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outubro 19, 2004

Manuel Monteiro

Muitos blogues da área nacional têm quase diria uma obsessão em criticar Manuel Monteiro, líder do PND. A situação compreende-se: o jovem dirigente parece na verdade mais preocupado em chegar a um lugar de poder do que em defender com unhas e dentes as ideias que proclama.
Exemplo disso parece ser o aparente namoro ao PS no sentido de formar uma eventual coligação, que seria no fundo do interesse de ambos: os socialistas porque dificilmente obterão maioria absoluta e Sócrates não parece inclinado a coligar-se à sua esquerda; o PND porque seria a forma de chegar ao poder.
Desde que o PSD se coligou com o PP que Monteiro terá percebido que só com o PS “é que lá ia”. Até já existe um precedente semelhante, com a (efémera) coligação PS/CDS pouco antes do advento da AD.
Desta forma, MM, que surgira como um crítico feroz do sistema e dos deputados “sangessugas” (expressão sua), parece ter-se rendido às prebendas de que poderá beneficiar um dia. Não ajuda a credibilizar a classe política, mais a mais porque em dado momento ele “parecia diferente”.
Confesso que no início simpatizei com o personagem. MM surgia com um discurso diferente, inovador e... de direita assumida sem complexos: críticas à classe política pelo seu conformismo e falta de transparência de processos, críticas ferozes (que muito me agradaram) ao tratado de Maastricht e ao federalismo, críticas ao sistema educativo e apelo a que se voltasse a um sistema que efectivamente avaliasse os alunos e não promovesse a passagem de ano dos que o não mereciam. Até à sua recusa em apoiar Cavaco Silva contra Sampaio mostrou um homem que parecia não renegar as suas ideias (ao contrário de Portas que, após anos a “cascar” no cavaquismo nas páginas do “Independente” declarou grotescamente o seu apoio ao homem de Boliqueime).
Depois foi “golpe de Estado” interno no PP, a travessia do deserto, os estudos em Paris e temos de volta um homem que agora advoga um sistema presidencialista à francesa (Mitterrand, antes de ser presidente – claro! – caracterizara esse sistema como o golpe de Estado permanente), o seu apoio à eventual candidatura de... Cavaco Silva (!), o namoro implícito ao PS e a um grupo de euro-deputados assumidamente federalista...
Um político como os outros.

Publicado por FG Santos às outubro 19, 2004 11:44 AM

Comentários

"um político como os outros."
Sim. Invertebrado como os outros. Oh, sistema podre...

Publicado por: jav em outubro 19, 2004 12:08 PM

Na altura também tive a esperança que o MM fosse um político diferente. Mas foi sol de pouca dura; quando começaram as lutas internas para a tomada do poder no PP vi logo o filme todo até ao fim. E que triste fim. Dele e do actual PP.

Publicado por: JLL em outubro 19, 2004 01:05 PM

Manuel Monteiro é mais um político, igual aos outros, sem moral nem convicções, que não olha a meios para agarrar o poder...
Bom postal :)

Publicado por: Viriato em outubro 19, 2004 04:01 PM

É sempre bom recordar que Manuel Monteiro debutou, politicamente, na JS. Pois foi. E quem aprende - para o bem e para o mal - nunca esquece!

Publicado por: Mendo Ramires em outubro 20, 2004 05:03 PM