin ao Cavaleiro Andante, etc. Penso que é uma forma de reviver a infância e a primeira adolescência, a par do meu gosto pela chamada Nona Arte, em que há efectivamente artistas de primeira grandeza.
Até na BD sou um bocado conservador, prefiro muito mais um Alex Raymond e um Hal Foster a um Bilal...
Num número (127, editado ainda nos anos 60) de uma das publicações que colecciono, as Selecções do Mundo de Aventuras, deparei com uns escritos a lápis no verso da contracapa. A letra é aparentemente a de uma adolescente e é um documento comovente este que me veio parar às mãos, no fim de uma aventura de Paul Temple...
Reproduzo agora "esta carta que nunca foi entregue" (ou terá sido um esboço de uma carta?), um adeus bem português, sem emendas ortográficas ou de pontuação.
«Vais pra longe meu amor deixas de estar a meu lado, partes com ar sonhador, sabes lá o que é temor, és português e soldado, mas se eu fico só rezando, podes ter uma certeza não importa estar chorando estou com firmeza pensando que também sou portuguesa, Adeus (palavras ilegíveis), são saudades são iguais, água do mar imenso que me leva o meu amor voltarás, eu bem o sei, sempre assim tenho pensado, pelo que sonhei, pelo muito que rezei hásde voltar para meu lado, quando o barco (palavra ilegível).»
Publicado por FG Santos às 10:16 PM | Comentários (1)
Colin Powell apresenta a demissão a Bush
O Secretário de Estado (MNE) Colin Powell apresentou na sexta feira a sua demissão a George W. Bush, comunicando-a hoje à sua equipa.
O herói da 1ª Guerra do Golfo foi sempre tido como um moderado na Administração Bush, pejada de "falcões". Confesso que esta imagem nunca me convenceu. Para mim ele funcionava mais como uma caução moderadora às resoluções mais "extremistas" de Bush. Em termos práticos que é que se pode dizer que tenha resultado da sua alegada moderação? Bush fez o discurso do "eixo do mal", destruindo de uma penada vários anos de paciente diplomacia e aproximação ao Irão. Bush invadiu o Iraque com base em argumentos falsos, que o próprio Powell, conscientemente ou não, ajudou a difundir. Bush pressionou a Síria quase até ao limite da pressão belicista e, se o Iraque lhe tivesse corrido bem, teria sem dúvida rumado ao Mediterrâneo.
Fala-se agora em Condoleeza Rice para substituir Powell. Não sei se tal será para manter a "quota étnica" no Governo. Pelo menos a postura mais radical da Administração fica mais clara, com menos artifícios.
Publicado por FG Santos às 04:41 PM | Comentários (1)
Monárquicos de todo o mundo: uni-vos!
Via o muito recomendável Causa Liberal, cheguei à interessante página "The Monarchist Society Home Page", que pretende ser um ponto de informação e promoção da forma monárquica de governo em todo o mundo!
Boa navegação.
Publicado por FG Santos às 04:10 PM | Comentários (1)
Da (des)inspiração e da procura do sentido
Não sei se é da época (este mês de Novembro traz-me recordações pessoais dolorosas), se é do contágio (diversos blogues entraram numa onda de questionamento existencial sobre o mérito e propósito da sua existência; até a Dinah, cujo blogue, normalmente eivado de optimismo de esquerda, nos proporcionou um belo e melancólico texto sobre o S. Martinho), mas ando nos últimos dias com alguma dificuldade em presentear os meus amáveis leitores com alguma prosa, aproveitando ditos de outros com mais talento que eu.
Confesso que nunca encarei um blogue como uma espécie de diário íntimo. Se é para ser íntimo não pode ser público. Claro como água. A não ser que pretendamos expor-nos perante outros que mal conhecemos.
Claro que há blogues que, pela sua natureza declarada de "impressões íntimas", se prestam de certa forma a mostrar um pouco mais do sentimento dos seus autores, afastando-se da maior parte, que se centra em discussão de temas da actualidade ou, menos frequentemente, de temas literários ou musicais.
A questão que cada autor deve pôr a si próprio é: qual foi o meu objectivo ao criar um blogues? Partilhar opiniões? Quebrar o meu isolamento? Tentar encontrar algum eco às minhas preocupações junto de quem não conheço? Defender uma ideia? Canalizar a minha necessidade de escrever para a "via pública"? A resposta a estas perguntas tornará mais claro para nós próprios o que nos é legítimo esperar do investimento em tempo e talento que fazemos no nosso blogue.
Já para a questão da inspiração não há nada a fazer. Ou ela vem, ou não vem. Sendo a blogosfera um espaço de liberdade, que concedamos a nós próprios a liberdade de nada escrever se os dedos persistem em ficar suspensos sobre o teclado.
Publicado por FG Santos às 03:04 PM | Comentários (3)
novembro 12, 2004
Viabilidade da Pátria
Sistema de certeza íntimas, agregado de segredos conhecidos colectivamente, conjunto de emoções vividas em comum, rede de interesses partilhados por todos: uma pátria. E os cidadãos de uma pátria, se ainda a sentem, têm de partir do pressuposto da sua viabilidade. Deste modo, e no que respeita aos portugueses, há que basear tudo nesta premissa simples: Portugal é uma nação independente e soberana, tem a viabilidade de continuar a ser independente e soberana, possui os meios de se fazer respeitar. Parece vedado a qualquer português deixar-se permear por ideias suicidas em relação a Portugal; não se afiguram lícitas dúvidas quanto às raízes nacionais; e não se julga curial que qualquer português, que sinta Portugal, possa negar ou não viver a solidariedade nacional. Além de tudo, aquelas premissas alicerçam-se em factos irrefutáveis: Portugal possui uma língua, uma cultura, uma religião, e uma história apenas sua. Está-se perante uma quantidade política e sociológica que, por isso mesmo, desencadeou os meios de se afirmar no tempo e no espaço, e de garantir a sua sobrevivência.
Franco Nogueira, "Juízo Final" (1992)
Publicado por FG Santos às 10:42 PM | Comentários (2)
Vítimas de primeira e de segunda
O semanário Rivarol faz um paralelo entre as declarações do primeiro ministro turco Recep Tayyip Erdogan em visita oficial a França e as declarações do número dois do Front National Bruno Gollnisch.
Disse o primeiro: "Os que pretendem que ocorreu um genocídio arménio
não tiveram oportunidade de estudar os arquivos otomanos. Esta questão não pode ser resolvida por intermédio de um parlamento mas por um método científico, por historiadores. Com uma abordagem ideológica, emotiva, racista, complica-se a tarefa".
Declarou o segundo: "É tarefa dos historiadores determinar se efectivamente existiram ou não câmaras de gás."
O primeiro continua a ter no jacobino país uma voz de peso favorável à entrada da Turquia na UE. O segundo foi imediatamente coberto de injúrias e suspenso de dar aulas na Université Lyon-III.
Nunca neste blogue me verão relativizar este ou aquele crime de guerra, para mim todos são odiosos, tenham sido cometidos por nazis, comunistas ou democratas. O que é um facto é que ainda hoje os judeus são considerados na prática como vítimas de primeira e outros povos, dos arménios aos bósnios, dos ruandeses aos ucranianos sob Estaline, menorizados ou mesmo ignorados. Uma atitude ignóbil, que mostra bem a verdadeira face dos auto-proclamados "humanistas".
Publicado por FG Santos às 04:00 PM | Comentários (4)
Isto está bom
Após o "edificante" episódio da eliminação de Theo Van Gogh às mãos de um fanático islamista, a Holanda volta a dar-nos mais um exemplo do que pode suceder quando se abre as portas "a toda a miséria do mundo" (dixit Michel Rocard). A polícia do país das túlipas acaba de desmantelar um campo de treino do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que certamente serviria para os simpáticos marxistas exercitarem um pouco a sua forma física.
Não tarda teremos na Europa confrontos abertos entre povos não europeus rivais, uma espécie de guerra civil permanente entre não europeus na Europa, que assim fornece um campo de batalha para as facções e povos desavindos se digladiarem.
Publicado por FG Santos às 03:00 PM
novembro 11, 2004
Uma história triste
Com o título acima, publicou o DN há uns cinco anos (ao contrário do que me é habito fazer, não datei o recorte) um texto de Vasco Pulido Valente. Não tenho especial predilecção pela prosa do ex-deputado do PSD, reconhecendo-lhe no entanto alguma mestria na caracterização do que nos rodeia, apesar da sua tendência para tirar generalizações. Em especial prezo muito a sua obra "O Poder e o Povo", um retrato implacável dos primeiros anos da I Re(les)pública
Uma história triste
Em 1 de Janeiro de 1900, governava Portugal o sr. José Luciano de Castro, mais conhecido pela alcunha de «o Regedor». O liberalismo indígena estava moribundo. Em nove décimos do País, os padres, os donos da terra e administração local elegiam os deputados pela força e pela fraude. Havia alguma liberdade de imprensa (condicionada) e alguma liberdade de reunião (também condicionada). Em Lisboa e um pouco na província, os republicanos combatiam este irreformável regime.
Em 1910, veio a República e os "representantes da nação" continuaram a ser feitos pela força e pela fraude. Havia alguma liberdade de imprensa (condicionada) e praticamente nenhuma outra, excepto para quem não se importava de correr o risco de levar um tiro ou apanhar uma sova.
Um camponês (sic) de Coimbra (re-sic), estéril e mesquinho, acabou com essa jacobina balbúrdia criando a censura prévia e metendo a oposição na cadeia. Durante 48 anos andámos muito sossegados e caladinhos, com medo da polícia.
Em 1974, as coisas melhoraram (fora o PREC) e pela primeira vez pudemos votar como queríamos. Mas ficámos sob a tutela dos militares até 1982 e obrigados a respeitar uma Constituição absurda até 1989. Éramos finalmente donos de nós próprios? Não éramos. Em 1991 e 1993, o dr. Cavaco, sem um referendo, sem quase uma palavra, transferiu para Bruxelas a incrível maçada de nos pôr na ordem: e nós, como sempre, engolimos submissamente esse novo patrão. Assim, em suma, se educou o português "moderno": serviçal e manhoso, conformista e apático, indiferente à lei e pronto a balir com o rebanho. O português de hoje, que se abstém e trata da vidinha. O genuíno produto de cem anos de escravidão e menoridade. O filho de uma história triste.
Publicado por FG Santos às 06:11 PM | Comentários (1)
Os Pequenos Vagabundos
Será que algum de vós, em particular o Pedro, o BOS e o Clark, que têm a mesma idade que eu, se lembra desta série de televisão?
Graças ao "Amor e Ócio", fiquei a saber que a FNAC (lá vou dar dinheiro aos ex-trotskistas...) tem à venda o DVD da série, que ficou para sempre no meu imaginário.
Quem quiser relembrar o tema, pode ouvi-lo aqui.
Publicado por FG Santos às 05:49 PM | Comentários (7)
Um mês sem milagres
Faz hoje um mês que este blogue surgiu. Simpaticamente divulgado por alguns blogues aqui à direita (e nos dois sentidos, a maior parte!), pode alcançar um público mais vasto que uma entrada mais anónima na blogosfera propiciaria. A eles os meus primeiros agradecimentos.
Em termos de audiência, teve o SdC até ontem 2221 visitas, o que dá uma média de 74 visitas diárias, que me dão satisfação, não porque procure uma audiência vasta mas porque consegui cativar um núcleo de leitores mais ou menos fiéis.
Relativamente aos objectivos traçados, acho que acabei por dar grande ênfase à actualidade internacional, procurando focar diversos países normalmente pouco falados na blogosfera e na imprensa em geral.
Em termos literários fui mais modesto, falei de Torga, Céline, Rebatet, Wordsworth, Tennyson... Praticamente só o primeiro suscitou comentários. Não falei muito de monarquia (e nada de futebol!) e a questão "que nacionalismo" apenas foi aflorada, que a discussão está demasiado quente para permitir alguma serenidade de análise e controvérsia.
Algumas ideias que tenho em mente estão para concretizar em breve, em particular um texto fundamental sobre o papel de Pierre Laval na protecção aos judeus durante a Ocupação alemã, ao contrário do que a história oficial ainda hoje "ensina", bem como algumas notas sobre grandes compositores, de Schumann à Segunda Escola de Viena, de Bach a Alfred Schnittke...
Espero continuar merecedor da vossa atenção e a proporcionar-vos alguns momentos de leitura estimulante.
Termino com um pedido: dêem as vossas sugestões de melhoria, digam o que vos agradou e o que nem por isso. Só não me peçam para inserir fotografias que estou a usufruir do "three month trial" gratuito da Weblog, que não permite inserir imagens. Dois meses passam depressa.
Publicado por FG Santos às 05:12 PM | Comentários (2)
novembro 10, 2004
Semiramis
Sugiro aos meus leitores que não percam por nada os excelentes textos "Politicamente Correcto" e "O Lazareto Semiramis" publicados no mui recomendável blogue "Semiramis".
Aí se desmonta implacavelmente a sórdida manipulação mental da esquerda bem pensante e do politicamente correcto em geral.
Imperdível. Para serem perfeitos só faltou uma referência à "Novilíngua", o conjunto revisto e reduzido de vocábulos que era permitido utilizar no mundo descrito por Orwell em "1984".
Publicado por FG Santos às 01:00 PM
Um grande dia para a democracia?
Ontem deixei-vos aqui um post com a letra de uma música dos Pink Floyd intitulada "A Great Day for Freedom". Entretanto, certamente movido por um sentimento semelhante de amor à liberdade, um tribunal belga considerou a formação flamenga Vlaams Blok como racista e preconizadora da discriminação, pondo-a por essa via fora da vida política belga (tal como foi referido por alguns blogues).
Não me é possível estar aqui a analisar o programa eleitoral do VB, mas o facto é que um país, melhor dizendo uma região (a Flandres), que concede um quarto dos votos expressos a um partido como este, denota um mal estar crescente face a uma imigração descontrolada e, queira-se ou não, ao acréscimo de criminalidade que ela acarreta quase sempre.
Como os partidos do sistema, por forte preconceito ideológico, se recusam a ver nessa imigração desregrada um problema, e como os eleitores (ou pelo menos 25% deles) não concordam com essa perspectiva, a solução foi ilegalizar o movimento.
Torna-se grotesco ler declarações, reproduzidas no mui oficial Le Soir, que esta decisão do tribunal é uma vitória para a democracia e um aviso para qualquer movimento "liberticida" (um neologismo habitual do politicamente correcto).
Resta dizer que o objectivo dos dirigentes do VB em "acabar com a Bélgica" é, no mínimo, criticável: será que, como têm mais expressão na Flandres, pensam que um dia chegariam ao poder se a Flandres fosse independente e que na situação actual nunca passarão da oposição? Como não conheço a questão a fundo limito-me a deixar aqui a interrogação.
Publicado por FG Santos às 10:14 AM | Comentários (2)
novembro 09, 2004
Rapidamente e em força
A lata destes dois jagunços! É preciso é ratificar, o povinho não mais tem que dar o seu amen.
Sugere-se desde já a questão que deve ser colocada aos cidadãos:
"Pensa que deve ser ratificado o tratado constitucional da UE?
Respostas possíveis:
- Sim, claro que sim.
- Concordo.
- É boa ideia."
Mais se sugere que 10% de participação seja considerado suficiente para a validação da "escolha popular".
Disse.
Publicado por FG Santos às 05:22 PM
Mais efemérides alemãs
Curiosamente, o dia 9 de Novembro recorda mais dois acontecimentos fundamentais do século XX alemão:
- 1918: o Imperador Guilherme II abdica, no fim da Primeira Guerra Mundial, exilando-se na Holanda. Philip Scheideman, dirigente social-democrata, proclama a República tornando-se o seu primeiro Chanceler.
- 1938: Noite de Cristal ("Kristallnacht"): os nazis incendeiam sinagogas e destroem lojas pertencentes a judeus.
Publicado por FG Santos às 05:15 PM
"On the day the wall came down"
O dia de hoje é especialmente apropriado para recordar a bela canção dos Pink Floyd "A Great Day for Freedom"
A Great Day for Freedom
On the day the wall came down
They threw the locks onto the ground
And with glasses high we raised a cry for freedom had arrived
On the day the wall came down
The Ship of Fools had finally run aground
Promises lit up the night like paper doves in flight
I dreamed you had left my side
No warmth, not even pride remained
And even though you needed me
It was clear that I could not do a thing for you
Now life devalues day by day
As friends and neighbours turn away
And there's a change that, even with regret, cannot be undone
Now frontiers shift like desert sands
While nations wash their blooded hands
Of loyalty, of history, in shades of grey
I woke to the sound of drums
The music played, the morning sun streamed in
I turned and I looked at you
And all but the bitter residue slipped away... slipped away
(Gilmour / Samson)
Publicado por FG Santos às 05:09 PM
A Queda do Muro
Faz hoje 15 anos que o muro da vergonha foi deitado abaixo por alemães esfusiantes por verem ruir a divisão artificial criada entre o mesmo povo.
Incapaz de contrariar a saída dos seus cidadãos para Berlim Oeste, o governo da RDA começava em 1961 a construção do muro que simbolizou a guerra fria e a separação de dois mundos.
Com a glasnost começou a ser evidente que o comunismo não duraria muito tempo e quando a Hungria abriu as suas fronteiras com a Áustria foi ver milhares e milhares de pessoas a abandonar o mundo comunista. Daí até à queda do muro foi um passo.
Quinze anos depois os sentimentos são mistos, entre os que se sentem contentes por viver em liberdade e os que recordam com saudade os tempos em que tinham emprego garantido. Da sinistra Stasi já poucos falam.
Publicado por FG Santos às 04:50 PM | Comentários (1)
novembro 08, 2004
A UE e as pescas
Ainda "escaldado" com as implicações (de resto nada surpreendentes) da promulgação da Constituição Europeia para a Zona Económica Exclusiva do nosso país (e de todos na UE), deparei, num documento britânico anti-UE primorosamente intitulado "EU cannot be serious", com a seguinte entrada sobre as pescas britânicas:
«Fishing was the livelihood of thousands of British workers and indirectly of thousands more. The EU's Common Fisheries Policy has destroyed most of this. We can no longer simply catch fish in our waters. Instead, the EU tells us what we can and cannot catch.
Britain used to own over three quarters of the fish in EU waters. Now we are allowed to catch only one third of the EU's fish. By the end of 2002, all the EU's fishing fleets will be able to fish in our twelve mile coastal belt.
The Brussels bureaucrats who designed this absurd policy thought they could conserve fish by limiting the numbers landed in port. They did not realise that most fish are dead when they come up in the nets, so millions of tonnes of fish are thrown back dead into the sea each year in the name of EU conservation.»
Publicado por FG Santos às 05:43 PM | Comentários (1)
Um Século de Violência na Rússia Soviética
Comprei ontem o livro com o título acima indicado, da autoria de Alexander N. Yakovlev (ed. Ulisseia). O autor, ex-membro do Politburo e actual responsável pela Comissão de Reabilitação das Vítimas Políticas sob a ditadura comunista, tem grande conhecimento sobre os crimes do comunismo, remontando-os logo ao início da Revolução de Outubro (que, a propósito, fez ontem 87 anos) e portanto a Lenine, quando muito esquerdista quer ainda hoje convencer-nos que foi apenas Estaline que perverteu o comunismo.
Como é óbvio, ainda não li o livro mas parece-me fortemente recomendável. Acrescente-se que Yakovlev foi o grande ideólogo da perestroika e, como tal, "bête noire" dos comunistas de todo o mundo.
O blogue "Água Lisa", que não conhecia, apresentou o livro há umas semanas atrás.
Publicado por FG Santos às 04:20 PM | Comentários (1)
novembro 07, 2004
Um assassino em tribunal
Iniciou-se, de forma caótica, o julgamento de um dos grandes sanguinários do séc. XX. Abimael Guzman, líder da sinistra organização maoísta Sendero Luminoso, que espalhou o terror no Perú por décadas a fio, viu a sua sentença de prisão perpétua, decretada em tribunal militar após a sua captura, ser suspensa, sendo agora julgado por um tribunal civil.
Como é habitual com esta corja marxista, os acusados, com as mãos sujas de sangue, de nada se arrependem e continuam a glorificar Marx, Lenine, Estaline e Mao-Tsé-Toung. Extraordinária benevolência da democracia peruana perante estes assassinos.
Curioso que Alberto Fujimori, o ex-presidente que governava com mão de ferro e que conseguiu acabar com o SL, vive actualmente no exílio no Japão e sob pena de ser preso caso um dia regresse ao Perú. Gostasse-se ou não do seu estilo, teve o grande mérito de não ter dado quartel aos terroristas e ter conseguido uma vitória para o mundo livre e em particular para o povo peruano, que viveu no medo e no terror por várias décadas.
Publicado por FG Santos às 08:23 PM
novembro 06, 2004
Constituição Europeia
O Pedro Guedes lançou há poucos dias no seu blogue um repto para que todos os que se opõem à Constituição Europeia, elaborada por Giscard d'Estaing e os seus capangas europeístas, se mobilizem e protestem da forma que lhes aprouver contra a sua promulgação em Portugal via referendo.
Um argumento dos europeístas é que os contestatários não se dão ao trabalho de ler o documento em causa (o mesmo se teria passado com Maastricht). No meu caso concreto, sou pura e simplesmente contra a existência de UMA constituição europeia, tenha ela os contornos que tiver. É uma questão de soberania (e tão mitigada já ela está entre os membros da UE) e liberdade dos povos europeus contra a burocracia asfixiante e totalitária de Bruxelas.
Um triste exemplo daquilo que nos vai suceder com a aprovação do sinistro documento é retratado aqui.
Publicado por FG Santos às 01:16 PM | Comentários (1)
novembro 04, 2004
Notas soltas sobre as presidenciais americanas
A primeira reflexão que me ocorreu após a confirmação da vitória de Bush foi que a maioria dos americanos mostrou o seu orgulho e independência: perante tantas e em geral grotescas manifestações no exterior de repúdio à administração Bush, o povo americano quis mostrar que quem manda são eles e não são altermundialistas e quejandos quem lhes vai dizer o que é melhor para eles.
Bush, com o controlo do Congresso (Senado e Câmara) vai poder:
- internamente: passar mais cortes de impostos ("guess in favour to whom?"), avançar com a exploração de recursos no Alasca, nomear juízes republicanos (geralmente anti-aborto, anti casamentos homosexuais, o que é bom)...
- externamente: na verdade um presidente dos EUA tem mais facilidade em dirigir a política externa, tem mais margem de manobra que a nível interno. Bush terá que tentar a pacificação do Iraque, o que se afigura bem complicado, é tarefa para um bom decénio; apoiar Sharon na retirada dos territórios ocupados; conseguir finalmente a independência palestiniana (com Arafat a morrer, sem sucessor nomeado, avizinham-se tempos conflituosos para a Autoridade Palestiniana. Como já por aqui disse, é possível que o Hamas venha a assumir as rédeas do poder e já a pensar nisso Sharon tenha querido sair daquele ninho de vespas. Uma guerra civil palestiniana também não será de excluir); poderá assinar um ou outro tratado internacional, se calhar sem grande vontade de os respeitar, para não isolar mais os States; poderá reforçar o papel na NATO dos países da Europa de Leste em detrimento da "Velha Europa".
E os Democratas? Após duas derrotas consecutivas de candidatos que pareciam "fit to the job" mas com pouco carisma, não será de admirar que daqui a quatro anos seja Hillary Clinton a sua candidata. A actual senadora pelo estado de Nova Iorque tem intervido cada vez mais a comentar a actualidade, até com alguma agressividade. Terá que recentrar um pouco o seu discurso, os americanos não gostam de Howard Deans ou de Mc Governs.
Publicado por FG Santos às 11:34 AM
novembro 03, 2004
Arizona aprova drástica lei anti-imigração
Em paralelo com a eleição para a Presidência federal, o estado do Arizona levou ontem a referendo uma lei draconiana de repressão da imigração ilegal.
A proposta foi largamente aprovada.
Quando é o povo a decidir sobre estas matérias, o resultado está à vista. Mas em geral os nossos iluminados líderes preferem deixar estas questões para eles próprios decidirem.
Publicado por FG Santos às 11:10 AM | Comentários (4)
Fiasco
Enquanto não se sabe quem é eleito presidente dos States, aqui ficam duas pérolas do apresentador do noticiário das 8.00 de hoje na Antena 1.
A propósito dos erros nas previsões cometidos pala diversas cadeias de TV há 4 anos: "As televisões estão a fazer o possível para repetir o fiasco de há quatro anos." É o que se chama aprender com os erros!
Mostrando a sua capacidade de análise: "Vamos admitir dois cenários: 1) George Bush é eleito presidente; 2) John Kerry TAMBÉM é eleito presidente." É o que se chama um sistema bi-presidencialista!
Publicado por FG Santos às 08:58 AM | Comentários (1)
novembro 02, 2004
E a barbárie não pára
Entretanto, em mais um exemplo da violência islâmica, um budista tailandês foi decapitado em retaliação pela morte (em condições atrozes, diga-se) de 85 muçulmanos na semana passada no sul da Tailândia. Esta região é onde se concentra a grande maioria dos muçulmanos tailandeses e é desde há anos palco de uma guerra surda contra o exército. A ligação entre os grupos islâmicos daquela região e movimentos como a Jemaah Islamiah não oferece grandes dúvidas.
Publicado por FG Santos às 11:04 PM | Comentários (2)
Morte de um realizador
Um indivíduo com dupla nacionalidade marroquina-holandesa assassinou hoje o realizador holandês Theo van Gogh, sobrinho-bisneto do grande pintor. A vítima realizara recentemente um filme que retrata a violência exercida nas sociedades islâmicas sobre as mulheres.
Estava também a trabalhar num filme sobre Pim Fortuyn, o político cuja ascensão foi travada pela morte, pretensamente às mãos de um fanático ecologista. Curiosamente, Fortuyn expressara também críticas sobre o Islamismo e a forma como este, em particular, despreza os homosexuais (como ele).
Cerca de 6% da população holandesa, um milhão de pessoas, é de origem muçulmana.
Este é mais um triste exemplo em como os utópicos mundialistas se enganam quanto aos resultados das políticas de integração de imigrantes. O caso é francamente mais complicado quando se trata de muçulmanos, pois a sua fé (ou fanatismo) sobreleva quase sempre qualquer outra condição de pertença a uma comunidade “receptora”.
Publicado por FG Santos às 10:51 PM | Comentários (3)
novembro 01, 2004
Republicanos e Democratas
Ao contrário do que diz o BOS, penso que é redutor dizer que entre Democratas e Republicanos é tudo a mesma coisa. Ambos os partidos convergem obviamente para o centro, mas nisso os EUA não são diferentes das democracias ocidentais.
Quanto às diferenças, nem todas são cosméticas:
- aborto: as posições dos dois partidos são antagónicas;
- política fiscal: Bush beneficiou claramente os mais ricos em detrimento da classe média; é natural que Kerry, se eleito, reverta um pouco a situação;
- política externa: os Democratas, embora pró-israelitas, tendem a equilibrar um pouco mais os pratos da balança no conflito em torno da Palestina; dão também mais atenção à questão balcânica (há quem diga que Kerry levaria à completa independência de Montenegro e, quiçá, do Kosovo) e, estou certo, NUNCA teriam invadido o Iraque – não é uma diferença menor.
Se nos lembrarmos do beato consenso das nossas democracias europeias relativamente à construção europeia (e desconstrução das nações), ao politicamente correcto, à ortodoxia da política monetária (controlo obsessivo do défice e da taxa de inflação), vemos que se calhar as diferenças entre Democratas e Republicanos até são maiores do que parecem à primeira vista.
Nota final: não me parece correcto dizer, como faz o BOS, que “John Edwards, um self made man da Carolina do Sul, (está) habituado a negociar com a alta finança e as multinacionais”. Se o está, fê-lo na pele de advogado de membros da classe média em vias de serem espoliados por seguradoras e outros tubarões sempre prontos a sugar quem tem poucos meios de defesa. Daí a sua popularidade. Não digo isto porque o admire especialmente, mas sim porque é um facto que merece ser citado.
Publicado por FG Santos às 12:53 PM | Comentários (3)