« Poema dedicado ao Corcunda | Entrada | Eleições do Atlântico aos Urais »

outubro 16, 2004

Nelson Buíça, liberalismo e o que mais se há-de ver

À laia de boca a um texto meu em que dizia que não era por não concordar com nem que fossem uns 75% daquilo que era dito num qualquer blogue que deixaria de o linkar se achasse que tinha qualidade, o Nelson, curioso como sempre, quis saber se era a ele que eu me estava a referir.
Não era ele que eu tinha em mente.
O nosso amigo da Invicta não gosta do comunismo. Eu também não.
É patriota e gosta do seu país. Eu também.
Encara a liberdade como um valor a defender. Eu também, eventualmente nos seus limites é que divergimos. Porque ao definirmos os limites que ela deve ter estamos no fundo a dizer que há outros valores que ela não pode desrespeitar. Poderá ser o interesse nacional, uma situação limite de crise societal, ou muito simplesmente... a liberdade do outro.
Ele gosta das monarquias constitucionais. Eu sou monárquico porque, entre outros motivos, acho uma vergonha que o chefe de Estado represente apenas um leque de opinião da sociedade. E acho que o soberano deve submeter-se aos princípios de interesse geral expressos numa Constituição.
O Nelson acha que fascismo e comunismo são as duas faces da mesma moeda, que é a opressão dos povos por um Estado super-poderoso subjugado a uma ideia de sociedade totalitária. Está em parte correcto na forma, no conteúdo é tema que daria não para outro post mas para volumes inteiros de especulação e análise comparada de sistemas políticos. De qualquer modo prometo voltar ao tema.
Ele é liberal, quase diria “à outrance”. Eu não sou anti-liberal, acho que o liberalismo pode funcionar relativamente bem num país se este não abdicar do controlo daquilo que passa pela sua fronteira: sejam bens e serviços, sejam pessoas. Não é o que se passa actualmente, e muito menos na nossa UE sovietóide. A intervenção do Estado deverá ser discreta mas em última análise deve submeter-se não à eficiência económica mas ao interesse nacional e ao respeito pela dignidade da sua população e condições de vida.
O Nelson acredita que a liderança mundial dos EUA é algo de bom para o mundo. Tenho grandes reservas a este respeito, as consequências políticas, económicas, sociais e culturais dessa intervenção são em muitas circunstâncias desastrosas para a paz, para o equilíbrio das nações, para a sua independência, para a afirmação da sua cultura...
Ele concorda com o apoio americano a Israel. Compreendo que um país como o estado hebreu, cercado de potenciais inimigos, vive num equilíbrio precário. Não aceito de modo algum que esse facto leve a superpotência dominante a fechar os olhos a todas as atrocidades que têm sido cometidas por Israel desde 1948. Se aceitamos barbaridades “porque os outros também as fazem ou são piores” entramos no campo da barbárie pura e simples e do retrocesso civilizacional.
O Nelson gosta do debate aberto e franco de ideias. Apesar dos pontos acima em que estamos em alguma sintonia, este é aquele em que essa sintonia é perfeita.

Publicado por FG Santos às outubro 16, 2004 06:44 PM

Comentários

Subscrevo (quase) na totalidade!
Sobretudo a parte final...
Queremos e trocar ideias, aproximar-mo-nos da Verdade atraves deste metodo socratico que consiste em ouvir, pensar e argumentar!

O resto sao interferencias...

Publicado por: O Corcunda em outubro 16, 2004 07:51 PM

Já há muito que apreciava os seus comentários em diversos blogs. Em boa hora decidiu criar o seu próprio blog, do qual sou leitor assíduo. Parabéns!

Publicado por: JLL em outubro 16, 2004 07:53 PM

Caro JLL, obrigado pelas amáveis palavras.
Escuso de dizer que a "Casa" é sua.
Um abraço.

Publicado por: FG Santos em outubro 16, 2004 10:57 PM

Ainda bem que não era a mim que tinha em mente. Estava a ficar preocupado :-)

Temos, ao que parece, bastantes pontos de acordo.
Para além dos que enumerou, também eu acho que a UE, nos actuais moldes, é uma instituição 'sovietizante', chegando a fazer a figurinha ridícula de 'sovietizar' constantemente uma economia de mercado, o que é ridículo.
Em relação aos EUA (paía que aprecio na generalidade), apenas digo que a liderança deles (na História houve sempre alguem a 'liderar') é melhor que as alternativas que se perfilam, visto a UE não estar em condições de liderar coisa alguma.
Reconheço, no entanto, uma crescente incompetência (e cegueira) na direcção daquele país, o que pode ser, em última análise, bastante perigoso.

Em relação a Israel concordo na ÍNTEGRA com a sua análise.

Publicado por: Nelson Buiça em outubro 19, 2004 04:10 PM