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outubro 20, 2004
Nobreza Humana
Confesso que as discussões que por vezes travo na blogosfera me deixam fatigado e com uma sensação de desgosto, sobretudo quando vejo que há desavenças entre pessoas de valor, mas que parece não quererem ver o ponto de vista do outro (e a culpa há-de ser regra geral de ambos).
Foi após mais uma destas tricas que me veio parar ao correio-e um texto apócrifo com o título deste post. Vinha num português um bocado "macaco", de modo que alterei algumas frases mas mesmo assim não ficou perfeito.
É esse texto que aqui vos deixo.
"Tudo que é nobre é difícil de ser alcançado."
Spinoza
NOBREZA HUMANA
Possivelmente já ouviu ao menos falar sobre os três tenores. O italiano Luciano Pavarotti, os espanhóis Plácido Domingo e José Carreras. É possível mesmo que os tenha visto na TV, abrilhantando eventos como o campeonato do mundo de futebol.
O que talvez não saiba é que Plácido Domingo é madrileno e José Carreras é catalão. E que há uma grande rivalidade entre madrilenos e catalães. Plácido e Carreras não fugiram à regra. Em 1984, por questões políticas, tornaram-se inimigos.
Sempre muito requisitados em todo o mundo, ambos faziam constar em seus contratos que só se apresentariam se o outro não fosse convidado.
Em 1987, Carreras ganhou um inimigo mais implacável que Plácido Domingo. Foi surpreendido por um terrível diagnóstico de leucemia. Submeteu-se a vários tratamentos, como auto-transplante de medula óssea e trocas de sangue. Por isso, era obrigado a viajar mensalmente aos Estados Unidos.
Claro que sem condições para trabalhar, e com o alto custo das viagens e do tratamento, logo sua razoável fortuna acabou. Sem condições financeiras para prosseguir o tratamento, Carreras tomou conhecimento de uma instituição em Madrid, denominada Fundación Hermosa. Fora criada com a finalidade única de apoiar a recuperação de leucémicos. Graças ao apoio dessa fundação, ele venceu a doença. E voltou a cantar.
Tornando a receber altos cachets, tratou de se associar à fundação. Foi então que, lendo os estatutos, descobriu que o fundador, maior colaborador e presidente era Plácido Domingo. Mais do que isso. Descobriu que a fundação fora criada, em princípio, para o atender a ele, Carreras. E que Plácido se mantinha no anonimato para não o constranger por ter que aceitar auxílio de um inimigo. Momento extraordinário, e muito comovente aconteceu durante uma
apresentação de Plácido, em Madrid. De forma imprevista, Carreras interrompeu o evento e se ajoelhou a seus pés. Pediu-lhe desculpas. Depois, publicamente agradeceu-lhe o seu contributo para o seu restabelecimento.
Mais tarde, quando concedia uma entrevista na capital espanhola, uma repórter perguntou a Plácido Domingo por que é que ele criara a Fundación Hermosa. Afinal, além de beneficiar um inimigo, ele concedera a oportunidade de renascer a um dos poucos artistas que poderiam fazer-lhe alguma concorrência.
A resposta de Plácido Domingo foi curta e definitiva: "porque uma voz como essa não se podia perder".
Publicado por FG Santos às outubro 20, 2004 05:04 PM
Comentários
Há coisas que são património da humanidade.
Mas ainda há quem faça circulos á volta do seu próprio umbigo. Esta blogosfera está cheio deles...confundem meios com fins.Fazem de meios fins... Preocupados que estão com o seu pequeno quintal.
Um abraço
Publicado por: Legionário em outubro 21, 2004 02:42 PM